Uma Realidade Mágica!
16 Uma noite decisiva
Notas iniciais
Nossa querida Treze está de pé outra vez, mas as coisas estão ainda um pouco tensas com a revelação de Emma sobre a magia. Espero que gostem de mais esse capítulo. Boa leitura! =)
— Partimos amanhã. Tenho que levar Ruby para casa e, se quiser vir conosco, esteja no meu apartamento às sete da manhã. Não me despedi ao sair. Fui mais forte do que pensei que seria, mesmo com a dor que sentia dentro de mim. Não olhei para trás nenhuma vez. No meu apartamento, Ruby estava deitada no sofá, a capa vermelha estendida sobre ela como um lençol a impedia de se transformar. Ainda era cedo, talvez umas nove da noite. Assim que cheguei, ela me olhou com olhos interrogativos e cúmplices ao mesmo tempo.— Por que mentiu?— Eu não menti. Apenas omiti parte da verdade.— Deveria ter contado.— Para que? Quem acreditaria? Ruby não disse nada. Ela acabou dando de ombros e, sentando-se no sofá, me encarou.— Nós vamos embora amanhã?— Sim, te levo de carro até lá.— A moça vem também?— Sim. Eu preciso mostrar a ela quem sou, preciso que ela acredite em mim, confio que guardará o segredo. Pensei que encontrar um amor verdadeiro fosse simples, como nas histórias de vocês. Acho que não tem nada de simples na minha vida. Eu acho que Remy não gosta de mim com a mesma intensidade. A moça se ajeitou em sua capa e veio em minha direção me abraçar. Sorri para ela, um sorriso triste. Mas logo ele virou uma risada devido à empolgação súbita de Ruby.— Se vamos só amanhã, pode me levar para conhecer a cidade? Como é mesmo que se chama aqui?— Princeton. Vem Ruby, vamos dar uma volta. Você será uma atração andando por aí desse jeito. – Eu ri, apontando a capa que ela vestia e o riso a contagiou. Andamos pela cidade por algumas horas, mostrei a ela o lugar onde eu havia sido sequestrada e onde Remy se arriscara por mim, ainda havia a mancha de sangue no chão em frente à loja de conveniência do posto. A garota de capa se impressionou, mas manteve-se quieta sobre o assunto. As horas passaram sem que percebêssemos, algumas pessoas em barzinhos, já bêbadas, sem dúvida, gritavam para Ruby que seriam o genro que a vovó gostaria de ter, ou coisas mais idiotas como: “Me chama de cestinha e me leva com você.” Ao voltarmos para casa, arrumei tudo para que ela pudesse dormir e, antes que eu me recolhesse, Ruby soltou quase em um sussurro.— Ela também te ama.— O que disse?— Disse que ela também te ama. Só por um amor verdadeiro é que arriscamos nossa vida diante de qualquer perigo. Vi que Ruby suspirou ao me dizer isso, ela olhou diretamente para estante onde se via o livro vermelho com letras douradas em que se lia “Chapeuzinho Vermelho” e notei que ela falava de si mesma. Ela enfrentou o medo da morte quando achou que o namorado era o lobo cruel de que ouvira falar. E ele morreu por confiar no amor que tinham. A garota embaixo da capa se revirou, buscando um ângulo melhor para seu corpo relaxar e dormir. Eu fiz o mesmo ao deitar em minha cama. Sentia-me mal por Ruby, sentia por mim. O sono levou-me ao mundo dos sonhos.Treze’s POV:Eu estava bastante confusa e empolgada quando deixei o hospital. Não sabia direito o que tinha acontecido no tempo que fiquei inconsciente, mas senti um enorme alívio ao ver que Emma estava ali comigo. Foi ela que me levou para casa, assim como à sua amiga, que eu nunca vira antes por ali. Emma a deixou em seu apartamento e fomos para o meu. A noite estava correndo bem, até eu perguntar sobre os últimos dias. Ela me contou uma história difícil de acreditar. Seu convencimento ao dizer que o motivo de eu ter despertado era ela e que tinha conseguido uma poção para tal feito. Que Ruby trouxe o líquido até ela por ser a única com capacidade para conter a magia fora da cidade. Disse que a garota ainda demorara três dias para vir do canto mais afastado do Maine até New Jersey a pé, o que achei algo impossível.— Você conhece a história da Chapeuzinho Vermelho?— Já ouvi por aí.— A vovó na foto. Ela é a avó de Ruby. Ela é a Chapeuzinho e conseguiu esse feito porque estamos na noite de lua cheia e ela vira um lobo. O lobo é ágil e forte o suficiente para fazer essa viagem nesse tempo recorde para alguém a pé, já que Ruby só se locomoveu durante a noite.— Então... foi assim que tudo aconteceu? Eu tive vontade de rir dos absurdos que ouvi, mas não consegui fazer isso. Eu começava a duvidar se Emma estava delirando. Muitas noites em claro, talvez. Ou mesmo as pancadas que tomou do homem covarde que a sequestrara, quem sabe? Mas Emma parecia mesmo precisar de um psiquiatra.
— Foi.— Eu acredito em você.— De onde eu vim, dizem que tenho uma espécie de super poder. Eu sei quando alguém está mentindo. Eu não sei se ela realmente notou que eu não acreditava nela, ou se blefou de um jeito que me deixou sem ação. Eu encarei os olhos esverdeados que demonstravam tanta angústia e me senti culpada por fazê-la sofrer. Eu ia dizer algo, mas ela foi mais rápida do que eu, para minha sorte, pois eu não sabia o que falar.— Vem comigo para StoryBrooke. Eu te provo. Tudo é verdade.— Como? Tem o trabalho, o julgamento com o comitê.— Eu falei com Cuddy, estamos liberadas. O seu julgamento foi adiado por tempo indeterminado. Mas você ainda não pode voltar a exercer a medicina até marcarem outro. Cuddy me garantiu que vai readmitir você um mês antes do dia marcado pelo comitê, para avaliar seu comportamento e poder testemunhar a seu favor.— Tinha tanta certeza assim que eu aceitaria ir?— Eu não tinha certeza, eu tive esperança. Mas no fundo eu sabia que não acreditaria no que te contei. Aquelas foram as últimas palavras de Emma naquela noite. Eu decidi aceitar, era o certo a fazer, senti que devia a ela pela ligação que tínhamos. Antes de sair ela me entregou o livro que peguei quando dormi em sua casa. Era um presente, eu sabia. Levantei-me para lhe dar um abraço em agradecimento, mas o sorriso em meu rosto se desfez quando ela se recusou, virando de costas e indo para a porta. Ouvi apenas as palavras frias e diretas dela ecoarem em minha mente antes de sair, a hora e o local da partida. A porta se fechou atrás dela. Eu não consegui dormir. O livro do soldadinho de chumbo foi minha companhia naquela noite. Às três da manhã eu havia terminado de ler. Foi quase impossível não me comparar ao soldado “estragado” da caixinha de brinquedos, condenado à rejeição. Imediatamente minha imaginação colocou Emma como a frágil bailarina de papel por quem o soldado se iludira. Foi a primeira vez que chorei ao ler uma história como aquela. Contos de fadas nunca tinham tido sobre mim o efeito que aquele conto teve. Fez-me desejar de forma ardente ter o final feliz que o pobre soldado e sua amada não tiveram. Eu dormi em meio a esses devaneios e tive sonhos assustadores. Na manhã seguinte, quando o celular despertou, a última coisa que eu queria era ter que me levantar, mas lembrei-me do aviso de Emma e me obriguei a sair da cama. Arrumei uma pequena mala às pressas, jogando as peças de roupa sem nenhuma organização e saindo ao terminar de pegar tudo o que achei preciso. Eu estava atrasada e meu medo de que podia ser deixada para trás foi imenso. Não entendia o motivo, mas sentia algo forte pela loira de olhos esverdeados, algo que nunca senti e que minha mente não sabia me explicar. O motivo de ter me arriscado por ela, quase ter morrido por ela, ou de ter me irritado tanto quando a vi sofrer, desejando sentir aquilo em seu lugar, o porquê de tudo que era ligado a ela ser tão intenso em mim.
Notas finais
Como sempre, comentários sempre bem-vindos. A fic é de vocês. *_* Beijão!
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