Notas iniciais
Olá leitoras,
desculpem a demora para postar.
Gostaria de agradecer as recomendações que recebi de:
DEA, Lyne Masen, MyAraújo, geeh e carinab.
Muito obrigada pelas palavras e incentivos.
A todos os comentários que recebi também agradeço, pretendo responder em breve.
Esse capítulo teve a ajuda de
Nara_Rosa
Ela me deu algumas ideias e escreveu uma parte do capítulo.
Obrigada Nara.

Estava vagando naquele estado em que o sono não me permitia acordar. Meus pensamentos estavam nublados pela sonolência.

Meu primeiro pensamento coerente depois de descobrir que estar acordada é que queria voltar a dormir imediatamente. Porém, algo não estava exatamente certo, parecia que estava perdendo algo importante.

Minha mente pouco coerente correu para os acontecimentos do dia anterior. E minhas prioridades mudaram. A sonolência não importava. Dormir se tornou insignificante perto da magnitude de minhas lembranças convergiram em uma só direção.

Edward.

Um sorriso lentamente se espalhou por meu rosto enquanto estiquei a minha mão tateando a cama à procura de certo vampiro.

- Procurando alguma coisa? – uma voz gentil surgiu próxima à janela. Janela? Minha Vadia Interior um pouco adormecida perguntou. Porque diabos ele não está ao nosso lado?



Essa era uma ótima pergunta. Como perdi a oportunidade de acordar ao seu lado? Isso seria corrigido da próxima vez.


Próxima vez.


Gostei do som disso.



- Volte para cama. – o tom de comando de minha voz foi perdido no meio de um bocejo.

Rapidamente, braços gelados circularam minha cintura. Forks poderia ser uma cidade fria, mas o frio de seus braços não me incomodava, pelo contrário, tudo que sentia era o conforto em seus braços que esquentava minha alma. Estar em seus braços parecia tão certo. Coloquei a minha cabeça em seu peito e me aconcheguei em seu corpo. Senti beijos delicados em minha cabeça e testa.



Se não estivesse lendo isso pensaria que era invenção de minha cabeça. Como Bella pode se sentir confortável em meus braços? Eles são tão frios e duros. Não parece uma ideia agradável de conforto. Tinha que ficar feliz em seu cérebro funcionar o contrário dos humanos. Essa era a única explicação plausível. Seus sentidos eram todos invertidos.


Diferente de mim. Como seria sentir um corpo quente e macio ao meu lado? Depois de décadas sem ter o conforto do calor ao meu lado. Confortável nem começava a expressar o que seria. Controlei a inveja que ameaça trasbordar. Ter esse sentimento por mim mesmo seria no mínimo estranho.



- Voltou a dormir? – perguntou suavemente.

- Hm... – tentei falar que precisava de mais cinco minutos antes de acordar, porém só saiu um resmungo. Agora que tinha sentido que ele estava ao meu lado podia voltar a dormir. Acho que ele falou alguma coisa, não podia ter certeza do que era, pois tinha dormindo novamente.



Ri levemente com seu comentário. Como vampiro o sono não é uma realidade em minha vida, porém com o meu dom tenho certo conhecimento dos humanos. É além de minha imaginação entender como os humanos acreditam que apenas cinco minutos fará seu sono diminuir.


Cansei em ler em suas mentes como estavam atrasados. É engraçado ver quando eles desligar o despertador e afirmam que em cinco minutos irão acordar pela simples força de vontade. Tenho a impressão que Bella não seria diferente.



Como prometido depois de cinco minutos me sentia mais desperta.

Talvez esteja enganado.



- Bom dia. – dei um beijo suave em seu peito onde estava apoiada.

Ele riu suavemente. – Achei que não iria mais acordar.

- Do que você está falando? – tentei me espreguiçar em seus braços. – Só precisava de cinco minutos antes de estar completamente acordada.

- Cinco? Então acho que você está mais do que desperta porque você adormeceu por quase uma hora.



Ou talvez eu esteja certo.


Jamais ela estaria tão desperta se tivesse ficado apenas mais cinco minutos cochilando.



- Oh. – foi tudo que consegui falar. Tinha dormindo mais do que pensava. Se bem que ainda nem estava pensando direito, estava bastante confortável que não queria me mexer. Apesar de seu peito ser duro como pedra ele se moldava perfeitamente em meu corpo, parecendo que foi criado exclusivo para mim.



Não mais confortável do que eu. Ter seu corpo macio e quente em cima do meu era uma sensação que daria tudo para estar sentindo nesse momento. Como posso ter saudades de algo que ainda nem aconteceu?



- Meu pai já acordou? – Uau, já está até conseguindo pensar. Zombou minha V.I. O que posso fazer se não sou uma pessoa da manhã? Minha coerência demorava um pouco a aparecer. Agora que a realidade estava penetrando em minha cabeça.

- Ele foi embora há uma hora, depois de verificar você. – fiquei feliz que Edward teve o bom senso de se esconder.

- Por isso você não estava na cama? – poderia dar um desconto por não estar ao meu lado na cama. Afinal, ele precisava sair da vista do meu pai. Não queria nem imaginar o que aconteceria se meu pai pegasse Edward em meu quarto. Foi bastante prudente ele se esconder. Pensando nisso... Onde será que ele se escondeu? Será que ele ficou dentro do armário? Lutei contra um sorriso imaginando essa cena. Oh, pena que você tem uma cama Box. Você poderia imaginá-lo debaixo da cama? Yeh, isso séria hilário, um vampiro centenário se escondendo do chefe de polícia local.



Claro, Bella acharia hilária minha situação. Tenho sorte de está sozinho em casa. Emmett jamais esqueceria isso. Nunca imaginei que estaria nessa situação. Escondendo do chefe de polícia. Precisei de um século para começar a viver como adolescente, pelo visto comecei bem. O lado bom de ser vampiro é que tinha sentidos apurados. Tinha certeza de que fosse humano estaria em grandes apuros para ficar ao seu lado. Levar um tiro do chefe de polícia não parece ser agradável.



- Sim. Tive que me esconder no banheiro. – isso era decepcionante. Preferia o armário. Seria bem mais engraçado.



Pelo menos não tive que pular a janela.



- Falando nisso. Volto logo. – levantei da cama em direção ao banheiro. Minha bexiga estava apertada. Isso fez uma dúvida se formar em minha cabeça, que tipo de hábitos humanos Edward ainda tem? Ele me falou que dormir não era um deles. O que mais ele não faz? Será que ele ainda usa o banheiro e toma banho? Algumas dezenas de perguntas foram se formando enquanto escovava meus dentes e lavava meu rosto. Meu cabelo estava mais bagunçado do que o costume, algo me dizia que Edward tinha algo a ver com isso. Lembrava que suas mãos estavam acariciando meus cabelos. Apesar do emaranhado, não trocaria sua caricia por um cabelo arrumando, afinal, nada que uma escova não resolva.



Como seria acariciar seus cabelos? Gostaria de saber o quão sedosos devem se sentir entre meus dedos. Imagino que teria um grande problema em manter minhas mãos de Bella. Pelo menos ela não parecia se importar de ter causado um caos em seus cabelos.



Voltei para o quarto e ele tinha saído da cama para estar sentado na minha cadeira de balanço.

- Venha aqui. – pediu esticando os braços. Não precisava de outra palavra antes que me joguei em seu colo.

Ele me embalou por algum tempo, até que eu reparei que as suas roupas estavam trocadas.

- Você foi embora? – perguntei com um tom de acusação. Achei que ele só tinha saído para se esconder de meu pai, usando roupas novas, mostrava que ele tinha ido a sua casa e não me avisou.



Claro que voltei. Minha família deveria estar enlouquecendo de preocupação. Bella não tem noção do risco que correu em ficar tão próxima a mim. Não fazia a menor questão de lembra-la.


Apesar de sempre contarmos com Alice, eles deviam estar aflitos por ouvirem tudo pela minha boca.



— Precisava trocar de roupas, não podia correr o risco de algum vizinho fofoqueiro notar. – ainda estava fazendo careta. – Aproveitei quando você caiu em um sono profundo para você não perceber.

- E quem disse que não percebi? – Ok, lógico que não tinha reparado. Mas ele não precisava saber disso. O ponto era que não gostei nenhum pouco de acordar sozinha na cama. Para de ser dramática, ele só dormiu um dia com você e já está pegajosa desse jeito? Desgruda chiclete! Minha V.I. pode pensar que sou dramática, porém meus sentimentos por Edward era algo que nunca tinha sentindo antes, dormir ao seu lado por um momento foi o suficiente para querer transformar isso um hábito. Por isso precisava estabelecer alguns pontos com meu vampiro. – Não se atreva a sair sem me avisar novamente ou você estará em apuros. – ameacei.



Oh, minha doce Bella. Isso não seria problema algum. Na realidade, poupava um pouco do meu ego não ter que implorar para passar mais uma noite ao seu lado.



Seu sorriso era gigante. O que me deixou confusa. Não era para ele estar com medo? – Sim senhora. Isso não irá se repetir. – falou em tom formal. Acho que ele entendeu a mensagem.

Nosso momento foi interrompido por um barulho alto. Será que existe leão na floresta de Forks?

Fujam para as colinas há um leão aqui!

- Hora do café da manhã. – Isso foi meu estômago? Senti um corar surgir em meu rosto. O que fez Edward rir docemente. Realmente estava com fome. Outro ponto a pensar sobre nossas diferenças. Não sabia com que frequência ele se alimentava. Será que estava com fome? Se estivesse eu não tinha nada para oferecer. Apenas se ele me quisesse em uma bandeja. Uma imagem minha deitada em uma bandeja com uma maçã na boca surgiu em minha. Será que é assim que um porco se sente?



Fiz uma careta com sua comparação. Como ela pode fazer piada com sua vida? Será que um dia ela terá a exata noção do perigo que represento? Sinceramente espero que não. Sua ignorância no assunto era o que me proporcionava sua companhia. Esperava que ela ainda não fosse externas suas dúvidas sobre nossa diferença de espécie, não queria incomoda-la com meus hábitos alimentares.



Minha linha de pensamento foi cortada abruptamente quando notei que Edward me jogou sobre o seu ombro de pedra gentilmente, mas com uma rapidez que me deixou sem fôlego. Eu protestei enquanto ele me carregava facilmente pelas escadas, mas ele me ignorou.



Nota mental: carregar Bella mais vezes como um homem das cavernas.



Quando chegamos à cozinha ele finalmente me deixou no chão. Segurei fortemente a vontade de dar língua para ele. Tinha certeza que isso apenas o divertiria ainda mais.

Olhando em volta da cozinha resolvi provoca-lo. Se eu estava certa ele não se preocupou com alimentação humana em algumas décadas. – E então, o que temos para o café da manhã? – olhei para mesa fazendo cara de surpresa. – Achei que você tinha me convidado para tomar café. Não estou vendo nada pronto.



Idiota.


Estúpido.


Imbecil.


Como eu a convido para tomar café e não preparo nada?


Aliás, o que os humanos comem? Ou melhor, como se prepara um café da manhã?


Nota mental: aprender a cozinhar com urgência.



Ele parecia claramente desconcertado. – Bem, eu não sei... Quer dizer... Eu não sabia... Bom, veja bem, tem anos que eu não... Minha dieta é diferente da sua... – Uau. Um vampiro podia gaguejar? Parecia que o meu podia. Ele tomou uma respiração profunda. – O que posso fazer para você? Se você me falar acho que posso tentar alguma coisa. – perdi a conta de quantas vezes sua mão passou pelos seus cabelos. Aumentando ainda mais o caos que era. Ele sempre fazia isso quando estava nervoso. Parece que alguém perdeu a compostura.



Ela notou meu tique nervoso. Afinal o que ela não nota?


Imagino o quão frustrado estava em não ter deixado nada pronto para surpreendê-la. Como posso querer agrada-la assim?


Primeiro esqueço que ela tem que comer em um tempo menor do que o que tenho que caçar. Deixei Bella com fome no dia anterior não a levando para almoçar, apenas ela perdoaria tão facilmente meu lapso. E agora, quando quero mostrar que lembro que ela tem que comer, não deixo nada preparado. Nunca fui uma pessoa relapsa e tenho que ser justamente para aquela que mais me importo?



Gargalhei. Era tão divertido deixá-lo encabulado. – Eu estou brincando seu bobo. Tenho amor ao meu estômago. Já vi Charlie na cozinha e tenho a impressão que você seria ainda pior. Então acho melhor você se sentar e me observar caçar. – dei uma piscadela para ele. O que me fez ganhar um sorriso. Ele pareceu mais aliviado, o constrangimento ainda estava lá, sua postura mostrava que algo o estava incomodando, seja lá o que for minha barriga não queria saber, ela exigia comida. Enquanto ele sentava-se na bancada comecei a preparar um lanchinho rápido. Peguei a garrafa de leite e a de suco e dois copos. Peguei vários ingredientes para preparar dois sanduiches. Fiquei um pouco pensativa na frente da geladeira... Queijo, tomate... Calabresa... Hum... Será que coloco alface?

Estava tão acostumada a inventar coisas para comer que quando percebi tinha montado dois sanduiches. Enchi um copo com suco e outro com leite e peguei um recipiente para preparar algumas panquecas.



Nota mental: Aprender a cozinhar para um batalhão.



- Bella. – Edward chamou minha atenção. Ele parecia inquieto. – Você sabe que eu não como o mesmo que você, certo?

Olhei um pouco surpresa. – Claro que sei.

Ele pareceu um pouco confuso. – Então porque está fazendo comida para duas pessoas?

- Duas? – agora era minha vez de ficar confusa. – Estou cozinhando só para mim.

- Você vai comer tudo isso sozinha? – falou espantado.

- A não ser que você queira alguma coisa, então sim.

- Como um ser tão pequeno pode comer tanta coisa? – ele parecia perplexo.

- Você está falando que como muito? – falei um pouco indignada. Nem tinha começado a fazer as panquecas ainda. Estava pensando em comer umas três ou quatro. Hum... Pensando melhor, não almocei ontem e precisava repor o que perdi. Era melhor cinco. Quer dizer cinco não, que não gosto de número ímpar, então seis. Minha barriga ficou feliz com essa conclusão.

- Não. – tive a impressão de que ele estava mentido. Porém, estava devorando os sanduíches e minha mãe me disse que é feio falar de boca cheia. Infelizmente não pude falar até que terminei tudo.



Nota mental: Não demonstrar surpresa quando Bella comer o suficiente para três pessoas.



Com parte da minha fome saciada pude começar a preparar a massa da panqueca.

- O que está fazendo? – revirei meus olhos quando lhe respondi o que era. Como ele não viu que estava preparando a massa? – Você ainda vai comer? – qual era o problema dele? Acho que ele tinha inveja, afinal sua comida corria dele enquanto a minha ficava paradinha em meu prato. Tenho certeza que ele não podia conversar enquanto comia. Se fizesse sua comida ia ter ido embora.

Ele balançou a cabeça parecendo impressionado. – Acho que me enganei. Você come o suficiente não para duas e sim três pessoas. Agora sei por que você era tão pesada. – sua voz mostrava o seu humor e isso só me fez irritada.

- O que? – falei calmamente. Pude notar ele estremecer. Bom, talvez não tenha falado muito calma, posso ter gritado um pouco. Pensando bem, acho que minha voz saiu mais estridente do que o normal – Você seriamente está falando do meu peso?



Nota mental: Nunca. Jamais. Em tempo algum, mencionar o peso para uma mulher.



- É claro que não. Eu estava brincando, juro Bella. – ainda estava fazendo careta com seu comentário. Ele me acha gorda? – Você sabe que não precisa se preocupar com nada disso. – me tranquilizou. – Eu acho você linda e acredite em mim, não sou o único. Conheço a mente dos garotos de Forks High School e você não tem noção o esforço que tenho que fazer para me controlar para não machuca-los... Gostaria de manter você só para mim para evitar que qualquer um tivesse o privilégio de apenas vê-la... – sua voz que antes era firme com sua declaração terminou em um sussurro doloroso. – Sou uma criatura essencialmente egoísta, mas tento não extrapolar. – Edward estava me amolecendo. Antigamente eu daria um pedaço da minha mente para sua declaração anterior, mas agora eu só queria confortá-lo.



Tristeza que estava se tornando familiar em meu peito. Minhas mudanças de humor eram surpreendentes. Queria que minha relação com Bella fosse só alegria e felicidade. Infelizmente não era possível pelo que sou. Como posso estar inteiramente feliz sabendo o quão egoísta era em ficar em seu caminho? Mesmo agora tudo que mais quero é conhecê-la e tornar realidade tudo que li.



- Você não é egoísta Edward. E você não tem que se preocupar com os outros, só tenho olhos para você. – dei um selinho nele, o que ele aprofundou em um beijo suave e carinhoso.

- Então... – falou depois de um momento. – Posso ajudar? – pensei em sua proposta. Ele parecia muito ansioso para fazer alguma coisa. Porém, não estava nenhum pouco confiante em suas habilidades na cozinha. Como não queria que sua mente fosse por caminhos mais sombrios optei por dar uma tarefa mais fácil.

- Você pode bater a massa. – apontei para a vasilha em que estava o trigo, leite e ovos. Fui pegar a frigideira e manteiga para começar a preparar quando um barulho me chamou a atenção. Quando olhei na direção do Edward. Não sabia se ria ou ficava chocada com a cena. – Edward! – chamei sua atenção. – Eu te pedi para bater a massa não espancar até a morte a pobre coitada! – a massa estava espalhada por toda a mesa com a força que ele usou para mexer.



Acho que preciso aprender a controlar minha força.



- Eu não sei se consigo fazer isso. Acho que vou ter que me esforçar para aprender se quiser cozinhar para você – ele parecia um pouco chateado consigo mesmo. Pude perceber o quanto ficou decepcionado. Isso me fez perceber que ele realmente queria me agradar. Fiquei impressionada que ele realmente quisesse cozinhar para mim. Se ele conseguisse aprender, acho que ele teria meu amor eterno, um homem como o Edward e ainda por cima que saiba cozinhar era meu sonho de consumo. Afinal, meu ponto fraco é meu estômago.



Reforçando a nota mental: Aprender a cozinhar com URGÊNCIA.



- Não tem problema seu bobo. Vou ensinar para você a arte de preparar uma panqueca – aproximei-me de onde ele estava pegando a tigela logo e coloquei novos ingredientes, pedindo que ele limpasse a bagunça enquanto eu o fazia. Quando me virei, a mesa já estava impecavelmente limpa. Nem parecia a bagunça que estava há alguns segundos. Será que ele ficaria muito incomodo em me ajudar a limpar a casa? Tenho certeza que terminaríamos bem rápido.

Claro que não me importo. Será que Bella ainda não percebeu que eu faria tudo por ela? Faria a limpeza completa em sua casa em um par de minutos.



Em cada momento descubro uma nova habilidade de Edward. Até agora seu único defeito foi na cozinha. O que não posso estranhar afinal ele tem cara de que nunca fritou sequer um ovo mesmo quando era humano. Acho que naquela época isso era atividade para as mulheres.

Bella estava certa. Apesar de pouca memória humana nenhuma relacionada a cozinhar me vem à mente. Tinha que aprender a cozinhar, não posso deixar que ela pensasse que só tenho habilidades por ser um vampiro.



Acho que a maior habilidade dele é a arte de beijar. Só lembrar os beijos que trocamos ontem me fez ruborizar.

Sorri presunçosamente com seu elogio. Nunca tinha beijado outra pessoa antes. Era interessante saber que era bom nisso. A quem quero enganar? Ter minha menina falando dos meus beijos fez meu ego nas alturas. Quem se importa com cozinha afinal?



Edward me olhava atentamente parecendo procurar o motivo por traz do meu rubor. Tentado limpar minha mente, trouxe a tigela até a mesa – Vem cá, vou te ensinar a bater uma massa – ele chegou perto de mim, mas estava um pouco retraído. Sorri um pouco e puxei-o pela mão. Fiz com que ele colasse seu corpo em minhas costas. Segurei a tigela com a mão esquerda e a colher com a mão direita. Olhei atentamente para ele esperando que pegasse a dica. Edward não me decepcionou e posicionou suas mãos entre as minhas imitando minha posição. Depois que mostrei como fazer, invertemos as posições de nossas mãos. Edward agora estava segurando a tigela e a colher e eu ia guiando seus movimentos. Apesar de sua mão ser bem maior e ser mais forte do que eu, facilmente consegui o conduzi na arte de fazer panqueca.



Nota mental: Esquecer as notas anteriores e deixar Bella me ensinar a cozinhar.


Quem precisa aprender a cozinhar sozinho se minha garota pode perfeitamente me ensinar?


Nunca pensei que acharia a cozinha um lugar tão agradável.



A cena era bastante caseira. Uma que nunca pensei em protagonizar. Apesar da simplicidade do momento foi uma das melhores manhãs da minha vida. Estar ao seu redor era natural. Sem esforço. Trabalhávamos bem juntos.



Concordava plenamente com Bella. Todos meus melhores dias eram com ela ao meu lado. Mesmo vivendo esses momentos apenas através de um diário era o melhor dia da minha vida, imagine quando viver a coisa real.



Meus motivos quando me mudei para Forks eram simples. Possibilitar minha mãe em viajar com Phil e conhecer um pouco meu pai biológico. Nem em meus pensamentos mais otimistas pensei em encontrar o amor da minha vida e ser tão feliz em Washington.



Amor da sua vida? É assim que Bella me ver?


Eu não tinha dúvidas que Bella era minha companheira. Meus sentimentos por ela eram inenarráveis, não consigo imaginar que ela corresponda. Tenho certeza que Bella gosta de mim, ela já demostrou isso inúmeras vez, mas me ver como algo a mais era difícil acreditar. Provavelmente ela só estar deslumbrada com sua primeira paixão.


Por que dói tanto pensar dessa forma?


Era melhor não ver desse modo. Fiquei feliz em apenas saber que sou um dos motivos de sua felicidade. Sim, era melhor pensar desse jeito. Só em saber que a fazia feliz era o suficiente para mim.



Seu corpo estava completamente relaxado, aos poucos ele foi se aproximando e agora parecia que estávamos nos abraçando. – Acho que você já pegou o jeito, posso deixar você bater a massa, sozinho e sem minha ajuda. – brinquei. Não estava com nenhuma vontade de sair de seus braços.

- Acho que não consigo – ele falou baixinho.

- Bater a massa? – ele só podia estar brincando, sem dúvidas ele já tinha pegado o jeito.

- Não. Soltar-me de você – eu virei à cabeça um pouco para encará-lo e, por um momento, me perdi em seus olhos dourados.

Delicadamente ele me virou em seus braços para poder aprofundar seu beijo. Nem notei o momento em que fiquei em cima da bancada. Seu beijo me fazia perder o equilíbrio. Talvez seja por isso que ele me deixou em uma posição sentada. Infelizmente precisei respirar e tivemos que nos separar.



Tenho a impressão que meus motivos para deixa-la em cima da bancada eram bem menos cavalheirescos. Era bom não imaginar muito profundamente esses momentos. Se fosse humano estaria suando. Desde quando Forks é quente?



Estava sem fôlego. Seus beijos me fazia esquecer tudo ao meu redor. Se não fosse para comer, juro que seria impossível me soltar de Edward, porém minhas panquecas estavam a minha espera e as terminei rapidamente – sem ajuda de Edward é claro.

Ser trocado por um prato de panquecas foi um pequeno golpe no meu ego. Não trocaria Bella por um leão da montanha.



Fiz uma pilha em um prato e acrescentei uma boa dose de mel. Não perdi tempo em começar a devora-las.

Quando estava no final das panquecas lembrei que não estava sozinha. Edward parecia pensativo.



Devia ficar ofendido que ela me esqueceu por um prato de panquecas? Sim, sem dúvidas meu ego saiu ferido desse café da manhã.



- Uma moeda por seus pensamentos? – brinquei. Edward sempre me perguntava o que estava pensando, agora estava curiosa para saber o que passava em sua mente. Será que ele estava pensando em mim?

- Em seu pai. – Uau. Foi um pequeno golpe no meu ego, pelo visto estou perdendo para o Chefe Swan. – Bella, o seu pai aparenta gostar da minha família, mas dado ao nosso último encontro, me pergunto o que ele vai achar de mim quando você me apresentar como seu namorado – eu me engasguei com o último pedaço de panqueca e precisei beber um pouco de suco para voltar a falar.



Se não estivesse sentado teria caído ao ler isso. Namorado. Eu era o namorado de Bella Swan. Bella era minha namorada. Estávamos namorando. Acho que não iria parar de sorrir.


Toma essa, garotos estúpidos de Forks. Bella é minha!



- Como assim namorado?

- É o termo usado para definir uma relação de interesse amoroso recíproco entre duas pessoas. – Ele respondeu formalmente como se estivesse citando algum dicionário, como o conhecia sabia que era para disfarçar seu nervosismo.



Por mais que nunca tinha ouvido sua voz, a forma de sua pergunta me fez vacilar. Era isso que tínhamos certo?


Quer dizer, Bella disse que estava apaixonada por mim, e eu sem dúvidas tinha caído no amor por ela.


Depois do dia que passamos e dos beijos trocados nossa relação era mais que amizade, a menos que...


Oh! Quão estúpido posso ter sido? Deixei minhas esperanças tomarem o melhor de mim. Bella podia estar apaixonada por mim, mas isso não significava que ela iria me querer como seu namorado, para apresentar ao seu pai. Posso até imaginar a cena.


Olá pai. Esse é Edward Cullen meu namorado. Ah, não sei se mencionei antes, mas ele é um vampiro e tem mais de cem anos. E antes que esqueça, sabia que ele anseia meu sangue mais que de qualquer outro humano?


Sem dúvidas seria uma bela apresentação para quebrar o gelo. Engoli o gosto amargo da decepção que sua recusa me causou.



- A menos que... Desculpe Bella, eu não devia ter imaginado algo que nunca existiu. – ele falou com uma voz que revelava uma dor antiga e profunda.

Sua tristeza chamou minha atenção. Conseguir captar a dor e derrota em seu olhar antes de ele desviar e olhar fixamente para o chão. Não entendia o motivo de sua mudança de humor. Uma hora ele está falando em namoro e logo depois ele parece estar sentindo dor...

Oh, não! Ele tinha entendido errado meu motivo de hesitação. Precisava lhe explicar rapidamente antes que ele pensasse que o estava rejeitando.



E não era o que estava fazendo? Ela estava em dúvida em me aceitar como seu namorado. Sua hesitação era prova de que não estava preparada para assumir uma relação comigo. Por mais que me doa, aceitaria qualquer coisa que ela me daria. Se ela quisesse que mantivéssemos nossa relação escondida, que assim seja. Agora tinha certeza que ela não me via como seu amor e sim era apenas uma paixão passageira.



- Edward! Não pense assim. Eu não disse que não. Você meio que me pegou de surpresa.

- Você não está me rejeitando? – perguntou quase esperançoso.

- Como posso lhe rejeitar, se você nunca me perguntou? – ergueu sua cabeça, até então baixa, e me encarou com os olhos brilhando. Sua expressão agora era de quem havia se esquecido de algo e acabara de se lembrar, achando-se um tolo.



Como posso ficar tão estúpido ao redor dela? Eu simplesmente assumi que estávamos namorando. Bella está certa. Como posso considerar algo sem nem mencionar nada?


E eu que me achava tão cavalheiro. O mínimo que tinha que fazer era um pedido formal e sincero. Minha mãe me criou melhor do que isso.


Sempre reprovei as atitudes dos garotos desse século. Achei desrespeitoso e pouco cavalheiro os homens hoje em dia. E a triste realidade é que não estava muito atrás. As mulheres mereciam ser tratadas melhores.


Alguns beijos trocados por algum tempo, as pessoas ao redor perguntam o que eles são. Como eles não são apenas amigos se intitula namorados apenas para dar uma resposta para os outros. Depois de reprovar essa atitude eu simplesmente assumi que estávamos juntos sem ao menos fazer um pedido com minhas intenções. Errei tanto em tão pouco tempo. Precisava corrigir tantos erros antes da chegada da minha menina.



- Eu sinto muito Bella. Você tem toda razão. – ele se levantou se aproximando de mim e segurou minhas mãos na sua. – Bella antes de conhecer você minha vida era triste e vazia. Eu não viva, apenas existia ao calvário da eternidade. Então você chegou. E me deu um motivo para viver, para sorrir e ser feliz. Você não sabe o bem que me faz. Espero um dia ser digno de ter você ao meu lado. – tomou uma respiração profunda. – Bella você me deu tanto. E mesmo não tendo o direito de lhe pedir mais nada, me vejo obrigado a lhe fazer mais um pedido. Isabella Swan, você aceita ser minha namorada?



Fiquei apreensivo e nervoso. Agora, o nervosismo dos garotos do ensino médio fazia todo o sentido. Não podendo ler sua mente não tinha ideia de sua resposta. E se ela diz não?



Estava um pouco atordoada com suas palavras. Ele parecia tão sincero. Olhei profundamente em seus olhos dourados e respondi em um sussurro trêmulo a única palavra que pensei. – Sim.



Sim. Ela disse que sim. Bella aceitou meu pedido. Um sorriso imenso estava em meu rosto.


Não podia acreditar que Bella aceitou ser minha namorada. Felicidade explodiu em meu peito. Se Jasper estivesse aqui tenho certeza que ele não sairia do meu lado.



Antes mesmo que pudesse piscar, Edward me abraçou e começou a distribuir beijos por todo meu rosto. Entre cada beijo ele fazia questão de agradecer. De falar o quão feliz ele estava, o quanto ele iria me fazer feliz. No final ele segurou meu rosto entre suas mãos e olhou profundamente em meus olhos.

- Eu te amo Isabella. – falou com sua voz mais suave. Meu coração parecia que tinha parado antes de sentir seus lábios nos meus. Esse beijo foi diferente de todos os outros. Transmitiram uma infinidade de sentimentos que quase me levaram as lágrimas. Senti todo seu amor em seus lábios, sua ternura em seus braços e sua adoração em seu abraço. Parecia que meu coração não iria aguentar. Nunca me senti tão completa como naquele momento.


- Minha Bella. – sussurrou em uma voz tão baixa que teria perdido suas palavras se não fosse nossa proximidade.



Eufórico com esse novo passo em nosso relacionamento, não via a hora de ter Bella ao meu lado. Não podia acreditar o quanto meu controle cresceu. Poder respirar no mesmo ambiente que ela, poder a abraçar e beijar, era incrível que eu poderia fazer isso com ela. Tinha controle o suficiente para não machuca-la.


- Edward! – vozes gritaram no andar de baixo. Gemi alto. Como não escutei os pensamentos nem ouvi os passos da minha família se aproximando? Podem me chamar de egoísta, mas não queria continuar a ler o diário com eles. Parecia que estariam violando a minha privacidade e a de Bella. Isso é hipócrita vindo de mim, que mesmo não querendo nunca dei nenhuma privacidade para minha família. Respirando fundo obtive certo controle para o inevitável: Dividir meus momentos com Bella com minha família.


Relutantemente sai do meu quarto e desci as escadas. Estava mal humorado. Não queria dividir Bella com eles.


A sala estava explodindo de expectativa e apreensão, o que só aumento ao verem minha expressão pensando no pior. Demorei algum tempo para ler seus pensamentos.


Ah! Esqueci que eles saíram antes de ler sobre a clareira. Eles estavam preocupados que eu machuquei Bella.


- Então? – Alice era a mais inquieta. Posso imaginar como deve ter sido frustrante para ela não saber o que estava acontecendo. Provavelmente era o mesmo tipo de frustração que eu iria experimentar ao não ler a mente de Bella.


- Vamos Edward, você está nos matando. – Emmett reclamou. – Quer dizer, não literalmente, que somos imortais, mas você entendeu o sentido.


- O que vocês querem saber? – perguntei inocentemente. Tinha que me divertir um pouco. Afinal, quase nunca tinha essa oportunidade. Era divertido ver minha família no escuro. Desde que Alice apareceu isso era raro. Acontecia apenas quando ela queria manter as previsões para si e tiver a sorte de eu não estar ao redor para poder ler de primeira mão suas visões.


- Não seja difícil Edward! – Alice estava quase explodindo. – O que aconteceu? Você conseguiu se controlar? Bella se machucou? Você a levou para casa? Ela gostou da clareira? Ela não ficou assustada ao lhe ver no sol? Vocês se beijaram? Ela...


- Alice. – interrompi. Tinha certeza de que se não fizesse isso ela ia ficar por minutos ininterruptos fazendo perguntas.


- Você quer saber se levei minha namorada para casa? – perguntei com a voz mais inocente que consegui reuni.


- Claro que quero saber se Bella... – Alice ficou boquiaberta quando ela analisou com cuidado a minha frase.


Então minha família pareceu compreender o que tinha acontecido. Um grito agudo foi ouvido e fiquei surpreso que não fosse de Alice.


Era de minha mãe.


Esme estava pulando em meus braços falando o quão feliz estava por eu ter encontrado finalmente minha companheira. Alice estava radiante falando que seriam melhores amigas e que ela sabia que fomos perfeitos juntos. Minha família me cumprimentou e fez perguntas. Até mesmo Rosalie sorriu um pouco em minha direção.


Fiz um breve relato do que aconteceu desde o dia da clareira. Que Bella aceitou minha pele ao sol sem ficar assustada, nem sair gritando. Relutantemente contei que perdi o meu controle em frente dela. Minha família me olhou com espanto nunca esperando que eu quebrasse uma árvore em sua frente e falaria palavras tão duras e fizesse acusações tão sem cabimento.


- Edward! Como você pôde acusa-la de ser interesseira? – encolhi com as palavras de Esme. Ela estava certa. Não existiam desculpas para as palavras e acusações rudes que fiz para Bella.


- Se Bella fosse um vampiro ela iria arrancar sua cabeça e se você fosse um humano ela lhe daria um soco. – Rosalie como sempre um poço de doçura.


- Não iria reclamar. Seria merecido. – afirmei sentindo imensa aversão pela minha atitude. – Tem mais. – todos me olharam atentamente. – O sangue de Bella me atraia mais do que todos os humanos. – olhei para Emmett. – Pelo o que eu disse para Bella muito pior do que aconteceu com Emmett.


O silêncio se estendeu por um tempo. A tensão na sala era palpável.


- Você confessou isso para Bella e ela não saiu correndo? – Rosalie perguntou perplexa.


- Rosalie. – Esme a repreendeu.


- O quê? Essa garota não tem nenhum senso de preservação. – fique furioso com suas palavras. Eu poderia pensar assim, agora outra pessoa se referir a Bella dessa forma era inaceitável.


- Não fale assim dela! – rugi. Minha paciência estava esgotando. A conversa da clareira foi cansativa. Resumi para minha família o que falei para Bella, como ela aceitou tudo tão bem, a forma que ela me consolou. Seus pensamentos sobre mim. Eles me deixaram falar sem nenhuma interrupção. Quando o assunto era falar sobre quão incrível minha garota era, faltavam palavras para descrever. Quando falei sobre sua reação aos nossos poderes Alice parou.


- Espere. Você está dizendo que Bella não queria nenhum de nossos poderes? – minha família estava cética a esse respeito. Mesmo em nosso mundo nossos poderes eram invejados, imagine para um humano.


- Ela disse que não tem inveja de ouvir coisas que não quer de pessoas que não conhece muito menos sentir emoções que não são suas e prever o que não quer saber. – estavam boquiabertos com a forma de pensar de Bella. Pelo menos eu não era o único surpreendido.


Carlisle foi o primeiro a sair de seu transe.


- Você é um homem de sorte meu filho. Tenho certeza que você irá cuidar bem dela. – o tom de aviso na voz de Carlisle e em seus pensamentos não foi perdido por mim. Não deveria ter me surpreendido que Carlisle fosse ter um sentimento paternalista por Bella. Suas palavras eram um sinal para que cuidasse bem dela. Ele a amava e não iria admitir que saísse machucada, mesmo se fosse por seu filho de criação.


- Com a minha vida. – falei solenemente. Carlisle viu o quão sério estava falando e acreditou em mim. Depois fiz uma pequena careta. – Queria que fosse fácil fazer seu pai acreditar em mim.


- Você conheceu seu sogro? – perguntou Emmett com humor em sua voz. – Cara, ainda bem que você é a prova de balas, se não iria estar preocupado.


- O que aconteceu? – Esme perguntou um pouco preocupada. Os outros estavam sorrindo imaginando vários cenários do meu encontro com o chefe de polícia, que agora se tornou meu sogro.


Dei de ombro um pouco incomodado. – Nada demais. Mal tive tempo de cumprimentá-lo antes que ele me expulsasse de sua casa. – Apenas Esme e Carlisle tentaram suprimir sua risada, o resto de minha família riu de minha situação. Depois de algumas piadas de como eu fiquei com medo de um humano — ninguém estava levando em consideração que esse humano era meu sogro, Emmett mencionou meu dom.


- Como você não viu os pensamentos dele primeiro para fazer uma boa impressão?


- Ao que parece eu não posso ler sua mente. – agora era minha vez de rir da expressão chocada deles. – Não como Bella é claro. Ainda tenho alguns vislumbres de seus pensamentos. Bella comparou com o dom de Jasper. – vendo a confusão expliquei. – Eu leio a emoção de seus pensamentos. Por exemplo, provavelmente eu sabia que ele ficou com raiva de me ver com sua filha, mas não sei exatamente o que estava pensando de mim.


- Isso é fácil. – Emmett falou. – Ele estava te xingando todos os nomes possíveis e planejando diferentes formas de tortura seguida de morte.


- Obrigado Emmett. – falei rudemente. Minhas inseguranças em fazer uma boa impressão no pai de Bella eram grandes o suficiente sem a ajuda do meu irmão. Nem iria mencionar que nem o meu nome o chefe disse corretamente.


Estava ficando impaciente para continuar a leitura. Porém, minha família não parava de querer saber os detalhes do nosso dia. A admiração que sentiam por Bella só cresceu quando relatei que ela aceitou meu temperamento e a forma que me perdoou novamente e novamente. Esme me repreendeu severamente por eu ter a espiado em seu sono e Emmett fingia um espirro parecido com “stalker”.


Sabia que precisava fazer mais uma revelação. Se fosse humano estaria mais vermelho que um tomate, quando olhando fixamente para o chão revelei que nos beijamos. Alice pulava para cima e para baixo e Emmett me deu um sorriso orgulhoso. Revirei os olhos para eles. Terminei o relato falando que passei a noite com ela.


- Então vocês dormiram juntos? – Emmett perguntou com um sorriso comedor de merda.


- Não Emmett. Bella dormiu. Eu fiquei ao seu lado. – dei um olhar para ele calar a boca. – Sei menino Ed. Duvido que você não tenha se aproveitando, nem que seja só um pouco. – Por sorte ele só pensou. Rosnei como aviso para ele manter esse pensamento para ele. Afinal, no seu diário, Bella não relatou nada. Espero que eu tenha sido um perfeito cavalheiro à noite e não ter abusado de sua confiança.


Lembrei um fato que me incomodou na clareira e queria perguntar para Carlisle que tinha mais experiência do que eu. – Carlisle, quando lhe expliquei que seu sangue era como um vício para mim. Bella confessou que foi dependente de alguns medicamentos e antidepressivos. Eles podem viciar? – perguntei querendo saber exatamente como Bella teria sofrido.


Depois de um momento de surpresa Carlisle explicou. – Existem vários tipos de antidepressivos para várias situações. Pelo que Bella relatou, ela deveria tomar para seus ataques de pânicos e para dormir a noite. Fora os medicamentos para dor que ela teria que tomar por algum tempo. Eles tomados em excesso e com frequência causam dependência. O processo para limpar o organismo é lento e doloroso. Precisa de muita força de vontade do paciente.


- Ela me disse que parou de tomar todos por conta própria de uma vez. – falei incomodado com suas palavras. Não queria que Bella estivesse em qualquer tipo de dor.


Carlisle estava perplexo pelas minhas palavras. – Mas se ela fizesse isso ela entraria em abstinência e podia ter um colapso. Seria o tipo de tratamento usado para usuários de drogas de desintoxicação. – viu um grande pesar em sua mente. Meu deus o quanto ela deve ter sofrido?


Fiquei incomodado com sua linha de pensamentos. Ele lembrou desespero dos pacientes implorando mais medicamento, como se sua vida dependesse disso. Como eles não conseguiam dormir, a perda de peso... Tentei sair de sua mente. Não queria imaginar o sofrimento da minha menina.


Vendo meu incomodo Carlisle interrompeu suas divagações. – Então filho. Em que parte você parou de ler?


Novamente fiquei envergonhado. – A parte em que a pedi em namoro na manhã seguinte. – admiti. – E ela disse sim. – o sorriso e a felicidade estavam de volta com força total.


- Claro que ela diria sim. – afirmou Esme prontamente. Sua resposta não deveria me surpreender. Afinal, Esme sempre me viu como seu filho.


- Que tal se eu ler agora? Com o nível de empolgação na sala acho que sou o único que ainda está coerente. – comentou Jasper com um quase imperceptível sorriso.


- Claro. – relutantemente entreguei o diário para ele. Jasper me olhou de forma questionadora, mas apenas balancei a cabeça. Era hora de repartir minha Bella com minha família. Por mais inevitável que fosse não significava que eu tinha que estar feliz nessa divisão. Apontei onde parei e nos sentamos ao redor da sala.



- Então namorado. O que vamos fazer hoje? – perguntei sorrindo. Sendo recompensada com seu sorriso torto. Seus olhos estavam brilhando a menção da palavra “namorado”.

- Hum... – ele fingiu pensar por um momento. – Acho que como minha namorada você deve conhecer a família do seu namorado. – seu sorriso se alargou cada vez mencionava nosso status de relacionamento. Tinha impressão que ele falaria quantas vezes pudesse sobre nosso namoro. Fiquei perdida em sua expressão que demorei um pouco de tempo para processar sua perguntar.



- Oh! – Esme levou sua mão à boca emocionada. – Você irá trazê-la para casa? Espero que você tenha me avisado. Será que dará tempo de arrumar a casa. – Esme olhou ansiosamente ao redor da casa vendo o que poderia mudar. Segurei uma risada. Não havia nada para arrumar, a casa estava limpa e sem um móvel fora do lugar.



- Você quer que eu conheça sua família? – não consegui tirar o pânico da minha voz.


Seu sorriso morreu. – Você está com medo. – afirmou.


- Claro. – não podia mentir para ele.



O som que saiu da garganta de Esme era claramente de dor. Envoltos em como Bella tinha me aceitado apesar de todas as minhas falhas deu esperança que seria o mesmo para minha família. Infelizmente estávamos enganados.


Carlisle colocou os braços protetoramente em Esme tentando alguma forma de consolo. Alice ficou abatida, tão diferente de seu estouro de energia. Jasper colocou sua mão na dela e transmitiu sentimentos de calma e tranquilidade. Emmett se sentiu ferido. Ele era o único que teve algum contato físico com ela e se sentia mais próximo, como se compartilhassem uma ligação. Rosalie estava ao seu lado o apoiando. Respirando fundo Jasper voltou à leitura.



- Eles não vão lhe machucar. – falou magoado. – Vou ficar do seu lado. Juro que lhe protejo. – terminou cabisbaixo.

Revirei os olhos. – Sei que sua família não vai me machucar.



Trocamos um olhar que claramente dizia que ninguém tinha entendido sua reação. Se ela sabia que minha família não iria lhe fazer mal, porque o medo?



Sua cabeça levantou rapidamente, mostrando toda sua confusão. – Do que você tem medo então?

- E se eles não gostarem de mim? – falei minha preocupação. Não queria que sua família não aprovasse nosso relacionamento. Sei que somos diferentes em vários sentidos, mas gostaria de ter o apoio de nossos entes queridos.



Um suspiro de alívio coletivo foi ouvido. Não esperava que minha menina corajosa fosse tão insegura. Como ela pode pensar que minha família não iria aprova-la? Será que ela não vê quão incrível e fantástica ela é?



Foi sua vez de revirar os olhos. – A maioria da minha família te adora. – tenho certeza que ele viu a surpresa e descrença estampada em meu rosto. – Meu pai te adora desde a primeira vez que te encontrou no hospital. Sua admiração só aumentou vendo que você respeitou nosso segredo mesmo eu sendo rude e idiota. Emmett te tem como uma irmã mais nova. Não sei os detalhes do que aconteceu no encontro de vocês, mas ele não parava de falar o quão incrível você é. Confesso que tive que controlar meus ciúmes. Sorte que com meu dom e o de Jasper vi que ele só tem um amor fraternal por você. Alice não vê a hora de poder te conhecer melhor, ela viu que vocês se tornaram melhores amigas e quase não aguenta de ansiedade. Como você sabe Jasper é um empata, se você é a causadora da felicidade ele já lhe admira. E Rosalie fica feliz em ver seu companheiro feliz.

Minha boca abria e fechava e não conseguia formar uma palavra. Foi uma surpresa ouvir minha voz fazer uma pergunta. – E Esme?

- Ela te ama por fazer sua família feliz. – delicadamente seu dedo traçou o contorno de minha mandíbula. – Por me fazer feliz.



Se minha família tinha esses sentimentos por ela sem conhecê-la direito, agora que eles tiveram acesso aos seus pensamentos e aos detalhes de sua história todos a admiram e tem um carinho especial por ela. Consideram parte da família há algum tempo.



Se antes consegui formular uma pergunta tenho certeza que agora não conseguiria. Esme nem mesmo me conhece. Como ela pode me amar? Não fazia sentindo. Porém não havia nenhuma dúvida em sua voz. Edward estava falando a verdade, não se ele viu isso em sua mente ou simplesmente por conhecer Esme tão bem. Seria mesmo possível eu fazer seu filho tão feliz?



Como ela ainda pergunta? Se bem que, ela não me conhecia antes. Não sabe o quanto vazia minha vida era. Vivia em um eterno tédio. Todos os dias eram iguais, até ela aparecer. Minha família me conhece, sem dúvidas viram as diferenças do meu comportamento. Nem lembrava a última vez que sorri e me diverti. Jasper sabia que felicidade era um sentimento estrangeiro para mim.


- É claro que a amo. – Esme falou. – Se ela soubesse o quanto te faz feliz. – completou carinhosamente. Minha mãe adotiva era o ser mais amoroso que tinha conhecido. Bom, agora tinha Bella também.



Era tão difícil acreditar que eu seria capaz de mudar a vida de alguém dessa forma. Como eu teria feito transformado à vida de Edward? Parecia tão improvável. Será que mudei sua vida tanto assim?


- Você vem comigo? – ele dever ter visto minha confusão. – Conhecer minha família. – não confiando em minha voz apenas balancei a cabeça confirmando. Ele sorriu aliviado.



Gritos e palmas comemorativas soaram na sala. Radiantes que Bella aceitou vir conhecer minha casa. Esme olhava ao redor procurando alguma coisa fora do lugar. Segurei o sorriso, imaginando como ela ficou frenética nessa visita, querendo que tudo estivesse perfeito.



- Acho melhor ir me arrumar. – parece que me cérebro voltou a funciona e estava tendo uma ideia. – Você pode me emprestar seu celular? – pedi. – Quero ouvir suas músicas enquanto me apronto.

- Claro. – ofereceu prontamente. Seu celular era o mais moderno no mercado. Engoli a vontade de perguntar se ele descascava batata, porque parecia que poderia. – Acho que não poderiam lhe agradar muito. – acrescentou hesitante. Arqueei levemente uma sobrancelha. – As músicas são um pouco antigas.



- Não se preocupe Ed. Vou colocar umas músicas descentes no seu celular antes da Bella se mudar. – Emmett ofereceu prontamente. Fiz uma careta para ele. Queria que Bella conhecesse meu gosto, não do meu irmão.



- Não se preocupe. Eu realmente gosto de coisas antigas. – pisquei levemente em sua direção.



Olhei presunçosamente para ele. Lancei um olhar que claramente dizia. Viu? Ela gosta.



Peguei seu celular e selecionei o play. Escolhi para tocar as músicas aleatórias. Como Edward falou, eram músicas antigas, mas eu realmente apreciava.

Demorei alguns segundos aprendendo a mexer no seu celular. Rapidamente fui para sua lista de contatos. Não foi difícil encontrar o numero do Emmett, sua agenda era pequena, por sorte seu celular estava no silencioso, com música alta ele não iria me ouvir.



Emmett? O que meu irmão tinha a ver com isso? Lancei meu melhor olhar questionador, querendo saber o que estava falando com minha namorada. Tentei deixar meu ciúme na baía.


- Não me olhe desse jeito. Também não faço a menor ideia.



Ei Em, lembra nosso acordo? Pronto para ação?

B.



Fulminei Emmett com meu olhar. Como esqueci que esses dois no mesmo ambiente não dariam certo nunca. Principalmente para mim.


- Sim. – vibrou Emmett. Nunca ele tinha conseguido me enganar. Queria muito reverter esse quadro.



A resposta chegou rápida.

Estou pronto há décadas.

P.S: Como conseguiu pegar seu celular?

E.



Ele não precisava saber que não tive dificuldade alguma.



Claro, eu não poderia lhe dizer não.



Tenho meus métodos.

B.

Quem diria que meu namorado era distraído. Hum... Namorado. Gostei do som disso.

Lembre-me de nunca mexer com você.

P.S: Não adianta lembrar. Vou mexer com você de qualquer jeito.

E.

Ri baixinho de sua sinceridade. Não acreditaria por um minuto que Emmett não iria aprontar comigo. Emmett fazia me sentir mais jovem. Despertava meu lado mais brincalhão. Por isso não pensei um minuto antes de chama-lo para ajudar em meu pequeno plano.



Por que não tinha um bom pressentimento disso?



Trocamos mais algumas mensagens antes de começar a tomar banho. Não poderia demorar muito.

Terminei de me arrumar, indagando-me se meu visual era adequado para se visitar a família do namorado pela primeira vez. Não fazia ideia que roupa vestir.



Optei por um vestido leve rosa bebê estilo tomara-que-caia, aproveitando que o clima estava bom. Ainda quente pelo sol do dia anterior. Calcei uma sapatilha bailarina. Por mais que Edward seja mais alto, não estava no clima de usar salto. Coloquei diversas pulseiras e minha única maquiagem foi um gloss e passar uma camada de rímel em meus cílios para valorizar meus olhos. Diversas pessoas vieram falar comigo sobre como bonita era a cor de meus olhos, mas sempre achei esquisita. Era um tipo diferente de azul que nunca consegui definir ao certo sua cor.



Sorri lembrando nossa foto dançando na festa infantil. Devido Bella estar de perfil não foi possível ver com precisão a cor de seus olhos, pelo pouco que pude perceber eu não o chamaria de azul. Ele estava em um tom mais próximo do violeta.



Estava desligando a música de seu celular quando lembrei que ele não tinha meu número. Sorri e tirei uma foto e salvei junto com meu número em seu celular. Tinha que lembrar e pedir uma foto sua para o meu.



Fiquei feliz que ela tenha lembrado. Adoraria ter uma foto sua comigo. Assim eu posso sempre olhar para ela, como faço com nossa foto dançando.



Saindo do meu quarto encontrei com Edward em pé na escada. Ele me olhou de cima a baixo antes de um sorriso torto aparecer em seu rosto.

– Você está impressionante. – elogiou a me ver. Eu corei com seu comentário. Recebi em minha vida algumas lisonjas mais nunca alguém me chamou de impressionante.



Era bom saber que fui o primeiro a elogia-la dessa forma. Bonita não descrevia o suficiente. Bella era deslumbrante.


– Podíamos fazer compras. – Alice pensa alto. Olhamos em sua direção. – Bella ficou em dúvida do que vestir, se tivéssemos feito compras juntas isso não teria acontecido.


– Acho que ela se saiu bem sem sua ajuda Alice. – impliquei.


– Roupa nunca é demais caro irmãozinho.



Seguimos em direção ao seu carro. Tentei deixar meu rosto composto, e não fui bem sucedida. Edward percebeu minha expressão e me olhava de forma interrogativa.

– Não gosto muito de você dirigindo. – expliquei.

– Bella, — falou exasperado – acredite. Eu dirijo muito bem. Reflexos de vampiro. – sorriu.

Com reflexo ou sem. Ele ainda dirigia como um louco para mim.



Agora que sei sobre seu acidente de carro, teria que lembrar e ser mais controlado na direção. Não queria lhe causar incomodo e gostaria de ouvir elogios sobre meu modo de dirigir. Bella foi a única a criticar.



Talvez cansado dos meus comentários sobre seu modo de dirigir, Edward respeitou o limite de velocidade e sem reclamação. Ele dirigiu da mesma forma da nossa volta para casa da clareira.

Estando ao seu lado posso rever meu conceito de odiar dirigir devagar. Alguns minutos a mais em sua companhia não seria nenhum sacrifício.


– Acho que alguém não vai precisar de uma troca de pneus tão cedo. – falou Rosalie.


Ri levemente com o comentário de Rosalie. Era ela que cuidava da manutenção de todos os carros. Na minha família eu era quem precisava trocar o maior número de vezes em um espaço tão curto de tempo, devido minha velocidade, seguido de perto por Alice. Pelo visto isso iria mudar.



Não sabendo o tempo que demoraríamos a chegar fiquei mexendo no rádio. Sintonizei em uma em uma estação qualquer.

A rádio era agradável tocando músicas mais atuais. Começou a tocar uma música que gostava, estava curtindo a música e não percebi que eu comecei a cantarolar baixinho junto com a música.



– I just want you close/Where you can stay forever

* (Eu só quero você por perto/Onde você possa ficar para sempre)



Gostei dessa parte. Não era nada mais do que queria. Bella perto de mim para sempre. Se ela ficasse ao meu lado seria o homem mais feliz do mundo. Apenas não podia pensar nas consequências que fariam Bella estar ao meu lado para sempre. Não. Era um pensamento que estava tentando evitar a todo custo. Iria esperar para o desenvolvimento dos eventos no diário.



Não sei bem como aconteceu, acho que foi a letra que me afetou, mas comecei a cantar um pouco mais alto. Essa parte da música lembrou tanto dos meus sentimentos por Edward.

– No one, no one, no one/Can get in the way of what I'm feeling/No one, no one, no one/Can get in the way of what I feel for you/You, you/Can get in the way of what I feel for you

* Ninguém, ninguém, ninguém / Pode mudar o que eu sinto / Ninguém, ninguém, ninguém / Pode mudar o que eu sinto por você / Você, você / Pode mudar o que eu sinto por você.



Seria isso verdade? É assim que Bella sente? Que seus sentimentos por mim ninguém será capaz de mudar? Será que não é só apenas uma paixão passageira o que ela sente por mim? Seria muito esperar que meus sentimentos fossem recíprocos. Precisava me contentar em ter sua afeição. Isso era o suficiente. Mas uma voz em minha cabeça não deixava de imaginar se fosse algo mais. Porém, não seria possível. Estive há décadas na cabeça dos humanos. Seus sentimentos eram inconstantes. Se apaixonando e desapaixonando facilmente. Era Completamente diferente na nossa espécie. Eu estaria ligado para sempre com Bella. Ela era única.



– know, some people search the world / to find something like what we have / I know, people will try, try to divide / something so real / so 'till the end of time / I'm telling you that / No one, no one / Can get in the way of what I'm feeling / No one, no one, no one / Can get in the way of what I feel for you

* Eu sei que algumas pessoas procuram pelo mundo / Para encontrar algo parecido com o que nós temos / Eu sei, as pessoas tentarão, tentarão separar / Algo tão real / Então até o fim dos tempos / Eu te digo que / Ninguém, ninguém, ninguém / Pode mudar o que eu sinto / Ninguém, ninguém, ninguém / Pode mudar o que eu sinto por você.



N/A: Tradução http://www.vagalume.com.br/alicia-keys/no-one-traducao.html#ixzz23fXpOGbG



Ouvia atentamente cada parte da música. Sabia que meu relacionamento com Bella não seria fácil. Tantas coisas contra nós para estarmos juntos. Sabia que nossa maior força era o amor. Isso seria a maior inveja de todos ao nosso redor. Quantas pessoas conseguiam encontrar o amor de sua vida? Passei um século para encontrar. Não iria estragar isso e nem deixaria ninguém nos separar!



A última parte da música estava olhando nos olhos atentos de Edward. Sua expressão era insondável. Seus olhos eram tão intensos que me perdi em suas profundezas. Esqueci até mesmo que ele não estava olhando a estrada. Acho que ele percebeu que estava cantando para ele. Não estava procurando nenhum tipo de relacionamento, mas foi o destino que me fez voltar a Forks para encontra-lo. Edward era meu destino. Eu encontrei o meu lugar no mundo e era ao seu lado.

Como ela me desmorona assim? Se eu estivesse em pé eu teria caído com sua declaração. Era assim que ela me via? Isso era tão difícil acreditar. Pensando nisso, Bella nunca falou tão abertamente de seus sentimentos. Não tendo acesso a sua mente me faria mil vezes mais inseguro do que sou agora. Será que esse é outra razão desses diários estarem em minhas mãos? Para ter mais confiança nos seus sentimentos por mim? Em um minuto estou pensando que é uma paixão boba e quando vejo sua mente parece que ela sente o mesmo que eu.


– Ele te ama meu filho. – a declaração de Esme me pegou de surpresa. Seria realmente amor o que ela sentia por mim? Não apenas uma paixão?


– Bella não precisa estar aqui para que eu sinta seus sentimentos Edward. Está claro como o dia. – Jasper confirmou os pensamentos de Esme. Pelo visto o único membro da família em dúvida era eu. Como posso ter certeza se não há motivo nenhum para ela me amar? Ela podia ter alguém melhor que eu.



– Você nunca deixa de me surpreender. – sua voz era suave. Ele viu minha expressão confusa. – Sua voz é a mais linda que ouvi. – corei absurdamente com seu comentário. Tinha esquecido sua audição, provavelmente cantar baixinho era o mesmo que gritar para ele.



Como seria sua voz? Deve ser tão agradável ouvir. Uma pena que não tenho como saber. O máximo que tive foi um vislumbre de sua aparência, o que uma fotografia não fará jus a sua beleza. Quando tempo vou esperar para vê-la, ouvi-la e toca-la?



– Acho que seu ouvido está com defeito. Vou pedir devolução, meu produto veio todo danificado. – tentei fazer piada para disfarçar meu constrangimento. Ninguém me ouviu cantar a um bom tempo. Apenas parecia natural ser eu mesmo ao seu lado. Sem muros para me proteger.

– Ah é? Então agora eu não passo de um produto? – fingiu ofensa. – Vou falar para meus pais que você só me vê como um objeto.

Olhei da forma mais séria que consegui. – Fale isso para seus pais e eu digo para o meu onde você passa suas noites.

– Wow. Ela lhe pegou mano. – Emmett riu da minha situação. Bella poderia usar essa chantagem para sempre. Seria tão desagradável levar um tiro do meu sogro. Nem posso imaginar a cara do chefe Swan ao saber que eu passava a noite observando sua filha. Acho que ele nem ouviria mais nada depois de ouvir na mesma frase “passar a noite” e “quarto da sua filha”. Ele iria atirar sem um segundo pensamento.



Edward teve o bom senso de não fazer mais nenhuma ameaça. Estava nervosa suficiente de conhecer seus pais. Não precisava que ele fizesse nenhum comentário sobre mim, mesmo que fosse de brincadeira.



– É engraçado ver o quanto ela está nervosa de conhecer vocês. – comentei divertido. Bella era absurda. Não lhe disse que minha família a amava? Não havia motivos para suas inseguranças.


– Quero ver quando for a sua vez de conhecer oficialmente seu pai. – e foram as palavras de Alice que fizeram minha diversão desaparecer. Ele me expulsou de sua casa ao saber que eu dei uma carona para Bella como ele reagiria ao saber que estou namorando sua única filha?


– Eu também quero ver isso. – Emmett esfregava as mãos como se não pudesse esperar esse momento.


– Eu também. Quero vê como você vai reagir sem seu dom. – Rosalie falou se divertindo. Acho que o leão se tornará um gatinho. Zombou mentalmente.



Com as mãos unidas Edward continuou dirigindo. Tinha se passado algum tempo e percebi que não fazia ideia onde ficava sua casa. Que bela namorada você é! Como você não tem ideia onde ele mora? Até os amigos sabem onde é a casa um do outro. A reprovação da minha Vadia Interior atingiu um nervo. Tantas coisas que ainda não sabia sobre Edward.



Não havia necessidade de culpa. Esse tópico nunca foi mencionado e eu só sabia onde ela morava por que eu sei onde quase todos os habitantes de Forks moram. Uma figura conhecida como o chefe de polícia local era bem conhecida sua localização.



Alguns quilômetros depois, havia algo brilhando por entre as árvores, e então de repente apareceu uma pequena clareira. O brilho da floresta, no entanto, não desapareceu, pois havia seis árvores enormes que circundavam o lugar em todas as suas arestas.

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Nunca tinha parado para pensar em como seria e mesmo se tivesse definitivamente minha imaginação ficaria longe da realidade. A casa era antiga, graciosa, e tinha provavelmente uns cem anos. Era pintada de um branco suave, fraquinho, tinha três andares, era retangular e bem proporcionada. As janelas e portas faziam parte da estrutura original ou de uma restauração muito bem feita. Eu podia ouvir um rio por perto, escondido pela obscuridade da floresta.



Ela realmente é perceptiva. Como em um olhar conseguiu capturar tanta coisa?



– Uau.

– Você gostou? – ele sorriu, notei uma pequena pontada de expectativa. Ele queria que eu gostasse.



Era verdade. Queria que ela gostasse de onde morava. Assim Bella teria vontade de visitar com frequência se a convidasse.



– O que tem para não gostar? Ela é linda. – respondo o fazendo sorrir. Andamos em direção à entrada. Assim que colocou a mão na maçaneta ele parou.

– Pronta? –perguntou, abrindo a porta devagar.

– Nem um pouquinho. – tentei brincar, mas estava falando sério. Ele notou isso.

– Não se preocupe. – ele me deu um beijo na bochecha e entramos de mãos dadas. Edward estava um pouco à frente quando passamos pela porta. Isso era uma atitude diferente da normal, ele sempre abria a porta e me esperava entrar, acho que ele fez isso para tentar me tranquilizar, como se fosse um escudo protetor na minha frente.


Respirei fundo me preparando para conhecer a família de Edward.


Notas finais
Então o que acharam?
A visita na casa dos Cullens pretendo publicar em breve.
A demora a postagem foi devido um grande problema na minha família, relacionado a saúde, Graças a Deus essa semana foi mais tranquila e temos grande esperança de recuperação.
Quando ao meu pedido anterior, sobre uma Beta, que agradecer as pessoas que se candidataram, eu só li meus e-mails até duas semanas depois e não tive oportunidade de ver se mais alguém deu ideias sobre o capítulo.
Só troquei ideias com duas autoras, e a que me ajudou foi a Nara, infelizmente tive problemas pessoais depois e não tive tempo de acessar os meus e-mails. Minha caixa de entrada estar cheia e espero responder a todas em breve.
beijos a todos e obrigada por não desistirem da fic.