Uma Realidade Mágica!
10 Seria o acaso?
Notas iniciais
E como eu já havia dito por aí que haveriam capítulos tensos. Bom, a fase mais tensa da fic começa agora. Meninas que curtem a Emma/Cameron irão sofrer com esse capítulo, mas espero que gostem.
— Por que ela não se deixa levar? Por que insiste tanto em me afastar? Ah, Cameron, você está ficando louca, desejando que uma mulher te corresponda. Mas deveria, ela gosta de mulheres. Ah, já chega, não quero mais pensar nisso. Mas me pegava pensando em meios de quebrar as barreiras de Treze, de ficar mais próxima, de fazer com que ela confiasse, que se apegasse, que se entregasse. A imagem do beijo voltava à minha mente e a sensação me causava arrepio, fazendo com que eu acordasse da lembrança. A noite foi longa em meu quarto, eu acordava no meio da noite e demorava algumas horas para dormir. Quando finalmente o despertador tocou, meus olhos estavam pesados e razoavelmente inchados e vermelhos, devido ao choro e a insônia. Me aprontei, os movimentos vagarosos de quem não tinha a mínima vontade de ir trabalhar. Eu não entendia o motivo da minha angústia, não conseguia tirar da cabeça o modo como ela falou comigo, como desacreditou das minhas intenções, como ela ignorou meus sentimentos. Mas que sentimentos, Emma? O que teria me feito ter esses sentimentos? Era apenas a doença dela? Ou foi descobrir que ela, de fato, se atraía por mulheres? Meu corpo se arrepiou ao pensamento, balancei minha cabeça, tentando afastar qualquer lembrança, mas meu coração estava apertado, ele queria que Remy se interessasse por mim. Outra vez não a vi durante a semana que se seguiu, Remy parecia estar me evitando com todas as suas forças e eu acabei aceitando isso e não indo atrás. A cada dia eu pensava no prazo que ela tinha para o julgamento do comitê e queria muito estar perto dela, fazê-la vitoriosa. Domingo, já a altas horas da noite, eu estava exausta. Trabalhara a sexta e o sábado durante o dia e noite inteiros com a emergência fervilhando de pessoas acidentadas e passando mal. Não gostava muito de feriados naquela cidade, tudo se tornava uma bagunça e as pessoas ficavam bem menos responsáveis. Finalmente o longo fim de semana havia acabado e as coisas estavam mais tranquilas. Eu só queria ir pra minha casa, mas fui obrigada a parar em um posto para abastecer a droga do carro e acabei por entrar na loja de conveniência. Minha pior decisão. Assim que entrei, indo direto a uma prateleira de coisas qualquer, dois rapazes armados e encapuzados entraram na loja. Enquanto um rendeu o caixa, o outro veio para o único cliente na loja. Eu. A princípio eu levei o maior susto da minha vida com aquela arma na minha cabeça. Em seguida, pensei em reagir de alguma forma, talvez depois de tudo que passei em StoryBrooke, eu fosse capaz de detê-los. Por sorte, não fiz isso. Aqui não era minha cidade e muito menos algum reino onde o bem tem a vantagem de conseguir ser triunfante. Não seria uma luta de espadas, ou um tiro de uma flecha, que podemos desviar ou mesmo, com muito treino e talento, segurá-las em pleno voo. Não, eles carregavam armas de fogo e estavam nervosos. Ali estava e ali fiquei, parecia não ter uma viva alma na rua naquela madrugada. Infelizmente, a alma viva que se aproximou do lugar era exatamente quem eu jamais desejaria que visse algo como aquilo outra vez.Treze’s POV: Aquele tinha sido um fim de semana badalado. Eu saí na sexta e no sábado, em busca de bebidas e algumas garotas. Me sentia estranha desde o beijo inesperado que Cameron me deu, uma pulsação diferente percorria meu corpo ao pensar nela. Para afastar qualquer indício de um possível começo de uma paixão, eu evitei cruzar com ela no hospital e saí com algumas outras garotas nas últimas noites. Uma ruiva na terça, a noite seguinte a do beijo. Na quinta foi uma japonesinha fofa. Sexta uma morena e ontem à noite, outra ruiva. Nenhuma loira. Não, eu queria distância de qualquer loira, todas me lembravam Emma. Hoje não seria diferente, se eu não estivesse me sentindo com o corpo tão pesado, com a cabeça girando tanto, o sentimento de culpa que apertava meu coração de um jeito que nada me fizesse ter vontade de dormir com alguém que não fosse meu próprio travesseiro. Ou talvez abraçada com Emma ao meu lado. Afastei o pensamento. A rua estava mais silenciosa, já era alta madrugada e as pessoas se acalmaram das festividades do feriado por terem que trabalhar no dia seguinte. Minha cabeça estava a mil, eu precisava comer alguma coisa ou passaria muito mal por cauda da bebida. Na saída do barzinho, o mesmo em que encontrei Emma naquele primeiro dia, o que me lembrou do momento em que machuquei seu rosto sem notar e tive ódio da minha doença, parei o carro em um posto a poucas quadras do hospital, infelizmente para mim, teria que passar por ele a caminho de casa e lembrar outra vez da loira. Suspirei ao encostar o carro, completamente torto, em uma bomba de gasolina, atrás de um veículo no qual um garoto olhava, atentamente, para dentro da lojinha de forma tensa. Desci do veículo e pude ver, pela porta de vidro, dois homens armados lá dentro.
Reconheci, quase de imediato, o segundo carro parado do outro lado do posto, em outra bomba de gasolina. Era o carro da Cameron, eu não tinha dúvidas. O garoto, que aparentava ter uns oito anos, escondeu-se dentro do veículo e chorou. Eu me aproximei dele, pelo lado oposto ao que os bandidos poderiam me ver, e bati de leve no vidro do carro. O menino deu um pulo do banco com o susto, acalmando-se ao ver meu rosto, ele abriu o vidro.— O que faz sozinho aqui, garoto?— Meu pai está lá dentro. Não passou muito bem e parou aqui pra ir ao banheiro. Ele ainda não saiu. Esses caras entraram lá agorinha e acho que meu pai não vai mais sair.— Se acalma. Vai dar tudo certo. O menino abriu, devagar, a porta traseira do carro, me convidando a entrar, confiando na estranha pelo simples pavor de estar sozinho. Ali, eu liguei para a polícia. Cinco minutos foi o tempo que a atendente estipulou para a chegada das viaturas. Cinco minutos poderia ser muito tempo. Afaguei o cabelo enrolado do menino e disse para que ficasse escondido. Dei a ele meu celular com o número do hospital gravado, me apresentei como a médica que era e mandei que ele ligasse caso algo de errado acontecesse. Abri de leve a porta e saí do veículo abaixando-me o máximo que conseguia. Antes de fechar a porta, retirei a chave do contato e entreguei, confiante, nas mãos da criança. Olhei novamente o menino que tinha agora o celular em uma mão e as chaves na outra, tranquilizando-o.— Tranque todas as portas e fique escondido. Se abaixe o máximo que puder, entre no porta-malas se conseguir, faça como achar que ficará mais seguro. Mas, de maneira alguma, saia do carro até ouvir a voz do seu pai, entendido? Vai ficar tudo bem.— Obrigado, Remy. Pisquei para ele e espiei por cima do carro como as coisas estavam lá dentro. O relógio marcou que ainda faltava três minutos para a polícia chegar. Os reféns eram apenas dois, o caixa da loja e Cameron. Não via o pai do menino, mas imaginei que estivesse trancado no banheiro, com medo de sair. Vi o homem dar uma coronhada no caixa da lojinha e se dirigir à Cameron com a arma em punho. Os caras se preparavam para ir embora, deixar os reféns inconscientes era o último passo. O que fiz em seguida foi o instinto de coragem e o ato de idiotice maiores da minha vida. Saltei de trás do carro onde estava o garoto e gritei.— Emmaaaaaaaaaa!! Os ânimos se exaltaram dentro da lojinha e o homem deu um salto para trás. O segundo rapaz estava perto demais de mim, encostado do lado de dentro da porta como um guarda, assustou-se com a quebra do silêncio. Ambos me olharam.— Parados aí, polícia! Nunca pensei que diria algo assim. Nunca pensei que seria tão estúpida para dizer algo desse tipo em uma situação dessas. O homem de capuz preto que estava diante dela, pegou Cameron, que estava sendo obrigada a ficar sentada no chão junto ao balcão dos fundos, pelos cabelos e colocou a arma em sua cabeça. O segundo um rapaz, de capuz azul escuro, perto da porta, rastreou o lugar, enquanto trancava todas as janelas e portas, deixando apenes uma entreaberta para uma possível comunicação.— Não tem nenhuma viatura ali fora não, parceiro. Ela está blefando!— Vá lá fora e traga essa idiota aqui pra dentro. Eu ouvi e não poderia deixar de concordar com aquilo, eu era uma idiota. O rapaz abriu a porta da loja com a arma apontada para mim e fez sinal para que eu entrasse. Foi a minha vez de ouvir Cameron gritar.— Nãoooo!! Remy, não!! Ela levou um tapa no rosto ao lado do ferimento, já cicatrizado, que eu mesma havia lhe causado uma semana antes. Eu jurava que ela choraria, pelo pânico ou mesmo pela dor, mas ouvia sua voz embargada tentar negociar, sem demonstrar nos olhos esverdeados, nada mais que pura preocupação comigo.— Deixem ela ir, ela está doente! Eu sou médica, ela é minha paciente. Deixem ela!
Notas finais
Dedicatória do capítulo para a Nikki, que me deu a sugestão de fazer a Cameron sofrer um sequestrozinho básico (kkkk) ao me lembrar o evento que aconteceu com a Treze na série House. Beijão gente, espero que curtam a história.
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