Uma Realidade Mágica!
12 Procurando ajuda
Notas iniciais
Treze está em coma, ainda sem previsão para acordar. Cameron começa a se desesperar pela amada. Que ajuda será essa que ela irá procurar?
Passei os próximos dias ao lado dela no hospital, a bala que atingiu Treze fez uma pequena perfuração no pulmão esquerdo, que a fez ter uma parada cardiorrespiratória exatamente minutos antes de eu subir na ambulância. Foi operada, estava se recuperando bem, mas não saía do maldito coma. Ela ainda estava levemente pálida pela perda de sangue que havia tido. O beijo que lhe dei, diante de todos, foi uma medida impensada para tentar trazê-la de volta. Meu desespero foi tanto que eu sabia que só poderia ser amor. Ou como na minha cidade todos dizem: Verdadeiro amor. Vez ou outra, quando não havia ninguém por perto para olhar torto para mim, eu lhe dava outro beijo e sentia meus olhos lacrimejarem por não haver resposta. Seus únicos movimentos eram involuntários, alguns deles causados pela doença que se mantinha presente, fazendo com que sua mão me enganasse a cada vez que seus dedos tremiam levemente. Me mantive firme, acompanhando de perto para não perder nenhuma mínima alteração em seu caso. Seria difícil, a doença, que ela escondia com tamanho esforço, já estava avançada ao ponto de ela perder o controle dos músculos e da visão periférica, não ajudaria em nada para que seu corpo se recuperasse de um coma. Ou mesmo sua mente. Conversei com os outros médicos, eu mesma já imaginando tudo o que diriam, que Remy poderia acordar no fim de semana, no fim do mês ou talvez do ano, que deveríamos esperar e acreditar que ela sairia dessa. Cuddy me liberou do trabalho na clínica e na emergência, mas eu continuava trabalhando, porém na equipe do House outra vez, substituindo a Treze até que ela melhorasse. O que era ótimo, pois trabalhar na equipe de diagnósticos era bem menos puxado do que em qualquer um desses outros lugares, o que me possibilitava ficar mais com Treze. Para minha sorte, ninguém mais ali fazia qualquer piadinha sem graça com a gente. Os rapazes me respeitavam porque viam a dor que eu sentia. Até mesmo meu chefe, tão fechado em suas muralhas, demonstrava sentir compaixão pela garota em coma.Eu não aguentava mais aquela sensação de impotência, sentir que não podia ajudar em nada. Em um dos raros momentos que deixei o hospital e fui para casa, me passou pela mente a imagem de minha mãe, de Henry, de tantas coisas que aconteceram comigo envolvendo magia, das histórias que me eram contadas e das que eu mesma vivenciei, acabei ligando para Snow.— Filha! Como é bom receber sua ligação. Estamos com tanta saudade de você.— Oi...mãe. Eu também estou com saudade.— Aconteceu alguma coisa, Emma? Está com uma voz tão triste.— Acho que encontrei o amor que vocês tanto falam. Mas esse amor está morrendo em uma cama de hospital.— Mas o que aconteceu?— Um tiro. Está em coma. Foi por mim. Eu senti o quanto Mary Margareth estava surpresa com aquele detalhe. Ela respirou fundo do outro lado da linha, talvez se recordando de sua própria jornada quando o amado David estava da mesma forma. Ouvi alguns barulhos, devia ter mais alguém ali com ela, talvez meu pai, eu só não queria que fosse Henry, estava frágil demais para querer que o garoto presenciasse aquela conversa.— Alguém que salvou minha filha, merece ser salvo. Em que está pensando?— Eu tentei dar o beijo do amor verdadeiro, mas não adiantou. Desejei tanto que funcionasse.— Foi uma arma de fogo. O beijo cura apenas os males do nosso reino. Maldições, Emma.— Eu sei. Será que... magia... não ajudaria? Eu não sei mais o que fazer. – Eu hesitei ao tocar no assunto, sabia que magia sempre tinha um preço. Ouvi outra vez a respiração profunda dela, pensando em alguma possibilidade de conseguir com que Regina ou Rumple me ajudasse.— Eu vou tentar. Emma, falarei com eles, me ligue em um hora. Eu desliguei, agora foi a minha vez de puxar o ar com força para dentro dos pulmões. Me controlei para não voltar a chorar. Daria tempo à minha mãe, embora não acreditasse que Regina ou Gold quisessem me ajudar ou talvez nem pudessem. Escolhi um dos livros da estante e deitei no sofá, lembrando da noite em que Remy dormiu ali, com aquele mesmo livro em mãos. A capa de "O Soldadinho de Chumbo" chamava minha atenção, desejando de intensamente para que não fosse um aviso sobre Remy. Acabei dormindo, tão cansada que estava.
Acordei com o meu celular tocando, caído no chão, ao lado do sofá. Não percebi que tinha dormido quase cinco horas.— Emma? Esperei sua ligação. Você está bem filha?— Está tudo bem, eu só estava cansada. Acabei dormindo demais.— Eu falei com Regina, Henry estava perto, ajudou-me a convencê-la. Seu pai estava disposto a fazer um acordo com Gold, mas Belle o convenceu a não aceitar nada em troca. Incentivou que ele fizesse porque era algo bom. Eu me senti extremamente agradecida mas, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Henry pegou o telefone das minhas mãos, estava elétrico, sua voz era empolgada e saudosa.— Mãe, mãe! Eles vão te ajudar. Eu disse, bem, pra minha outra mãe, ela vai te ajudar e o Gold também. Vovô disse que vai te levar a poção e que eu posso ir junto, vou ver você. Meus olhos encheram-se ainda mais de lágrimas, que rolaram sem nenhuma dificuldade por meu rosto, mas mantive a voz no mesmo tom para que meu filho não notasse aquela emoção.— Henry? Meu filho, estou morrendo de saudades de você. Obrigada por falar com a Regina por mim, eu estou... mesmo... precisando de ajuda.— É por seu verdadeiro amor, mãe. Eu faria qualquer coisa para ajudar. Estou louco para conhecê-lo. Ele se despediu, ainda empolgado, e minha mãe retornou ao telefone. As palavras de Henry foram tão casuais que me senti culpada, por um momento, de meu amor ser uma mulher.— Assim que estiver pronto, eu te aviso. Se Regina e Gold precisarem saber de algo mais, ligamos para você. Agradeci. Agradeci muito a todos eles. Assim que nos despedimos, desliguei o telefone e apanhei o livro. Sorri para a capa da triste história, onde se via escrito “O Soldadinho de Chumbo”, guardando-o na bolsa. Olhei a hora para confirmar o quanto eu havia dormido, tomei um banho e voltei para o hospital, onde leria aquela história para Remy. Recebi apenas uma ligação, enquanto ainda estava com ela no hospital, de Mary perguntando algumas coisas, como o que de fato tinha acontecido. Dei as respostas precisas, informando sobre a doença genética da pessoa, que estava avançando rápido e desejei sorte. Fiquei aguardando o telefonema com o aviso de que estava pronto.
Notas finais
Uma curiosidade: A história do Soldadinho de Chumbo é um conto de fadas escrito por Hans Christian Andersen e publicado pela primeira vez em 1838. Foi o primeiro conto escrito totalmente pelo autor e que NÃO teve um final feliz.
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