Uma Realidade Mágica!
11 Uma bala no caminho
Notas iniciais
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." (Antoine de Saint-Exupéry)
— Não! Deixem ela! Ela está... Um segundo tapa em seu rosto a interrompeu, fazendo com que ela mordesse os lábios à dor, o que fez meu sangue ferver.— Covarde! Covarde, desgraçado! – Meu grito estridente fez o bandido perder a paciência.— Anda logo, guri idiota. Meu pequeno amigo, escondido no porta-malas do carro do pai, imaginou o que viria a seguir. Ele discou o número do hospital e esperou. No momento que a recepcionista atendeu, foi possível ouvir, não apenas em volume alto pelo telefone, mas também pelo eco dado nos quarteirões vazios da cidade, o estampido de um tiro. Assim que o barulho cessou, a voz chorosa do menino surgiu no aparelho.— Venham logo, Remy vai morrer. Cuddy estava na porta, prestes a sair do hospital, quando os carros de polícia passaram a toda velocidade. A enfermeira que havia atendido ao telefonema chamou a atenção da diretora para o menino na linha.— Uma criança ligou no momento do tiro, pediu que levássemos uma ambulância. Disse que alguém iria morrer. A mulher de cabelos castanhos escuros fixou os olhos azuis na mulher à sua frente, um tom de voz urgente e categórico.— Ele disse onde?— Ele disse apenas um nome, diretora. Remy. Os olhos azuis de Cuddy se arregalaram e ela saiu em disparada hospital adentro em busca de ajudantes. Cameron’s POV: Eu ouvi a ameaça e tentei interceder, senti o tapa no rosto arder, mas talvez não fosse tão ardente quanto os olhos azuis do lado de fora. Remy gritou, os punhos cerrados. O homem ao meu lado repetiu a ordem. Eu senti a hesitação do rapaz, visivelmente menor de idade, na porta ao levantar a arma. Tudo foi rápido demais e, ao mesmo tempo, passou em câmera lenta diante dos meus olhos. O barulho do tiro foi ensurdecedor, fazendo meus olhos lacrimejarem imediatamente diante do vermelho-sangue que manchava a blusa de Remy em seu lado esquerdo. Me senti desfalecendo à medida que ela caía inconsciente no chão diante de mim. Ao mesmo tempo que mantive a esperança dela estar viva, desejava morrer ao seu lado. Tudo que se passou a seguir, para mim, foram fatos secundários. Eu não via nada além do corpo inerte de Treze no chão. Um sinal de vida, era tudo o que eu buscava. A polícia chegou, a ambulância estava ali. A rua, antes deserta, ganhava vida com os curiosos que tentavam se aproximar em segurança. Houve uma negociação, houve ameaças. Eu não me importava com nada daquilo. Reconheci a ambulância do Princeton-Plainsboro parada do outro lado do posto, vi Cuddy e Wilson entre os médicos que socorriam Remy. Sabia que, se Wilson estava ali, House também estaria e talvez toda sua equipe. Reconhecer Foreman como um dos médicos que carregava a maca me fez ter essa certeza que todos estavam presentes, assim como ver o cabelo loiro sobre o rosto desesperado de Chase em meio aos curiosos. Não sei quanto tempo durou tudo aquilo, mas os bandidos foram pegos, ou se entregaram, eu não prestava atenção. Só via a maca entrar na ambulância e a mesma ainda continuar parada ali, talvez por alguns segundos. Tinha algo de errado acontecendo. Só quando notei a polícia ajudando um homem em choque a sair do banheiro dos fundos, onde se trancou ao ouvir o assalto, vi que tudo estava seguro e saí em disparada para a ambulância. Aqueles segundos a mais foi o tempo que tive para me aproximar. Parei na porta, eles tinham acabado de usar o desfibrilador em Remy. Subi no apertado compartimento traseiro, espremendo os médicos que ali estavam e vi o rosto pálido de Treze. Ela não estava morta, eu sabia que não, mas era grave. Estava em coma. Debrucei-me sobre a maca e beijei seus lábios, sussurrando em seguida, ao notar que não aconteceu o mesmo de quando beijei a testa de Henry.— Acorda. Anda Remy, acorda, meu amor... As últimas palavras saíram inaudíveis até mesmo para os meus próprios ouvidos, mas foram sentidas pelo meu coração. Não notei os olhos surpresos de todos sobre mim, apenas senti a mão de Cuddy em meu ombro me empurrar para fora, com gentileza.— Melhor ir para casa, você precisa descansar. Ela precisa ir para o hospital e amanhã você pode vê-la. Ela entrou outra vez no veículo, que já estava ligado, e partiu em disparada. Alguns carros de polícia também se foram, levando os marginais. Outros ficaram ali pegando depoimento e dispersando a multidão curiosa. Tudo estava uma grande bagunça: uma loja revirada, pessoas comentando sobre o ocorrido, uma cena emocionante de um menino que estava escondido, sair de dentro do carro do pai para abraça-lo. E o mais chocante, principalmente para mim, a poça com o sangue de Remy que ficou no chão.
De forma inconsciente, me ajoelhei diante do vermelho que manchava a frente da porta e chorei. O menino se aproximou de mim com lágrimas nos olhos e me estendeu o celular de Treze.— Aqui, moça. É da sua namorada. Ela me ajudou, acho que ela vai ficar bem. Eu não consegui agradecer a criança que me consolava com um sorriso no rosto, tão emotiva que estava, acabei por chorar mais. Chase me levou para casa, eu mal consegui dormir naquela noite.
Notas finais
Espero que estejam curtindo a fase tensa da fic. Obriga pelo apoio. Não reparem a montagem, idéia louca da autora que vos fala. kkkk E comentem, pq sem os comentários de vocês, essa fic não existe. *-*
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