Uma Realidade Mágica!

17 Começa a jornada


Notas iniciais
E a viagem rumo à StoryBrooke começou. Será que a Treze vai chegar a tempo de ir com Cameron? Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

Treze’s POV:

O táxi me deixou em frente ao prédio de Cameron, às 08:15 da manhã, com a bagagem improvisada em mãos. Estava em pânico com a ideia de ter ficado para trás.

Joguei a mochila nas costas, me dirigindo ao interfone do prédio. Assim que apertei o botão, vi o portão da garagem se abrindo e o carro de Emma sair devagar por ele. Eu acenei e ela encostou alguns metros a frente. Corri quase desesperadamente. Ruby, a morena bonita que estava no banco do carona, abaixou o vidro para que eu pudesse falar com a motorista.

— Que bom que consegui chegar a tempo.

— Saímos ontem à noite, voltamos tarde, acabamos nos atrasando. Vai com a gente?

Eu acenei com a cabeça, confirmando. Não sei por que, ou talvez soubesse e apenas não aceitasse, mas quando ela disse que havia saído com a jovem eu me senti enciumada de um jeito que nunca tinha me sentido. Emma fez sinal com a cabeça para Ruby e a jovem abriu a porta, pulou para o banco de trás e me deixou o lugar livre na frente. Simpática, ela estendeu a mão para pegar minha mochila e eu a entreguei, sentando-me ao lado de Cameron no carro.

— Ok, vamos seguir viagem. Será uma viagem de quase onze horas. Aproximadamente cinco horas até Boston, se tudo der certo. Faremos uma pausa lá e no dia seguinte partimos para o resto do caminho. De acordo?

— Certo. – Ruby deu de ombros.

— Por mim tudo bem.

A viagem foi tensa de início. Emma deixou o rádio falar por praticamente duas horas, eu via pelo espelho retrovisor o rosto de Ruby encantado com as paisagens das cidades por onde passávamos, olhando os prédios e lojas com o olhar de uma criança.

Um quarto do caminho total havia se passado, e faltava pouco tempo para chegar em Boston. Emma sabia como encurtar a viagem o máximo possível e me perguntei como conhecia tão bem essas estradas. Ela abaixou um pouco o volume e começou a conversar com Ruby. Me senti uma completa idiota, uma deslocada e, o que me foi pior, tão enciumada que estava com raiva por ser ignorada daquela forma.

— E como vocês se conheceram? – Ruby quebrou o silêncio.

— Treze entrou na equipe do House para pegar a vaga que era minha. Quando saí, ela foi quem preencheu minha vaga feminina. Depois nos conhecemos melhor quando voltei a trabalhar no hospital, mas em outra ala.

A resposta de Emma foi seca, vista por mim. Ela havia me chamado de Treze e não Remy, assim como contado a história se passando por uma mera casualidade. Eu me peguei com medo de ter ferido os sentimentos dela por mim. De tê-la perdido, afinal, depois de tudo.

— Treze? Por que alguém teria um número como apelido? – A morena voltou a perguntar.

Cameron não respondeu, então senti que era a minha deixa para começar a participar da conversa.

— Muitos acreditam que o número 13 é o número do azarão.

A expressão de Ruby continuava tão confusa quanto antes.

— Por que te chamam assim? Você é... azarada?

Eu não pude deixar de rir com a pergunta da jovem, principalmente pelo modo infantil em que ela havia entoado a última palavra, parecendo estar com medo ou desconfiada.

— Quando abriram as vagas na equipe do House, ele fez uma espécie de concurso para preenchê-las. O número da minha inscrição era justamente o número 13. Eu não tinha nada para vencer, muito pelo contrário. Amber, uma outra mulher que ficou também para a final, parecia estar disposta a tudo pela vaga. Mas no fim ele escolheu a mim e não a ela, fazendo com que eu me tornasse a zebra da turma.

Enquanto falava, procurei no meu celular a foto que ainda mantinha ali, do meu primeiro dia naquela classe de malucos do House. Ao encontrar a foto, passei o celular para que a moça visse.

— Zebra? Espera, você é a Treze por causa da zebra? A zebra é azarada?

Agora a pergunta foi tão inocente que nem mesmo Emma conteve o riso. Ruby fez um pequeno bico e revirou os olhos, cruzando os braços na frente do peito, emburrada.

— Zebra é alguma coisa que está visivelmente derrotada vencer o oponente mais forte. Ok, vou te dar um exemplo figurativo: uma zebra geralmente é a caça de um leão. Quando uma zebra sai viva de uma disputa contra o rei da selva, ela é um azarão. Ser a zebra ou o azarão não significa não ter sorte, mas o contrário, é ter mais sorte que o favorito, mesmo com poucas chances. Por isso meu apelido ficou sendo Treze, por coincidência era o número do azarão, e de quem derrotou a favorita, que no caso era a Amber.

Vi o rosto de Ruby voltar a se iluminar quando ela finalmente entendeu o significado da expressão após toda aquela interminável explicação. A partir daí o ambiente ficou bem mais relaxado. Emma me dirigia a palavra vez ou outra para contar alguma pequena trivialidade e eu fiquei feliz ao notar que ela voltara a me chamar de Remy. Já Ruby adotara o apelido de Treze por achar interessante.

Assim que a tarde chegou, a cidade de Boston deu o ar de sua graça. Paramos para comer em um restaurante, Emma conhecia bem a cidade, foi ali que ela estudou medicina antes de voltar para StoryBrooke, como contou. Ruby estava maravilhada, demos uma volta para conhecer o lugar e, antes do anoitecer, Emma procurou um lugar para ficarmos.

Ela estacionou na frente de um pequeno prédio, dizendo ser um lugar mais barato e entramos. Um homem nos atendeu na recepção, eles pareciam se conhecer de longa data.

— Christian!

— Allison! Olha só quem está de volta.

Houve um abraço por cima do balcão e sorrisos fáceis. Ruby pareceu notar minha cara de poucos amigos, mas não comentou.

— Então, veio passar uma temporada na cidade?

— Não, hoje só vamos passar a noite. Amanhã saio cedo para voltar para casa.

— Tá certo. – Ele olhou por cima do ombro de Cameron, conferindo o número de pessoas e voltou seus olhos para a tela do computador. – Ih, Allison. Desculpa, mas só tenho dois quartos disponíveis. Sabe, aqui não é muito grande. – Ele riu, dando de ombros. De fato o prédio era pequeno, três andares apenas. – Não se importam de dividir um quarto né? São no mesmo andar.

— Tudo bem, é só dar uma chave pra mim e a outra para as duas.

Emma foi pega de surpresa pelo som da minha voz e estranhou a forma seca com que tratei o rapaz. Ruby tinha sacado bem mais do que ela e se intrometeu.

— Não, tudo bem. Eu fico sozinha, vocês duas ficam no mesmo quarto. Eu quero privacidade. – Ela riu.

Eu teria rido do olhar que Emma soltou para Ruby, se eu mesma não tivesse lhe fuzilado com um olhar parecido. A morena não se importou e o rapaz pareceu não notar.

— Ok, ok. Aqui estão. Chave 301 para a senhorita... – Ele se interrompeu, esperando que a morena lhe desse o nome.

— Ruby Luccas, por favor. – Ela apanhou as chaves.

— Certo. E para senhorita Allison a chave do 302. Terceiro andar meninas, boa noite.

Não havia elevador no prédio, de forma que subimos os degraus precariamente iluminados em alguns pontos. Ruby subiu correndo os degraus de três em três, parecia mais agitada que o normal.

— O deu nela?

— É a lua cheia, ela fica... mais rápida.

Ela notou a dúvida na minha face.

— Chapeuzinho Vermelho. A lua cheia. O lobo.

— Ah sim, claro.

Talvez meu tom tenha sido de desinteresse, pois notei que o olhar de Emma endureceu. Ruby nos aguardava diante da porta do quarto. Insisti outra vez com ela para que trocasse de lugar comigo, enquanto Emma abria nossa porta alguns metros à frente. Ela negou e se enfiou quarto adentro, me encorajando a aproveitar a noite e se despediu, fechando a porta devagar diante de mim.

Notas finais
O que vocês acham que vai acontecer nessa viagem? Comentários sempre bem-vindos. Beijão gente!