Uma Realidade Mágica!

2 De volta ao passado


Notas iniciais
A verdadeira origem de Cameron está em um lugar bem diferente do que se possa imaginar. Esse capítulo eu dedico para minha xará Thaís Fungaro, que foi quem me deu a idéia de juntar as duas séries em uma fanfic e a primeira pessoa a ler o esboço. Valeu!

Cameron's POV:

Quando terminei meu casamento com Robert Chase, fui obrigada a fazer muitos outros planos, manter muitas opções em mente, alguns outros hospitais em vista para um novo trabalho, a mudança pra outro apartamento, mas não fiz nada do que havia planejado.

Em vez disso, decidi me reaproximar das minhas “origens”. Fui para StoryBrooke, Maine, onde mora minha família e grande parte de todos os conhecidos que tenho na vida. É quase impossível alguém de lá não se conhecer.

StoryBrooke não é minha terra natal, porém foi onde meus pais fixaram residência há muitos e longos anos e, apesar de ter tido uma infância conturbada, voltei pra lá assim que acabei a faculdade de medicina, eles precisavam de mim na cidade. Ou talvez eu precisasse deles, precisasse encontrá-los. Depois de tudo resolvido, não me vi morando em outro lugar, mas acabei deixando o lugar quando recebi o convite para trabalhar na equipe do House.

Se passaram três anos, praticamente quatro, desde que eu chegara à cidade outra vez. Tive dois namorados nesse meio tempo. Um faleceu de um problema no coração, cerca de um mês depois de começarmos o namoro. O segundo, com uma peculiar mão amputada, que fora meu paciente no hospital local, também acabou após um longo ano.

Eu ocupava meus dias dentro do pequeno hospital, atendendo alguns cortes e arranhões, nada complicado, nada a decifrar. Passava muitas horas lendo os mais variados livros de histórias infantis que eram disponíveis com muita facilidade na biblioteca local. Porém, aquela calmaria começava a me incomodar, eu gostava de ação, agir no limite do tempo, no âmago das decisões arriscadas que poderiam salvar uma vida. Entretanto, a cidade ainda guardava algo maior que seu segredo geral, o meu próprio: Henry, um filho que tive em uma época imatura de colégio, um filho que tive com um pai que morreu de câncer, antes que ele nascesse. Uma criança que eu não pude criar por mim mesma.

Meus pais se orgulhavam de mim, admiravam minha carreira e dedicação, já a minha avó, não exatamente avó, a madrasta da minha mãe, achava que eu tinha um fascínio doentio por pessoas com problemas de saúde.

Regina e eu nunca fomos exatamente amigas, mas ela me ajudou mais do que ninguém, mesmo que não quisesse. Ela cuidou do meu Henry, ela o criou. Embora se ache muito mais mãe dele do que eu e tenha desenvolvido um apego obsessivo pelo menino, hoje conseguimos nos dar melhor do que aquele primeiro dia em que apareci na cidade, com um fusquinha amarelo, uma jaqueta de couro vermelha e muita teimosia.

Acabei por lembrar do médico manco, aquele homem sem moral alguma, por quem já cheguei a me apaixonar, também cheguei a ter raiva, mas me tornou a profissional que sou hoje. Lembrei da minha vida em New Jersey, da correria dos dias, até mesmo o cansaço dos plantões, inexistentes em StoryBrooke, já que a cidade tinha muito poucos incidentes graves e, mesmo que algo inesperado acontecesse, bastava ligar para o médico ou correr chamá-lo em sua casa, todos se conheciam, isso permitia a liberdade de incomodar a qualquer hora, em caso de necessidade.

Suspirei, olhando a forma como eu estava em minha mesa, os pés apoiados sobre a madeira de sustentação da mesa, a cadeira levemente reclinada, um livro em mãos, agindo despreocupadamente. Notei a semelhança com o modo que House agia em sua sala, muito embora lá os casos fossem, em sua maioria arrasadora, de vida ou morte ou mesmo contra o tempo. Respirei fundo e me ajeitei, estava decidido.

— Emma, tem mesmo que ir, filha? Está tão bom você aqui, ao nosso lado.

Era só ali, naquela cidade, com aquelas pessoas, que ouvia tão frequentemente o meu nome do meio.

— Eu virei visitar, mãe. Quando possível.

— A última vez que me disse isso, você se casou sem sequer mandar os convites. Se separou e nem cheguei a conhecer o seu noivo.

— Quando for me casar de novo, prometo que mando os convites.

Para mim o assunto acabou ali, continuei arrumando minhas malas enquanto minha mãe fazia recomendações e me dizia que sempre estaria ao meu lado, com o jeito meigo que sempre teve. Falando de Henry, que eu não deveria demorar para voltar a vê-lo.

Alguns dias depois, já com as malas prontas, me despedi de Mary Margareth e James, meus pais, assim como de Regina e Henry, meu filho que estava triste e, ao mesmo tempo, animado com a ideia de poder passar uns dias comigo, longe de StoryBrooke, fazendo Regina apertá-lo contra seu corpo, mas o soltou em seguida, para que ele me desse um forte abraço. Eu a agradeci por tudo, confiava nela, não tinha como negar, depois de tudo o que passamos, ela não era mais tão má assim. Éramos uma família estranha, todas nós com pouquíssima diferença de idade e, minha mãe, para quem a via pela primeira vez, talvez lhe parecesse mais como minha irmã, já que não demonstrava em nada ser uns 16 anos mais velha que eu. A diferença entre ela e sua madrasta era ainda menor, talvez uns dois ou três anos apenas.

Embora meu pai tenha me dito que eu levasse meu velho fusquinha amarelo na viagem, eu decidi voltar à New Jersey de avião. Seria o dobro do caminho que eu costumava fazer com aquele carro até Boston e não queria arriscar. Ele não encarou como uma falta de educação ou nada parecido, ficou feliz, pois teria ali uma lembrança da filha, de bons tempos aqueles que se passaram.

Um táxi até o aeroporto, um avião e em algumas horas eu estava de volta ao meu antigo apartamento, em Princeton.

Notas finais
Espero que gostem da iniciativa, qualquer dúvida, qualquer sugestão, crítica, fiquem a vontade para comentar.