Notas iniciais
Bella finalmente entende seus sentimentos por Edward. Ele reage ao descobrir que é correspondido deixando a família Cullen efórica. Agora os dois passaram o dia inteiro juntos.
Olá leitoras, desculpem a demora mais muito trabalho e pouco tempo. Esse capítulo foi um pouco difícil de escrever, o começo estava pronto e o meio não sai de jeito nenhum. =)
Quero agradecer as recomendações e elogios de
BelinhaCullen s2, Mellany, BabyBia, FR e Clau Prado. Fico muito feliz com suas palavras e espero fazer jus a recomendação que me deram.
Essa nova capa foi feita pela V.J. como tinha dito anteriormente. Eu gostei e espero que vocês também.
Sem delongas vamos ao capítulo.

“Eu estava irremediavelmente apaixonada por Edward Cullen!”



Deixei essa frase ecoar em minha cabeça por um longo momento. Ficava repetindo mentalmente milhares de vezes, até finalmente assimilar o que Emmett leu. Depois que compreendi fiquei incrédulo. Aquela frase era impossível de ter sido escrita, só podia ser mais uma das brincadeiras sem graça de Emmett. Era óbvio que jamais seria correspondido e aproveitando minha fraqueza pregou essa peça.


– Me dê o diário. – pedi rudemente já tirando de sua mão. Não encontrei resistência de nenhum membro da minha família, inclusive Jasper e Carlisle que anteriormente me seguravam. Eles estavam estáticos, enquanto eu estava frenético.



Li aquelas palavras belamente escrita por sua letra miúda e arredondada. Notei como sua letra maiúscula era desenhada e no final de cada palavra ela puxava um pouco para baixo. Sua letra era bonita, e tinha um quê de infantil, mas a força de sua declaração me fez sorrir, o sorriso mais largo e sincero que já dei em toda a minha vida. Não era uma brincadeira afinal, era verdade. Comecei a rir, na realidade gargalhar, sim, pois nunca senti uma felicidade tão grande como a que estava sentindo nesse momento. Minhas emoções foram tão forte que acertarem Jasper em cheio, que não esperava tanta felicidade e euforia junta e projetou sem querer para os membros da minha família.



O clã Cullen era a família mais feliz do mundo neste momento, pois estavam radiantes. Esme foi a primeira a sair da letargia. Saltou do seu lugar e veio me abraçar e parabenizar.



– Você merece meu filho. Tenho certeza que serão muitos felizes.



E assim, seguiram todos os outros.



– Vou ganhar uma irmã. – comemorou Alice. – Tenho certeza que será minha melhor amiga. Faremos comprar juntas, vou ajuda-la a se vestir, fazer o cabelo, pintar as unhas... – interrompi a bola de energia que tenho como irmã.



– Obrigado Alice, mas vamos com calma. Não quero que a assuste.



– Se for para você fazer a família feliz desse jeito. Não vejo a hora que ela entre em nossa família. – felicitou Jasper. Sua voz transbordava sinceridade, Jasper era um homem de poucas palavras e retraído em suas atitudes, seu ponto fraco era as emoções das pessoas, Jasper conviveu por mais de um século no mais puro caos, estar rodeado de amor e felicidade era seu paraíso particular.



– Se existe alguém capaz de manter o controle, esse alguém é você meu filho. Não tenho dúvidas que saberá fazer Bella uma mulher muito feliz. – o tom orgulhoso na voz de Carlisle me deixou um pouco constrangido. Nunca me achei merecedor de tanta confiança vinda dele, mas eles sempre confiavam em mim, mesmo não merecendo.



– Espero que a faça feliz Edward. É o mínimo que pode fazer. – falou gravemente Rosalie. Acenei positivamente. Sem dúvidas a faria feliz. Bella era o amor de minha existência, garantiria ser merecedor de seus sentimentos todos os dias de sua vida.



Emmett olhou seriamente em meus olhos.



– De nada. – implicou. Revirei os olhos, apesar de tudo tinha que agradecer ao grandão. – Acho que você me deve gratidão eterna. Pode começar beijando meus pés. – levantou um pé em minha direção. Empurrei seu pé para longe e rimos juntos.



– Obrigado Emmett. Por sorte, seu descuido foi revertido em sucesso.



– Descuido? Meus movimentos são friamente calculados. Tinha isso tudo planejado. – piscou e gargalhou, rir junto com ele, pois estava feliz demais.



– Sério irmão. Muito obrigado por fazê-la enxergar. Nunca pensei que poderia ser tão feliz. – o abracei calorosamente.



– Disponha Ed. Você merece ser feliz.



Estava me sentindo mais jovem, mais vivo. Sempre fui cético, agora revendo meus passos desde o dia que a conheci até agora, era um verdadeiro milagre ter a confirmação que Bella estava apaixonada por mim.



Afinal, nem nos meus maiores sonhos e melhores expectativas imaginei ser correspondido, não podia esperar ser rival dos meninos humanos. Eu era um monstro. Como ela podia me ver de qualquer outro jeito sem ser dessa forma? Mas, para variar essa pequena humana me surpreendeu. Não só me aceitou, no lugar de ficar com repulsa, como confiou sua vida em minhas mãos. Provavelmente ela não tinha noção do quanto isso significava para mim.



Lembrei-me do seu primeiro dia de aula em biologia… Essa era a reação certar, correr e fugir de mim, se esconder no mais puro pavor. Eu emanava perigo para os humanos, um claro sinal para mantê-los afastados.



E foi com essa constatação que com grande pesar notei que não era a mim que ela estava destinada. Era para alguma outra pessoa, humana e quente. Não um monstro duro e frio. Lembrei a vontade que senti de querer caçar e matar cada possível pretende principalmente aqueles cachorros do Newton e do Black, por mais que não tivesse alguma chance com ela, o instinto possessivo falava mais alto. Mesmo pensando que Bella jamais me veria do jeito que eu queria que ela visse. Ela nunca me veria como alguém que merecesse ser amado. Por isso senti tanta raiva de cada moleque que se aproximava dela.



Agora aconteceu uma reviravolta em minha vida e lutei para achar palavras para nomear os sentimentos que me invadiram, mas não existiam palavras fortes o suficiente para descrevê-los.



No momento em que me tornei um vampiro, trocando minha alma e mortalidade por imortalidade na dor abrasadora da transformação, eu tinha realmente congelado. Não só o meu corpo tinha se transformado em algo mais para pedra do que para carne, permanente e sem mudanças. Eu mesmo, também, tinha congelado como era — minha personalidade, meus gostos e desgostos, meus humores e meus desejos; todos fixados de um jeito.



Era a mesma coisa para o resto deles. Todos nós estávamos congelados. Pedras vivas.



Quando uma mudança chegava para um de nós, era uma coisa rara e inalterável. Tinha visto acontecer com Carlisle, e uma década depois, com Rosalie. O amor os tinha mudado de um jeito irremediável, um jeito que nunca mais mudava. Mais de oitenta anos haviam se passado desde que Carlisle achara Esme, e ele ainda a olhava com os olhos incrédulos de primeiro amor. Seria sempre assim para eles.



Seria sempre assim para mim também. Eu sempre amaria essa frágil garota humana, pelo resto da minha existência sem limites, mesmo sem conhecê-la pessoalmente ainda, ela era meu sol e eu giraria em torno dela enquanto existisse.



Esperava que Bella ficasse tão feliz quanto eu ao descobrir seus sentimentos.



– Você vai ficar com essa cara de palerma ou vai voltar à leitura? – Emmett interrompeu meus pensamentos.



Merda, Merda, Merda!


Ok, essa não era a reação que eu esperava.


Droga, não podia acreditar que estava apaixonada.


Burra, Burra, Burra!


Definitivamente essa não era a reação que queria. Porque ela está se martirizando tanto? Tudo isso por ter se apaixonado por um monstro como eu? Fiquei um pouco triste ao pensar dessa forma, lógico que ela não gostaria de se apaixonar por um monstro como eu. Preferia um humano normal. Como pude me iludir tanto?


Dá para parar de drama? Daqui a pouco você vai fazer uma franja no cabelo, usar preto e ouvir música depressiva, falou minha vadia interior com voz monótona. Sério que ela não viu a gravidade da minha descoberta? Acabei de saber que estou apaixonada. Isso tem que ser um pesadelo.


Como pode dizer que isso é um pesadelo? Essa foi a realização do meu melhor e maior sonho.


Posso saber por que tanto drama? Suspirei antes de responder a minha vadia.


Também gostaria de saber essa resposta. Seria por eu ser um vampiro? Um monstro? Frio? Duro? Velho? Franzi o cenho, eram tantas possibilidades.


Deixei as lembranças ainda um pouco sombrias aflorarem em minha cabeça. Tinha se passado pouco tempo desde que tinha perdido o homem da minha vida. Aquele que tinha como um pai. A dor de sua perda ainda me afetava. O desespero que senti com sua partida era algo que não queria em minha vida nunca mais. Então fiz uma decisão. Nunca deixar ninguém entrar em meu coração. Criei um muro ao meu redor, por isso afastei meus amigos, não queria mais amar, manteria um relacionamento superficial, o suficiente para manter a boa convivência. Exceto pelos membros da minha família, esses eu não podia e nem tinha como fugir.


Agora tudo mudou. Estava perdidamente apaixonada. E se eu o perdesse? Não iria suportar mais uma pessoa saindo para sempre de minha vida.


Esse era o medo dela? Poderia não ser certo menosprezar seus medos, mas estava imensamente feliz que não era nada relacionado à minha espécie, era apenas uma proteção contra o sofrimento. Seu subconsciente agindo para fugir da dor.


Bobinha, jamais ficaria longe dela, isso era impossível. A amaria para sempre. Era um medo desnecessário.



Ok, Miss Drama, usa essa massa cefálica um pouco. Você esta esquecendo um pequeno detalhe, minha Vadia Interior tirou dos meus devaneios. Do que ela estava falando? Realmente parecia que faltava alguma coisa. Parecia que estava deixando algo de suma importância de fora. Pensei por muito tempo e nada veio em minha cabeça. Desisti e deixei o enigma para minha V.I. Caso você não se lembre, ele é imortal.


Nunca achei que chegaria o dia em que ficaria feliz com o fato de ser imortal. Pelo visto, estava tremendamente enganado. Parecia que o destino finalmente estava conspirando ao meu favor. Pela primeira vez em muito tempo estava sendo recompensando. Aquilo que sempre menosprezei — minha imortalidade — estava me ajudando a conquistar minha Bella.


Oh, como esqueci por quem estou apaixonada? Sorrir com isso. Parecia que o destino conspirava a nosso favor. Se Steve estivesse aqui sem dúvidas teria um dedo dele nessa história. Ele sempre me apresentava possíveis pretendentes. Imagino o quão desgostoso foi para ele ver o quanto eu afastava todos ao meu redor. Agora contrariando todas minhas estruturas e abalando minhas defesas, já que meu medo era por sentir novamente a dor da perda. O que dizer ao me encontrar apaixonada justamente por alguém imortal. Acabando de vez com meus argumentos para não aceitar esse sentimento. Acho mesmo que isso foi obra da minha estrela da sorte querendo nos unir.


Duas pessoas completamente diferentes, morando em lugares diferentes, se encontram em uma minúscula cidade fria e chuvosa de Washington. Ele com o dom de ler mentes, eu sendo a única que tenho meus pensamentos protegidos. Eu criando uma barreira de proteção, ele o único capaz de invadir minhas estruturas e me conquistar. Podia ser enredo de um filme, ou melhor, de um livro. Tenho a impressão de que seria um best-seller.


Existia um homem mais feliz no mundo do que eu?


Duvidava muito de uma resposta positiva. Bella aceitou seus sentimentos por mim. Nos realmente combinávamos. Achei que fossemos opostos, mas não, erámos diferentes para podermos nos completar.



E foi com essa realização que pude finalmente dormir e sonhar com o homem que descobrir estar apaixonada.


Nunca iria me cansa de ouvir essas palavras. Parecia que meu coração voltaria a bater a qualquer momento.

Logo estaria vivendo isso na vida real. Estava ansioso demais para que Bella chegasse. Não via a hora de terminar a leitura e poder viver ao vivo cada relato.


Estava na melhor parte de um sonho, Edward, no meio de flores, Edward, sol, Edward, sim era um bom sonho, continue dormindo tranquilamente até que meu sonho acabou de forma abrupta com um barulho insistente e estressante. Demorei bastante tempo para perceber a origem do som. Despertador. Gemi alto com uma imensa vontade de quebra-lo. Quem inventou o despertador merece um chute no traseiro. Tem maneira pior de acordar? Porque diabos isso estava tocando?


O lado bom de não poder dormir é não precisar acordar. Devido meu dom, já tinha percebido o quanto os estudantes reclamavam de levantarem cedo, ou andavam sonolentos pelo colégio. Era engraçado vê suas preocupações em não dormir muito tarde com receio de acordar cedo no dia seguinte. Não lembrava ter esse tipo de preocupação.


Oh, droga. Lembrei o motivo. Ir trabalhar.


Dormir tarde e acordar cedo não são uma combinação muito boa. Resolvi ficar deitada mais um pouco. Só mais cinco minutinhos. Pensei voltando a dormir.

Acordei novamente com aquele barulho chato. Coloquei o despertador no modo soneca. Ele tocava de cinco em cinco minutos até ser desligado. Depois de algum tempo resolvi olhar a hora.


Atrasada.


Droga.


Como isso foi acontecer? Só apertei o botão para tocar novamente uma ou duas vezes... Pensando melhor, talvez fossem umas cinco.

Levantei rapidamente da cama.

Fui quase voando tomar banho, coloquei a água fria com a tentativa de ficar desperta. Dei um salto de quase um metro quando a água entrou em contado com meu corpo. Que ideia estúpida! Colocaram gelo nessa água? Que ter alguma hipotermia? Rapidamente mudei para o quente. Essa não foi uma boa ideia. Dei outro salto quando minha pele queimou. Céus, quer ganhar uma queimadura ou apenas era uma tentativa de ter um choque térmico? Ok, essa também não foi uma boa ideia. Ajustei em um meio termo e enfim consegui tomar meu banho. Que sacrifício. Rapidamente me vestir, mal notando as roupas que pegava. Torcia para não ter vestido nenhuma peça do avesso ou ter feito alguma combinação bizarra, mas saindo devidamente vestida sem esquecer a calça pelo meio da caminha já consideraria uma vitória.


Desci as escadas estava fora de questão, então escorreguei pelo corrimão para poupar tempo. Foi a melhor ideia que tive no dia, não usar os degraus. Mentira. Esqueci como se parava, então utilizei o chão e meu traseiro como freio. Foi bem estúpido. Acho que sou uma pessoa estúpida pela manhã. Só pela manhã?


Estava impressionado com o que o sono podia causar em Bella. Toda essa loucura só por estar atrasada e com sono? Ela podia se machucar seriamente.


Finalmente consegui sair de casa, apenas com cinco minutos de atraso. Edward já me esperava dentro do carro. Entrei no Volvo com um humor terrível, estava com sono, estressada, com sono, com fome, com sono e com a bunda dolorida, sem dúvidas uma bagunça. Mencionei que estava morrendo de sono?


– Bom dia. – disse duvidoso, minha cara não estava das melhores.


“Bom dia?” Ele acabou de falar “Bom dia”? Bom dia para quem em nome de Morfeu? Estava dormindo tranquilamente antes de ser acordada ouvindo um som estridente, — chamando por alguns de despertador — recebi jatos de água tão frios que pareciam ser do polo norte, que quase me fez ter pena do Papai Noel, depois minha pele foi queimada por uma água extremamente quente, que me fez entender a expressão “gato escaldado”. Quando penso que nada pode piorar ainda cai do corrimão, estando atrasada não tive tempo para comer, e ele simplesmente me diz “Bom dia”? Agora eu pergunto. Bom dia para quem? Só se fosse para ele. Vampiro idiota que não precisa dormir!


– Uau mano e, eu que pensei que agora seria mais fácil. – falou Emmett surpreso.


– Imagina quando ele estiver de TPM. – Jasper estava sentindo um pouco de pena por eu ter que aturar suas repentinas mudanças de humor. Bom, comparadas as meus picos emocionais, o mau humor da Bella parecia fofo.




– Dirija. – falei rudemente entregando um cartão com o endereço de local que trabalhava. Odeio quem acorda bem humorado enquanto estou com vontade de quebrar algo.



Ok, nem tão fofo assim.



Acabei dormindo no caminho. Só percebi quando ouvi uma voz suave e um pouco vacilante estava me chamando.


– Bella. – a voz era muito bonita. Suave e aveludada. Parecia uma caricia aos meus ouvidos. Será que tem para vender? Vou comprar como despertador particular. – Acorde. Nos já chegamos. – falou.


Abri meus olhos devagar para me acostumar com a luz. Encontrei um par de olhos dourados me fitando, pude ver sua hesitação e constrangimento.


– Desculpe acorda-la. É que já chagamos há algum tempo e não quero que se atrase para o trabalho. – Olhei ao redor atordoada. Até me situar. Depois de bocejar e me espreguiçar estava me sentindo outra pessoa. O que algumas horas de sono não fazem.


Olhei para a expressão de Edward e ele parecia sem jeito.


– Bom dia Edward. – cumprimentei com um sorriso. Claramente não era a reação que ele esperava, pois demorou alguns segundo para responder.



Rir imaginando como meu “eu” estaria confuso. Deve ser horrível não ter a mente de Bella como guia. Sem dúvidas, deveria estar tentando achar o motivo de ter a deixado dessa forma. Jamais associaria sua chateação por ter acordado cedo.



– Você está bem? – perguntou com dúvida na voz. Ah, fala sério, vai falar que ele nunca pegou uma pessoa que acabou de acordar antes?


– Quase. – respondi, descendo do carro. Ele me seguiu a passos lentos, sem paciência peguei sua mão e lhe arrastei para a lanchonete mais próxima.


Logo fomos atendidos por uma jovem garçonete que perguntou diretamente para o Edward, ignorando completamente minha presença. Fiquei incomodada mais do que deveria.


– Em que posso servi-lo? – a insinuação em sua voz não passou despercebida por mim.




– Acho que alguém está com ciúmes. – cantarolou Alice.


Seria errado ficar satisfeito em saber que Bella estava enciumada?



Lógico que não haveria motivos para isso, só existia ela em minha vida, mas saber que despertava esse tipo de reação dela era de alguma forma... animador.




Edward preferiu ignora-la e apontou em minha direção esperando meu pedido. Notei que ele ainda estava receoso. Pelo amor do Anjo do Sono, só acordei mal humorada e essa garçonete não estava ajudando a melhorar.


– Quero três sanduíches, um copo de suco de laranja grande, oito panquecas, ovos com bacon e duas fatia de bolo de chocolate. – pedi fazendo com que me encarasse de boca aberta. O que foi? Meu rosto estava sujo? Ela saiu depois de um momento.


– Vai comer tudo isso? – perguntou Edward. Parecia um pouco chocado com isso.


– Não tomei café. – me defendi, reparando somente agora no que ele estava usando. Um suéter, com uma camisa branca de gola por baixo, e jeans azuis. Resolvi verificar com que roupa eu tinha saído de casa, e rir ao notar que combinamos até a cor creme do suéter.


– O que foi? – inclinou a cabeça para a direita mostrando que não tinha entendido. Seus olhos ainda eram hesitantes.


– Estamos combinando. – apontei. Ele me acompanhou no riso.


– Você estava com raiva de mim? – falou rapidamente, como em um ato de coragem súbita. Quando ia lhe responder a garçonete chegou trazendo o pedido.


– Não posso trazer mais nada ao seu agrado? – se insinuou mais uma vez para o Edward. Definitivamente não tinha ido com a cara dessa garçonete.



Até eu estava incomodado com essa garçonete. Imagine o quanto eu quis mata-la por atrapalhar meu momento com a Bella. Deveria estar curioso e preocupado em saber o motivo de ter me tratado daquela forma.


– Edward. – chamou Alice. – Porque você estava tão hesitante com a Bella? Só pela sua mudança de humor? Parece que tem algo mais lhe incomodando.



Pensei seriamente na pergunta de Alice. Para entender como funcionava minha mente, precisava estar focado que não tinha ideia dos pensamentos de Bella, tudo que sabia era pelo que ela falava ou eu via na mente de outras pessoas.


O que me deixaria tão receoso de falar com ela? Apesar de mal-humorada, não ficaria temoroso em relação a isso.


A resposta veio a jato. Devia estar preocupado com sua reação as palavras do Emmett. Tudo que vi foi a mente de Emmett, provavelmente culpado com a sua escolha de palavras e a saída brusca de Bella do carro.



Novamente senti a familiar miríade de emoções. Culpa foi o primeiro. Devia ter dado um momento muito difícil para Emmett, não gostaria de saber minha reação ao ler sua mente. Deveria ter ficado transtornado, qualquer risco de perder Bella me deixaria fora de órbita. Além de um pouco de pena pela aflição que meu “eu” deveria estar sentindo. É provável que estava pensando que a reação de Bella era por ter ficado com raiva da forma que Emmett a chamou. Estaria pensando que ela estava com raiva de mim e que não gostou de ter sido chamada de “cunhada”.




Será que ela não via que ele estava acompanhado?

Quando fiz essa pergunta, a resposta fez meu peito se contorcer. Éramos apenas amigos. Não tinha nenhum direito de ficar incomodada com a garçonete. Edward era livre para levar cantadas ou sair com quem quisesse. Ser apaixonada por ele não fazia ter meus sentimentos correspondidos.

A comida desceu por minha garganta com um gosto amargo. Não trocamos nenhuma palavra durante a refeição.



Estava boquiaberto com o absurdo que Bella tinha pensando. Como ela ainda sabe o quanto eu a amo? Ela não sabe que é a coisa mais importante da minha vida?

Repassei todas nossas conversas e com pesar notei que em nenhum momento expressei meus sentimentos.

Outra coisa que precisava ser corrigida, não podia deixar nenhuma dúvida de que ela era a dona de meu coração. Ela precisava estar ciente. Precisei de outro momento para reorganizar os fatos e saber o motivo de ter mantido minhas emoções na baia.

A realidade era ridiculamente simples. Medo. Puro e bestial medo de ser rejeitado e perder o pouco que consegui. É provável que em minha cabeça meus sentimentos eram unilaterais, então não iria correr o risco de arruinar as oportunidades de estar em sua companhia. Se for a minha amizade que estava interessada então daria. Aceitaria cada migalha que era oferecida.



Comi rapidamente, tanto para evitar a garçonete como para evitar meus pensamentos. Saímos depois que lancei um olhar bravo em direção ao Edward.



O que eu fiz?



Não era justo que ele pagasse a conta, afinal só eu comi.



Explicado. Até parece que eu a deixaria pagar alguma coisa comigo ao seu lado.



– Então... Posso saber em quê a senhorita trabalha? – perguntou em forma de gracejo. Ele não me enganou em nenhum momento. Estava claro que queria que eu esquecesse o assunto e não brigasse com ele por ter pagado a conta escondido.



– Acho que nessa relação é a Bella que consegue ler sua mente. – Rosalie estava sorrindo ao fazer essa afirmação. Não podia negar que era verdade, Bella via atrás de todas minhas desculpas, só não entendia como ainda não tinha percebido o quanto a amava.


Achei melhor responder, não queria brigar com ele.


– Você vai ver. – parei em frente à loja do Sr. Smith aonde iria me arrumar. Ele tinha aberto há pouco tempo uma filial em Seattle. – Entre.


O Sr. Smith estava falando ao celular e parecia frenético. Depois de dois minutos ele encerrou a direção e notou minha presença.


– Bella! Que bom que chegou. — ele segurou minha mão e me encaminhou a um sofá que ficava no canto direito da sala. – Acho que você terá trabalho dobrado hoje. – lamentou.


– Aconteceu algo?


– Sim, Josh quebrou o braço e não poderá vir.


– Oh. – fiquei preocupada. – Foi grave? – será que ele sofreu algum acidente?


– Não, parece que ele acordou atrasado e na pressa de vestir a calça acabou caindo de mau jeito em cima do braço.



– Sério que isso é normal? – perguntou Emmett confuso.


– Dormir é essencial para os humanos, uma noite mal dormida ou o sono interrompido, afeta seu dia. Claro que a intensidade varia de acordo com vários outros fatores e até a genética, mas sim, os humanos sonolentos são mais propensos a acidentes. – nos informou Carlisle.



Bella não trabalharia mais de manhã cedo, estava decidido.



– Nossa. – pensei na sorte que tive em não me quebrar no caminho até a saída de casa. – Confesso que tive um pouco de dificuldade de acordar hoje. – ele sorriu entendendo o que quis dizer.


– Sim, é um caminho longo de Forks até aqui, não? – acenei positivamente. Sorte que vim com Edward assim conseguir ter um tempo de descanso. – Então você pode ir se arrumar, tenho certeza que dará conta. – foi então que uma ideia brilhante surgiu em minha cabeça.


– Só um minuto. Acho que tenho a solução. – ele apenas me olhou desconfiado, mas não falou nada. – Meu amigo pode nos ajudar. – apontei em direção para o Edward.


Pelo visto ainda não tinha notado a presença de Edward antes. – Olá meu rapaz. Você não se importa em nos ajudar? – perguntou.


– Claro que não. – respondi por ele. – Venha Edward, vou lhe explicar o que terá que fazer.


– Wow... Acho que você está em apuros. – o tom de Emmett estava mais para comemoração do lamento.

Franzi o cenho. O que Bella estaria aprontando? Tinha um pressentimento de que não iria gostar.


Foi divertido convence-lo. Edward era um verdadeiro turrão. Não conhecia essa sua faceta, mas estava quase vendo o momento em que ele começaria a fazer uma birra e bater o pé.

Por sorte, ele perdeu a aposta, assim tinha um belo argumento. Edward parecia ser um homem a moda antiga, e manteria sua palavra.



Bufei alto quando ouvi as risadinhas de meus familiares, tinha grande vontade em não ler essas partes para eles. Poderia editar um pouco suas palavras. Não havia necessidade de saberem que estava fazendo uma birra. Até porque eu não fazia birra.



– De jeito nenhum! – falou exasperado pela décima vez.



Só um pouco.


– Não esqueça que você não ganhou a aposta, você não achou a chave do carro, então como vencedora você terá que pagar. – ouvi mais alguns resmungos. – Vamos Edward, seja um bom perdedor e vá se vestir enquanto vou me arrumar. – falei o empurrando, óbvio com sua ajuda, pois jamais conseguiria move-lo um centímetro contra sua vontade.


– Não acredito! – pulou Emmett. – Você terá que se fantasiar. – apontou o dedo em minha direção, antes de começar a rir histericamente, junto com os outros. – Preciso gravar essa cena.


– Do que será que ele vai se fantasiar? – perguntou curiosa Rosalie. “Ela lhe tem em suas mãos Edward, você faz tudo que ela quer. Ainda reclamava do Emmett”, acrescentou em pensamento. Não podia negar que várias vezes questionei como Emmett obedecia cegamente o que Rosalie pedia, agora estou na mesma situação, se não pior. Esperava que Bella fosse um pouco complacente e não me fizesse passar uma grande vergonha, minha família não esqueceria isso em algumas décadas.



– Acho que de bule. – falou Alice.



– Alice. – reprendeu Esme. – O bule era uma mulher, madame Samovar. – fiquei grato por ter me defendido. – Acho que seria de xícara, ele faria um bom papel de Zip. – retiro o que disse.



– Esme. – falou rindo Carlisle. – Zip era um menino, a fantasia de Orloge ficaria melhor. Nosso filho nasceu para ser um relógio. – todos estavam rindo as minhas custas. Eu devo realmente amar essa mulher.



– Que tal o guarda-roupa? – sugeriu Jasper. – Não, esse ficaria melhor para o Emmett. – acrescentou. Sim, Emmett ficaria muito bem nesse papel. – Que tal aquele descanso de pé. – Quantos personagens têm nesse desenho? Já estava pensando na vergonha que me esperava.



– Já sei. – gritou Emmett. – Ele seria o candelabro, aquele Lumière. Branco como uma vela ele já é, só falta se vestir de dourado. – pronto, os risos voltaram com força total.



Isso era injusto, provavelmente iria me fantasiar de algo humilhante, enquanto Bella estaria linda vestida de princesa.




De todas as princesas que já me fantasie, sem dúvidas a roupa de Bela era a pior, precisei de duas pessoas para me ajudar a pentear meus cabelos e colocarem o vestido dourado e branco, rico em detalhes e laços, era extremamente pesado e difícil de vestir. Fiquei penalizada ao imaginar que há muito tempo mulheres se vestiam assim normalmente.



Bom, acho que não era tão injusto. No meu tempo de humano os vestidos já eram menos pomposos, mas ainda davam algum trabalho. Imagino que não ser capaz de se arrumar sozinho deve ser bastante desconfortável.


A beleza do vestido era inversamente proporcional ao seu conforto. Quanto estava terminando de fechar o espatilho, mal podia respirar.


– Está bem apertado? – perguntou uma voz do além.


Bem apertado para minha incapacidade respiratória, tive vontade de responder. – Solte um pouco. – pedi com um último fôlego.


– Nessas horas que fico feliz em não poder respirar. – Rosalie sentiu-se penalizada pelo que Bella estava passando. Pelo visto, deveria ter memórias parecidas. Acho que não iria entender os sacrifícios de uma mulher na hora de se arrumar.



Foi com muito esforço e praticamente implorar para afrouxarem mais um pouco que consegui estar pronta e conseguindo respirar quase normalmente. Quem inventou o espartilho sem dúvidas era um homem. Outro que merece um chute no traseiro por isso!


Rir um pouco com seu mau-humor. Estava achando cada vez mais fofo quando não era dirigido a mim.


Admirei um pouco a imagem refletida no espelho. Estava parecendo que iria a um baile de época, até meus cabelos estavam devidamente presos e cacheados em um penteado de época. O estranho é que parecia que eu pertencia aquele tempo.


Bufei frustrado. Essa era uma imagem que queria ver. Na realidade desde que achei os diários tentava ter uma imagem de Bella mais não conseguia. Era extremamente frustrante, minha imaginação nunca parecia alcançar a imagem real, parecia faltar algo. Agora mais uma vez estava irritado em não ver como ela ficou vestida. Deveria estar linda.


Fui atrás de Edward, provavelmente já estaria pronto. Senti uma pontada de inveja com sua velocidade. Isso era injusto, além de ser homem e não precisar de muito tempo para se arrumar ainda tinha uma velocidade anormal.


Revirei os olhos, ela pensava em cada coisa.


– Edward. – chamei baixinho. Sabia que ele poderia me ouvir. Quando saiu de dentro do vestiário, estava com os olhando para seus pés, era visível que o fez contra a vontade e constrangido.


Tive que segurar uma gargalhada. Mordi os lábios com força tentando engolir a vontade de rir. Estava ficando vermelha com o esforço.


Oh, céus! Qual será o tamanho da vergonha que irei passar? Nota mental de nunca apostar nada contra a Bella.


– Acho que suas presas estão do lado errado. Deveriam ser na parte de cima. – comentei rindo.


– Não tenho presas! – retrucou secamente.


– Quando você nasceu você vestia esse tipo de roupa? – provoquei mais um pouquinho. – ele apenas cruzou os braços me lançando um olhar irritado. – Ok. Última pergunta. – segurei o sorriso. – Quem colocou esses chifres em você? – não consegui aguentar mais e rir alto.


Edward estava usando uma calça preta social que lhe caia muito bem, com um colete dourado e sobrecasaca azul. Fora que tinha inúmeros babados na frente. O que o deixava quase irreconhecível era sua maquiagem. Ele realmente estava parecido com a Fera, com direito a chifres e presas, quando você olhava além dos pelos em seu rosto. Era difícil não rir de seu focinho e sobrancelhas grossas.


Tive que parar a leitura. Minha família estava rindo há alguns minutos sem parar. Se o motivo da aparição desse diário é evitar os mesmos erros, esse foi um colossal. Não deixaria se repetir.


– Vamos logo. – sua voz parecia um pouco envergonha.


– Sim meu nobre cavalheiro. – dei meu braço para ele o que o fez sorrir e pela primeira vez me olhar. Mesmo com a maquiagem pude ver seus olhos se arregalarem e parecia que tinha engolido em seco. Dei uma olhada em um espelho próximo. – Formamos uma boa dupla. – ganhei um sorriso largo em resposta.


Edward preferiu ir dirigindo, evitei ao máximo olhar em sua direção, se o fizesse iria voltar a rir e não queria irrita-lo.


Paramos na frente da casa, era fácil saber que estava ocorrendo o aniversário pelos gritos ouvidos de longe. Esperamos um pouco para o resto da equipe chegar. Nem preciso mencionar que chegamos primeiro que os outros.


– Posso saber o que tenho que fazer? – me perguntou depois de um momento de silêncio.


– Sorrir e acenar. – respondi prontamente. Pelo visto você aprendeu, comentou feliz minha Vadia Interior.


– E ainda pagam para isso? – gracejou.


Fiz minha melhor cara de indignação. – Está dizendo que não mereço?


Edward me olhou longamente, seus olhos transmitiam uma emoção tão intensa, mas não consegui decifrar no meio de tanta coisa em seu rosto. Ele murmurou algo que parecia como “Pagaria mil vezes mais para ter essa imagem”, mas não tenho certeza.


– O que disse? – deveria ter ouvido errado.


Demorou um tempo para ele responder, e quando o fez foi de forma rápida. – Você está linda. – falou por fim me fazendo corar. Não tive tempo de responder nada, pois a equipe chegou e estacionou atrás do Volvo.


– Oh, isso foi tão fofo! – Alice piscou os olhos para mim. Evitei responder, isso deletaria o quanto fiquei sem jeito. Pelo visto estava pagando pela inconveniência que era meu dom. Nunca me senti tão exposto.


Por incrível que possa parecer consegui me acostumar com a rotina de um aniversário infantil. Gritaria, correria, brincadeiras, ataques e alguns incidentes pelo caminho.


O que não consegui me acostumar foi com a imponente presença de Edward. Sua fantasia apenas aumentava a intimidação. Nenhuma criança ou adulto se aproximaram dele e parecia que isso o deixava aliviado.



O lado bom é que não recebi nenhum tipo de cantada. Sempre que algum adulto aproximava, Edward aparecia rapidamente do meu lado, ou simplesmente lançava seu Olhar-do-Mal que o faziam mudar sua rota, tenho a impressão de que o ouvi rosnar umas duas vezes.


– Não conhecia esse seu lado ciumento. – comentou de forma casual Rosalie.


– Acredite em mim Rosalie. Nunca conheci alguém tão ciumento e possessivo como Edward. – falou Jasper com propriedade.



Tentei não ficar irritado com seus comentários, eram injustos. Por mais que fossem verdadeiros eles precisavam entender que nunca tive um apego real por nada, nem pela minha vida, e agora que tenho em mãos algo tão precioso eu precisava tratar com o maior cuidado do mundo. Não me defendi, pois sabia que só provaria que estavam certos.



Depois de todas as brincadeiras, estava cansada. O vestido era bastante pesado. Por sorte, era hora de contar alguma história. Era minha parte favorita, pelo menos tinha algum descanso e podia ficar sentada, quer dizer, achei que podia, mas o vestido possuía tantas anáguas que imaginei se eu conseguisse sentar, não conseguiria levantar tão cedo. Acabei optando por ficar em pé.


Contei detalhadamente a história mudando a entonação da minha voz e fazendo as devidas pausas para dar o tom de mistério e suspense. No meio do conto as crianças olhavam de forma diferente para o Edward, ou melhor, para a Fera. Pareciam não terem medo como antes. Quando pronunciei o clichê de “Felizes para sempre” houve uma chuva de palmas e comemorações.


Minha parte estava feita e logo seria liberada. Foi o que pensei, mas as pequenas mentes malignas tinham outros planos, antes que pudesse escapar as crianças pediram para dançar com a Fera. Senti meu rosto esquentar só em pensar nisso. Sabia que não conseguiria sair sem uma dança, mas estava muito nervosa para isso.


Sorri largamente. Não podia acreditar que teria a chance de ter Bella em meus braços. Podia admitir que fiquei triste em não ir para o baile com ela, mas acabei ganhando aquilo que queira – a oportunidade de dançar com Bella.


A música começou a tocar, as batidas suaves da valsa eram desproporcionais ao meu pulsar frenético. Edward veio em minha direção com seu andar elegante e postura reta. Meu coração perdeu uma batida, mesmo fantasiado ele emanava poder.


Hesitante ele pegou minha mão e deslizou a outra pelas minhas costas. Pela luva que usava e meu vestido, não senti a diferença de temperatura, apenas seu toque.



Prendi a respiração em estar em seus braços. Era uma sensação única, forte e intensa. Com um pequeno suspiro Edward me conduziu de forma graciosa para esquerda iniciando o bailar. Dançamos pelo centro do salão. Enquanto estava ali aninhada, nada ao redor importava. Não lembrava as crianças ou seus pais, nem que isso era meu trabalho. Tudo que importava no momento eram os braços do Edward ao meu redor, a forma como sua mão estava em minha cintura, como minha mão direita repousava na sua. Parecia tão certo e perfeito.


Ele era um dançarino excepcional, me conduzindo facilmente e rodopiando com uma leveza invejável. Em nenhum momento desvie de seus olhos, apesar da maquiagem e fantasia, seus olhos dourados era tudo que via. Nosso contato foi quebrado com os gritinhos de “Beija – Beija – Beija”. Corei violentamente, ficando incomodada por não saber como agir.


Teria corado também se isso fosse possível. Não gostaria que minha família presenciasse isso.


– Você não precisa fazer isso. – falou seriamente, provavelmente interpretando mal minha reação.


No momento em que tomei ciência dos meus sentimentos pelo Edward eu deixei de ser eu mesma. Acabei me tornando insegura e sem saber como agir ao seu redor. Com uma respiração profunda deixei meus pensamentos de lado, guardei as inseguranças no fundo da minha mente e suprimi a possibilidade de rejeição.


– Quão rápido você é? – perguntei tentando manter um sorriso e ignorar o turbilhão que estava minha cabeça.


– Muito. – sua resposta me fez sorrir.


– Pronto para a mágica. – pisquei. O que me rendeu um olhar confuso seu. – Lembre a história. – esclareci. – No meu sinal. – Olhei profundamente em seus olhos e lentamente fui aproximando o meu rosto do seu, senti o quando seus ombros se tornaram tensos e seus olhos abriram em surpresa, tentei colocar a hesitação em escanteio, mas não fui bem sucedida e no último momento acabei dando um lento beijo em seu rosto. Edward apertou seu braço mais forte em minha cintura e parecia ter parado de respirar. Fui me afastando e olhando receosa em seus olhos procurando algum vestígio que fosse esclarecedor.


Estúpido! Como posso ser tão idiota? Deixando minhas dúvidas ditar sobre meus atos, fazendo Bella ficar insegura com relação a mim. Tinha vontade de me bater por isso.


Edward apenas me olhou de forma intensa, não desviamos o olhar por um momento sua expressão era ilegível, antes dele se lembrar do meu pedido e em um piscar de olhos Edward já estava sem nenhum resquício da maquiagem, parecendo com um verdadeiro príncipe. Ouvi aplausos entusiasmados das crianças e de seus pais, relutantemente me afastei de seus braços e fizemos uma pequena reverência.


A cada minuto que se passava ficava mais frustrado. Engraçado que como quem estar de fora pensa que pode fazer tudo diferente, não cometer os mesmos erros do que estão envolvidos cometeram. Em primeira mão, assumo que faria tantas coisas diferentes, mas ao notar que aquele relato estava presente era um pouco desconcertante. Saber como pequenas atitudes fariam algo diferente, Bella precisava apenas de um olhar diferente, algum incentivo e como covarde que fui fiquei apavorado, ela deve ter entendido tudo errado. Minha estupidez estava levando o melhor de mim. Virei à folha do diário com raiva e página seguinte me fez ofegar.


No diário que estava em minhas mãos tinha uma foto colada. Peguei com cautela, nada poderia ter me preparado para a imagem refletida.



A pessoa na foto era a mulher mais linda que vi em toda a minha existência. Entre humanos e vampiros nada se comparava aquela face tão angelical ali estampada. Seu rosto era em um formato de coração. Mesmo pela foto, notava-se como sua pele parecia suave, como seda. Seu lábio inferior era carnudo. E seus olhos, eram de um azul que ainda não tinha visto, quase indo para a tonalidade de violeta, adicionado com um brilho único. Os cabelos estavam presos em um penteado de época e com algo cacheado. Seu conjunto era perfeito.



Demorei tanto tempo em sua figura, que depois de um momento notei que estava acompanhado. Pensava que desde o momento em que me tornei vampiro uma criatura congelada na minha forma, sempre seria dessa maneira. Então porque estava tão diferente na foto?



Olhando atentamente, visualizei as diferenças. Meu sorriso modificava totalmente a minha expressão, e pela primeira vez parecia feliz. A genuína felicidade estava explícita, diferente da figura taciturna que tinha me tornado.



– Oh, meu filho! Você está tão feliz. – Esme falou emocionada. Não tinha notado que toda minha família estava ao meu redor, olhando a fotografia junto comigo.



– Se deu bem hein maninho. – comentou Emmett malicioso. Quis soca-lo por sua falta de respeito. Rosalie lhe deu um belo tapa na nuca, o que agradeci mentalmente.



Alice pegou o diário das minhas mãos de forma rápida, estava prestes a protestar e soltar inúmeros insultos quando ela tirou a foto da página e me entregou. Olhamos confuso para sua direção.



– Sei que você não vai parar de olhar essa foto. Então é melhor eu continuar lendo enquanto você fica admirando a sua Bella. – Alice me conhecia muito bem. Fiquei admirando a foto enquanto ela continuava a leitura.



Alguns momentos depois de ter me trocado e me despedido de todas as crianças, estávamos no Volvo indo a um local que Edward se recusou a me contar. Minha curiosidade ficou em segundo plano, pois rir com a careta que Edward fez ao receber seu pagamento e ser parabenizado pelo trabalho, queriam saber o truque de tirar a fantasia. Ele apenas respondeu que “um mágico nunca revela seus truques”.


Será que eu mostraria a clareira para ela?


– Então o que você achou? – perguntei depois de alguns minutos em silêncio.


– Sinceramente não era o que esperava.


– E o que esperava? – Edward sorriu com essa pergunta.


– Para começar, qualquer coisa que não envolvesse uma fantasia. – me provocou primeiro para depois acrescentar. – Não sei, acho que trabalhar em alguma biblioteca ou alguma loja qualquer.


– E onde está à emoção nisso? – rimos descontraídos. – E você tem que admitir que não foi ruim. – brinquei. Gostava de provocar Edward, ele era adorável.


– Não foi ruim. – concordou rapidamente. – Foi melhor do que esperava. – sorriu maliciosamente me fazendo corar ao lembrar nossa dança.


– Então... Posso saber para onde vamos? – espero que não tenha ficado muito óbvia minha tentativa de mudar de assunto.


– Surpresa. – suspirou. Pelo visto ele percebeu.


Sem dúvidas mostraria meu lugar favorito para ela, seria a única pessoa que levaria para lá, ninguém mais conhecia.


Passamos mais alguns minutos em silêncio, ainda me perguntando onde Edward queria me levar. Que tipo de lugar ele gosta? Não conseguia pensar em nenhum.


– Não se preocupe. – quebrou o silêncio. – Estamos chegando. Tem uma trilha no final da estrada e depois são só uns cinco quilômetros de caminhada.


Cinco quilômetros. Eu não respondi para que ele não ouvisse o pânico na minha voz.

Cinco quilômetros. Pelo amor de Merlim! CINCO quilômetros? Será que ele não lembra que acordei cedo e lidei com um bando de crianças com potência suficiente produzir a energia de uma cidade?

Bom, dos males o menor, pelo menos vim de tênis.



Oh! Não tinha pensando nisso. Para nós cinco quilômetros não são absolutamente nada, como posso esquecer as necessidades humanas? Sou um verdadeiro idiota e insensível. Espero que ela não fique com raiva de mim por fazê-la andar tanto.


E então a estrada acabou, sendo seguida por uma fina trilha, marcada por um pedaço de madeira. Edward apertou firmemente o volante, seu corpo exalava tensão, parecia estar em um grande debate interno e antes de fazer qualquer pergunta sobre o que lhe incomodava, ele parou no acostamento e abriu a porta do carro para eu descer em poucos segundos.


Até eu estava tenso. Era a primeira vez que ficaria completamente sozinho com Bella. Sem ninguém ao redor. Ela não via o potencial de perigo que corria?


Estava mais quente agora, mais quente do que já esteve em Forks desde o dia que eu cheguei lá, quase mormacento embaixo das nuvens. Eu tirei meu suéter e amarrei na cintura, feliz por ter acertado a escolha da roupa mesmo sem notar, usado uma camisa leve e sem mangas – mencionei que eu tinha cinco quilômetros de caminhada a minha frente? Meus pés estavam começando a reclamar por antecipação.


Claro, está ao lado de um monstro assassino não tem problema, agora andar cinco quilômetros é preocupante.


Quando sai de minhas divagações e o olhei ele também tinha tirado o suéter. Ele estava olhando pra longe de mim, para a floresta. Não estava entendo sua súbita mudança de humor.


Como ela pode confiar tão cegamente em mim? Será que não percebe que o mínimo descuido eu posso mata-la? Estremeci só com esse pensamento, mas era verdade. Rezei para qualquer entidade para que eu a mantivesse salva e segura.


– Por aqui – disse, olhando pra mim por cima do ombro, os olhos perturbados. Queria poder tirar toda aquela aflição em que ele se encontrava.


Ele começou a entrar na floresta escura.


– A trilha? – indaguei um pouco confusa.


– Eu disse que havia uma trilha no fim do caminho, não que íamos usá-la.


– Sem trilha? –Claro! Quem precisa de uma trilha segura, aberta e sem obstáculos enquanto você pode desvendar os mistérios da floresta por cinco quilômetros, que coisa boa.


Sorri levemente. Lógico que facilitaria ao máximo o caminho de Bella.


– Você não vai se perder. – Nessa hora ele se virou pra mim, com um sorriso de zombaria. Bom, eu tinha cinco quilômetros para tentar me perder. Não seria difícil, visto que tinha cinco quilômetros de caminhada. Pelo menos estaria preparada para a próxima maratona depois de andar por esse percurso, pensei sarcasticamente.


Edward foi à frente me guiando para a floresta.


Era tão ruim quanto eu temia. Para aumentar meu dilema ainda era uma subida e para minimizar meu caminho Edward segurou as samambaias e trepadeiras para que eu passasse. Quando o caminho ficou fechado por causa de árvores caídas e pedregulhos, ele me ajudou, me levantando pelo cotovelo, e depois me colocando no chão instantaneamente quando o caminho estava limpo. Estava quase pedido para ele continuar me carregando pelo caminho, mas controlei minha língua a tempo.


Na maior parte do caminho, nós caminhamos em silêncio. Ocasionalmente, ele me perguntava algo do cotidiano, mas estava começando a ficar ofegante para responder e acaba só murmurando alguma coisa ou acenando com a cabeça.


Provavelmente notando que eu estava um pouco ofegante ele pediu para fazermos uma pausa. Sentei em um tronco de árvore tentando recuperar um pouco as energias.


Depois de alguns minutos estava mais descansada.


Nota mental de carrega-la na próxima vez, isso seria divertido e mais rápido. Sem contar que ela não cansaria e usaria como desculpa para ter seu corpo próximo ao meu.


– Qual foi o dia mais feliz de sua vida? – perguntou abruptamente.


– Hum... – tentei pensar em um dia, mas tinha tantas possibilidades. – Não sei.


– Um pouco antes de você vir para Forks. – restringiu minhas escolhas.


– O dia que dei um passo. – falei depois de ponderar por alguns segundos. Ele franziu suas sobrancelhas claramente sem saber do que estava falando.


Ficamos todos confusos com suas palavras. Não tinha sentido algum.


– Quando sofri o acidente de carro, minha perna quebrou de tal maneira que eu não podia andar. – lembrei como foi difícil ficar em cima de uma cama de hospital e passando por uma depressão com a morte de Steve. – Levou bastante tempo para eu conseguir ficar em pé, fiz muita fisioterapia... – ponderei minhas palavras por um momento. – Foi um processo lento e... doloroso. – falei por fim. – De qualquer forma quando eu consegui dar um passo, quer dizer, uma coisa tão insignificante que todos que andam não dão valor ou sequer tem noção o quanto são abençoando por apenas poder andar por si mesmo... – tentei voltar ao foco principal quanto notei estar divagando. – Mas quando eu dei um passo, essa coisa “insignificante”, era o céu para mim. Por um momento todo o esforço que tive valeu a pena. Não importava que no momento seguinte eu fosse cair se meu fisioterapeuta não me segurasse, não importava tudo que passei, não importava que era apenas o começo. Eu tinha vencido minha primeira batalha.


Alice parou a leitura para podermos absorver o que leu. A lista de qualidades de Bella apenas aumentava. Ela era uma guerreira, uma lutadora e uma vencedora. Ela lutou bravamente a batalha da vida e venceu as adversidades que teve pelo caminho. Estava tão orgulhoso dela, minha pequena menina que passou por tantas coisas era uma verdadeira mulher. Forte e destemida, e se eu tivesse sorte seria minha.


A caminhada me tomou um bom tempo. A floresta se arrastava ao nosso redor como um labirinto de árvores anciãs, e eu comecei a ficar com medo que ele nunca mais encontrasse o caminho de volta. Ele estava perfeitamente calmo, confortável no labirinto verde, parecendo nunca ter dúvidas em relação à direção. Então parei de ficar procurando alguma fruta nas árvores e pensar em montar alguma barraca para proteger dos animais da floresta enquanto nos perdêssemos. Listava cada item de segurança para sobreviver que aprendi nos filmes. Queria pedir uma faca para marcar o caminho ou ir jogando pedrinhas pelo chão, mas não queria parecer estúpida e mostrar meu receio de nos perdermos.


Agora rir alto com seus medos. Estava começando a achar que tinha algum defeito em sua cabeça, não é possível que ela só tenha medo do desnecessário. Jamais me perderia e ela pensando em itens de segurança. Quando isso acontecesse de verdade explicaria todos nossos sentidos apurados para sanar suas dúvidas.



Depois de algumas horas, a luz que passava pela copa das árvores se transformou. O tom azeitona se tornou uma cor brilhante de Jade. O dia tinha se tornado mais ensolarado, marcando o fim da manhã e começo da tarde.


Pela primeira vez desde que entramos na floresta, comecei a sentir uma excitação, diferente da impaciência que sentia a meia hora.


– Já chegamos? – perguntei pelo que parecia ser a décima vez.


– Quase. – Sorriu parecendo não se importar por eu agir como uma criança impaciente. – Você vê a claridade ali na frente?


Tentei enxergar dentro da vasta floresta. – Umm, eu devia?


Ele brincou. – Talvez seja cedo demais pra os seus olhos.


– Hora de visitar o oculista – murmurei. O sorriso dele cresceu ainda mais.


Estava aliviado em saber que ela levava com bom humor nossas diferentes. Ela não ficou escandalizada em saber da minha visão ser apurada. Pensando nisso, acho que esse foi o motivo de não deixar claro os meus sentidos serem bem melhores do que dos humanos, com medo de assusta-la ou que ela se afastasse de mim.


Mas então, alguns metros mais á frente, eu definitivamente podia ver uma luminosidade atrás das árvores, um brilho que era amarelo e não verde. Pela primeira vez eu sabia o caminho e ele me deixou guiar agora, seguindo silenciosamente.


NÃO! Gritei mentalmente. Fiquei em pânico ao lembrar o que ia fazer, estava empolgado em mostrar o meu lugar para Bella, queria compartilhar meu espaço com ela, para que me conhecesse melhor. Não estava lembrado do preço que pagaria para isso.


Bella me veria no sol.



Até quando eu iria empurrar? Bella estava aceitando perfeitamente bem as diferenças, mas uma hora ela iria cansar, se assustar e me mandar embora.



Como ela reagiria ao ver minha pela desumana? Saber o quando eu sou anormal, um mostro. Minha pela inumana era prova cabal, sem vida, sem calor que reage ao sol. Senti verdadeiro medo ao pensar nos risco que corria, logo agora que Bella sentia algo por mim. Será que pus tudo a perder?



Eu alcancei a borda da piscina de luz e entrei pelas últimas samambaias no lugar mais adorável que já tinha visto. A clareira era pequena, perfeitamente redonda, e cheia de flores selvagens, violetas, amarelas e de um branco macio. Em algum lugar próximo, eu podia ouvir o som borbulhante de um rio. O sol estava bem á frente, enchendo o círculo com uma incandescente luz amarela. Eu caminhei lentamente, abobalhada, através da grama macia, das flores e do ar morno, convidativo. Eu dei uma meia volta, esperando compartilhar isso com ele, mas ele não estava atrás de mim onde eu achava que ele estaria.


A clareira era linda. Senti uma pontinha de felicidade ao saber que ela gostou, mas não chegou a afastar todos meus medos.


Eu me virei, procurando por ele. Finalmente o encontrei, ainda embaixo da densa sombra das copas na borda da clareira, me observando com olhos cuidadosos.


Só então eu me lembrei do que tinha me levado ali e que a beleza do lugar havia me feito esquecer, o enigma de Edward e o sol, que ele havia prometido decifrar pra mim hoje.


Pelo visto não fui o único a estar distraído. Era bom saber que não fui o único a esquecer.


Eu dei um passo na direção dele, meus olhos estavam curiosos. Seus olhos estavam confusos, relutantes. Eu sorri encorajando e o convidei com a mão, dando outro passo na sua direção. Ele levantou uma mão como num aviso, hesitei, dando um passo para trás.

Edward pareceu respirar fundo, e então deu um passo dentro da luz brilhante do sol da tarde.


Notas finais
Então o que acharam? Como falei os próximos capítulos serão basicamente Edward e Bella. A família Cullen aparecerá menos, pois o foco é no casal por uns dois capítulos.
O próximo é o famoso capítulo da clareira, Edward ouvirá tudo o que seu "eu" do diário estava sentido e por que tomou algumas atitudes.
Até o próximo capítulo.
Beijos