Uma Segunda Chance
20 Capítulo 19
Notas iniciais
Algumas de vocês sumiram. Onde estão?
Quero agradecer aos comentários que recebi no capítulo passado
Um agradecimento especial as leitoras:
* Ana_raposo
* DaraJulianaCullen
* Lyana
pela recomendação. Fico imensamente feliz quando recebo uma.
Muito obrigada.
Estava esperando Jasper continuar a leitura, mas minha família estava olhando para mim.
– O quê?
– Francamente Edward. Você a defendendo desse jeito. Parece que não somos civilizados. – reclamou Alice.
Apenas dei de ombros. – Ela estava nervosa em conhecer vocês, só estava tentando a fazer se sentir melhor. – não pediria desculpas pela minha reação. Podem achar que é exagero, mas se acalmasse Bella valeria a pena.
– É necessário agir com se Bella fosse enfrentar um batalhão de fuzilamento? – perguntou Alice com um bico se formando.
– Ela está enfrentando uma casa cheia de vampiros que seria capaz de destruir um batalhão de fuzilamento em um piscar de olhos. – retruquei a deixando sem argumento.
Por dentro era ainda mais surpreendente.
Tudo era muito.
Muito o quê? Exagerada? Será que não gostou?
Esme estava preocupada com a primeira impressão de nossa casa. Pensando se tivesse feito alguma mudança exagerada.
Era muito clara, muito aberta e muito grande.
Ambos ficamos aliviados. Não parecia que não aprovava.
Isso originalmente deve ter sido vários quartos, mas as paredes foram removidas em muitas partes pra criar um espaço maior. O fundo, virado para o sul foi inteiramente substituído por vidros, e, além da sombra das árvores, o quintal terminava num rio enorme, uma escada gigantesca dominava o lado oeste da sala. As paredes, o teto baixo, o chão de madeira, e os finos tapetes, eram todos de tons variantes de branco.
Esme estava exultante com sua descrição precisa. Minha garota parecia impressionada com nossa casa. Esperava que isso fosse um sinal positivo para ter uma segunda visita.
Como eles conseguiam manter branco dessa forma era um mistério. Lembro que quando era criança minha mãe aboliu todo e qualquer tipo de tapete. Só por eu ter derramado sucos e comidas em cima deles. Na época achei um exagero, foi um acidente e só aconteceram umas duas vezes. Ou seriam oito vezes? De qualquer forma ela não os usa até hoje. Seria trauma?
Esme olhou pensativamente em seus lindos tapetes brancos e os imagina com uma grande macha roxa de suco de uva e estremeceu. Ela parecia sentir certa conexão com Renné e entender seus receios.
Minha mãe postiça pode ser uma criatura extremamente bondosa, mas ela jamais permitiu que destruíssemos a casa.
Era a única coisa que a fazia sair do sério. Aprendemos isso da maneira mais dura. Evitávamos o máximo brigar dentro de casa. Fora, porém... Era outra história.
Esperando por nós, em pé no lado esquerdo da porta, próximo a entrada, estavam os pais de Edward.
Carlisle e Esme trocaram um olhar carinhoso. Ouvirem serem chamados de pais sempre os deixava extasiados. Jasper aproveitou os sentimentos que emanavam deles, soltando um pequeno suspiro de contentamento.
Vi o Dr. Cullen primeiro, minhas memórias não faziam justiça a sua aparência. Lembro a primeira vez que o encontrei, apesar de estar atordoada em estar em um hospital, não pude deixar de perceber sua beleza. Agora, o vendo de perto, sem qualquer outro pensamento, ele era um homem deslumbrante.
Santa Mãe dos Pais dos Namorados, obrigada pela vista privilegiada. Minha Vadia Interior teve apenas este pensamento coerente antes de ficar muda e com a boca aberta ao rever o pai de Edward.
Cruzei os braços, irritado com os pensamentos de Bella. Não tem nenhum código de conduta que diga que a namorada está proibida de achar o pai de seu namorado deslumbrante? Ela deveria completamente ignorar meu pai. Pensaria duas vezes antes de coloca-los no mesmo ambiente. Pensando melhor, os deixaria bem longe um do outro. Ela poderia apenas me achar deslumbrante.
– Não seja birrento Edward. Bella não é cega. – Esme falou com voz amorosa. Fazendo Carlisle feliz e um pouco constrangido.
Ao lado dele presumi ser Esme, a única da família que eu ainda não conhecia. Ela tinha o mesmo rosto pálido que os outros tinham. Alguma coisa no formato de coração do seu rosto, seus cachos macios, de uma cor caramelada, me fez lembrar filmes épicos. Ela era pequena, mais esbelta, mas mais angular e cheinha que os outros. O que mais me chamou atenção no conjunto de seu rosto eram seus olhos gentis e carinhosos. Foi fácil notar o motivo de ela ser considerada a matriarca da família. Tudo nela gritava “mãe”.
– Oh! – Esme ofegou antes de levar uma mão à boca emocionada. Parecia que seus pensamentos tiveram grande efeito em Esme. Desde o princípio Bella tinha conquistado seu coração. Agora seu amor por Bella cresceu exponencialmente. Sua forma livre sem preconceitos e discrição franca, em conjunto com seu jeito amoroso garantiram um lugar seguro no coração de Esme. Bella a viu sem medo, temor ou inveja. Ter a referido como mãe mostrava que ela não a diferenciou por ser um vampiro.
Eles dois estavam vestidos casualmente, com roupas claras que combinavam com o interior da casa. Tinha a estranha sensação que isso foi proposital. Pareciam fazer o possível para mostrar um ambiente tranquilo e acolhedor. Será que eles pensavam como Edward que iriam me assustar?
– Alguém tem dúvida de quem escolheu as roupas? – perguntou Emmett causando a risada dos demais, exceto Alice que infantilmente deu língua para ele.
– Eu nunca errei em uma escolha de roupa. Deveriam ser gratos.
Eles deram um sorriso de boas vindas, mas não fizeram nenhum movimento para se aproximar. Novamente pensei que estavam tentando não me assustar.
– Carlisle, Esme – a voz de Edward quebrou o curto silêncio. – Esta é minha Bella. – a forma como ele me apresentou fez meu coração acelerar. O pronome possessivo não foi perdido por mim.
Esperava que ela não fosse se importar. Na minha cabeça a considerava minha. Devo ter falado alto sem pensar, é natural a ver dessa forma. Afinal foi Bella que mudou toda minha vida.
– Seja bem-vinda, Bella – os passos de Carlisle eram medidos, cuidadosos enquanto ele se aproximava. Ele ergueu e abaixou sua mão, sem saber como agir. Ele achava mesmo que iria rejeitar seu cumprimento? Eu dei um passo à frente e estendi minha mão, o que pareceu aliviar um pouco sua expressão, aceitando prontamente, sua mão fria entrou em contato comigo. Acostumada com o toque de Edward, sua temperatura não me causou nenhum desconforto. Um fleche de surpresa passou em seus olhos. Devia esperar algum estremecimento da minha parte.
– É bom vê-lo de novo, Dr. Cullen. Principalmente longe de um hospital. – não importa o quão bonito e bom médico ele fosse isso não muda minha opinião do quão desagradável é ficar em um hospital.
– Tem razão Bella, é bom encontra-la em circunstância mais agradável e, por favor, me chame de Carlisle.
– Carlisle – eu sorri pra ele. Eu podia sentir o alívio de Edward a meu lado. Pelo visto não era a única nervosa. Acho que ele queria que me desse bem com seus pais, também pensava dessa forma, mas tinha a impressão de com Charlie não seria tão fácil.
Gemi alto com suas palavras. Como vou conquistar seu pai? Ele vai odiar me ver com sua filhinha.
– Isso vai ser tão divertido. – comemorou Emmett. Lancei um olhar sujo em sua direção. Ele sempre tem que rir da minha desgraça?
– Não se preocupe filho. Você é um bom rapaz, Charlie verá isso. – me tranquilizou Carlisle.
Rosalie bufou. – Se você realmente acha que Charlie o verá de outra forma a não ser o garoto que quer roubar e desvirtuar a pessoa mais importante da sua vida e sua única filha menor de idade então você está se iludindo.
Rosalie estava tão certa. Charlie estava indo para me matar. Não importaria que minhas intenções fossem honrosas.
Esme sorriu e também deu um passo a frente, vindo à direção da minha mão, sem hesitar ao contrário de seu marido. O seu aperto frio e forte foi exatamente como eu esperava.
– É muito bom conhecer você – ela disse sinceramente.
– Obrigada. É bom conhecer você também. – E era mesmo. Era bom conhecer a pessoa que Edward considerava sua mãe e que era tão importante em sua vida.
– Onde estão Alice e Jasper? – Edward perguntou, mas ninguém respondeu, já que eles apareceram no topo da escada.
– Ei, Edward – Alice chamou entusiasmada. Ela correu escada abaixo, uma mistura de cabelos pretos e pele branca, parando graciosamente na minha frente. Carlisle e Esme olharam para ela com olhos cheios de avisos, mas eu gostei. Ao contrário de seus pais, Alice não teve receio de esconder sua natureza e estava agindo naturalmente. O que combinava com ela.
– Viu. Vocês devem parar de apostar contra mim. – falou presunçosa. Confesso que fiquei um pouco preocupa de assustar Bella. Alice não é conhecida pelos seus limites.
– Oi, Bella – ela disse e se inclinou para me dar um beijo na bochecha. Se Carlisle e Esme pareciam assustados antes, agora eles estavam alarmados. Tive que suprimir a vontade de rir. Não seria muito educado achar graça de suas expressões. Eu estava surpresa por sentir Edward tão rígido ao meu lado. Eu olhei para o rosto dele, mas a sua expressão não me disse nada.
– Você realmente cheira bem, eu não tinha reparado antes. – Ela comentou, me deixando totalmente envergonhada.
– Alice. – Esme a repreendeu antes que eu pudesse. – Isso é um comentário rude de se fazer. – Ela apenas deu de ombros.
– Deve ser fácil ser eu mesmo ao seu redor. – comentou pensativa.
E deveria ser. Alice não agiria assim com qualquer pessoa. Bella deve ter isso nela. Fazer as pessoas ficarem a vontade.
Era o tipo de elogio que não iria me acostumar.
– Finalmente posso falar com você. Edward não me deixou aproximar, mesmo eu tendo visto que seremos melhores amigas. Bom, não vi muito bem que seu futuro sempre é um pouco borrado em minhas visões. Assim que esses borrões começaram a aparecer em minha visão fiquei assustada achando que era meu dom que estava falhando, mas depois descobrir que é você...
– Alice. – o tom de Edward era de advertência. Senti um pouco tonta tentando entender as palavras de Alice. Ela falava em uma velocidade impressionante. Será que ela chegou a respirar? Agora entendo o termo “bola de energia”. Ela falou isso em dois segundos e nem sei se consegui entender tudo.
– Típico de Alice. – Rosalie falou. Até Jasper teve dificuldades de repetir as palavras de sua esposa.
Para quem não tem nossa audição e capacidade de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo é difícil lidar com Alice. Pobre de minha menina. Esperava que não tivesse dor de cabeça depois desse dia.
– Não venha com esse tom para cima de mim Edward. Nesse momento era para sermos melhores amigas se você não tivesse proibido de me aproximar. – acusou.
Então eles ficaram se encarando em silêncio, parecendo travarem uma briga interna. Parecia que Edward lia sua mente e ela previa o que ele iria falar dessa forma eles nem precisavam externas suas palavras.
– Como ela percebeu isso? – novamente fiquei chocado com sua percepção. Minha família raramente nos pega nesse tipo de conversa e no primeiro momento que viu nossa interação juntos ela percebeu.
– Isso é tão irritante. – falou Emmett. Ignorei seu comentário. Ele sempre ficava aborrecido ao ficar de fora da conversa.
E foi assim que olhei em direção das escadas. Ele estava lá, alto e leonino – Jasper. Sua figura era totalmente séria, um lampejo de concentração passou em seus olhos e um sentimento de paz passou pelo meu corpo, eu sabia que aquela emoção não era minha. Edward e Alice olharam para Jasper. Agora tudo fazia sentido. Era assim que seu dom funcionava. Era diferente em saber e sentir em ação.
– Parece que seu dom funciona com ela. – apontei com um pouco de raiva. Porque só o meu não funcionava? Alice ainda tinha alguns lampejos, Jasper parecia funcionar perfeitamente, agora eu por outro lado ficava completamente no escuro.
– Acho que você é o único da família que veio com defeito. – provocou Emmett, me fazendo mais irritado.
– Olá, Bella – Jasper disse. Ele manteve a distância, sem me oferecer um aperto de mão. Isso era rude. Mexer com minhas emoções assim e não oferecer um cumprimento decente? Nem mesmo um mísero sorriso? Isso não iria ficar assim.
– Acho que você a irritou. – Emmett tinha um amplo sorriso no seu rosto. – Acaba com ele Bellinha! – gritou com uma mão no ar. Revirei os olhos para Emmett, não é como se Bella pudesse fazer algo contra Jasper.
Limpei minha mente de todas as emoções que consegui tomando respirações profundas. Graças a Renné ganhei boa concentração quando fizemos ioga, antes dela mudar de ideia para dança. Vai entender a cabeça da minha mãe.
Jasper levantou uma sobrancelha inquisitiva em minha direção.
Comecei a pensar em diversos momentos engraçados. Cada um fez rir loucamente quem presenciou. Seja uma queda, uma piada, algum programa engraçado, qualquer coisa do gênero. Capturei aquele momento, a vontade de rir até doer à barriga. Sabia que estava usando grande concentração para poder expandir esse sentimento. Olhando para expressão de Jasper foi com prazer que vi seus lábios relutantes apresentarem um sorriso.
– Bellinha 1 x Jasper 0! – comemorou Emmett.
Minha família estava achando divertido. Jasper sempre foi o mais sério da família, conseguir um sorriso genuíno seu era um ato que só Alice era capaz.
Jasper estava impressionado demais para emitir qualquer réplica. Seus pensamentos estavam frenéticos. “Como ela conseguiu isso? E mais importante, por quê? O que a faria querer um sorriso meu? Porque ela se importa? Ela deveria ter medo de mim. Até minha própria espécie tem medo de mim. Então o que a fez querer um sorriso meu? O que a faz se importar?”
Ele era rápido, entendeu exatamente o que estava fazendo. Precisei de um grande esforço para lhe atacar com minhas emoções, mas Jasper era o rei no controle de sentimentos.
Então ele contra-atacou.
Jasper ficou completamente tenso. Assim como eu e o resto da minha família. Pensamos o pior. O medo que algum mal aconteceu com Bella. Meu irmão tinha pouco controle. E se ele não levou bem a brincadeira? Minha família estava na mesma linha de pensamento comigo, Jasper sentiu nossas emoções e voltou a ler mais apreensivo do que nunca. Ele não queria machuca-la.
Ele usou seu poder em mim. A vontade de rir era quase insuportável. Eu podia ser boa, mas Jasper era infinitamente superior. Estava rindo incontrolavelmente, precisei de um par de minutos para conseguir me controlar. Parecia que estava sofrendo um ataque de cócegas.
Um suspiro coletivo de alivio foi ouvido na sala. Jasper estava tão feliz que não tinha causado qualquer dano e um pouco surpreso com sua brincadeira com Bella.
Ele não era o único. Jasper agindo dessa forma era tão fora do personagem. Ele sempre foi o mais recluso e afastado da família, a única pessoa que tocou seu coração foi Alice. Apesar do carinho que ele tem por nos, nunca se permitiu se completamente aberto conosco.
Então usei seu poder contra ele, ele pode projetar os sentimentos, porém ele não é imune de senti-los. Assim, juntei meus pensamentos anteriores com a força do que ele me transmitiu. Soltei uma sonora gargalhada e ele me deu um sorriso verdadeiro.
– Empate? – falou divertido.
Um verdadeiro cavalheiro. Sem dúvidas a vitória seria sua. – É um prazer conhece-lo Jasper.
Novamente fui surpreendido. Essa foi a primeira vez que vi Jasper agir assim. Falante. Geralmente ele trocava apenas um par de palavras cordiais. Até mesmo ao redor de Alice, ele apenas a ouve, pouco fala. O meu espanto era compartilhado pelos membros de minha família. O jeito descontraído não combinava com o homem que conhecíamos.
Edward e Alice olhavam para Jasper e eu como se fosse um interessante jogo de tênis. O que foi que perdi?
Nem tive muito tempo para pensar, pois um estrondo veio do andar acima. Levei alguns segundo para definir a forma de Emmett quando ele estava ao meu lado gritando.
– Bellinhaaaaaa... – seu corpo forte me pegou em um abraço de ursos. – Senti sua falta. – falou me rodopiando.
– Em. – falei com dificuldade. – Preciso respirar.
– Emmett. – gritamos pela sua falta de prudência.
– Emmett. – vozes de vários vampiros o repreendeu. Em um segundo estava em seus braços no outro estava afastada. Edward me segurou protetor ao seu lado, querendo manter alguma distância de seu irmão. Revirei os olhos com seu excesso de zelo.
– Desculpe. – murmurou envergonhado.
– Esta tudo bem Emmy. Nenhum dano feito. – sorri.
Emmett sorriu largamente com seu novo apelido. Bufei não gostando da amizade dos dois. Eles são um perigo juntos.
Um lindo sorriso de covinhas apareceu em seu rosto. –Olha o que consegui. – falou empolgado. – Uma mais legal que a outra. Tenho certeza que você vai amar. – só então notei sua mão com diversas fotos de vários tamanhos.
– O que é isso? – perguntou Edward um pouco duramente. Parecia que ainda estava com um pouco de raiva de seu irmão.
– Tatuagens. – falou Emmett com orgulho. – Sempre quis fazer uma, mas como não podemos fazer achei que a Bellinha aqui iria apreciar. Olha ela podia fazer essas asas nas costas ia ficar show. O que você acha de piercing?
Não precisei de um segundo pensamento antes de estar segurando firmemente o pescoço do futuro defunto do meu irmão.
– Como você se atreve! Colocando esse tipo de ideias na cabeça de Bella. Você não sabe que tatuagem é para a vida toda! Não vou permitir você danifica-la e se você pensa que vou deixar fura-la...
Carlisle e Jasper me separaram de Emmett. Eu estava furioso. Como ele ousa sugerir que Bella faça uma tatuagem? Ela tinha uma pele perfeita. Eu vi nas fotos. Não queria que nada a modificasse. Ainda para agravar a situação tatuagem é uma coisa dolorosa. Sei que a um nível suportável, mas mesmo assim não queria que ela tivesse qualquer dor, mesmo sendo mínima. E ainda ser furada em algum outro lugar? Não iria permitir a menor dor em Bella.
Estava tão enfurecido querendo arrancar a cabeça de meu querido irmão. Pelo visto minha família não iria deixar.
– Edward. Emmett entendeu o recado, que tal voltarmos a ler e ver o que acontece? Tenho certeza que ele não irá sugerir isso novamente. – tentou apaziguar Carlisle lançando um olhar de censura para meu irmão. Relutantemente concordei, antes dei um olhar de aviso para Emmett. Se ele ousasse sugerir isso perto de Bella ele estaria em apuros.
Um rugido alto saiu do peito de Edward. Seus olhos ficaram duros e escuros.
– Se você pensa que vou permitir que algo danificasse a pele de marfim perfeita e suave de Bella com qualquer tinta colorida permanente você está enganado Emmett Cullen! Não ponha ideias em sua cabeça. A pele de Bella é perfeita demais para estragar com qualquer coisa em cima. Qual é o seu problema? Tire isso daqui agora! Nem ouse pesquisar sobre piercing se pensa em manter a cabeça acima de seu pescoço. – terminou com um rugido alto.
Tentamos ficar sério. Mais dois segundo depois de sua explosão, Emmett e eu caímos na gargalhada. Edward em seu momento homem da caverna era impagável. Suas narinas estavam dilatando e sua voz mais parecia um grunhido. Parecia que ele iria atacar seu irmão a qualquer instante.
Rir? Como ela poderia rir? Eu quase ataquei Emmett e como ele pode estar feliz com isso?
Eu estava em meu estado mais ameaçador, era para Bella está com medo e apavorada, mas ela estava rindo? Meu ego estava sofrendo outro duro golpe.
– Eu disse que ele ia ficar louco. – falei entre risadas.
– Foi melhor do que esperava. – confessou Emmett. – Nunca imaginei que conseguiria.
– O que está acontecendo? – pediu Edward completamente confuso e frustrado. Sua raiva ainda não dissipada.
– Você. – apontei o óbvio. – Edward, você acha mesmo que eu deixaria alguma agulha perto do meu corpo por vontade própria? – perguntei segurando sua mão. – Eu quase fugi do seu pai no hospital! Se ele viesse com uma agulha era provável eu correr mais rápido que você.
– Isso não faz sentindo. Se você não gosta de agulhas como você está combinando com Emmett de fazer tatuagens... – suas palavras foram cortadas quando compreendeu a situação. – Meu celular. Era para isso que você queria? – se ele entendeu ou ouviu na cabeça de seu irmão eu não sabia. Tinha a impressão que era a segunda. Emmett deve ter pensado nas mensagens que trocamos.
Oh! Tinha esquecido completamente as mensagens que ela trocou com Emmett. Era isso que tinham combinado? Pelo visto funcionou. Olhei agora para meu irmão que parecia em estado de choque.
– Emmett, você está bem? – perguntou Rosalie um pouco preocupada.
– Consegui. – balbuciou. – Eu consegui. Eu enganei o leitor de mentes. – Emmett fez uma dancinha da vitória ridícula. Revirei os olhos tentando mascarar o quanto me irritou.
– Também. – sorri largamente para ele. Também queria ouvir o que ele tinha em seu celular. Apenas me aproveitei do momento.
– Sua pequena trapaceira. Isso vai ter volta. – ameaçou alegremente.
– Você foi o único a me chamar de gorda. – apontei com uma pequena carranca, porém minha voz mostrava minha diversão.
– Oh filho, que isso é rude! – ralhou Esme. Por um momento esqueci que não estávamos sozinhos. Olhando a expressão em nosso redor notei que todos estavam com um sorriso estampado no rosto. Mesmo Esme que tinha acabado de repreender Edward sorria em nossa direção. Rosalie que estava em um canto mais afastado tinha um pequeno sorriso olhando em direção ao seu marido que ainda gargalhava, acho que finalmente ter sido capaz de enganar Edward o fez aproveitar o momento. Quando viu meu olhar ela deu um pequeno aceno que retribui.
– O quê? – Rosalie perguntou rudemente quando olhamos em sua direção. Era estranho a ver tão amigável.
– E não pense que você vai sair impune dessa Emmett. – ameaçou Edward.
– Bellinha, ele está me ameaçando. Você não vai fazer nada?
– Edward. – repreendi suavemente. – Não ameace seu irmão.
– Viu só! – explodiu Alice. – Isso é tudo culpa sua! – apontou acusadoramente em direção do meu namorado. Acho que estava perdendo alguma coisa.
Agora foi a ver dos olhos se virarem na direção de Alice. Sua explosão não tinha qualquer explicação.
– O que ele fez Alice? Quer que eu dê um jeito nele? – perguntei querendo saber o motivo de sua raiva. Edward olhou em minha direção achando divertido. A ironia não foi perdida por mim. Eu dando um jeito em um vampiro.
Sorri com a ameaça de Bella. Se ela soubesse o poder que tem sobre mim. Ela era a única capaz de me fazer obedecer completamente com uma única palavra.
– Você é amiga do Emmett. – falou com... Dor em sua voz? – E agora que estamos conversando. Isso é injusto. Edward não me deixou falar com você e agora você é mais amiga dele do que minha. Nós seríamos melhores amigas se fosse eu que tivesse te levado para casa.
Alice estava fazendo um grande bico e quase a ponto de querer chorar. Deixe para minha irmã para ser a rainha do drama.
Oh! Era isso que se tratava? Não via nenhuma razão para não ser amiga de Alice também. Ela parecia ser muito divertida. E Edward me avisou para não apostar contra ela. Fora que eu adoraria ter uma verdadeira amiga em Forks. A única pessoa que eu considero mais próxima é Angela, mas não temos nenhum contato fora da escola.
– Hum... – ponderei minhas próximas palavras. – E se sairmos na próxima semana? – lembrei que eu precisava de mais roupas de frio. O clima de Forks era sempre chuvoso e a temperatura mais baixa do que estava acostumada. Sempre tive roupas de verão, porém de inverno eram poucas. – Que tal irmos às compras?
Um grito alegre de Alice seguido por um gemido coletivo do resto da casa a menção as palavras compras me fez alerta. O que eu tinha dito?
– Você vai totalmente se arrepender dessas palavras. – o que Emmett queria dizer com isso?
– Alice ama compras. – Explicou Edward. Ainda não via o problema nisso. Não era a maior apaixonada por compras, mas não era como se me importasse. – Espere e verá.
– Ei! – defendeu-se Alice. – Bella e eu iremos nos divertir. Vocês só estão com inveja.
– Eu não estou. Bella é mais minha amiga do que sua. – falou Emmett apenas para provocar.
– Isso vai mudar. – afirmou.
– Não vai não. – implicou.
– Vai sim! Vai sim! VAI SIM. – gritou indignada.
– Não vai não! Não vai não! NÃO VAI NÃO. – retrucou irritado.
Não gostei muito dessa disputa por Bella. Afinal ela é minha namorada e tem que passar seu tempo comigo, não com meus irmãos. Não estava com nenhuma vontade de dividi-la. Estava prestes a reivindicar minha posição como namorado e o único que tinha algum direito sobre Bella, quando Jasper sentiu minhas emoções de indignação e voltou à leitura rapidamente prevendo uma grande briga e não querendo Alice irritada, afinal sobraria para ele.
– Certo. Agora meninos deixem Bella entrar. Ela mal saiu da porta. – Esme acalmou. Era verdade, ainda estava muito perto da entrada.
– Estão vendo. Vocês ficam discutindo e acabamos sendo rudes com Bella. – brigou indignada com seu tratamento para Bella. Não a ter convidado para entrar era um erro grave em sua opinião.
– Sua casa é linda. – elogiei. Era verdade. Tudo era de extremo bom gosto e as peças pareciam se encaixar uma com as outras, como se fossem um conjunto harmônico junto com as cores e móveis.
– Obrigada – Esme disse. – Estamos muito felizes por você ter vindo. – Ela falou cheia de sentimento, e então eu percebi que ela estava me achando corajosa por estar em sua casa. Era fácil esquecer que eles eram vampiros. Não precisava conhecer profundamente para saber que Esme era uma mulher carinhosa independente de sua espécie. Estar ao seu redor me fazia lembrar minha mãe e a falta que sentia dela. Era bom ter uma figura materna por perto.
“Figura materna? Será que ela pode vir a me considerar como uma segunda mãe? Eu a tenho como uma filha será que ela um dia me verá da mesma forma?” Os pensamentos de Esme sobre as palavras de Bella eram reconfortantes. Era bom saber que minha mãe tinha um grande apreço para minha menina.
A expressão de Carlisle me tirou dessa linha de pensamento, ele estava olhando para Edward com uma expressão intensa. Pelo canto dos meus olhos, eu vi Edward afirmar com a cabeça uma vez.
Eu virei o olhar, tentando ser educada. Não querendo interromper sua conversa privada. Meus olhos derivaram pelo resto da sala e foram parar em um lindo piano preto que reconheceria em qualquer lugar. Senti um aperto no peito. Era um piano exatamente igual ao meu apenas de cor diferente, o meu era branco, mas o modelo era o mesmo.
Não podia acreditar, era muita coincidência. Ou seria realmente por ela ser minha companheira? Quais são as chances entre tantos modelos termos um piano igual?
Branco e preto parecia à perfeita alusão a nos dois. A sua luz e a minha escuridão.
De qualquer forma gostaria de ouvi-la tocar. Será que ela tocaria hoje para mim?
De repente lembrei o dia em que ganhei. Desde criança Steve me ensinava a tocar, mas foi no meu aniversário de 10 anos que ele me presenteou com um. Naquela época não fazia noção de preço, mas hoje sei que esse piano custou uma pequena fortuna. Aquele foi o melhor presente que tinha ganhado em minha vida. Senti uma pequena dor ao lembrar onde ele estava agora. Completamente intocado em sua antiga casa. Apenas lembrar era extremamente doloroso.
Intocado? Não tinha sentido. Será que ela não conseguiu trazer para Forks? Transportar um piano não é uma coisa fácil, mas não é impossível. Com a companhia certa eles podem fazer o transporte com todo o cuidado necessário.
Esme notou a direção do meu olhar.
– Você toca? – ela me perguntou, inclinando a cabeça na direção do piano.
Eu balancei minha cabeça. – Não. – minha voz saiu um pouco rouca.
Não entendi sua resposta. O que levaria Bella a mentir? Ela acabou de confessar que sabia tocar e tinha mencionado que foi Steve quem a ensinou. O que a levaria a mentir?
Era a verdade. Eu não tocava mais. Desde que perdi Steve não tinha nenhuma vontade de voltar a tocar. Provavelmente nem devo lembrar.
Lembro quanto tempo fiquei sem tocar. Não via nenhum motivo ou inspiração para sentar em frente ao piano. Até Bella aparecer em minha vida. Torcia para que eu fosse um dia motivo o suficiente para fazer Bella voltar a tocar. Vendo como senti falta de senti às teclas contra meus dedos formando melodias que transmitiam meus sentimentos, não era justo ter pela se privando disso. Imagino o quanto deve ser difícil para ver algo que tanto representava em sua vida.
– É seu? – minha voz estava mais estável. Precisa afogar as lembranças que um simples piano provocava em minha cabeça.
– Não. – Ela riu. – Edward não te contou que é um músico?
– Não. – Eu olhei para a expressão inocente dele. Depois de todas nossas conversas como ele nunca mencionou? Nem passou pela minha cabeça que ele poderia tocar. A quem quero enganar? É de Edward que estávamos falando. Tirando suas habilidades na cozinha e no volante não consigo pensar em nada que ele não possa fazer. – Não deveria ter ficado surpresa. Devia ter imaginado, eu acho.
Bufei um pouco com seus pensamentos. Eu dirigia muito bem, obrigado.
E não fui um total fiasco na cozinha.
Ok, isso eu tenho que concordar. Cozinhar não foi meu melhor momento.
Esme ergueu suas sobrancelhas delicadas, confusa.
– Edward consegue fazer tudo, não é? – expliquei. Meu namorado não era a criatura mais modesta.
– Você não deve ficar se mostrando Edward. – Esme reprovou levemente, porém ela sabia que eu estava tentando impressionar Bella. Era difícil ganhar o coração de minha namorada, precisava de todas as minhas habilidades e mesmo assim sempre pensei não ser suficiente.
Jasper e Emmett riram e Esme deu a Edward uma olhar de reprovação.
– Eu espero que você não tenha ficado se mostrando, é rude. – Ela repreendeu.
– Só um pouquinho – ele sorriu livremente.
– Um pouco? Só faltava você aparecer brilhando na minha frente. Oh, espere! Você fez isso. – provoquei. Ganhando uma gargalhada em troca.
O rosto de Esme suavizou com o som depois de recuperar da surpresa e olhava com admiração absoluta, e eles trocaram um olhar que eu não entendi, apesar de Esme ter parecido quase presumida.
Olhei para minha mãe com uma pergunta em meus olhos.
Ela apenas deu de ombros antes de me responder. – Pelo que conheço você deve ter lutado muito antes de permitir se aproximar de Bella. Provavelmente eu previ o quanto vocês ficariam bem juntos e o quanto vocês fariam os outros felizes. Seu riso deve ter confirmado minhas previsões mesmo sem ter o dom de Alice. – completou me fazendo sorrir. Li em sua mente o quanto ela queria me ouvir gargalhar, porém achava que só conseguiria isso com Bella ao meu lado de verdade. Rir tinha ficado mais fácil, mas ainda precisava dela aqui comigo.
– Bem, toque pra ela – Esme encorajou. Fiquei um pouco tensa com suas palavras. A última vez que ouvi alguém tocar tinha sido Steve. Não sabia como iria reagir ao ouvir o som de um piano novamente.
Edward me olhou um pouco magoado. – Não se preocupe Bella. Não quero lhe chatear com minhas músicas melosas, como diz Emmett. Vamos fazer algo melhor para você não cair no tédio. – o sorriso que ele me deu não chegou a seus olhos. Imaginei que ele pensou que minha hesitação tinha a ver em não querer ouvi-lo tocar, Edward não tinha ideia do meu passado.
Bella parecia me conhecer como ninguém. Era fácil esquecer minha interpretação quando tinha um pouco de sua mente como guia, tinha que lembrar frequentemente que estava completamente no escuro ao seu lado. Com sua hesitação, facilmente lembraria como os adolescentes acham chato músicas clássicas, piano poderia ser considerado pacato comparado as atuais batidas eletrônicas. Pensaria que ela poderia dormir me ouvindo tocar como se estivesse ouvindo a palestra mais monótona do mundo.
– Não seja bobo. Claro que gostaria de te ouvir tocar – Edward olhou atentamente em meus olhos procurando alguma dúvida ou receio, que ele não iria encontrar. Gostaria de lhe ouvir tocar. Pelo brilho de seus olhos ele amava tocar. Era bom ver o amor pela música. Esse brilho não via desde Steve. Era agradável ver no rosto de Edward.
Esme o empurrou na direção do piano. Sem um segundo pensamento Edward me puxou com ele, se afastando do banco para que sentasse ao seu lado.
Ele respirou profundamente e me deu um suave beijo em minha bochecha.
E então seus dedos flutuaram rapidamente nas teclas, e a sala foi ocupada por uma composição tão complexa, tão luxuriosa, que era difícil acreditar que era tocada apenas por um par de mãos.
Ele era incrível. Sem dúvida era um dom.
Independente de meus pensamentos anteriores. Não é qualquer vampiro que conseguia tocar assim, com tanto sentimento e uma precisão tão grande que poderia somente ser vista por um amante da música.
Um pouco de vergonha, misturado com orgulho de suas palavras. Bella tinha conhecimento na música e ouvir seus elogios fez aquecer meu peito com sua aprovação.
Queria que ela gostasse o suficiente para voltar a tocar piano.
Edward olhou pra mim casualmente, a melodia ainda soava ao nosso redor sem intervalos, olhava admirada a forma que suas mãos movimentavam. – Você gosta?
– É incrível! Edward você tem o dom da música.
– Obrigado. – falou um pouco encabulado.
– Você compôs isso? – nunca tinha ouvido essa música antes.
Ele afirmou com a cabeça. – É a favorita de Esme.
Esme me lançou um sorriso. Ela sabia a música que estava tocando. Era a que compus para ela e Carlisle.
A música ficou mais devagar, se transformando em outra mais leve, e para a minha surpresa eu reconheci a melodia da sua canção saindo da profusão das notas.
– Essa é inspirada em você – ele disse suavemente. A música ficou insuportavelmente doce.
Esme soltou um suspiro audível. Se tiver anos que não toco, tem décadas que não componho.
Bella merecia as mais belas melodias. Não seria difícil ficar inspirado em sua companhia. Podia imaginar notas se formando em minhas mãos.
Eu não conseguia falar. A música era de uma delicadeza ímpar. Variava com suavidade, doçura, carinho e... Amor. Tudo isso moldado em uma melodia calma que lembrava uma canção de ninar de tanta tranquilidade. Parecia que podia ficar em paz ao ouvir suas notas.
– Eles gostam de você. – ele disse convencionalmente.
– O quê há para não gostar? – brinquei. Feliz que tive a aprovação de sua família e ficando relaxada ao seu lado. O nervosismo que senti antes de conhecê-los dissipou.
– Touché. – revirei os olhos ao notar que ele parecia sincero. Como esse homem não vê meus defeitos está além do meu conhecimento.
– Onde eles foram? – Eu olhei pra trás, a sala enorme estava vazia agora.
– Tentando nos dar privacidade, eu acho.
Olhei ironicamente para sua escolha de palavras. – Você acha? – como se não tivesse ouvido em suas mentes.
Ele me deu um sorriso inocente enquanto continuava tocando.
Lembrei suas palavras anteriores. Não achava que ele estava correto. – Jasper não gostava de mim. – pensei alto.
Jasper parou sua leitura surpreso com as palavras de Bella, assim como eu. Ela realmente não o conhecia, se ela soubesse que Jasper jamais agiu assim com ninguém, nem mesmo com sua família ela veria o quanto sua presença o afetou.
Ele parou de tocar abruptamente. – Não! De onde você tirou essa ideia?
– Ele não se aproximou. Parecia que queria manter alguma distância de mim.
– Na verdade aquilo foi culpa minha – ele disse. – Eu te disse que ele foi o último de nós a tentar se adaptar ao nosso meio de vida. Eu pedi que ele mantivesse distância.
Jasper ficou um pouco triste, mas conformado com meu pedido. Ele sabia que era necessário, ele teria mantido distância por precaução mesmo se eu não tivesse falado.
Eu pensei na razão pela qual ele faria isso, as implicações por trás de suas palavras.
– Oh Edward! Diga que você não fez isso. – olhei horrorizada que ele tenha feito esse tipo de pedido para seu irmão.
Incomodado, Jasper se retorcia um pouco. Ele não queria que Bella tivesse medo dele. Ele verdadeiramente gostou dela, uma coisa rara. A única que prendeu sua atenção foi Alice. Com o resto da família ele apenas convivia.
– Era preciso Bella. Jasper não estava confiante de seu controle.
– Claro que ele não era confiante. Como poderia ser com você não sendo? – tentei que minha voz não contivesse nenhuma acusação, mas acho que não fui bem sucedida.
Confuso com suas palavras, li rapidamente a mente de minha família. Para eles também, não fez sentido.
– O que você quer dizer?
– Você mesmo disse que ele sente as emoções ao seu redor. Não importa o quanta fé Jasper pode ter em si mesmo, se vocês emanarem dúvidas sobre seu autocontrole, sua confiança vai diminuir. – apontei o óbvio. Como ele não vê o quão sensível seu irmão é? Espero que os outros lhe deem mais crédito. Edward tinha um olhar um pouco chocado em seu rosto.
Minha família e eu estávamos boquiabertos. Como uma humana enxergava coisas que nem sete vampiros eram capazes? Ela acertou a raiz do problema. Jasper ser um empata sofria influência de todos ao seu redor. Como ele podia confiar nele se nós não confiávamos?
A mente de Jasper seguia o mesmo rumo de meus pensamentos. Se não sofria a influência dos outros será que eu seria mais confiante? Acreditaria mais em mim?
– Prometa que irá pedir desculpas para seu irmão mais tarde. – falei seriamente.
Ele demorou alguns segundos para responder. Parecia perdido em pensamentos, como se essa ideia nunca tivesse lhe ocorrido antes. – Prometo.
– Desculpe Jasper. Não devia ter pedido para você manter distância. Prometo tentar não deixar meus sentimentos interferir no futuro. – Bella tinha razão. Precisava dar um voto de confiança em meu irmão.
Meu pedido de desculpa foi seguido por cada membro da família. Carlisle era o mais envergonhado de não ter percebido isso antes. E Alice estava a ponto de chorar para um vampiro ao deixar suas visões prejudicarem sua confiança em Jasper. Ela sempre previu quando ele iria atacar e eu lia em sua mente e nós sempre interferíamos antes mesmo de acontecer, nunca deixamos ele a possibilidade de mudar de ideia por conta própria. As visões de Alice podem mudar de acordo com a decisão, se Jasper tivesse mudado de ideia no último momento não íamos saber, pois interferíamos antes.
Jasper apenas aceitou educadamente as nossas desculpas extremamente encabulado em ser o centro de atenção e voltou à leitura um pouco desconfortável.
– Edward. – segurei seu rosto em minhas mãos, queria que ele olhasse em meus olhos e entendesse o que eu queria dizer. – Existem vários tipos de pessoas, algumas são difíceis de decifrar. – brinquei, era o que ele sempre dizia de mim. – Mas seu irmão tem um dom e como você também tem um, deveria ser mais fácil para você entende-lo. – expliquei cuidadosamente – Por exemplo, o seu dom pode ser uma benção ou maldição dependendo da forma como você o use. Acho que você percebeu que a maioria das pessoas fala diferente das coisas que pensam. Isso pode demostrar falsidade, mas às vezes o pensamento que você está ouvindo tem outros significados e variam de acordo com o humor. Digamos que você pudesse ler a minha mente em um dia que eu estivesse de TPM você pensaria que eu fosse algum tipo de psicopata assassina. – brinquei trazendo um pequeno sorriso ao seu rosto. – O mesmo acontece com Jasper. Ao ter a sensibilidade para as emoções os sentimentos ao seu redor tem grande controle em sua vida. Ao não confiar nele, ou confiar parcialmente, ele sentirá sua insegurança e isso vai influenciar o que ele está sentindo. Mesmo sabendo que são seus sentimentos sua fé em si mesmo será abalada. Você tem que dar um voto de confiança para seu irmão, independente do que você lê em sua mente. Mesmo se ele estiver tendo pensamentos que abalem sua confiança, você tem que demostrar seu apoio. Só assim ele sentirá mais seguro que ele pode resistir.
Os pensamentos de Jasper ficaram mais confusos. Será que Bella está certa? Eu teria parado por minha própria vontade sem o auxílio dos outros? Seria mais fácil sem o meu dom? Como ela pode ter percebido em um minuto o que eu nunca pensei em mais de um século e meio? Se isso for verdade tudo pode ser diferente. Posso ser mais forte e não ser uma preocupação para Alice. Nunca mais decepcionar a família que me acolheu mesmo com meus erros. Preciso pensar nisso. Ela pode estar certa.
Bom, pelo menos não era o único surpreendido pela mente perspicaz de minha namorada.
Edward balançou a cabeça depois de um momento. – Eu adoraria entender como sua mente funciona. Quem sabe assim eu não seria sempre pego de surpresa.
Bufei levemente com suas palavras. Minha mente não era complicada. Apenas apontava o óbvio.
Ela não se vê claramente. Ninguém que conhecia pensava com Bella.
Sua inteligente e perspicácia eram notáveis. Ela não notou que nossa família, até mesmo com todo o estudo de Carlisle e nossos dons não foi capaz de notar o que ela percebeu imediatamente.
Bella era brilhante.
Resolvi mudar de assunto. – Então, parece que Alice e eu teremos um tempo juntas. Acho que ela ficou chateada de você ter alterado sua visão.
– As visões de Alice sempre podem mudar. – ele disse com os lábios apertados. Como se falasse de algo que não tivesse gostado.
– Você não vai me explicar isso, vai? – Ele não iria me contar o que o afligia, ele estava disposto a mudar algo no futuro e pelo visto estava determinado.
Droga! Novamente ele pegou meu deslize. Não queria pensar em que previsão de Alice não tinha me agradado.
Um momento de comunicação sem palavras passou por nós. Ele se deu conta de que eu sabia que ele estava me escondendo alguma coisa. Eu me dei conta de que ele não ia me contar nada. Ainda não. Em apenas uma troca de olhares parecíamos ter travado uma pequena batalha onde nenhum iria ceder.
– O que será que eu vi que poderia ter te incomodado tanto? – perguntou Alice frustrada de não poder ver o futuro.
Não responde sua pergunta de imediato, maravilhado com o fato de Bella e eu trocarmos uma conversa sem palavras, parecia que estávamos lendo a mente um do outro, mas apenas com um olhar. O que poderia ter me deixado incomodado não poderia ser tão ruim que não pudesse mudar, tendo Bella segura era tudo que importava. Que estivesse segura e viva...
E foi quando a realização me bateu, me deixando horrorizado.
– Vampira. – medo puro era ouvido em minha voz. Não podia permitir que isso acontecesse. Bella se tornar um monstro. Sua linda e pura alma ser pedida no meio da queimação do veneno. Não! Isso não iria acontecer. Se for para isso que o diário estava em minhas mãos, faria de tudo para impedir.
– Calma Edward, não comece a sua ladainha de somos monstros. Vamos ver primeiro o desenrolar dessa história e depois nos preocupar. – falou Alice, imaginado que meus pensamentos estavam certos. Ela deve ter visto Bella como uma vampira.
Jasper projetou um pouco de calma em todos e retomou a leitura.
Não iria pressiona-lo para respostas. Afinal, fui eu que pedi para ele nunca mentir, se não quisesse me contar algo, iria esperar até estar pronto, contanto que ele jamais me enganasse.
Com esse pensamento em mente fiz outra pergunta.
– Então o que Carlisle estava te dizendo mais cedo?
Suas sobrancelhas se juntaram. – Você percebeu, não foi.
Eu levantei os ombros. – É claro. – não era como se estivessem sendo discretos.
Tão obtusa. Lógico que estávamos sendo discretos, provavelmente ela foi a única a perceber.
– Acho que você nunca conseguirá engana-la Edward. – brincou Carlisle. Sorri um pouco para ele, minha garota era perceptiva e mesmo se não fosse eu não iria querer engana-la.
Ele me olhou pensativo por alguns segundos antes de responder. – Ele queria me contar uma novidade, ele não sabia se era algo que ele devia compartilhar com você, por isso ele deixou a decisão comigo, acreditando que você não perceberia nossa conversa. – ele deu uma pequena risada. – Como se você fosse deixar alguma coisa passar.
Bufei levemente. Se eles fossem discretos eu não teria percebido. – E o que você decidiu?
– Eu quero lhe contar. Assim, você pode entender quando eu estiver insuportavelmente protetor nos próximos dias, ou semanas, e eu não quero que você pense que eu sou assim naturalmente.
– Você protetor? Não consigo imaginar... – impliquei. Edward era protetor ao extremo. Pude ouvir uma risada longe e imaginei que fosse de Emmett.
O que podia ter acontecido que me faria mais protetor?
– Eu não sou tão ruim. – defendeu-se.
Arquei uma sobrancelha em sua direção. Ele sabia que era protetor. Aliás, Edward sempre foi protetor naturalmente, o que o levaria a ficar mais preocupado do que o normal? – Tem algo errado?
– Nada errado, necessariamente. Alice viu alguns visitantes se aproximando. Eles sabem que estamos aqui e estão curiosos.
Rosnei.
Nômades.
Em Forks.
Próximo a Bella.
Pelo menos eu estaria por perto e poderia manter Bella segura. Não a deixaria por um segundo fora do meu raio de visão. Sorte que tinha caçado recentemente. Poderia ficar ao seu lado durante o tempo que esses nômades malditos estivessem por perto. Nada aconteceria com minha garota. Iria garantir sua segurança e proteção.
Minha família ficou levemente preocupada, mas me conhecia bem o suficiente para saber que iria lhe proteger e sempre podia contar com o auxílio de Alice.
– Visitantes? – não via o ponto de preocupação. O que uma visita poderia causar?
– Sim, bem... eles não são como nós, é claro, nos seus hábitos alimentares, eu quero dizer. Eles provavelmente nem vão aparecer na cidade, mas eu certamente não vou tirar os olhos de você de jeito nenhum, até que eles tenham ido embora.
Então entendi.
Não visitantes comuns.
Nenhuma tia chata ou primo implicante.
Visitantes de sua espécie.
Vampiros.
Quando ele falou que não eram como eles, podia significar apenas uma coisa.
Eles se alimentavam de sangue.
Eu me arrepiei.
Malditos nômades desgraçados! Logo agora que Bella via minha família e eu como pessoas! Apareciam esses assassinos para estragarem todos nossos avanços. Tudo que lutei para tentar provar para que ela não tenha medo estava indo por água abaixo.
Será que ela me veria com outros olhos agora? Ainda tinha parte do meu passado que ela não sabia, e por mais que quisesse não tinha coragem de compartilhar com ela.
Ela iria me deixar se soubesse.
– Finalmente uma resposta racional! – ele murmurou, mas algo em sua voz me pareceu hesitante. – Eu já estava começando a acreditar que você não tinha o menor senso de autopreservação. – tinha uma pontada de algo que não pude captar. Parecia um pouco inseguro.
Pensei que tipo de visitantes seria esses. Uma coisa era saber da existência de vampiros, mas pensar em sua forma de alimentação deixava a coisa mais real. Ter humanos como alimentos... Não tinha como descrever o que pensava a esse respeito.
Será que eles atacariam alguém em Forks? E se fosse alguém conhecido? Edward falou que eles não se aproximariam da cidade, e esperava que estivesse certo.
Pergunto se ele iria me falar se algo acontecesse...
Suspirei frustrado. Provavelmente não contaria para ela, ao menos se me pedisse. Falar que alguém foi morto pela minha espécie tornaria ainda mais real.
Péssima hora para nômades aparecerem! Da próxima vez vou mantê-los longe de Forks.
Isso! Iriamos encontra-los e daríamos um aviso de que era a nossa área. Nenhum grupo de nômade era tão grande como minha família. Dessa forma eles ficariam longe de Forks e Bella não pensaria ainda nesses tipos de vampiros. Assim, em um futuro distante diria a minha história para ela. Era um bom plano.
Não me sentia prepara para pensar nesse tipo de coisa. Era estranho pensar que existiam seres que viam humanos só como um alimento. Sei que existem humanos que matam humanos, mas pelo menos tinham uma forma de se defender, entre humano e um vampiro não havia dúvida de quem perderia.
Era uma triste verdade. Caça e caçador. Minha espécie era o topo da cadeia alimentar.
Será que agora ela terá medo de mim? Sabendo que sempre há a possibilidade de um dia eu perder meu controle e ser um desses seres que ela despreza que ver um humano como alimento?
Pior ainda. Que eu fui um dia alguém como esses nômades. Como ela reagiria? Será que um dia me perdoaria pelos erros do meu passado?
Quem sabe quando nosso relacionamento estivesse mais sólido poderia compartilhar. Quem sabe assim ela não me olharia com medo e aversão.
Tentando pensar em outra coisa, deixei meus olhos passarem pela sala, admirando como era espaçosa e bem decorada. Não queria aprofundar nesse assunto.
Ele seguiu meu olhar e deve ter percebido meu humor resolvendo mudar de assunto. – Não é o que você esperava, não é? – ele perguntou com uma voz presumida. Parecia feliz em saber que estava enganada.
– Não. – admiti.
– Sem caixões, sem caveiras empilhadas nos cantos; eu nem acho que temos teias de aranha... que decepção isso deve ser pra você. – Ele continuou zombando.
– Sinceramente não parei para pensar como seria sua casa. Bom, mas pensando agora não acharia que tinha caixões, afinal você não dorme. Caveiras, talvez no Halloween. Teias de aranha? Espero que meu namorado mantenha sua casa mais limpa que isso. – repreendi suavemente, arrancando um pequeno sorriso de seu rosto sempre que usava essa palavra. – Confesso que não imaginava ser tão clara e aberta. – acrescentei.
Ele estava mais sério quando respondeu. – É o único lugar onde não precisamos nos esconder.
Que fazia sentido. Sua casa era longe da cidade e cercada por parte da floresta de Forks. Isso dava a privacidade necessária, sem se preocupar com vizinhos bisbilhotando sua vida. Era o suficiente na escola e o restante da cidade, agora fazia sentido onde escolherem sua moradia.
Nossa casa era nosso refúgio. Podíamos ser nós mesmos pelo menos uma parte do dia. Sem ter que representar um papel. Era um pequeno sentimento de liberdade.
– Você quer ver o resto da casa?
Nem precisava perguntar novamente. Estava curiosa para conhecer o resto.
Ele sorriu, pegando minha mão, me levando para longe do piano. Até que a experiência não foi traumatizante como pensava, provavelmente era por estar ao lado de Edward. Tudo parecia melhor nessa expectativa.
Um sorriso largo espalhou em meu rosto. Ela gostou por estar ao meu lado. Eu fiz as coisas melhores. Relaxei no simples contentamento de conforta-la. Podia tocar sempre que ela quisesse.
Nós subimos a enorme escadaria, minha mão passando pela superfície delicada do corrimão. Parecia antiga e moderna ao mesmo tempo. Imaginava que era resistente, mas foi projetada para ter um aspecto mais retro.
O longo corredor que se seguia as escadas era revestido com uma madeira cor de mel, a mesma das madeiras do chão.
– O quarto de Rosalie e Emmett... O escritório de Carlisle... O quarto de Alice – ele fazia gestos enquanto passávamos pelas portas bem trabalhadas.
Olhando rapidamente pareciam iguais, porém olhando atentamente dava para notar que a forma trabalhada tinha suas peculiaridades. As portas pareciam pesadas e grossas, assim como as paredes.
Edward quebrou minhas divagações parecendo divertido. – Realmente não era o que esperava certo?
Revirei os olhos para sua presunção. – Falei que não parei para pensar em nada. Se fosse para pensar eu só imaginaria o que não teria em sua casa.
– E o que não teria? – perguntou curioso.
– Água benta, alho e cruz... – parei minha frase.
No fim do corredor, olhando incrédula para o ornamento pendurado na parede acima da minha cabeça. Edward deu uma gargalhada por causa da minha expressão.
Sabia exatamente onde estávamos. Bella estava de frente para a cruz que foi do pai de Carlisle. Era estranho ver seu ponto de vista da visita em nossa casa. Não conseguia imaginar como estava me sentindo não podendo ter sua mente como guia. Se mesmo com os diários não tinha o completo entendimento de sua mente como séria estar no completo escuro?
Minha mão levantou automaticamente com um dedo erguido para tocar a grande cruz de madeira. A sua madeira escura contrastava com o tom claro das paredes. Eu não toquei, apesar de estar muito curiosa para saber se ela era tão suave ao toque quanto parecia ser aos olhos.
– Desculpe desaponta-la, mas deve ter alho na cozinha. Temos água, mas não é benta, creio que não é tão comum ter em casa. Quanto à cruz... – apontou em direção onde mantinha meu olhar preso.
– Oh meu Deus! – exclamou Emmett. – É impressão minha ou o Edward acaba de fazer uma piada sobre nossa espécie? – minha família soltou risos, sendo que não encontrei o motivo da diversão.
– Ora Edward, mesmo você não pode ser tão obtuso a ponto de negar que há pouco tempo você jamais faria uma piada a respeito de ser um vampiro.
Resmunguei baixinho, mais porque era verdade do que qualquer outro motivo. Era estranho ser tão espontâneo ao seu redor.
– Deve ser muito antiga – eu adivinhei, tentando disfarçar minha surpresa.
Ele ergueu os ombros. – Do início da década de 1630, mais ou menos.
Eu desviei o olhar da cruz pra olhar para ele. Era mais antiga do que pensava.
– Porque vocês mantêm isso aqui? – eu perguntei.
– Nostalgia. Pertenceu ao pai de Carlisle.
– Ele colecionava antiguidades? – perguntei em dúvida. Sentindo antes mesmo da resposta que estava enganada.
– Não. Ele mesmo a fez. Costumava ficar na parede sobre o altar da sacristia onde ele pregava.
Eu não tinha certeza se o meu rosto demonstrava o meu choque, mas só na duvida, eu me virei para olhar para a velha cruz novamente. Eu fiz as contas rapidamente na cabeça; tudo bem eu não sou um gênio da matemática, mas me garanto na adição e subtração. Mesmo assim, precisei fazer a conta pelo menos cinco vezes na minha cabeça com a ajuda dos dedos e de um par de minutos extras que o tempo normal, a cruz já tinha mais de trezentos e setenta anos de idade. O silêncio perdurou enquanto eu lutava pra entender o conceito de todos esses anos.
Rapidamente senti apreensivo. Bella tinha recebido tão bem minha idade. Por que ao saber a de Carlisle foi tão diferente?
– Deve ser estranho para Bellinha. – comentou Emmett calmamente.
– O quê? – perguntei curioso. Estaria Emmett a entendendo melhor que eu?
– Descobrir que conheceu um museu em pessoa. – comentou bem-humorado, fazendo uma carranca aparecer em Carlisle.
– Saiba que sou jovem para minha espécie. – retrucou indignado.
– Mas não para dela. – replicou.
Era verdade. Como Bella se sentiria ao conhecer alguém da idade de Carlisle?
Minha mente parecia em branco, então apenas uma palavra parecia brilhar.
VELHO
Quando comecei a voltar meu raciocínio, pensei no homem que há poucos momentos achava o suprassumo da beleza.
Muito velho.
Ele tem idade para ser avô do avô do meu avô.
Extremamente velho.
– Você está bem? – ele parecia preocupado.
– Quantos anos Carlisle têm? – eu perguntei baixinho, ignorando sua pergunta, ainda olhando para cima. Precisava confirmar que não estava enganada em minhas contas.
– Ele acabou de celebrar seu aniversário de trezentos e sessenta e dois anos – Edward disse.
Trezentos e sessenta e dois anos!
O homem que admirava não passava de um Ancião.
Carlisle tem trezentos e sessenta e dois anos!
Ele é a criatura mais antiga que conheço.
Trezentos e sessenta e dois anos!
Antigo? Ele é arcaico! Arcaico não, quase Jurássico! Minha Vadia Interior estava tão surpresa como eu, apenas por ele ser um pouco ultrapassado. Pouco ultrapassado? Esse homem inventou o termo “passado”. Ele é mega-hiper-supra-passado!
Deveria ter ficado preocupado. Deveria sentir alguma apreensão com suas ideias sobre a idade avançada de meu pai, mas tudo que conseguia fazer era rir.
Rir livremente do jeito encabulado que Carlisle se contorcia na cadeira. A risada estrondosa de Emmett fez os demais rirem. Esme a única tentando esconder seu sorriso e ainda assim sendo malsucedida.
– Eu não sou ancião! – retrucou indignado. – Muito menos jurássico! – Vendo o sorriso estampado em meu rosto falou. – Não esqueça que depois de mim, você é o mais velho da casa.
Tentei não me importar, afinal estava um pouco presunçoso que toda aquela admiração por Carlisle tinha diminuído exponencialmente ao saber sua idade.
Eu olhei pra ele, um milhão de perguntas estavam nos meus olhos.
Ele me olhava cuidadosamente enquanto falava.
– Carlisle nasceu na Inglaterra, na década de 1640, ele acha. Naquela época o tempo não era tão contado quanto hoje, pelos menos não para as pessoas comuns. No entanto, foi logo antes da lei de Cromwell.
Lei de Cromwell? A lei sobre os atos de navegação ingleses. Pensei seriamente em ter algumas aulas de história com Carlisle. Quem precisava de um livro tendo alguém que vivenciou os fatos pessoalmente?
Era estranho pensar nesse tempo longínquo. Onde o transporte entre os países eram feitos de navio. Sem aviões.
Aviões? Você está pensando tão à frente...
De fato, como posso pensar em aviões se não existiam nem carros?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Carros? Você continua pensando muito à frente.
Céus. Minha V.I. não me dava uma folga. Ok, como era viver tendo que se deslocar por trem?
Trem? Qual o seu problema? Estamos falando de quase quatro séculos atrás.
Certo. Sem aviões, sem carros, sem trens. Como diabos eles viviam? Andando de carroça?
Bingo!
Levantei as mãos para o céu mentalmente e agradeci aos deuses superiores terem me permitido nascer nesse século.
Não conseguia imaginar a população de hoje vivendo no passado. Vejo o quanto o ser humano reclama das coisas mais simples. Se a internet do celular está lenta o mundo só falta acabar, sendo que quando minha família e eu existimos nem havia celular, mau telefone e só as famílias mais nobres. Nem preciso mencionar internet.
Quando o banco fecha, reclamam do absurdo de não funcionar até mais tarde, tendo a opção de um caixa eletrônico 24 horas, quando no meu tempo qualquer transação no banco demora horas e dependendo do caso dias para ser atendido.
Em aeroportos o índice de desaprovação é gritante, sendo que hoje existe a mais moderna forma de viajar. Se soubessem que o tempo que gastam em embarque, viagem e desembarque são menos de ¼ que leva uma viagem de trem para uma distância mais curta.
Conseguia ver o motivo do alívio de Bella em não nascer nos séculos passados.
Eu mantive meu rosto composto, consciente de que ele estava me estudando enquanto eu ouvia. Cada vez ficava mais feliz e aliviada dele não ser capaz de ler minha mente.
No lugar de ficar frustrado em não ter Bella comigo, agradeci ter esses diários em minhas mãos. Nem quero pensar em como não era ter noção nenhuma de onde seus pensamentos estavam. Era bom ter uma base antes de conhecê-la.
– Ele era filho de um pastor Anglicano. A mãe dele morreu no parto. Seu pai era um homem intolerante. Quando os protestantes chegaram ao poder, ele foi a favor da perseguição dos católicos romanos e de outras religiões. Ele também acreditava muito fortemente no poder do mal. Ele comandou as caçadas por bruxas...
Bruxas? Ele seriamente está falando sobre caça-as-bruxas? Carlisle um caçador de bruxas. Era uma imagem que não conseguia obter.
– Lobisomens...
Lobisomens? Ele saia em noite de lua cheia atrás de lobisomens? Quantos lobos inocentes devem ter matado no processo.
– e vampiros. – eu fiquei muito rígida quando ouvi a palavra. Eu tenho certeza de que ele reparou, mas ele continuou sem parar. – Eles queimaram muitas pessoas inocentes, é claro que as criaturas que eles estavam procurando não eram tão fáceis de pegar.
Não me preocupei com sua última sentença. Tinha percebido isso.
Carlisle um caçador de vampiros. A imagem do filme Blade veio em minha cabeça e segurei a vontade de rir imaginando Carlisle vestido em couro preto e óculos escuros.
Pela primeira vez em minha vida vi Carlisle completamente constrangido. Juro que se ele pudesse corar ele estaria vermelho intenso como um surto de chacota coletiva caiu sobre ele. Emmett era o mais intenso do grupo.
– Crianças se escondam. Carlisle o caçador de vampiros está na sala. – gritou caindo na risada.
– Sinceramente Carlisle, o couro iria lhe cair muito bem. Não sei como nunca pensei nisso antes. Vou encomendar alguma jaqueta e calça de couro. – Alice falou animadamente.
– Não esqueça os óculos. – apontou Jasper com um sorriso genuíno em seu rosto.
– Não tenho dúvidas que meu marido ficaria lindo de qualquer forma. – comentou suavemente Esme, mas não foi perdida a nota de provocação em sua voz.
Cada vez que Carlisle contava a história de sua vida humana o ambiente sempre ficava carregado e tenso, pela primeira vez a descontração era a emoção predominante.
– Quando o pastor ficou velho, ele ordenou que seu filho obediente ficasse em seu lugar. No começo, Carlisle foi uma decepção; ele não via ninguém para acusar tão rapidamente, não via demônios que não existiam. Mas ele era insistente e mais inteligente que o seu pai. Ele realmente descobriu um covil de vampiros de verdade que viviam se escondendo nos esgotos da cidade, só saindo durante a noite, para caçar. Naqueles tempos, quando essas criaturas não eram apenas lendas e mitos, era assim que eles viviam. As pessoas pegaram suas tochas e lanças, é claro – seu breve sorriso estava sombrio agora – e esperaram onde Carlisle havia visto um deles saindo para a rua.
Eu não vou rir. É uma história séria e tenho que parar de imaginar Carlisle de couro correndo com uma tocha. Droga! Não estava funcionando. Não conseguia tirar essa imagem da minha cabeça. Carlisle, o Blade do século XVII. Pena que ele não tinha a mesma tecnologia. Tochas. Pelo amor de nossa senhora da coerência. Como ele queria vencer um vampiro com uma tocha? Sempre pensei nele em um homem inteligente e culto, mas caramba sua história me fazia ter algumas dúvidas.
Edward olhava atentamente em meus olhos. – Finalmente, um deles saiu. – Sua voz estava muito baixa; tive que fazer um esforço para ouvir. – Ele devia ser muito velho, fraco e com fome. Carlisle o ouviu chamando os outros em latim quando sentiu o cheiro das pessoas.
Latim? Em que ano nasceram esses vampiros? E eu pensando que Carlisle era velho... Se bem que. Ele É velho. Apenas existem velhos mais velhos do que ele.
Carlisle fez uma pequena carranca ao ser comparado com um vampiro que falava latim. Ele ainda estava um pouco indignado de Bella o achar tão antigo assim. Ele realmente se considerava novo. Tudo bem que para nossa espécie isso é verdade, mas não posso negar que ficava feliz que o padrão de Bella era diferente. Gostei que ela reparasse em sua velhice do que em sua beleza.
– Ele correu pelas ruas, e Carlisle, que tinha vinte e dois anos e era muito rápido, estava liderando a perseguição.
Vinte e dois? Por isso as pessoas em Forks falam que ele não aparenta a idade. Trabalhando com se tivesse dez anos a mais de sua idade real iria causar desconfianças.
– A criatura poderia facilmente despistá-los, mas Carlisle acha que ele estava com muita fome, então ele se virou e atacou. Ele pulou em Carlisle primeiro, mas os outros estavam logo atrás, e ele virou para se defender. Ele matou outros dois homens e se alimentou de um terceiro e deixou Carlisle sangrando na rua.
Ele parou. Eu podia ver que ele estava tentando esconder alguma parte da história, escondendo alguma coisa de mim. Ele tinha editado, não sabia o porquê da omissão.
Pensei no meu pedido para ele não mentir e toda vez que ele omitia algo, sabia que era uma tentativa para cumprir minha vontade.
Às vezes era um pouco irritante o fato de Bella ser tão perceptiva. Não daria os detalhes de nossa espécie para ela, não por não confiar, mas que era uma parte de minha natureza que preferia Bella não estar ciente. Afinal, não há necessidade saber que Carlisle foi mordido.
– Carlisle sabia o que seu pai ia fazer. Os corpos seriam queimados, tudo que havia sido infectado pelo monstro tinha que ser destruído. Carlisle agiu instintivamente para salvar sua vida. Ele saiu da rua rastejando enquanto o resto do bando corria atrás do demônio. Ele se escondeu numa plantação, se escondendo numa colheita de batatas por três dias. Foi um milagre que ele tenha conseguido se manter em silêncio, permanecer em segredo sem ser descoberto. Então tudo acabou e ele descobriu no que havia se transformado.
Agora sua omissão era gritante. Muitas coisas ficaram em abertos que não compreendi. Qual o motivo de Carlisle sair rastejando? Edward não mencionou que ele tinha se machucado. O que levaria Carlisle a não ficar em silêncio? Se ele estava se escondendo era lógico ficar quieto. E o mais curioso, porque durante três dias? Digo, podia se esconder por horas, um dia ou uma semana, mas o que levou exatamente três dias? Tudo isso era vago e cheio de buraco que me deixaram confusa. Ele não me enganou com esse resumo de “tudo acabou e ele descobriu no que havia se transformado”.
– Você podia ser um pouco mais eloquente. – apontou Alice.
– Alice, eu não quero que ela saiba de sua visão. Prefiro poupar os detalhes da transformação o quanto puder.
– Isso não é justo. – retrucou Emmett. – Se ela vai ser um de nós ela tem que estar ciente onde está se metendo.
– Ela. Não. Vai. Ser. Uma. De. Nós. – pontuei entre dentes minha frase. Bella seria saudável e humana. Iria garantir isso.
Eu não tenho certeza do que a minha expressão estava dizendo, mas de repente ele parou.
– Como você está se sentindo? – ele perguntou.
– Eu estou bem – eu assegurei. E de repente eu mordi meu lábio com hesitação, ele deve ter visto a curiosidade queimando nos meus olhos.
Ele sorriu. – Imagino que você tenha mais perguntas.
– Como não teria? Você deixou tantas lacunas. – seu sorriso morreu.
– Bella... – começou suplicante.
Balancei a cabeça cortando sua frase. – Você não tem que me responder o que você não quer. Apenas me avise até onde posso perguntar.
– Não é isso. – garantiu prontamente. – Não quero lhe esconder nada. Só não estou pronto para dividir alguns detalhes de nossa natureza com você.
Sorri levemente. – Não tem problema. Eu entendo que é novo para você também.
Seu sorriso cresceu mostrando seus dentes brilhantes. Ele começou a andar pelo corredor, me puxando pela mão. –Eu vou te mostrar tudo que puder.
Notas finais
Gostaram das mudanças feitas?
Por favor, deixem seus comentários e opiniões.
Bom final de semana a todos
Bjs
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