Notas iniciais
Sinopse: Um dos maiores segredos da natureza de Edward é revelado.
Uma conversa franca e um entendimento entre o casal.
Olá leitoras, desculpe a demorar, mas essa capítulo foi um pouco complicado de escrever. Compensei no tamanho. Está bem grandinho.
Muitas emoções nesse capítulo.
Quero deixar um agradecimento a MaahF pela sua recomendação. Muito obrigada.

“Edward pareceu respirar fundo, e então deu um passo dentro da luz brilhante do sol da tarde...”.

Não há dúvidas que meu “eu” do diário amava Bella, tanto, ou até mais, como amava agora. A evidência desse fato se manifestava na minha completa falta de bom senso em ter aceitado arriscar tanto. Estava apavorado por sua reação, não queria mostrar esse lado de minha natureza para ela, mas por um lado entendia minha atitude. Se meu objetivo era ter alguma chance de qualquer tipo de relacionamento com ela, não podia esconder essa parte peculiar por muito tempo, Bella sabia que não podia ficar no sol, curiosa do jeito que é uma hora ela iria querer saber por quê.

Desde o momento em que conheci Bella parecia que minha vida andava em uma eterna corda bamba sem saber para que lado cair. Havia o claro desejo de querer que ela conhecesse todas minhas facetas, que brigavam ferozmente com a vontade de esconder minha natureza e meu passado sujo e vergonhoso. Pretensões completamente opostas que colidiam periodicamente umas com as outras.

Lidar com a possibilidade constante da perda era assustador. Se um observador externo tivesse ciente dessa situação, ele iria rir do quão irônico era ver o maior predador da terra dominado pelo medo de sua presa. Porém, era fácil ver o motivo. Essa pequena humana tinha em suas mãos o poder de me quebrar completamente, coisa que enfrentado outra criatura da minha espécie era pouco provável.

Eu estava sozinho toda a minha vida, claro, existia a minha família, mas não era a mesma coisa. Sempre me senti incompleto e a ideia de perder a única pessoa que despertou meu interesse em todos os sentidos, era no mínimo, aterrorizante.

Décadas de observação havia me dado uma ideia muito boa do comportamento humano em abstrato, por isso tanto receio em mostrar o sobrenatural para Bella. Ela pode ter recebido bem a teoria de estar ao lado de um vampiro, afinal fisicamente sou parecido com um humano, mas ver com seus próprios olhos a monstruosidade desse significado era completamente diferente.

Será que ela iria ficar com nojo da aberração que sou? Mais do que isso, e se notar que jamais poderia andar pelo sol como uma pessoa normal? Lembro quando Forks amanheceu ensolarada, a felicidade dela era palpável.

Isso não aconteceria comigo, ao contrário, ficamos infelizes e chateados quando o sol aparece, pois temos que nos esconder e ficar longe dos olhos humanos. Isso reflete em nossas escolhas de locais para morar. Morando sempre onde o sol menos aparece. Bella teria coragem de abrir mão disso em prol da minha companhia? Ou veria perceberia que morar em cidades ensolaradas era uma coisa que não abriria mão? Perguntas e mais perguntas rondavam minha cabeça.

E se ela perceber que não valia a pena o sacrifício? Bella poderia esquecer sua paixonite por mim e se apaixonar por um garoto normal, onde podia ter todas as experiências humanas, por exemplo, sair e curtir o sol com os amigos. No lugar de ficar assustada vendo minha abominável pele imortal.

Na luz do sol, Edward era chocante.

Segurei firmemente a foto que estava no diário quando Alice prosseguiu a leitura. Era como se fosse uma tábua de salvação, assim que me sentia ao agarrar no último fio de esperança.

Bella já tinha suportado demais, visto muito de minha natureza. Não podia ter elevado minha fé que ela aguentaria ver a parte sombria da minha existência, a concretização de que não sou humano, apesar de parecer com um superficialmente.

O aperto na foto aumentou, tomei cuidado para não rasga-la, mas a dor no meu peito ardeu de uma forma incômoda. Precisei levantar e ficar próximo à janela, olhar para outro lado. Observei a paisagem da floresta em minha frente, tentando ignorar os pensamentos de pena e simpatia de minha família e aceitar a rejeição que me esperava.

Sabia qual era a sua visão. Eu evitava olhar para mim mesmo na luz do sol. Era ruim o suficiente que a minha pele era uma pedra e desumana na sombra; não queria olhar para minha pele no sol, e como esse pensamento não fosse suficiente doloroso, olhei para foto e a imagem mental de Bella ao meu lado na luz do sol, me fez soltar um grunhido que era uma mistura de raiva, frustração e vergonha. A diferença entre nós já era insuperável, dolorosa o suficiente sem mais essa imagem na minha cabeça. Meu queixo se fechou com a visão. Um vampiro com quase cem anos mais velho que ela, que provavelmente parecia ainda mais pálido e morto com a pele cintilando ao lado de alguém que emanava vida e felicidade em toda sua juventude.

Eu não conseguia me acostumar, embora o tivesse olhando por um algum tempo.

Outra dor. Imaginar o horror em seus olhos me fez sentir uma imensa vontade de chorar. Pelo menos, ser vampiro me impedia disso, assim podia manter alguma dignidade perante minha família.

Sua pele, branca apesar do rubor fraco da viagem de caça da véspera, literalmente faiscava, como se milhares de diamantes pequenininhos estivessem incrustrados na superfície. Ele ficou completamente imóvel, a camisa no peito incandescente, os braços nus cintilando. As reluzentes pálpebras pálidas como lavanda estavam fechadas, não conseguir captar a emoção que passou em seus olhos antes de serem fechados. Agora ele parecia uma estátua perfeita, entalhada em alguma pedra desconhecida, lisa como mármore, cintilante como cristal.

Confesso que não esperava essa descrição, imagina algo mais para monstruoso ou horrendo. Esse foi um comentário quase elogioso de sua parte.

Cautelosamente dei um passo para trás.

Não era um elogio suficiente para encobrir seu medo. Essa é a hora que ela sair correndo. Gritando com o horror ao sair do choque.

Edward soltou um barulho que não soube definir, mas parecia terrivelmente doloroso. Confusa com sua reação levou um momento para entender o motivo e prestar atenção ao significado do que estava acontecendo.

Eu poderia ter chorado para ele em circunstância diferente e menos intensa, apenas por causa de quanto ele deve ter sofrido e se torturado todo esse tempo pensando que eu não iria aceitar como ele era, pior, o quanto ele estava relutante em se mostrar para mim.

Por vários momentos dolorosamente longos ele ficou imóvel, parecia estar esforçando-se para ouvir qualquer som proveniente de mim, provavelmente ele notou que meu coração não estava tão acelerado. Finalmente, muito lentamente, ele forçou-se a virar e me encarar.

Nada podia ter me preparada para sua expressão quando ele abriu os olhos, eles eram intensos e carregavam uma tristeza profunda e antiga que rapidamente ele tentou esconder, mas não rápido o suficiente para eu notar. Seu rosto agora estava neutro, uma máscara dura para esconder qualquer traço de emoção, parecia que ele estava preparado para minha reação, como se ele sempre esperasse o que iria acontecer.

Compreensão surgiu quando repassei nossos momentos, sempre fiquei insegura com relação aos seus sentimentos por mim, agora entendi que ele não estava me rejeitando, ele estava esperando eu o rejeitar. Edward tinha acabado de abrir-se, para deixar ver essa parte oculta de sua natureza, a confiança que ele depositou em mim, provavelmente ele nunca tinha mostrado isso para mais ninguém. Essa era a real razão para tanta relutância. Ele estava esperando por abandoná-lo por causa disso.

Claro que era esse meu maior medo. Como poderia ser de maneira diferente? Com tantas escolhas mais fácies e melhores porque ela me escolheria? O que levaria uma pessoa a abrir mão de tudo que preza por outra pessoa? Principalmente se essa pessoa, mal poderia ser considerada uma pessoa, e sim um vampiro.

- Oh, meu filho. – exclamou Esme com olhos chorosos.

- Não. – somente agora percebi que pensei alto, ou num volume suficiente para audição de vampiro. – É difícil o suficiente para mim. – olhei em direção de cada membro da minha família, suas expressões estavam de acordo com seus pensamentos, a esperança de Bella me aceitar e o medo do que a sua rejeição me causaria. – Gostaria de ler sozinho – antes que algum protesto fosse proferido, acrescentei – Por favor, esse é um momento meu e de Bella, independente do que aconteça, isso só tem haver com nós dois. Vou lidar de qualquer jeito com o que vier.

- Claro Edward, o que você quiser. – Carlisle pegou o diário de Alice e entregou para mim. – Estaremos de volta em breve, não iremos muito longe, mas o suficiente para você não nos ouvir. – suas palavras eram suaves, mas firmes, não dando a oportunidade de reclamação para minha família. Sabia que queriam me apoiar e estar ao meu lado, mas era importante passar por isso sozinho, não aguentaria quebrar na frente deles e ficar ouvindo seus pensamentos.

- Obrigado. – assistir a um por um sair pela porta.

Com um suspiro tremulo resolvi terminar a leitura em meu quarto. Subi as escadas em velocidade humana, meu quarto parecia mais frio do que de costume. Sentei no sofá preto que tantas vezes usei para ouvir musica ou apenas ficar imerso em pensamentos. Hoje ele seria usado para uma grande mudança em minha vida. Sabia que estava protelando, queria continuar a ler e acabar logo com isso, mas a vontade de ter mais alguns minutos com alguma esperança de ter Bella ao meu lado era maior.

Levei mais alguns momentos folheando desde a primeira página, vendo sua escrita, o quanto nosso relacionamento cresceu, quando ela descobriu estar apaixonada por mim. Nossa dança... e agora tudo pode ruir. Com grande coragem retornei a leitura.

E, de repente, eu sabia o que fazer. Respirei fundo e andei em sua direção. Cada passo foi dado deliberadamente. Apesar de todos meus pensamentos e emoções, tinha que mostrar para ele parte do que estava sentindo.

Esse é a hora em que ela me manda embora?

Vi seu corpo tornar cada vez mais tenso na medida em que me aproximava, quando estávamos a poucos centímetros de distância eu parei. Meus olhos travaram nos seus, nos encaramos intensamente por alguns instantes antes que resolvi quebrar o silêncio.

- Você não precisa se esconder de mim Edward, eu sei que você é diferente, ninguém é igual, não é por causa disso – apontei em direção ao cintilar de sua pele – que minha admiração por você mudou. – Sua expressão ficou mais leve como ele ia percebendo o que estava dizendo, seus olhos antes sem vida agora surgia uma pequena esperança, ainda frágil e incerto, mas estava ali. Sorri gentilmente para ele. – Essas diferenças mostram que você teve que passar por muita coisa para chegar até aqui. Não sei tudo o que aconteceu em sua vida, mas tenho um palpite que você teve momentos difíceis. E, você está aqui hoje só prova a sua bravura e coragem, Edward. – Lentamente, levei minha mão em direção do seu pescoço, ao lado direito, dois pequenos pontos que só consegui reparar pelo sol, refletiam uma pequena cicatriz, parecia uma mordida e tinha uma boa noção do significado. Levei um dedo delicadamente no local do seu pescoço e toquei em sua pele. Ele estremeceu levemente com o contato. – Se isso significa que você está aqui hoje. – falei suavemente, tocando ainda aquele ponto, tinha certeza que ele entendeu que estava me referindo sua transformação. – Então só posso ser grata por você ser forte o suficiente para lutar contra sua natureza. – Ele não tinha ideia o quanto significava para mim, ele ter desistido de caçar humanos para se alimentar somente de animais faziam ficar muito orgulhosa do homem que estava em minha frente. Na ponta dos pés apertei os lábios em um beijo suave em seu pescoço. Ele estremeceu novamente.

Minha respiração ficou presa na garganta quando fechei meus olhos por um momento e imaginei essa cena em minha cabeça. Estava quase sem acreditar no que estava escrito, suas palavras atingiram em cheio um lugar frágil no centro de tudo que tentei ignorar por tantos anos, atingindo dores antigas e profundas enraizadas em meu ser desde meus tempos mais sombrios que com muito força de vontade tentava manter quase esquecido.

Senti um estremecimento maior em pensar o local em que ela tocou. Ninguém tocou nessa área do meu pescoço depois da transformação, era um local privado para nossa espécie. O local da mordida da transformação era uma parte íntima em que ninguém se atrevia a se aproximar, principalmente os humanos que pareciam se repelir até a olhar nessa área. Ela não estava se afastando, com esse gesto inocente e puro ela disse que sabia quem eu era, o que eu era, e para minha felicidade, não se importava. Eu era um assassino, um vampiro, um monstro, mas lendo seus pensamentos através do diário e vendo serem transmitidos em suas atitudes tudo que eu sentia era que eu era apenas Edward.

- Bella... – sussurrou levemente. O movimento fez ficarmos mais próximo, seus olhos estavam fechados. Eles abriram lentamente, cheios de necessidade, nunca tinha visto tão intensos antes. Ele me olhou quase suplicante.

Se meu coração pudesse bater ele estaria quase saltando no peito agora, tive que engoli em seco tentando acreditar no que estava acontecendo.

Ficamos congelados por um momento que pareceram durar horas, e provavelmente não passou de alguns segundos, olhando um para o outro em completo silêncio, antes que em um ato de coragem e ousadia, ou simplesmente pura necessidade. Levei minha mão em direção a sua cabeça para apertar gentilmente os dedos em seus revoltados cabelos acobreados que eram tão macios e suaves e levantei na ponta dos pés, puxando sua cabeça para baixo. Por um breve momento pensei que ele iria resistir, ou se afastar, afinal sua força era o suficiente para não deixar me aproximar, e se ele fizesse isso, sem dúvidas, iria quebrar meu coração. Para minha alegria ele cedeu à pressão ligeira de minhas mãos e baixou a cabeça de forma tão lenta, quase torturante, que foi complemente compensada quando os seus lábios tocaram os meus.

Após os primeiros momentos de constrangimento doce onde nenhum de nós moveu por um momento, apenas saboreado o primeiro contato com nossos lábios, para no segundo seguinte ele iniciar o movimento do beijo. Qualquer resquício de pensamento foi dissolvido enquanto tudo que sentia eram as sensações de seus lábios que fluíam através de seu doce beijo.

Ele era mais suave do que esperava, cuidadoso e quase vacilante. Seus braços estavam hesitantes, pareciam com medo de me quebrar, senti levemente suas mãos descansarem uma em minha cintura e outra em minhas costas. Quando nossos lábios se separaram, ele traçou meu lábio inferior com a língua gelada, pedindo em vez de exigir para aprofundar o beijo. O que eu aceitei sem um segundo pensamento, fechando os olhos como a sua língua entrou em minha boca, apesar dele ser gelado tudo que eu sentia era um calor crescente entre seus braços. Edward tinha um gosto singular, suave e doce e totalmente inebriante. Um perfume masculino próprio e único. Inconscientemente, me aproximei ainda mais, não querendo nenhuma distância entre nós, memorizando a sensação de sua boca e o gosto dele que me deixava zonza.

Suas mãos se moviam, lentamente, antes dele decidi segurar com uma mão firmemente em meu cabelo, e a outra deslizou pelas costas para cima e para baixo, puxando-me com mais força contra ele. Parecia que tínhamos a mesma necessidade.

Estava ofegante. Minha respiração nunca esteve tão acelerada desde minha transformação, fiquei imensamente feliz em ter pedido para minha família ficar longe, ou passaria por um momento muito constrangedor com meu corpo correspondendo às fantasias que nosso beijo invocava em minha cabeça.

Bella e eu nos beijamos.

Seria possível ela me aceitar nesse aspecto físico também?

Agora outra parte da minha natureza me preocupava. E se fosse perigoso para ela? E se eu perdesse o controle? Nunca me perdoaria se um dia chegasse a machuca-la. Minha força faria estrago em algum humano em menos de um segundo.

Sentia uma ansiedade que faria Jasper enlouquecer, voltei a ler rapidamente.

Ele endureceu então, quebrando o beijo bruscamente e se afastando tão rápido que nem sabia onde ele estava. Em um segundo o segurava e no outro estava só.

- Edward? – perguntei com a voz tremula e a respiração saindo em ofegos.

- Preciso de um momento. – tomei um pequeno susto ao ouvir sua voz atrás de mim a alguns metros de distância por entre as árvores. Tentando normalizar a respiração dei um passo em sua direção. – Pare – rugiu. – Você não sabe o que está fazendo.

A aspereza em sua voz me assustou. Tentei não demostrar o quanto fiquei intimidada. – Sim, eu sei.

De pé na beira da clareira, na sombra de uma enorme árvore. Ele me encarou, seus olhos escuros nas sombras, sua expressão ilegível, como se eu tivesse acabado de falar o maior absurdo do mundo.

A adrenalina pulsou nas minhas veias quando eu me dei conta do verdadeiro perigo. Seu rosto era sombrio e pela primeira vez no dia senti medo em sua presença. Ele conseguia sentir isso não importava o quanto tentei me manter firme. Seu sorriso se tornou zombeteiro.

- Você acha que me conhece, não é? – seu tom completamente seco. – Me diga Bella, o que faz você pensar que eu tenho algo de bom em mim? Minha voz? Minha aparência? Ou o meu dinheiro? – isso doeu. Como ele pode pensar que me interessaria pela sua condição financeira? – Como se eu precisasse de qualquer coisa! – riu sombriamente. – Sua garota boba, só você ainda não percebeu que sou o melhor predador do mundo! – Inesperadamente, ele estava de pé, andando pra longe, instantemente fora de vista, só pra depois aparecer atrás daquela mesma árvore de antes; ele circulou a clareira em meio segundo.

- Sou a criatura mais rápida que você já viu. Você não será capaz de fugir de mim. – Ele sorriu amargamente.

Ele levantou uma mão e, com um crack alto, ele arrancou uma árvore de dois metros de altura com raiz e tudo, sem esforço. Ele a segurou com uma mão por um momento, e então jogou para longe com uma rapidez impressionante, fazendo com que ela se chocasse contra outra árvore enorme que caiu no chão com um barulho incrível fazendo o chão tremer.

E ele estava na minha frente de novo, a dois passos de distância, ainda como uma pedra.

- Eu sou mais forte. Você jamais poderá me vencer – terminou seu discurso com um ar sombrio.

Lentamente fui perdendo o controle de minhas pernas e sentei na relva de forma desajeitada. Respirar estava se tornando uma tarefa difícil. Não lembrava o quanto ele podia ser ameaçador. As memórias do primeiro dia de aula estavam enterradas e esquecidas, porém o vendo fora de sua fachada cuidadosamente cultivada, fez surgir lembranças sombrias de seu comportamento. Ele nunca esteve menos humano. Com o rosto pálido, olhos arregalados, eu estava me sentindo como sua presa indefesa e ele um grande predador. Ele estava completamente certo, eu não podia lutar contra ele, não adiantava correr, tentar fugir ou gritar. Edward era um predador que eu jamais poderia competir.

Seus olhos pareciam brilhar com a excitação. Então, quando os segundos passaram, eles foram escurecendo. Sua expressão lentamente foi se transformando numa máscara de tristeza.

Oh merda! O que foi que eu fiz? Como pude perder o controle dessa forma? Pior... Perder o controle na frente de Bella. Depois de minha época sombria sempre tive orgulho do meu comportamento exemplar. Não costumava perder o controle, pois meu dom me preparava, me dando uma vantagem para segurar minha reação. Somente Alice conseguia me pegar de surpresa, bom pelo visto Bella devia me surpreender até dormindo.

O que mais me incomodava foi a forma que a tratei, usando palavras rudes para entender o que ela pode ter visto em uma pessoa como eu. Imagino o quanto a magoou minhas palavras. Como posso querer qualquer chance em ter um relacionamento com ela agindo de forma tão rude?

Eu deveria ir embora, deixa-la em paz. Parar de colocá-la em perigo constante com minha presença.

Talvez estivesse enganado, esse diário não era para eu acertar minha relação com Bella, corrigir os erros para dar tudo certo, deve ser para mostrar o perigo que eu a coloquei e mostrar o quanto é importante eu afastar antes dela me conhecer.

Se essa era a solução mais sensata, porque me doía tanto pensar dessa forma?

- Não tenha medo – ele murmurou, sua voz era triste. – Eu prometo... – hesitou, ponderando com cuidado sua próxima frase. – Eu juro que não vou te machucar. – sua voz agora era mais certa, parecia estar mais preocupado em se convencer disso do que a mim.

Era uma promessa que eu faria de tudo para cumprir. Se fosse necessário ficar longe dela, ficaria. Por mais que isso me matasse, sua felicidade e segurança eram mais importantes. Uma palavra de Bella, ou se notasse o menor risco para sua vida, eu iria embora.

- Não tenha medo – ele sussurrou de novo, enquanto dava um passo à frente, com uma lentidão exagerada. Ele se sentou sinuosamente, com movimentos deliberadamente lentos, até que os nossos rostos estavam na mesma altura, a apenas uns centímetros de distância. Tinha a certeza que ele estava tentando não me assustar, ou melhor, não me deixar mais assustada do que já estava.

Droga! Sempre temi que um dia Bella percebesse o que eu sou e ficasse com medo, agora ela está apavorada e tudo por minha culpa. Como vou conseguir remediar isso? Afinal, o que aconteceu para eu perder o controle dessa forma?

- Por favor, me perdoe — ele disse formalmente. – Eu posso me controlar. Você me pegou de surpresa. Não espera a sua... Nossa reação. – se corrigiu. – Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora.

Ele esperou, mas eu não conseguia falar. Provavelmente ele notou que eu estava tremendo.

- Você está bem? — ele perguntou delicadamente, levantando a mão lentamente, cuidadosamente, para colocá-la de volta na minha. – Me perdoe Bella, jamais quis lhe assustar. Eu só estava apavorado e acabei descontando em você.

Eu olhei para a sua mão suave, fria, e então para seus olhos. Ele estava esperando uma rejeição, podia ver em sua expressão desolada.

Edward realmente tinha me assustado com sua reação e me magoado com suas palavras frias, precisa entender o que estava acontecendo. Torcia internamente para que ele respondesse minhas perguntas.

- Eu não estou aqui por causa do seu dinheiro. – sussurrei.

- Por Deus Bella! Eu sei... – olhei um pouco magoada. – Me desculpe pelo o que falei. Estava nervoso e falei sem pensar. Jamais pensaria uma coisa dessas de você Bella. Eu juro.

- Eu não entendo... Então o que aconteceu? Porque você foi embora? Porque você falou tudo isso para mim?

- Nunca quis lhe ofender. E eu já devia ter ido embora há muito tempo – ele suspirou. – Eu devia ir embora agora. Mas eu não sei se consigo.

- Eu não quero que você vá embora – falei. Por mais que estivesse assustada, só em pensar em ficar longe dele doía.

Então era isso? Estava pensando em várias formas de não assusta-la, ou causar qualquer dano, nem que para isso eu precisasse me afastar. Agora, mesmo se fizer isso eu a machucarei de qualquer jeito? Então a solução é ir embora antes de Bella vir morar em Forks?

Droga! Estou tão confuso! Como vou conseguir conciliar o desejo do que quero para o que é certo?

- E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa essencialmente egoísta. Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu devia.

Sim, podia ver a verdade em minhas palavras. Mesmo querendo ir embora agora antes de sua mudança para Forks, sabia que eu iria querer ter pelo menos um deslumbre de Bella, a ver pessoalmente mesmo que fosse de longe e depois iria querer ouvir sua voz e... Droga seria impossível para eu ficar longe. Eu a amaria para sempre. Ela era minha companheira, ficar afastado seria um tormento maior do que a dor da transformação.

- Porque você iria? Eu não quero que você vá! – essa ideia me apavorava mais do que alguma mudança brusca de seus humores.

- Você não pode querer isso. – Ele retirou a sua mão gentilmente; sua voz estava mais grossa que de costume.

- Você não pode decidir o que eu quero.

- Bella... Entenda, não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso. Nunca se esqueça de que eu sou muito mais perigoso pra você do que pra qualquer outra pessoa. – Ele parou e eu olhei pra ele pra ver que ele estava olhando a floresta sem ver nada.

Eu pensei por um momento.

- Acho que não entendo o que você quis dizer, sobre a última parte – eu disse.

Ele olhou pra mim e sorriu.

- Como eu vou explicar? – zombou. – E sem lhe assustar muito.

Sem parecer pensar em nada, ele colocou sua mão de volta na minha; eu apertei a mão dele com as minhas duas. Ele olhou para as nossas mãos.

- Isso é incrivelmente prazeroso. O calor — ele suspirou. – Nunca pensei que fosse assim.

- O que você quer dizer?

- Nunca toquei em um humano antes, quer dizer – fez uma careta. – nunca toquei um humano dessa forma antes. Isso é tão bom.

Como seria tocar um humano? Alguém tão frágil e delicada? Sem a intenção de me alimentar, apenas em busca de conforto e carinho. Era uma coisa que não teria por agora. Tinha que ficar apenas imaginando como seria reconfortante sentir um pouco de calor em toda a frieza de minha pele. A última vez que toquei em um humano foi para saciar meu lado sombrio.

Fiz uma pequena careta. Edward parecia omitir alguma coisa em sua frase, mas resolvi não pressionar. Depois de um momento ele voltou ao assunto anterior.

- Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores? – ele começou. – Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango?

Seu comentário foi bastante óbvio. Tentei não me sentir uma idiota com a pergunta e apenas afirmei com a cabeça. Ele deve ter visto onde meus pensamentos estavam.

- Me desculpe pela pergunta idiota e fazer analogia com a comida, eu não conseguia pensar em outra forma de explicar.

Eu sorri. Ele sorriu de volta sem graça. Ele era muito fofo quando estava desconfortável.

- Para você entender você tem que ter em mente que nos somos predadores. Sei que parecemos humanos, mas não somos. Temos muitos instintos primitivos enraizados no nosso ser. Por isso que tive que fazer uma analogia que você compreendesse. Então, como os humanos tem preferencia de um alimento nos também temos. Nossa alimentação é baseada em sangue, — ele me olhou atentamente esperando algum surto da minha parte, tentei manter minha expressão em branco, assim ele continuou — cada pessoa cheira diferente, tem uma essência diferente. Assim como os humanos sentem o cheiro de alguma comida saborosa e já saliva ou sente fome apenas por imaginar seu sabor. Agora imagine sua comida favorita na sua frente e você sente seu cheiro, você vai sentir mais fome e tentada a comer. Agora tente imaginar sua comida favorita na sua frente e você está há dias sem qualquer alimentação, ou um copo com água quando você está no deserto por dias naquele sol sem poder beber nada por um grande período de tempo, você vai ficar desesperado para chegar nesse prato e comer ou alcançar esse copo e saciar sua sede.

Ele deixou absolver sua explicação.

- Eu posso entender isso, mas onde me encaixo na sua explicação? Você conviveu com os humanos antes, porque comigo é diferente? Você estudou com seus irmãos antes, o que mudou com minha chegada?

Eu podia fazer um longo discurso sobre o que mudou. Bella mudou toda minha vida. Ela é a luz na minha vida escura. Deu um sentido a minha vida.

Tive a impressão que ele murmurou “Tudo”, mas ele rapidamente começou a falar.

- Veja bem, se você colocasse uma pessoa alcóolatra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se ela quisesse, se ela fosse um alcoólico em reabilitação. Ele poderia se contentar com um copo de refrigerante, mesmo no meio de tantas bebidas. Agora digamos que você coloca nessa sala uma garrafa de Brandy de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino, que enche a sala com o seu aroma, como você acha que ela reagiria?

Nós sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro.

Ele quebrou o silêncio primeiro.

- Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o Brandy. Talvez o nosso alcoólico devesse ser um viciado em heroína.

– Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroína? – brinquei, tentando melhorar o clima.

Ele sorriu brevemente, parecendo apreciar meu esforço.

- Você é exatamente minha injeção de heroína.

Não pode ser! Era pior do que imaginava. Eu estava certo, agora a minha reação no primeiro dia de aula estava explicada.

Droga! Eu podia a ter matado. Como ela reagiria ao saber a verdade? Sua vida estava a um passo de terminar por minhas mãos. Eu era um monstro. Quase matei aquilo que mais me importava.

- Sinto muito em lhe causar tanto desconforto. – lamentei, deveria ser terrivelmente complicado estar ao meu redor sendo sua maior tentação. Estava admirada com sua força de vontade. Queria me afastar para ele não se sentir tão desconfortável, mas enquanto ele me quisesse ao seu lado eu aceitaria de bom grado.

Como ela pode lamentar por isso? A culpa toda é minha. Eu que sou um monstro. Ela é um anjo. Querer se afastar para ME proteger? O quão irônico isso é? Aceitaria feliz minha garganta queimar apenas para ter sua companhia.

- Não seja absurda Bella, você não tem culpa de nada.

- Pode ser que não... Mas... me incomoda ter lhe causado tanto desconforto. Sinto como fosse um grande pedaço de torta de chocolate na frente de uma mulher de dieta na TPM. – Edward riu alto. Sua gargalhada era contagiante. – Isso acontece sempre? – perguntei depois de alguns segundos.

Ele olhou para o topo das árvores enquanto pensava na resposta.

- Eu falei com os meus irmãos sobre isso. – Ele ainda olhava pra longe. Parecia estar evitando meus olhos. – Para Jasper, todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou à família mais recentemente. A abstinência já é difícil para ele por si só. Ele ainda não teve tempo para desenvolver o olfato, as diferenças do cheiro, no sabor. – Ok, isso é estranho. Era difícil se imaginar sendo comparado a um pedaço de pizza de diferentes sabores para um gordinho em dieta. Ele aceitaria qualquer tipo de pizza se tivesse desesperado, até a de Mussarela pareceria divina. Ele olhou rapidamente pra mim, se desculpando. – Desculpe – ele disse.

- Tudo bem. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o que quer que seja. Eu prefiro entender exatamente o que está acontecendo, ou pelo menos tentar. Se essa é sua maneira de pensar ou de seu irmão, não está em meu poder julgar, só quero que você me explique o que está acontecendo. Não quero ficar mais confusa que o necessário.

Como ela consegue leva isso sem entrar em choque? Eu acabei de falar que até pouco tempo Jasper a alimentação de Jasper era baseada em humanos. Pensei que essa hora ela já estaria vomitando e repudiando meu irmão. Gritando que somos assassinos cruéis. Nunca achei que iriamos nos aprofundar nesse assunto. Entrar em detalhes, mesmo tentando falar de forma amena não mudava o real significado.

Ele respirou fundo e olhou para o céu de novo.

- Então Jasper não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão – ele hesitou procurando pela palavra certa – atraente como você é pra mim. O que me faz acreditar que não.

Emmett já está nessa há mais tempo, por assim dizer, e ele entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que já aconteceu com ele duas vezes, para ele, uma vez foi mais difícil que a outra.

- E com você?

- Nunca.

A palavra ficou pendurada durante um momento na brisa morna.

Lembrava esses episódios. Emmett não conseguiu resistir por nenhum segundo quando sentiu o aroma. Tivemos que nos mudar depois. Ele se sentiu culpado, mas lembro de que ele falou “Era impossível parar.” Se eu passasse metade do que Emmett sentiu, sabia o quanto difícil seria conviver com Bella. Agora entendia meu eterno dilema, minhas decisões controvertidas. As mudanças de humor pareciam se encaixar perfeitamente. Precisava me preparar para meu primeiro confronto com a Bella, não poderia correr nenhum risco. Para isso precisava ganhar sua confiança, só esperava que ela não me pedisse detalhes para o que aconteceu com meu irmão. Não queria ver o pavor em seus olhos novamente.

- O que Emmett fez? – perguntei para quebrar o silêncio.

Gemi internamente. Claro, conte com Bella para fazer as perguntas erradas, ou melhor, aquelas que eu não quero responder.

Era a coisa errada para perguntar. Seu rosto obscureceu, a mão dele se apertou no punho dentro da minha. Ele desviou o olhar. Eu esperei, mas ele não ia responder.

- Eu acho que já sei – finalmente disse. Era estranho imaginar qualquer um deles fazer mal a alguma pessoa.

Ele levantou os olhos, sua expressão tristonha, implorativa para que eu o entendesse.

- Até o mais forte de nós comete erros, não é?

Agora será impossível para Bella querer ficar ao meu lado. Como poderia sabendo que meu próprio irmão perdeu o controle? Fora as lembranças que assolavam em sua cabeça daquele fatídico dia de aula.

- Então devo ficar feliz que você tem um bom autocontrole – tentei deixar o meu tom mais suave, eu podia imaginar o que a sua honestidade estaria custando pra ele.

Como ela ainda pode confiar em mim depois de tudo que falei? Será que não está entendendo a gravidade da situação? Ela não poderia deixar passar o quanto sua vida estava ameaçada em minha presença.

- Não exatamente. – sua confissão me deixou um pouco apreensiva.

Ele ficou em silêncio me observando atentamente enquanto eu pensava nisso.

- O que você quer dizer? – minha voz falhou.

Ele soltou um som que parecia ser de raiva. – Quando você entrou por aquela porta não demorou muito para uma pequena brisa passar e assim que senti seu cheiro, tudo que acreditava, todas minhas convicções sumiram. Eu não era nem de perto um humano que um dia eu fui. Todo meu foco se concentrou em chegar o mais rápido possível na origem daquele cheiro. Depois percebi que para isso teria que pular em você no meio de uma sala cheia de crianças e – ele parou abruptamente, desviando o olhar. – não me importava com isso. O mostro dentro de mim gritou para ignorar as coisas ao meu redor e me concentrar em seu sangue. – ele apertou os punhos parecendo com uma raiva dirigida a si mesmo. – Foi quando olhei para você e vi em seus olhos o medo. Seus olhos que pareciam tão inocentes quando vi pela mente de outras pessoas, quando dirigidos a mim se alargaram em puro choque e horror. – parecia uma lembrança extremamente dolorosa para ele. – Eu nunca vou esquecer aquele seu olhar e a pior coisa é pensar que apesar de tudo isso, se você não tivesse saído da sala àquela hora, não tenho a certeza se conseguiria me segurar por mais tempo. – a vergonha estava clara em sua voz. Lembrei que todo meu corpo gritava para eu sair correndo. Fiquei feliz em seguir meus instintos e não causar aflição por mais tempo para ele.

Absurda. Como pode se preocupar com o meu tormento sabendo o quão próximo estava de cometer um assassinato em massa apenas para suprir meu desejo por sangue.

- Eu não conseguia entender como você poderia me odiar tão rapidamente... Tudo que pensei foi em sair correndo, parecia que você queria me mat... – parei a palavra rapidamente vendo como Edward ficou rígido ao meu lado.

- Sim. – sua voz saiu como se estivesse sentindo dor. – Não conseguia pensar racionalmente por alguns segundos, parecia tudo nublado, para mim, era como se você fosse uma espécie de demônio, reunindo forças do meu próprio inferno pra me destruir. A fragrância que saia da sua pele... Depois que consegui a resistir ao primeiro impulso de lhe atacar naquela sala – estremecemos juntos. – Pensei naqueles minutos em milhares de formas de te tirar da sala comigo, para que ficássemos sozinhos. Mas aí você saiu correndo, ainda segui seus passos esperando o momento que você chegaria à enfermaria... Só que você nunca chegou, eu fiquei lendo atentamente os pensamentos naquela sala e você nunca apareceu.

Então ele olhou pra cima para a minha expressão vacilante enquanto eu tentava absorver memórias amargas. Seus olhos dourados me observavam por baixo dos cílios. Tentei não corar com a lembrança de ter me escondido em baixo das escadas. De maneira alguma confessaria essa parte.

Eu tentei falar calmamente. – Eu só queria sair da sala, mal prestei atenção para onde estava indo.

Ele olhou pra baixo para as minhas mãos. – E então vi que o Newton lhe encontrou, você parecia tão... nervosa e confusa – lembro o quanto estava confusa com seu ódio infundado. Mike tinha em encontrado logo depois que sai do meu esconderijo. – Eu me odiei por você está naquele estado por minha culpa, e mais ainda quando ele apontou para você o quanto eu estava transtornado. Então tomei a decisão de refazer o meu horário numa tentativa inútil de lhe evitar e como se tudo conspirasse contra você estava lá, naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era enlouquecedor. E então eu quase te ataquei lá. Só havia outra frágil humana lá, fácil de lidar.

Eu me arrepiei no sol quente, vendo minhas lembranças novamente pelos olhos dele, só agora entendo o perigo. Pobre Srta. Cope; tremi ao pensar em como estive perto de ser inadvertidamente responsável por sua morte.

Do que ela estava falando? O único responsável seria eu. Fiquei com raiva de ela querer levar a culpa por um ato inconsequente de uma criatura sedenta e egoísta.

Vendo agora por tudo que passei era motivo suficiente para eu ir embora, mas tudo que pensava era em alguma forma de contornar o perigo e ter Bella perto de mim. Como posso falar que a amo e a colocar em perigo constante em minha presença? Isso era uma tremenda contradição.

- Foi sua expressão que vi através do pensamento do garoto Newton que me fez vacilar. Não queria lhe assustar, não queria lhe fazer mal. Levou uma grande força de vontade para resisti, mas consegui. Não sei como. Eu me forcei a não te esperar, a não seguir você depois da escola. Foi mais fácil do lado de fora, quando eu não conseguia mais sentir o seu cheiro, consegui pensar claramente, tomar a decisão correta. Eu deixei os outros perto de casa, estava envergonhado demais para contar para qualquer um deles o quanto eu era fraco, eles só sabiam que algo estava muito errado, por sorte resolveram não me questionar, fui direto até Carlisle, no hospital, para lhe dizer que estava indo embora.

Eu o encarei surpresa. E eu pensei tão mal dele. Achei que era um garoto mimado que não tinha ido com minha cara gratuitamente. Céus. Eu virei o mundo dele de cabeça para baixo. Quanto será que o afeto para fazê-lo ir embora?

- Eu troquei de carro com ele, o dele estava com o tanque cheio e eu não queria parar. Não queria pensar nas consequências dos meus atos, esquecer as ideias que tinham se formado em minha cabeça. Quando dei por mim já amanhecia e estava no Alaska.

Ele parecia envergonhado, como se estivesse admitindo uma grande covardia. Provavelmente achou que eu o jugaria por ter fugido. Edward ainda não me conhecia bem o suficiente, não o jugaria por isso, ele precisava de um tempo para entrar em acordo com seus sentimentos. Pelo que percebi, se ele tivesse causado algum dano a mim ou outro estudante ele iria se punir mais que qualquer outro.

Punir? Eu preferia morrer se eu a ferisse. Sua complacência era... – lutei para encontrar as palavras – gratificante. Nem se eu reunisse todas as qualidades em uma pessoa conseguiria reunir a perfeição que Bella era. Ela era tudo que queria encontrar. Esperava que minhas revelações não mudassem como ela se sentia sobre mim.

- Fiquei lá dois dias, com alguns conhecidos... mas fiquei com saudades de casa. Eu detestava saber que estava machucando Esme, e o resto deles, minha família adotiva. No ar puro das montanhas era difícil de acreditar que você fosse tão irresistível. Eu me convenci de que era um fraco por ter fugido. Eu lidei com a tentação antes, não nessas proporções, nem perto disso, mas eu era forte. Quem era você, uma garotinha insignificante – ele sorriu de repente – para me afastar do lugar onde eu queria estar? Então eu voltei... — Ele parou.

Levantei as sobrancelhas para ele – Então você voltou para provar que conseguia resistir à garotinha insignificante?

Ele sorriu um pouco.

- Não podia estar mais enganado. Mas não pensei que levei com ânimo leve, eu sabia que tinha que ter cuidado, não queria uma repetição do quase aconteceu. Então tomei precauções, caçando, comendo mais do que o normal antes que ver você de novo. Eu tinha certeza de que era forte o suficiente pra te tratar como qualquer outra humana. Eu estava sendo arrogante confesso. Era inquestionavelmente uma complicação não poder simplesmente ler a sua mente para saber o que você pensava de mim. Eu não estava acostumado a ser tão indireto, escutando as suas palavras pelos pensamentos dos outros estudantes, era irritante ter que me manter preso aquilo. E depois eu não sabia se você realmente estava pensando as coisas que estava dizendo. Tudo era extremamente irritante. – Ele fez uma careta pela memória e fiquei na dúvida se queria rir ou brigar com ele.

- Espere aí Sr. Cullen. Que história é esse de ficar me vigiando? – ele teve a decência de parecer envergonhado.

Ops... Observar é quase normal com meu dom. Se eu pudesse ler a mente de Bella sem dúvidas faria isso frequentemente, como não podia, seria natural observa-la através de outras pessoas. Esse era uma informação que não deveria ter dado a ela deliberadamente. Não queria que ela pensasse que fosse algum tipo de perseguidor.

- Eu queria entender você melhor, mas não tinha ideia por onde começar. Não ter sua mente como um guia era me deixava completamente no escuro. Isso nunca tinha acontecido antes, então fiquei perdido, sem saber como agir e queria que você esquecesse o meu comportamento rude do primeiro dia, se fosse possível, então eu tentei falar com você como eu falaria com qualquer pessoa. Eu estava ansioso na verdade, esperando decifrar os seus pensamentos. Achava que era um bom leitor, mas você provou o quanto estava errado. – sorri um pouco com isso. — Você me surpreendia a cada momento, você era intuitiva. Enquanto passei horas tentando lhe conhecer melhor, com uma resposta você me deixava completamente desconcertado. Em poucos minutos você notou meus olhos e como lhe chamei pelo apelido, fiquei apavorado que cometesse mais algum erro, até pensei em parar nossa conversa para não falar algo que fosse me comprometer, mas... você era interessante demais, me vi vidrado nas suas expressões, reações e respostas. Quando começava a me sentir humano novamente, mantando uma conversa decente, interessante e divertida, você agitava o ar ou seu cabelo com as mãos, e o seu cheiro me pegava de novo... Esse era um lembrete o suficiente doloroso para provar o quanto estava sendo egoísta em querer sua companhia sabendo do risco que estava lhe colocando. Pensei em ir embora novamente, e tudo que passava em minha cabeça não era que estaria lhe salvando e sim que em breve você estaria se mudando para alguma faculdade no outro lado do país e não queria perder sua companhia enquanto você estava aqui.

Então eu estava de acordo com meu “eu” do diário nessa parte. A diferente entre nós era que eu ainda não conhecia a Bella pessoalmente, mas tinha pleno acesso aos seus pensamentos. Não consigo imaginar como seria ficar completamente perdido, sem saber nada o que se passava em sua cabeça e ainda ter que lutar contra a sede de seu sangue. Seria mais difícil do que pensava.

- É claro, depois você quase foi espremida até a morte diante dos meus olhos. Quando percebi a direção que aquela van estava tomando que ela iria de encontro com você tudo que conseguia pensar era “Ela não”. Só depois pensei na desculpa perfeita para ter feito o que eu fiz naquele momento — porque se eu não tivesse te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, e não acho que teria conseguido evitar e teria exposto a todos nós.

Imagino a briga que causei em minha família por ter nos expostos dessa maneira. Devem ter ficado enfurecidos comigo.

Ele fechou os olhos, perdido em sua confissão agonizante. Nem nos meus mais delirantes pensamentos iria supor que ele passou por tudo isso. Meu senso comum devia me dizer pra ficar assustada. Mas como podia ao saber a verdade? Porém uma coisa não tinha entendido plenamente.

- Porque você tinha que pensar em uma desculpa para me salvar?

Ele ponderou com cuidado. – Eu não poderia contar o que sou para você.

Estava um pouco intrigada com sua declaração. – O que você não está me contando?

Lógico que ela perceberia. Será que ela não pode deixar certas coisas passar? Não queria entrar em detalhes do que implica o segredo da nossa espécie.

- Eu ser um v... – ele soltou um suspiro frustrado. Pelo visto ele não queria aprofundar esse assunto. – Quando entramos nessa vida, algumas regras precisavam ser seguidas. A mais importante e respeitada é o segredo. Por isso nunca contei diretamente para você.

- Então se não tivesse descoberto você nunca iria me contar?

Ele pensou por um momento. – Não tenho certeza. Acho que acabaria lhe contando alguma coisa e deixaria você descobrir.

Levei alguns minutos para absorver suas palavras. – Por isso você agiu daquela forma no hospital?

Seus olhos vieram parar nos meus. – Eu estava intimidado. Eu não conseguia acreditar que tinha exposto a nós todos daquela forma, me colocado na sua mão, você entre todas as pessoas. Como se eu precisasse de outro motivo pra te matar. – Nós dois enrijecemos quando a palavra escapuliu. – Mas teve o efeito oposto – ele continuou rapidamente. – Eu briguei com Rosalie e Jasper quando eles sugeriram “acabar” com o problema, foi a pior briga que já tivemos. Carlisle ficou do meu lado, e Alice. — Ele fez uma cara estranha quando disse o nome dela. Eu não podia imaginar por quê. – Esme e Emmett também, por uma estranha razão eles já gostavam de você. — Ele balançou a cabeça indulgentemente. – Não que os outros tivessem algo contra, mas estavam preocupados. Não podíamos correr o risco de ter nossa identidade revelada. No dia seguinte eu espionei as mentes de todas as pessoas que falavam com você, chocado por você ter mantido sua palavra. Eu não entendia nem um pouco. Eu fui rude com você, lhe tratei mal, quebrei uma promessa e mesmo assim você não falou nada.

Ele me olhou atentamente esperando uma resposta. Apenas dei de ombros, nunca tive a intensão de falar nada, mesmo que não tivesse prometido. – Não era o meu segredo para revelar.

- Você sempre me surpreende. De qualquer forma eu sabia que não podia me envolver nem mais um pouco com você. Eu fiz o que pude pra ficar tão longe de você quanto era possível. Por isso tentei lhe ignorar o melhor que pude. Era tão doloroso ficar ao seu lado sem poder falar com você, pois quando eu converso com você posso pensar em outra coisa que não seja seu cheiro, o perfume da sua pele, sua respiração, seu cabelo... tudo era tão apelativo quanto no primeiro dia como em todos os outros que fiquei ao seu lado e tentava manter uma atitude de indiferença. Sei que você entendeu minha explicação, mas acho que você não consegue ver o quão complexo.

Sorri um pouco. – Somos mais parecidos do que qualquer um de nós percebeu.

Como ela pode se comparar comigo depois de tudo o que falei. Bella estava longe de ser uma criatura egoísta, que colocaria outro em risco apenas para seu bem-estar.

- Você não é nada parecida comigo. Felizmente para você. – retrucou quase enojado com a ideia.

- Eu falo sério Edward. Acho que entendo uma parte do que você sentiu. Passei por isso uma vez, tive que me livrar do vício. – tive vontade de rir do seu olhar chocado. Gostaria de onde sua mente estava indo. – Tire sua mente da sarjeta agora. – brinquei. – Depois do acidente tive que tomar um medicamento de tarja preta. – um flash de compreensão apareceu em seus olhos. – Tive algum estresse pós-traumático e fiquei em depressão, então médico me passou, só que o seu uso prolongado causa dependência e quando menos percebi estava completamente dependente dele. Só notei que quando parava de tomar esse medicamento ficava muito ansiosa, irritada e a dor que era amenizada quando estava sob o efeito do remédio parecia se multiplicar. – fiz uma careta ao lembrar. – Decidi por conta própria parar de tomar de uma vez, suspendi seu uso totalmente no lugar de progressivamente como o médico recomendou, foi... horrível. – estremeci ligeiramente. – Senti grande empatia com quem está em reabilitação, é assustador passar por essa desintoxicação. Todo seu corpo reage, pede e implora pelo uso e você tem que lutar contra dor, espasmos, alucinações... Seu corpo pede uma coisa e sua mente luta para fazer outra. – parei de falar ao ver a expressão de desolação no seu rosto. – De qualquer forma, consegui passar por isso. – sorri um pouco.

Senti uma aflição em pensar no seu sofrimento. Conviver com Carlisle por tantos anos faz ter um grande conhecimento médico. Sair da dependência exige grande força de vontade e coragem. É um processo lento e doloroso. Coitada de minha Bella... Será que ela passou por isso sozinha? Esperava que não.

- Sinto muito Bella. Não queria que você passasse por esse sofrimento.

- Você também já passou por isso Edward. Deve ser difícil para você também.

- Não faça comparações Bella, eu mereço ser punido. O que sinto é um pequeno pedágio que tenho que pagar pelo que já fiz.

- Não diga isso. – segurei seu rosto entre minhas mãos. – Você não é um homem mal Edward. Você não é o homem que certamente você pensa que é. E não vejo nada de vergonhoso em ser como você é e muito menos motivos para você se punir dessa forma.

Por mais que não entendia como ela sempre via o melhor em mim, não podia negar o quanto isso me deixava feliz. Ser aceito pelo que sou e ainda mais pela pessoa que amo era tudo que queria. Ela não fugiu de mim mesmo sabendo o quanto eu coloquei sua vida em risco.

- Como você faz isso? – perguntou com seu sorriso torto.

- Faço o quê? – indaguei confusa.

- Isso. Ser quem você é. Você acha que alguém normal aceitaria tudo o que aconteceu aqui como você? Acha que me perdoaria depois de ter confessado o quão perto eu cheguei de tirar sua vida?

Fiz cara séria para ele. – Você está dizendo que não sou normal?

Rimos com meu comentário.

Ele encontrou meus olhos de novo, e ele estava surpreendentemente carinhoso.

- Você entende o que quero dizer. – ele continuou. – Bella, você está fazendo piadas e me fazendo sentir bem. Fico tão feliz em saber que não está me julgando. Eu jamais me perdoaria se fizesse algum mal a você aqui. Sem ninguém para me impedir. Na realidade, em qualquer momento eu quero lhe fazer mal.

- Posso saber por quê? – perguntei carinhosa.

- Isabella – ele pronunciou meu nome inteiro cuidadosamente, e então começou a brincar com o meu cabelo com a mão que estava livre. A intensidade com que falei meu nome completo mandou um arrepio em minha espinha. – Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo se eu te machucasse. Você não sabe como isso me torturou. – Ele olhou pra baixo, envergonhado de novo. – O pensamento de você, rígida, branca, fria... nunca mais ver você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões, quando você me faz rir, acho lindo quando fica irritada... Perder isso seria insuportável. – Ele levantou seus olhos agonizantes para os meus. – Você é a coisa mais importante para mim agora. A coisa mais importante que eu já tive.

Prendi a respiração por um momento. Esse dia foi cheio de reviravoltas. Nunca imaginei que nossa conversa chegaria ao ponto em que Edward revelaria seus sentimentos por mim.

Senti orgulho de mim mesmo por ter tomado a coragem e expressar meus sentimentos. Bella merecia saber a forma que me sentia há algum tempo. Tinha que ser honesto e mostrar o quanto me importava com ela. Não posso negar que me aterrorizava a ideia de ser dispensado. Ela disse que gostava de mim, agora será que estaria disposta a estar comigo agora que sabe os riscos?

Ele esperou, e mesmo estando com a cabeça baixa, olhando para as nossas mãos, que estavam entre nós, eu sabia que seus olhos dourados estavam em mim.

Eu não tinha certeza de que pudesse falar alguma coisa neste ponto, medo de perturbar o momento de fragilidade que nos prendeu. Estava tão insegura com relação aos meus sentimentos que sua declaração me pegou desprevenida. Foi só quando ele deu um aperto em minha mão que olhei em seus olhos. Eles estavam desolados, entristecidos esperando minha resposta. Algo bateu em mim quando vi sua dor. Como ele ainda não percebeu meus sentimentos por ele?

Depois lembrei que nunca tinha falado nada. Por mais que digam que atitudes falam mais que palavras, é bom ouvir quando se fala diretamente do coração.

- Achei que essa hora você já saberia como me sinto. – sorri – Na vida encontramos diversos tipos de pessoas. Cada uma te cativa em algum ponto, mas com você foi diferente. – ele me olhou de forma interrogativa. – Você me conquistou em todos os pontos, até quando você me irrita. – brinquei.

- Onde te cativei Srta. Swan?

- Hum... – fingi pensar com grande concentração. – Adoro quando você me faz rir. – comecei a contar nos dedos – Conversar com você me faz perder noção do tempo. Sua companhia me faz esquecer o mundo lá fora. Seu sorriso faz meu coração bater mais rápido. E seu cabelo me faz ter uma imensa vontade... de ter andar com um pente o tempo todo. – ele gargalhou com meu comentário, mas já estava sorrindo largo antes e seus olhos brilhavam. – Agora que acabaram os dedos de uma mão para contar devo ir para outra mão ou posso parar por aqui?

- Não sei... Acho que você pode até usar os dedos dos pés para contar que não vou me importar.

- Convencido. – empurrei seu ombro. Lógico que ele nem se mexeu. – Não vou continuar se não você vai se achar mais do que já faz. – depois olhei seriamente em seus olhos. – Mas é por tudo isso que eu sou completamente apaixonada por você Edward Cullen.

Fiquei completamente parado, não porque queria, simplesmente porque era muito. No momento em que ela se declarou tão naturalmente, tão linda, falando sem vergonha o que gostava em mim e que estava apaixonada... Meu corpo inteiro tornou-se vivo uma súbita necessidade feroz que me surpreendeu. Uma fome sedenta de sentir outro tipo de carinho, compreensão e mais importante amor, que estava escondido em um canto de minha alma que passei décadas e décadas fingindo que não existia mais. Foi por estar dominado por tudo isso, que não conseguia me mover, falar ou mesmo respirar, apenas imaginar como seria viver esse momento. Como seria olhar para as profundezas de seus olhos, só de pensar quase me fez afogar nessa miríade de sensações.

Edward ficou completamente imóvel por alguns segundos. Fiquei momentaneamente preocupada até que um sorriso lento foi se rastejando por seu rosto. Seus olhos brilhavam intensamente. Quando ele levou sua mão ao meu cabelo ele havia recuperado o controle instável e frágil de si mesmo. Parecia nervoso por um momento e não entendi até que ele se aproximou mais em minha direção. Todo pensamento tinha desaparecido rapidamente, perdido na fome desesperada que vi em seus olhos que fez minhas veias ferverem. Ele seguiu a pressão de suas mãos, uma em meus cabelos a outra envolveu minha cintura e divagar inclinou a cabeça quando levantei a minha para encontrá-lo. Quando nossos lábios se encontraram, nunca tinha me sentido mais viva.

Cada sensação era muito mais intensa depois que nos declaramos do que deveria ter sido. Aproveitei a sensação da suavidade de meus lábios nos dele e do frio que irradiava na ponta dos meus dedos no seu couro cabeludo que tinha seu cheiro único que nenhum shampoo poderia reproduzir, pois se pudesse ele venderia milhões. Era difícil tentar me controlar com tantas emoções e lidar com o instinto natural que assumia quando nos beijamos.

E foi lendo essa parte que me rendi ao simples fato de que precisava dela mais desesperadamente do que jamais precisaria de qualquer coisa no mundo. Eu era dela, e assim lhe dei a chave para minha alma. Bella poderia fazer o que quisesse, pois eu era seu, de corpo, mente, alma e coração. Deixei a convicção de que ela estava apaixonada por mim para engolir toda e qualquer insegurança e medo para nosso futuro incerto.

Delicadamente ele encerrou os beijos com pequenos selinhos. Quando nos separamos estava um pouco ofegante e sem dúvidas vermelha. Ele sorriu por saber que foi ele que me deixou nesse estado.

- E então o leão se apaixona pelo cordeiro... – ele murmurou.

- Que cordeiro idiota – suspirei.

- Que leão doente e masoquista. – ele esfregou minhas bochechas com a ponta dos dedos. – As suas bochechas coradas são adoráveis – ele murmurou.

Lentamente, sem tirar os olhos dos meus, ele se inclinou na minha direção. Então abruptamente, mas muito gentilmente, ele descansou a sua bochecha gelada na base da minha garganta. Gentilmente estendi minha mão e fiz um carinho em sua cabeça, quase um cafuné. Tive a impressão de ouvir um quase ronronar de sua garganta.

Depois de um tempo seu rosto virou para o lado, seu nariz explorando a minha clavícula. Ele descansou o seu rosto carinhosamente no meu peito.

Escutando o meu coração.

- Ah. — Ele suspirou. – Esse é o melhor som do mundo, do meu mundo.

Suas palavras fizeram meu coração acelerar. Não sei quanto tempo nós ficamos sem nos mexer, mas o suficiente para meu coração acalmar, mas ele não se mexeu ou falou de novo enquanto me abraçava. E então, cedo demais, ele me soltou.

Seus olhos estavam em paz.

- Obrigado por me aceitar – ele disse com sinceridade.

- Você não tem que agradecer por isso.

- Eu não sei como ficar perto de você – ele admitiu. – Eu não sei se consigo, não quero lhe machucar.

Eu me inclinei bem lentamente e coloquei minha bochecha no seu peito de pedra. Eu podia ouvir sua respiração, e nada mais. Nenhuma batida de coração, mas era confortável ficar em seus braços.

- Você não vai. – eu suspirei, fechando os olhos.

Num gesto muito humano, ele passou um braço por mim e descansou seu rosto no meu cabelo.

Nunca imaginei que sentiria tanta inveja de mim mesmo com nesse momento. Queria estar lá para sentir o seu corpo quente envolta do meu, ter o gosto de seus beijos. Nunca me vi como um homem sortudo, Bella estava mudando meus conceitos. Sentia a pessoa mais abençoada do mundo.

Nós sentamos nessa posição por outro momento sem fim; imaginei se ele estava tão sem vontade de se mexer quanto eu. Mas podia ver que a luz estava desaparecendo, as sombras da floresta estavam começando a se aproximar de nós, e suspirei.

- Você tem que ir.

- Eu pensei que você não podia ler minha mente.

- Ela já está começando a ficar mais clara – podia ouvir o sorriso na voz dele parecia muito satisfeito de acertar meus pensamentos.

Ele segurou meus ombros e eu olhei pra o rosto dele.

- Eu posso te mostrar uma coisa? – perguntou Edward, uma excitação repentina brilhando nos olhos dele.

- Me mostrar o que?

- Como eu ando pela floresta. – Ele viu minha expressão. – Não se preocupe, você estará segura e chegaremos muito mais rápido. – Sua boca se contorceu naquele sorriso torto tão lindo.

Essa parte da minha natureza ficaria feliz em mostrar. Um dos benefícios que vieram com a transformação foi a velocidade. Adorava correr pela floresta, era bom partilhar com alguém. E não havia ninguém melhor do que Bella.

- Você vai se transformar num morcego? – perguntei brincando.

Gargalhei com sua sugestão. Tinha que contar isso para o Emmett. Ele iria adorar.

Ele riu mais alto do que eu jamais tinha ouvido antes. – Como se eu nunca tivesse ouvido essa antes.

- Acho que tenho que melhorar meu repertório.

- Vamos lá, pequena covarde, suba nas minhas costas.

Eu esperei pra ver se ele estava brincando, mas, aparentemente, ele estava falando sério.

Ele sorriu quando viu minha hesitação, e veio me pegar.

Ele então me colocou nas costas dele, com muito pouca resistência da minha parte, além do mais, me lembrei da posição que estava com Charlie há alguns dias. Os homens da minha vida pareciam gostar de me carregar nessa posição.

“Homens da minha vida”. Era bom estar sozinho, pois tenho certeza que Jasper e Emmett jamais deixariam passar o sorriso idiota que estava em meu rosto. Parecia um bobo apaixonado, mas era um sentimento tão bom.

- Se você falar que estou pesada juro que haverá uma briga – eu avisei.

- Hah — ele zombou. Eu quase podia ver seus olhos revirando. Ele me surpreendeu, segurando a minha palma contra o rosto dele e cheirando profundamente. – Cada vez fica mais fácil — ele murmurou.

- Fico feliz em ouvir isso. – Na posição em que estava meus lábios estavam muito próximos do seu pescoço, era demais para resistir e beijei delicadamente esse local exposto. Senti que ele estremeceu um pouco. Era bom saber que ele também era afetado com minha presença como eu era com a sua.

Ele sorriu radiante para mim. E então ele começou a correr.

Ele corria na escuridão, entre os arbustos da floresta como uma bala, um fantasma. Não havia nenhum som, nenhuma evidência de que seus pés estavam realmente tocando o chão. A respiração dele não mudou, ela não denunciava nenhum esforço. Mas as árvores passavam mortalmente rápidas por nós, sempre nos perdendo por pouco.

Eu estava surpresa demais para fechar os olhos, apesar do vento da floresta estar passando rapidamente pelo meu rosto e queimando eles. Eu senti que estava estupidamente colocando a minha cabeça pra fora de um avião em pleno voo. E, pela primeira vez na minha vida, eu senti náuseas por causa do movimento. Não estava preparada para essa velocidade.

Então estava acabado. Nós tínhamos caminhado durante não sei quanto tempo para chegar até a clareira de Edward, e agora, em questão de minutos, estávamos de volta.

- Divertido, não é? – A voz dele estava alta, excitada.

Ele permaneceu em pé sem se mexer, esperando que eu descesse. Eu tentei, mas meus músculos não respondiam.

Meus braços e pernas continuaram trancados ao redor dele enquanto minha cabeça girava desconfortavelmente.

Péssima ideia. Como não pensei nas consequências? Bella é tão frágil. Teria que me controlar da próxima vez. Não a queria desconfortável ao meu redor.

- Bella? – ele perguntou ansioso.

- Preciso sentar um pouco.

- Oh, desculpe. – Ele esperou por mim, mas eu ainda não conseguia me mexer.

- Acho que preciso de uma ajudinha – admiti.

Ele riu baixinho e gentilmente soltou o meus braços de seu pescoço. Não havia como resistir ao poder da sua força de aço.

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Então ele me puxou pra encará-lo, me segurando nos braços como uma criança pequena.

Ele me segurou por um momento e então me colocou na grama.

- Como você se sente? – ele perguntou.

- Com raiva.

Ele ficou apreensivo rapidamente. – De mim?

- De quem mais?

Não sabia que ela ficaria com raiva. Achei que ela gostaria do passei. Como sou estúpido. Lógico que ela iria se irritar, quem gostaria de ficar enjoada?

- Como você se atreve a me fazer andar todo esse percurso sendo que você podia o tempo todo fazer isso? – falei indignada.

Oh! Era com isso que ela estava irritada? Quase sorrir com isso. Fiquei aliviado de descobrir seus motivos.

Ele riu baixinho com minha indignação.

- Hey! Estou falando sério. Podia ter poupado muito tempo.

- Vou lembrar isso na próxima vez.

- Próxima vez! — eu gemi.

- Não seja boba. Escute, estava pensando, enquanto eu estava correndo... – Ele parou.

- Em não bater nas árvores, eu espero.

- Boba – ele gargalhou. – Correr é minha segunda natureza, não há nada o que pensar.

- Exibido — eu sussurrei.

Ele sorriu.

- Não. – ele continuou. – Eu estava pensando...

- Em não me deixar cair.

- Nunca deixaria. Agora me ouça. Eu estava pensando...

- Que se você batesse os braços iria se sentir um pássaro.

- Boba. – ele sorriu. – Agora me deixei terminar. Eu estava pensando...

Quando abri minha boca para falar ele rapidamente colou seus lábios nos meus. Ele me deixou tonto com seu beijo.

- Acho que encontrei uma forma de fazer você ficar quieta.

Sorrir largamente com isso. – Então toda vez que você quiser me calar essa vai ser sua tática?

Ele suspirou dramaticamente. – Se esse é o preço que tenho que pagar. Então aceito. – Sorrimos um para o outro. – Eu estava pensando que...

- Está na hora de irmos, está ficando tarde e...

Ele interrompeu com um beijo. Adorei seu método para me fazer ficar quieta. Acho que falaria a vida toda se fosse para ele me interromper com seus beijos.

Também achei muito interessante essa tática. Vou lembrar-me de aplica-la sempre.

Com um dos seus movimentos leves, quase invisíveis, ele ficou de pé. Ele segurou sua mão para mim em um gesto muito cavalheiresco. Eu segurei sua mão gelada de bom grado.

- Sabe qual o problema com seu plano?

Ele me olhou interrogativamente.

- Não.

- Você também fica impedido de falar.

- Então nenhuma reclamação de minha habilidade com beijos? – ele riu tão naturalmente. Parecia que nossa conversa tinha tirando um peso de suas costas. Imagino o quanto ele deve ter se torturado guardando tantos segredos. Agora ele parecia mais solto, mais livre. Simplesmente feliz.

Edward ainda estava me olhando, esperando minha resposta. Ele não me enganou por um momento, apesar da brincadeira tinha uma preocupação real em saber a resposta.

- Sem reclamações, mas eu posso cobrar suas habilidades com alguma frequência.

Seu sorriso em resposta parecia que iria rasgar seu rosto.

Estava feliz que minha família não podia ver meu rosto no momento que apresentava um sorriso tolo estampado; independente de ser um vampiro, eu era do sexo masculino, e era sempre bom ser elogiado sobre suas proezas, especialmente quando era verdadeiramente sincero como tinha lido em seus pensamentos. Fora que foi minha primeira experiência. Se isso aconteceu quando era humano acho que eu lembraria. Então Bella foi meu real primeiro beijo, e era estranho ter lido sobre ele antes de acontecer. Só poderia aguardar para o momento em que aconteceria de verdade. Senti muito satisfeito comigo mesmo por ter me saído bem e ter tido uma sequência de beijos para aperfeiçoar.

Edward abriu a porta do Volvo para mim, antes de entrar falei para ele.

- Nunca pensei que diria isso, mas o Volvo nunca pareceu tão atrativo, mesmo com você no volante.

Ele me olhou falsamente ofendido. – Quer dizer que você está desprezando minha carona? Mesmo depois de ter aguentado carregar todo seu peso em minhas costas... – terminou com um sorriso provocante.

Estreitei meus olhos para ele. – Você está me chamando de gorda? – briguei. Ele gargalhou com isso. – Edward Cullen isso não foi engraçado. – falei completamente séria, seu riso morreu rapidamente.

- Me desculpe Bella, não quis lhe ofender estava apenas brincando.

Foi difícil não sorrir, mas consegui resistir. – Você está em sérios apuros Sr. Cullen. – acabei sorrindo. – Não gostaria de ser você no momento em que irei me vingar. Saiba que isso terá volta. – ele acabou sorrindo.

- Você é linda Bella, não tem nada para se preocupar. Você me viu carregando uma árvore. Acha mesmo que seu peso me incomodou?

Ponderei por um momento. — Acredito em você, mas isso não vai lhe livrar. Você vai pagar por seu comentário. Aguarde.

- Você vai ser minha morte Bella Swan.

Sorri com isso. Não podia acreditar que esse dia estava acabando tão bem. Nem nos meus melhores anseios esperava isso. Depois de um tempo franzi perguntando até quando essa calmaria iria durar. Ela tinha visto quase o pior dele, felizmente não tudo, mas muito ruim. Ainda tinha uma parte do meu passado que ainda não tinha compartilhado. Isso teria que acontecer em breve. Tinha medo que em algum momento seria demais para ela.

Não se pode chamar que fui uma pessoa religiosa, desde minha transformação perdi grande parte da minha crença. Mas me vi fazendo uma oração: por favor, não me deixe machuca-la. Que ela aceite o que sou e o que fui e que me faça digno de merece-la.

Notas finais
Então o que você acharam? Quem estava me perguntando do primeiro beijo aí está. O primeiro, o segundo o terceiro...
Depois de 16 capítulo tive que compensar certo?
Próximo capítulo terá mais do casal. Achei importante eles terem esse momento deles. Até porque no outro já terá a família Cullen.
Comentários são bem-vindos. Eles são o incentivo para continuar escrevendo.
Beijos...