Uma Realidade Mágica!

9 Os sentimentos estão aflorando


Notas iniciais
Depois da tensão no hospital, nada como uns bolinhos da Vovó para reaproximar as pessoas. Será?

Treze’s POV:

O restante do dia passou sem que eu dissesse uma palavra sequer para eles que não fosse relacionada ao paciente e eu estava disposta a manter isso.

No fim do dia, a loira se ofereceu para me levar até em casa, eu dispensei, educadamente, pegando um táxi na frente do hospital. Encarei o “convite” de fazer bolinhos de Cameron como a desculpa esfarrapada que era, então não voltaria a casa dela naquele dia, talvez nunca mais voltasse, dar um tempo para aqueles meus desejos loucos se acalmarem.

Eram quase oito da noite quando ouvi a batida na minha porta. Estranhei a visita, ninguém ia a minha casa, de forma alguma, ainda mais naquele horário. Atendi, ficando surpresa com a imagem que vi diante de mim. Cameron estava ali, na minha porta, linda como sempre, toda arrumada, os cabelos soltos em ondas brilhantes como o sol, calça jeans, uma jaqueta preta por cima de uma blusa de botões com dois deles estrategicamente abertos e uma bota de cano longo marrom sobre a calça. Ela sorria e tinha nas mãos um saquinho de papel que me estendeu assim que me viu. O saquinho de papel era idêntico ao de bolinhos que vi na casa dela no dia anterior e tinha o nome Granny’s impresso em um dos lados.

— Já que você não apareceu, eu resolvi trazer isto pra você.

— Como encontrou minha casa?

— Foi simples, eu perguntei pra Cuddy sobre a sua ficha. Além do seu endereço, descobri mais algumas coisas, senhorita Hadley. Precisamos mesmo conversar.

Ela não esperou meu sinal, entrou no apartamento deixando o perfume inebriante no ar quando passou ao meu lado. Emma me olhou seriamente, tirou a jaqueta, fazendo meus olhos vagarem, inconscientemente, direto para os dois botões abertos de sua camisa. Sentando-se no sofá, ela largou a jaqueta num canto e bateu a mão no lugar ao seu lado. Não tive outra escolha, sentei-me ao seu lado e suspirei.

— O que quer saber?

Cameron’s POV:

Vi Remy sair do hospital às pressas, parecia estar me evitando, entrou dentro de um táxi qualquer e sumiu de vista. Naquele momento eu entrei outra vez e me dirigi diretamente até a sala da diretora Cuddy, batendo na porta.

— Se for importante, pode entrar.

— Cuddy, sou eu. Eu preciso de um favor.

A mulher de cabelos escuros levantou seus olhos azuis dos papéis que lia e me apontou a cadeira. Eu me sentei na ponta da cadeira, como um gesto de alguém que estava apressado e ansioso.

— E do que você precisa, Cameron?

— Teria como me arrumar o endereço da Dra. Hadley?

Cuddy ergueu sua sobrancelha em minha direção, talvez os comentários já tivessem chegado a ela, House não deixaria essa oportunidade escapar.

— Posso saber o motivo desse interesse?

— Eu a ajudei, no sábado à noite, queria conversar com ela, Cuddy, mas por causa do House ela agora está me evitando. Você sabe que ela está doente.

— Está doente, viciada e esperando por um julgamento para reaver sua licença médica.

A voz de Cuddy saiu dura e seca, quase como se estivesse incomodada com meu interesse pela Treze, mas ela logo se corrigiu.

— Eu gosto muito daquela garota, mas ela está me saindo ainda pior do que o House. Ele é inconsequente, autodestrutivo, traz pencas de processos a esse hospital, mas ele faz o trabalho dele melhor do que ninguém. A Dra. Hadley sempre fez o mesmo, mas ela tem agido de um modo difícil de tolerar ultimamente. Tenho quase certeza de que a doença dela está avançando mais rápido pela falta de interesse dela em se cuidar e se ela não ganhar a causa no comitê de medicina, terei que demiti-la.

— Talvez eu possa ajudar. Me dê o endereço, por favor.

— Tem certeza de que é isso o que quer, Cameron?

— Tenho, eu... eu me importo muito com a Treze.

— Eu percebi. Só espero que não esteja se deixando levar.

— O que está insinuando, Cuddy?

— Nada, eu só me preocupo com você Cameron, é uma excelente médica aqui, é uma boa mulher, é linda... você merece algo melhor do que tantos problemas.

Não entendi o motivo, mas o modo carinhoso como Cuddy me dirigia a palavra me incomodou. Ela parecia querer que eu desse atenção a ela e não a Remy. Quase como um sentimento de ciúmes. Talvez eu estivesse ficando louca. Remy estava mesmo me afetando, eu começava a imaginar que qualquer mulher estava flertando comigo.

— Cuddy, eu sei me cuidar. Só quero o endereço. Remy precisa de ajuda e eu estou disposta a fazer o que for preciso.

Com o endereço na mão, cortesia da Cuddy, que apostou tanto em mim quanto na própria Remy, voltei para casa, decidida a dar uma virada nessa história. Um bom banho para clarear as ideias e me vesti, queria chegar o quanto antes a casa dela. Passei na cozinha antes de sair, pegando um dos saquinhos de bolinhos da Vovó que trouxe comigo de StoryBrooke e levei.

Algum tempo depois e estava em seu sofá, olhava os olhos azuis de um desanimo pesaroso e mordi meus lábios. Ela abriu o saquinho e estendeu para mim, peguei um dos bolinhos e ela o outro. Houve um suspiro assim que eu perguntei.

— Eu quero saber o que está acontecendo com você.

— Nada. Nada de mais.

— Por que não me contou que está sem seu registro de medicina? Ou sobre o avanço da sua doença?

— Como...? – Ela pensou em perguntar, mas desistiu. – Não achei necessário.

Segurei sua mão com delicadeza, enquanto encarava os olhos azuis com firmeza, mostrando o quanto estava decidida.

— Eu quero te ajudar.

Ela riu. Mas não foi um sorriso feliz ou agradecido, foi um sorriso debochado, irônico.

— Me ajudar? Ainda com esse seu fascínio por doentes sem cura?

Eu vi nas palavras dela o espelho das palavras de Regina e House. O mesmo riso, o mesmo deboche. Aquilo me doeu por dentro de um jeito que eu não esperava. Talvez eu fosse mesmo uma maníaca desse tipo, obsecada por pessoas que sei que vou perder ou que tenho que ajudar. Afastei o pensamento e encarei-a outra vez.

— Não faz assim, Remy. Me deixa te ajudar, eu sei que posso.

— E como pretende fazer isso?

Naquele momento, com aquela pergunta ecoando em minha mente, reparei os lábios em forma de um bico teimoso em seu rosto, os olhos azuis faiscantes, em nada tendo seu brilho apagado pelas marcas das olheiras ali presentes. Eu não tive qualquer pensamento, foi por puro magnetismo que senti minha boca encostar nos lábios levemente ressequidos dela, por serem tão judiados, e ficarem úmidos ao contato com os meus.

O beijo durou bem menos do que eu pude perceber, senti a entrega emanar de seu corpo e, no entanto, por pura força de vontade, ela reprimiu o desejo de prosseguir e se afastou. Seus olhos azuis estavam cheios de desejo e culpa quando me viram de novo. Ela puxou o ar para dentro dos pulmões.

— Olha, Cameron, eu não quero usar você. Eu sei que não é isso que você quer, só está agindo assim por... – Ela hesitou, respirou fundo, como se houvesse uma grande mágoa naquelas palavras e continuou – porque estou doente e vou morrer. Porque você sente que precisa me ajudar.

— Me chame de Emma. E não, não é só por isso. Eu vou provar.

Aquelas palavras soaram no ar ao meu redor, tentando convencer bem mais a mim do que a ela. O que estava acontecendo comigo? Eu estaria mesmo gostando de uma mulher porque ela está doente? Não, não era só isso. Seria possível eu estar tão carente assim?

Notas finais
Espero que tenham gostado de mais esse capítulo, comentem sua opinião que eu ficarei feliz em responder. =) (Capítulo que eu dedico para a Tay, por ela adorar os bolinhos da vovó. kkkk)