Uma Realidade Mágica!

36 Notícia indesejada


Notas iniciais
Demorei um pouquinho, mas aqui está a atualização da fic. Ela está na reta final e, assim como no começo, ela ficará tensa, turbulenta, com os novos acontecimentos. Remy vai receber uma notícia que poderá mudar a vida do casal completamente. O que será que vai acontecer com elas? Boa leitura!!

Cameron’s POV:

Revirei-me na cama. O celular de Remy tocando havia me acordado e quando ela se levantou para atender, me perdi em pensamentos e lembranças. Dizem que, quando se chega ao fim, todos se lembram do início. Eu nunca havia dado crédito pra isso, mas talvez o destino estivesse tentando me avisar.

Seis meses. Naquela manhã fazia exatos seis meses que Remy e eu tínhamos nos mudado para StoryBrooke, junto da minha família. A mesma data que o nosso namoro começou, naquele quarto de hotel.

Flashback — Boston, seis meses atrás.

— Vamos, Emma! Estamos atrasadas. Ruby já deve estar cansada de esperar. – A castanha pegava a mochila que tinha como bagagem e jogava sobre o ombro.

— Calma, só falta...uma coisa. – Me aproximei dela, soltando a mala no chão e segurando em suas mãos, encarando os olhos azulados diante de mim. – Não quero que tenha sido apenas essa noite.

— Não será. Eu estou com você, desde que decidi deixar tudo pra trás e enfrentar o desconhecido, por mais louco que fosse, eu já sabia que era sua. – Ela acariciava meu rosto e tinha um sorriso nos lábios. – Eu amo você...e quero que seja, oficialmente, minha namorada.

Eu a abracei e beijei, saímos de mãos dadas e encontramos Ruby à nossa espera do lado de fora do quarto, com um olhar bastante sacana que nos deixou sem graça, talvez já imaginasse tudo o que tinha acontecido. No caminho para a cidade, a loba foi a primeira pessoa que ficou sabendo do nosso relacionamento de forma oficial.

StoryBrooke, dia atual.

Após a invasão do Hook ao quarto dela na pensão, dezessete dias atrás, decidimos que Remy iria dividir o quarto comigo na casa dos meus pais.

Treze ficou algum tempo ao telefone. Quando desligou, permaneceu afastada da cama, parecia tensa e distante. Acabei levantando, me aproximei por trás dela e envolvi sua cintura com os braços, deixando meu queixo repousar sobre seu ombro.

— O que aconteceu? Por que não voltou para a cama?

— Era a Cuddy. Recebi uma intimação. Marcaram uma audiência de julgamento. – Ela foi soltando as palavras de forma atropelada, eu conseguia notar o nervosismo e uma pitada discreta do medo que ela deveria estar sentindo. – Eu fui presa pelas drogas, Emma, tive minha prisão de seis meses declarada por isso, mas não fui julgada por ter matado meu irmão. Pelo que Cuddy disse, eles investigaram e, tenho certeza, estão ligando a morte dele a mim, o que não é uma mentira. Eu posso voltar para a prisão. – Ela suspirou e eu entendi muito bem os seus motivos.

Desde que chegamos à cidade, nossos celulares não receberam nenhuma ligação que não fosse dos moradores dali. Seis meses depois, a ligação da Cuddy mudou tudo de uma maneira drástica. Não só pela surpresa, como pela notícia. Seria a primeira vez que nos afastaríamos desde o dia daquele maldito assalto em que Remy entrou em coma.

— Tenho que estar em Princeton daqui a dois dias. – Ela disse num tom pesaroso e passou a mão pelo rosto.

— Mas...tão rápido? Por que a Cuddy não te avisou antes? Tínhamos planos para a sexta-feira. Prometemos ao Henry... – Ela me interrompeu.

— Eu sei o que dissemos, mas eu terei que ir. Emma, é a última chance que tenho de conquistar minha liberdade outra vez. Definitivamente. Se eu falhar... – Sua voz minguou e ela fechou os olhos, respirou fundo. Eu tinha certeza que ela se esforçava para conter as lágrimas.

Apertei mais os braços em torno da sua cintura, eu sabia o que aquelas palavras significavam. Suspirei, as lágrimas brotavam em meus olhos, mas me recusava a deixá-las rolarem pelo meu rosto, assim como ela. Eu não queria deixá-la mais nervosa.

— Eu vou com você. – Ela virou-se para mim, passei os braços agora ao redor de seu pescoço e ela me segurou firme pela cintura.

— Eu não pediria isso, Emma. Você deve ficar com sua família, com o Henry, deve ajudar seus amigos a encontrarem o tal de Hook. – Ela acariciou meu rosto, incomodada com a ideia de me deixar sozinha com um ex que era maluco. – Quero que fique. – Ela suspirou e encostou sua testa na minha. – Você pertence à StoryBrooke, pertence à esse mundo de contos de fadas... – Foi minha vez de interrompê-la.

— Você também é do meu mundo. E eu pertenço a você, Remy. Agora, mais do que nunca, eu tenho certeza disso.

Fashback — Antiquário do Sr. Gold, duas semanas atrás.

— O que quer com a gente, Gold?

— Tenho uma história para lhes contar, desde que as vi fantasiadas na festa do Henry. E posso fazer um pequeno teste, caso não acreditem. – Ele apontou-nos duas cadeiras de madeira, uma ao lado da outra, para que nos sentássemos.

O homem contou-nos a história do soldadinho de estanho, um brinquedo encantado que ganhou vida ao encontrar seu amor verdadeiro, uma bailarina de papel.

— Eu já conheço essa história. Neste mundo chama-se Soldadinho de Chumbo.

— Mortais, sempre mudando a veracidade dos fatos. – Ele deu um sorriso desdenhoso.

O homem continuou com sua história e então afirmou, com toda a certeza, que aqueles dois personagens eram Remy e eu.

— Está de brincadeira, Gold? Eu não sou do seu mundo. Eu nasci aqui, meus pais são realmente meus pais, eu tenho uma doença rara e genética vinda da minha família. Não tem como discutir quanto a isso. – A castanha estressou-se com tamanha bobagem.

— Eu não disse que não nascera neste mundo, senhorita Hadley. O que eu disse é que seu espírito não veio daqui.

— Explique-se Rumple. – Meu olhar naquele momento era de poucos amigos.

— Veja bem. Tanto o soldado como a bailarina eram objetos. Meros brinquedos que se tornaram encantados pelo...amor. A história dos brinquedos, como sabem, é triste. No entanto, sua querida Blue achou que eles deveriam ter a chance de viver seu amor verdadeiro. Naquela época, para os que tiveram conhecimento de sua causa, aquele fora o amor mais puro já surgido.

— O amor...mais puro? – Minha expressão era de dúvida e espanto.

— Um amor capaz de dar vida a objetos inanimados deve ser considerado o mais puro e poderoso de todos, Xerife. De onde acha que Blue tirou o encantamento que deu vida a seu querido amigo Pinóquio, por exemplo? O amor de vocês é mais poderoso e antigo do que o de seus próprios pais. – Ele apontou para mim, fazendo com que Remy também me olhasse, me pegando de surpresa.

— Como isso é possível?

— Branca de Neve era apenas um bebê de poucos dias, quando o fim trágico dos brinquedos aconteceu. Se ainda estivesse na barriga da rainha Eva, certamente seria ela a escolhida pelas fadas para conter o espírito da pequena bailarina. No entanto, tendo já nascido, uma nova profecia surgiu a mim: Sua filha seria a salvadora, aquela que carrega todo o poder de magia que o amor verdadeiro pode conceber.

Rumple apontou com a bengala em minha direção, tinha um sorriso maldoso em seu rosto, contava a história de uma maneira concreta, sem margens para dúvidas, mas parecia se divertir com nossas reações.

— E? – Ela parecia estar impaciente.

— E eis que o previsto aconteceu.

— Como vim parar neste mundo então? Seja específico.

— Jovens. – Ele desdenhou. – Você fora enviada para cá. Seu espírito estava com Emma o tempo todo. – Ele olhou em nossos olhos e então continuou, notando que não estávamos satisfeitas com a resposta. – Simples. O pequeno soldado, quando derreteu, formou uma poça de estanho em forma de coração. Esse coração foi encantado para conter seu espírito e guardado pelas fadas por muitos anos. Quando Regina me procurou, e lhe ofereci a maldição, eu sabia que tudo iria se concretizar. Snow concebeu uma menina, que fora presenteada pelas fadas com o coração de estanho, para que estivesse sempre ao lado de seu verdadeiro amor. – O homem pareceu entediar-se com a “história melosa” que contava e me encarou. – Ao ser colocada no armário e enviada para outro mundo.... – Ele fez uma pausa e apontou a bengala para Remy. – Você a trouxe junto.

— Mas, como nasci aqui, se eu era um espírito preso em um coração de metal?

— Me diga, senhorita Hadley, quais as consequências de sua doença? – Ele desviou o assunto da conversa, fazendo uma expressão de estranhamento surgir no rosto de Remy.

— Perda dos movimentos, do controle dos músculos do corpo, da mente. Falência dos órgãos. E então tudo para e eu morro. – Ela disse as últimas palavras de uma forma dura, aquilo era demasiado desagradável. – Mas, o que isso tem haver com o que está nos contando?

— É isso. – Eu já havia entendido onde Rumple queria chegar. – Sua doença, Remy. Ela iria fazê-la viver...como um boneco...outra vez. – Olhei surpresa para ela, forçando as palavras a saírem. — Ele deu de ombros ao ver nossa confirmação positiva. – Medicina é seu campo, não o meu. O fato é que, assim como o soldado, você nasceu para ser algo raro. – Outra vez a bengala foi apontada em sua direção.

— Por isso a doença, rara e com exatamente esses sintomas. Mas, se é genético, se poderia ter sido qualquer outra pessoa... – Suspirei. – Como tem tanta certeza de que é Remy?

— Por ela estar sentada aqui, neste exato momento, ao seu lado, Xerife. – Ele fez uma expressão de que aquilo era algo óbvio. – Significa que a mulher que encontrou o coração de estanho e o guardou estava destinada a carregar com ela seu espírito. Até o momento em que ficasse grávida de seu primeiro filho. Poderia ter sido um homem. Deixe-me adivinhar, é a mais velha, não é? – Ele sorriu ao ver a expressão de Remy, a forma como tudo caiu como uma bomba sobre ela e fez com que ele tivesse a certeza de que tudo que disse era verdade.

— Mas, poderia ser alguém que já tivesse filhos. Alguém que fosse estéril. Como...? – O homem a interrompeu.

— O primeiro filho após ter encontrado o coração. Você poderia ser a caçula, mas nasceria. Se fosse infértil, haveria um milagre. Lembre-se de que, mesmo não havendo magia neste mundo, aquele objeto já era encantado. Este mundo não produz magia, senhorita Hadley, mas ele a comporta perfeitamente bem.

StoryBrooke, dias atuais.

Remy fazia as malas. Ao seu lado, Henry e eu observávamos sem ter muito o que fazer. A mesma mochila que trouxera, agora voltava ainda mais cheia de coisas.

— Tem mesmo que ir embora? Sabe, vai ser legal o nosso passeio no fim de semana. Eu queria que você estivesse conosco.

— Eu sei, garoto. – Ela deu um sorriso torto e se aproximou de nós, abaixando-se e olhando Henry face a face. – Não fique assim. Teremos muitos outros passeios juntos, como os da feira. – Ela piscou para o menino.

— Então, se ganhar sua causa, você irá voltar pra StoryBrooke?

Ela demorou tempo demais para responder, em minha humilde opinião. Todos os segundos agora contavam como uma eternidade.

— Eu não conseguiria mais viver sem vocês. – Ela bagunçou o cabelo do rapazinho com a mão e olhou em meus olhos, ficando de pé outra vez. – Eu amo você, voltarei por você, não duvide disso.

— Eu não duvido. Eu te amo. – Eu a abracei, esmagando Henry entre nós, mas ele aproveitou para apertar forte em volta da cintura da castanha, num abraço de despedida.

Naquela tarde, a cidade estava silenciosa, mesmo estando com tanta gente reunida em um só lugar. Os únicos sons que se ouviam eram os das palavras de despedida e desejos de boa sorte, enquanto Treze abraçava, um a um, os moradores que a receberam tão bem. Uma única pessoa não estava presente ali. Regina havia sumido após a notícia de que Remy iria partir.

Treze’s POV:

Foi difícil deixá-los para trás. Ainda mais com a incerteza de se os veria de novo. Eu temia pelo fato de poder ser pressa e passar uma longa parte de minha vida na prisão, privada do amor de Emma e, pior, fazendo-a sofrer por isso também.

A loira me cedeu seu carro. Disse que o fusquinha amarelo e antigo que tinha deixado sob os cuidados do seu pai ainda lhe serviria bem. Após algum tempo discutindo sobre isso, eu resolvi aceitar. Eu teria dez horas de viagem pela frente, chegaria na manhã seguinte à Princeton, se não fizesse apenas uma parada durante a noite. Assim, teria tempo de me organizar até o dia do julgamento.

Dei uma última olhada em todos os rostos presentes, pertencentes a todos os amigos que eu havia acabado de abraçar. Meu coração se apertou ao notar que um rosto, em especial, não estava ali. Mary se aproximou de mim, um sorriso fraco nos lábios, assim como David, Emma e Henry, em busca de uma última palavra antes de eu entrar no carro e partir.

— Não fique magoada com Regina. Ela sofreu perdas demais nessa vida e não sabe lidar muito bem com elas.

— Quando você voltar, porque eu sei que irá, tudo ficará bem.

— Obrigada Mary, David. Sei que nem preciso pedir, mas cuidem muito bem da Emma, por mim. – Meu sorriso saiu igualmente fraco.

— Vou cuidar da Sunshine, tá bom? Não vou deixar ela sozinha. Quando você voltar, nós vamos cavalgar de novo.

— Obrigada Henry. – As palavras do menino fizeram meus olhos arderem ao tentar conter as lágrimas.

Finalmente, depois de um abraço coletivo na família de Emma, eu entrei no carro e rumei para a saída da cidade. Mas, a meio caminho de chegar na fronteira, eu dei meia volta. Tinha um lugar que eu precisava ir antes de partir. Um lugar que estava me chamando: O estábulo.

Entrei com o carro pelo portão, fui recebida pelos rapazes que trabalhavam ali, tinham ficado sabendo da minha viagem e vieram se despedir. Após agradecê-los e me despedir, fui em direção à baia de Sunshine. Ela aproximou-se de mim ao me ver e esfregou o focinho em meu rosto, me fazendo sorrir e abraçar seu pescoço. Disse algumas palavras sussurradas ao animal e depois a soltei.

— Você ficará bem, garota.

A minha próxima parada foi a baia de Rocinante. E, como eu previa, encontrei Regina ali, sentada sobre o feno prensado e acariciando o focinho do animal.

— Regina? – Me aproximei com cuidado, não queria assustá-la.

— O que faz aqui? – Ela me olhou, apesar da dureza das palavras, vi em seus olhos uma tristeza e amargura estampadas.

— Eu vim me despedir. Não iria embora sem antes me despedir de você. – Me aproximei, entrando na baia e procurando um local para me sentar ao lado dela.

— Faça uma boa viagem, senhorita Hadley. E boa sorte em seu julgamento. – Ela soltou o focinho que acariciava e o animal deu uns passos, indo em direção ao comedouro.

— Por que me trata assim, Regina? Eu não estou indo porque quero. É preciso. E eu voltarei se puder.

— Eu sei, mas e se não puder? – Agora eu podia ver as lágrimas que faziam seus olhos brilhar. Eu não conseguia responder essa pergunta.

— Vai ficar tudo bem. – Foi o máximo que consegui dizer, que não soasse como uma mentira.

— Tudo que eu sempre quis foi ser tratada como Regina Mills, como uma mulher normal, ter amigos, uma família e alguém que amasse. Tudo isso, aos poucos, me foi tirado. É a única que nunca me julgou. A única que nunca me temeu, que apenas me respeitou. Agora, você irá embora. Se não voltar, eu serei excluída outra vez.

— Não diga besteiras. – Eu a encarei. – Você tem o Henry, ele é seu filho, nada irá mudar isso. Você se tornou alguém melhor, Regina. Veja tudo o que fez. Emma confia em você agora, ela sabe que pode confiar sua vida a você. E você pode confiar a sua a ela. Você e...Branca de Neve...conseguiram, enfim, se entender. – Eu sorri com o canto dos lábios. – Não precisa deixar de ser quem é, basta buscar motivações melhores.

— Snow White, não sei como conseguiu essa magia que está usando, mas saia já do corpo da minha amiga.

Acabei soltando uma gargalhada com o que Regina falou. Realmente, aquelas eram palavras que caberiam melhor saídas da boca de Mary Margareth. Meu riso finalmente fez com que ela sorrisse também.

— Eu vou voltar. E, quando fizer isso, quero encontrá-la em seu próprio final feliz. Ou você pensa que eu não sei sobre seus sentimentos pela Ruby? – Pisquei para ela, novamente rindo ao constatar que a prefeita corava, surpresa com a novidade.

— Não crie ousadias demais, senhorita Hadley, lembre-se de que eu ainda sou a Rainha. – Ela ergueu o queixo e abriu um sorriso perverso e malicioso em minha direção. Sim, Regina nunca perderia sua pose de rainha. Ou mesmo a fama de Evil Queen que conquistou no passado. Mas eu sabia que, em seu futuro, ela seria aceita simplesmente como a Regina Mills que sempre quis ser.

— É claro, Majestade. – Fiz a ela uma reverência exagerada, ainda rindo.

Foi nesse clima descontraído e sem dizer, em momento algum, a palavra adeus, que eu me despedi de Regina e voltei ao carro para seguir viagem.

Notas finais
E aí galera, já está começando a bater aquela nostalgia? Em mim já, e, pelo visto, até em Emma. hahah O que acharam do capítulo, mereço seus adorados reviews? *_*