Uma Prova de Amor
17 Capítulo 15 - Feelings
Capítulo 15 – Feelings
- Oi, Ângela! – Bella dissera a amiga pelo telefone. – Pode informar ao Dr. Roger que Carlisle convocou uma reunião de emergência na diretoria?
“Posso sim, Bella. Obrigada. Vai sair para almoçar?”
- Sim, nos encontramos no elevador em cinco minutos. – Bella marcou, antes de desligar.
Carlisle andava apressado pelos corredores, sempre que passava próximo alguma enfermeira tinha que lhe dizer para procurar sua secretária ou então assinar algum papel e dar uma explicação rápida sobre um determinado caso em sua ala. Ele já estava atrasado. Tinha marcado uma reunião para exatamente meio dia e já se passaram dez minutos.
Ele entrou no elevador e subiu para o 25º andar, onde toda a ala administrativa do hospital estava concentrada. Ele, como um dos diretores daquele hospital tinha que lidar com muitos problemas, entre eles, um clássico desvio de dinheiro que era proveniente do estado, para arcar com despesas que patrocinadores e empresas terceirizadas não poderiam arcar. O problema já estava lhe dando prejuízos e, desde o começo do ano não havia conseguido descobrir quem era o fraudador.
Haviam quatro médicos reunidos na sala de reuniões, entre eles estava Roger, o cardiologista; quando Carlisle chegou, cumprimentou a todos e se dirigiu ao seu lugar, próximo a mesa oval de tampo de vidro. A sala estava com todas as persianas abertas e uma luz fria do sol entrava e, lá fora, era possível ter uma vista magnífica da cidade inglesa.
- Diga-nos que você tem uma pista. – Um dos médicos disse.
- Talvez eu tenha. Mas não faço a mínima idéia de como faríamos para descobrir de que ala vem estes números. – Carlisle espalhou algumas folhas na mesa. – Há alguns dias, quando eu pedi a vocês que monitorassem as saídas de caixa de suas alas, descobri que o desvio não estava concentrado aqui, e sim noutra ala. Minha secretária, juntamente com a do Roger, conseguiram acesso às quantias que estão sendo desviadas.
- Precisamos agir imediatamente. Talvez se conseguirmos mexer na parte virtual de toda a administração do hospital...
- Não creio que irá ajudar muito, Dr. Mattos. – Um dos outros respondeu, andando de um lado para o outro. – Se for um hacker, poderá entrar novamente e o ciclo irá continuar, temos que usar as mesmas armas que ele.
- Então marque uma reunião com alguém do setor de TI e peça para comparecer a minha sala hoje, sem falta, às quatro horas. Quero que ele vasculhe todo o sistema e nos diga quem é o responsável pelo desvio e seus cúmplices. – Carlisle declarou.
Passado alguns instantes, eles tornaram a discutir sobre o que fariam para reaver o dinheiro desviado, porque, uma vez que não estava mais nos caixas do hospital, era impossível ter novamente, toda aquela quantia. Então, cerca de uma hora depois, ficou estabelecido que, após conseguirem identificar o infrator – e após as devidas formalidades, como prisão e processo -, seria aberto algum tipo de programa beneficente para que a população ajudasse a arrecadar o dinheiro que faltava ao hospital.
Eram três e meia quando ele estava saindo da sala de reuniões e Eric, o jovem tipo nerd, de traços orientais e cabelos escuros, entrou na sala. O médico encarou-o, medindo-o de cima a baixo, só para ter certeza de que aquele era o cara de quem falavam.
- Mandou me chamar, Dr? Vim o mais rápido que pude.
- Sim, Eric. Obrigado. – Ele sentou-se novamente.
- Fiquei sabendo de um desvio. O que está acontecendo?
- Preciso que investigue todo o sistema do hospital, vasculhe cada canto e descubra que funcionário está por trás de todo o desvio. Não tenho cabeça para pensar nisso agora, eu lhe daria algum idéia, mas tudo o que temos está nesta pasta. – ele empurrou em direção ao garoto. – Espero que eu possa confiar em você.
- Com certeza, Dr.! É de centenas de pessoas que estamos falando, não é? Pessoas dependem desse lugar. – Ele disse empolgado. – Eu vou vasculhar, mas vai levar algum tempo para que eu possa conseguir acessar cada ala.
Eric começou a folhear a pasta, passando os olhos rapidamente pelas folhas. Carlisle perguntava-se se ele estava lendo realmente, se estava apenas fingindo ou se aquilo eram traços de memória fotográfica.
- Suas secretárias fizeram bem o trabalho, pelo menos livraram a diretoria, o que é bom. – Ele comentou.
- Sabe como fazer?
- Sei, claro. Preciso apenas de tempo, não tem como fazer com pressa. Para evitar isso, eu posso apenas direcionar cada ação que esteja relacionada ao banco para meu computador, assim eu vou poder saber de onde vem... Entretanto...
- Você terá que aprovar cada uma dessas ações.
- Basicamente. Acha que pode designar alguém para que eu possa entrar em contato sempre que for necessário?
- Irei passar a você uma lista com os nomes, ramais e telefones de quem você poderá entrar em contato, incluindo a mim. – Carlisle sorriu. – Obrigado, Eric, preciso ir agora. Minha secretária lhe enviará um e-mail.
Carlisle saiu da sala e deixou o jovem analista revendo aqueles dados. Eric, depois de cerca de meia hora, voltou a sua pequena sala no mesmo andar e espalhou todos aqueles papéis pela mesa, obviamente, tentando ver onde estava o problema. Entretanto, identificar uma fraude e, conseqüentemente, seu fraudador não era tão fácil. Talvez existissem mais pessoas envolvidas, talvez existissem dados que não deviam cair em mãos erradas, por assim dizer, ou talvez apenas fosse uma pessoa, inteligente o suficiente para saber cada passo de cada pessoa importante naquele lugar.
“Inferno.” Pensou Eric, antes de se fechar em seu cubículo.
Bella
Eram quase oito horas da noite e, pela primeira vez, eu estava ansiosa para que meu turno acabasse. Fazia cerca de dois dias que eu mal comia, mal dormia ou pensava, felizmente, eu conseguia deixar algumas coisas de lado e me concentrar no momento.
A sra. Pembrose estava no quarto da filha, as duas sorriram quando entrei. Amanda – Mandy – Pembrose estava com os cabelos curtos, feito um menino, pois seus fios já estavam finos e seus folículos capilares não agüentavam segurar a raiz, devido ao alto índice de química no corpo da menina. Entretanto, os olhos dela brilhavam e ela tinha uma resistência incrível... Estava corada e forte.
- Até que gosto do cabelo curto. – Ela disse.
- Você ficou bem. Felizmente, tenho boas notícias hoje. – Peguei a prancheta e parei em frente aos aparelhos da menina. – Em menos de dois meses você poderá ter alta, Mandy e vai entrar em rescisão.
- Isso é bom, vou voltar para a escola, certo?
- Claro! – Acrescentei.
Anotei na prancheta minha passada pelo quarto e como os números dos aparelhos estavam; em seguida entreguei a Sra. Pembrose os resultados dos exames e saí do quarto. Encontrei com Jane e seu irmão, andando pelo corredor do hospital.
- Você podia me contar sobre a nossa família. – Jane pediu a Alec, enquanto estavam sentados num banco perto das janelas do andar da oncologia.
- Do que você se lembra? – Alec perguntara, num inglês perfeito, porém com um ligeiro sotaque nos “r’s”.
- Não muito. Eu me lembro de Aro e dos meus pais, e de uma casa enorme que eu vejo em meus sonhos. – Ela disse baixo. – E lembro dos meus pais, porque tenho uma foto deles em casa. Ou pelo menos tinha.
- Marcus Volturi era o filho preferido de Aro, até ele encontrar com uma moça que trabalhava numa feira em Volterra, Didyme. Eles se casaram e então nós nascemos. – Alec contara. – Mas Aro nunca gostou de Didyme, apenas de nós dois.
- Ele é uma boa pessoa. Didyme não era. – Jane constatou. – O que aconteceu depois?
- Didyme voltou comigo, eu tinha 4 anos na época. Só que quando ela voltou, percebeu que as coisas tinham mudado. Aro tinha mandado você estudar numa escola em período integral, porque Marcus estava muito ocupado com a empresa que não estava indo bem. Foi nessa época que Heidi chegou. Ela era a secretária executiva de Aro e conheceu Marcus numa dessas reuniões. – Alec encostou a cabeça no vidro e suspirou. – Didyme já não era mais tão bem vinda assim, Aro só a deixava viver lá, porque ela cuidava de nós dois. Só que quando Marcus anunciou que pediu o divórcio, ela surtou e fugiu, num dia buscou você na escola, logo cedo e desapareceu. Você e eu tínhamos 6 anos.
- Eu me lembro. – Ela sibilou, olhando para suas mãos, bem pálidas. – Nós viemos para Londres, ela passou a viver com Lorenzzo, meu avô, e então Nills Burjman, um advogado do meu vô, passou a morar conosco. Nessa época Margaretta, minha avó, tinha falecido.
- O que houve então?
Jane tremeu.
- Didyme morreu alguns meses depois que Margaretta. Só ficaram Lorenzo e Nills para cuidarem de mim, que até então tinha dez anos. – Ela respondeu. – Só que Nills e Lorenzzo só estavam interessados no que eu poderia lhes dar... eu fiquei, desde que cheguei em Londres até pouco tempo atrás, vivendo como uma gata borralheira.
- E como chegou aqui?
- Não sei. Não me lembro. – Ela deu de ombros. – Isso importa?
- Na verdade sim, mas agora não. Nós vamos voltar logo para Itália. Você vai gostar de lá. – Ele assinalou. Em seguida seu olhar seguiu para a pessoa que vinha do fundo do corredor iluminado. Era Isabella.
- Caminhada? – Perguntei aos dois.
- Sim. É bom ela andar um pouco. – Ele disse sorrindo. – Quer voltar?
- Claro. Bella, poderia pedir para que não me mandem gelatina? Eu odeio gelatina.
- Vou pedir um mousse de chocolate para você, tudo bem? – Sorri com o pedido dela. Embora dar regalias a alguns pacientes não fosse adequado, eu ainda me simpatizava muito mais com ela do que com qualquer outro paciente. Eu sabia que era o sentimento errado, mas era impossível evitar. – Preciso ir, venho ver você com mais tempo amanhã, tudo bem?
Jane pareceu hesitar, pensar por alguns instantes. Ela parou em frente à porta do quarto, virou-se e ficou encarando-me.
- Você está bem?
- Muitos problemas, Jane. – Respondi. – Não se preocupe.
- Ei, B. Posso voltar no orfanato qualquer dia desses?
- Claro. Até amanhã, Jane.
Quando voltei ao escritório, Carlisle escrevia compenetradamente em sua agenda. Assim, apenas avisei-o que iria embora. Ele assentiu e eu saí.
O ponto de ônibus, as oito e quinze da noite estava com pouco movimento, então, não tive dificuldade para pegar o primeiro ônibus que parava na avenida próxima ao apartamento. Meia hora depois eu estava em casa.
- Bella, não te vi chegar, está tudo bem? – Alice entrou em meu minúsculo quarto e sentou-se na beirada da cama.
- Estou enlouquecendo. Não consigo fazer nada sem pensar em toda a conversa com Edward, Alice. Eu agi certo ao dizer a ele que não confiava nele? Que ainda o achava o traste que ele era e que não acreditava em mudanças de uma hora para a outra? – Disse de olhos fechados, deitada sobre a cama.
- Você apenas disse o que sentia, o que você acredita. Não fez mal. Ele era o errado da história, não você. – Alice hesitou por alguns instantes. – Você não vai conseguir evitá-lo por muito tempo, sabe. Uma hora vai ter que falar com ele.
- Eu sei. E estou com medo de como eu posso agir. – “Estou com medo de que eu possa não me sentir da forma como falo”, acrescentei mentalmente.
- Vai dar certo, seja o que for. E sabe de uma coisa? Edward Cullen só é daquele jeito porque perdeu alguém, foi a forma que ele encontrou de superar; assim como eu, você e todos aqueles que perderam alguém... Nós encontramos formas diferentes de lidar com a dor e a perda, Bella. – Ela dizia séria. – Eu sei que disse que ele era um traste e que todos aqueles riquinhos não mereciam nada, mas eu estava errada.
- Alice Brandon. O que aconteceu entre você e Jasper há dois dias atrás que você ainda não me contou? – Ergui uma sobrancelha.
Instantaneamente, Alice foi mudando de cor e, de rosa, passou à vermelho, verde, branco e, então, voltou ao vermelho cotidiano.
- Acho que Jasper é uma boa pessoa. E pensando em como Jasper é, não faz sentido Edward ser um canalha, ele preza demais sua amizade com Jasper Hale. Eu não sei o que estou dizendo, nem sei se é verdade ou se estou sã o suficiente... Só sei que...
“Sim, quando meu mundo está caindo aos pedaços
Quando não há luz para quebrar a escuridão,
É quando eu olho para você.”
- Só sei que meu mundo gira, para e balança. É quando eu penso em toda a minha vida eu a vejo em preto e branco, mas quando eu penso nele... Ai, Bell... É como se tudo ficasse colorido, como se eu visse meu futuro ao lado dele. Como se eu sempre soubesse que ele estaria lá, me esperando.
“Quando eu olho para você
Eu vejo perdão, verdade.
Você me ama por quem eu sou”
Oh deus, foi só o que consegui pensar quando ouvia Alice dizer cada uma daquelas palavras com uma convicção que eu jamais tinha visto nos olhos dela. Eu via aquele brilho estranho e aquele sorriso bobo que ela fazia cada vez que mencionava o nome de Jasper Hale e, conhecendo Alice, eu sabia que ela estava levando aquilo a sério demais. Restava apenas saber se Jasper estava fazendo o mesmo.
Edward
- Em que está pensando? – Emmett me perguntou, quando estávamos sentados numa mesa no grande refeitório da London College.
- Em muitas coisas. – Respondi.
“Eu estou perdido
Eu sou inútil
Eu nunca serei o mesmo sem você.”
- Deixa que eu digo. – Ele replicou. – Você está confuso desde que soube de tudo. Está se sentindo culpado e não tem certeza se quer encarar Isabella de frente, porque não sabe se ela vai corresponder ao que você sente por ela.
- O que eu sinto por ela, Emmett? Por favor, me responda. Você e Jasper sempre foram os mais simples, resolviam tudo rapidamente, nunca houve complicações. Me diga o que sinto, o que devo fazer.
- Oras, Ed. Você sabe o que sente. Não consegue perceber?
Pousei a cabeça sobre meus braços na mesa e fechei os olhos. Por que tudo era tão complicado? Fiquei em silencio, sabendo que Emmett não procuraria conversar, ele iria esperar que eu encontrasse minha resposta.
Eu tinha sido um inútil e, desde que eu começara a trabalhar ao lado de Isabella, no caso de Jane, eu tinha me tornado – pelo menos naqueles momentos – alguém que tinha um propósito na vida, alguém que sabia que aquilo era o certo e que se contentava em ver o sorriso e as lágrimas de felicidade nos olhos de uma garota e de uma jovem médica.
Porque eu tinha sido tão hipócrita? Por que eu não a escutara da primeira vez e, de uma vez por todas, tinha poupado todo esse sofrimento?
Eu tinha perdido meu irmão, doloroso, sim, entretanto, Isabella tinha perdido muito mais do que só uma irmã. Eu não podia imaginar como seria ser abandonado e ter que começar tudo do zero... Mas mesmo assim ela continuava lá, forte, sobrevivendo. Por que eu não segui o seu exemplo?
- Agora você entende, não é? – Ouvi uma voz feminina.
- Rosalie.
- Você nunca se deu conta, Edward, que palavras machucam mais que ações. – Rosalie dizia, enquanto entrelaçava seus dedos aos de Emmett. Naquele instante eu percebi o que faltava em minha vida. – Você nunca deu importância para o que os outros iriam pensar de você, mas também não deu importância a você mesmo. Você machucou e saiu machucado.
- Sou um idiota.
- É mesmo. Tenho que concordar. – Emmett resmungou. – Todos entendemos sua perda, todos nós TEMOS nossas próprias tragédias, Ed. Todos nós, sem exceção.
- Como sabe que ele é o homem da sua vida? – Perguntei a Rosalie.
- Eu só sabia. Foi como... Ação da gravidade.
- Quando você vê, de repente não é mais a terra que está te segurando aqui. Ela te segura. E nada importa mais do que ela. E você faria qualquer coisa por ela, se tornaria qualquer coisa por ela. – Emmett interrompeu.
- É como se um cego visse o sol pela primeira vez, como um colecionador achando um Da Vinci desconhecido. Como uma mãe vendo o rosto de um recém-nascido pela primeira vez. – Rosalie acrescentou, encarando-o. – Eu só senti, Edward.
- Preciso ir. Preciso ficar sozinho.
Deixei que eles ficassem sozinhos e fui em direção a saída. Meus passos eram largos e eu trombava com alguns alunos, conforme passava por entre alguns corredores, até chegar à entrada principal e então ao estacionamento. Entrei no volvo e segui sem rumo.
Eu estava perdido e sem rumo; e talvez o pior, que eu demoraria a admitir, todos estavam certos e eu estava errado. Mas por mais que eu tentasse, eu continuaria perdido e sem sabe para onde ir ou o que fazer.
Notas finais
Desculpem a demora em postar. Foram mais de dez dias sem post, o que normalmente não acontece. Porém, estou tão atarefada com a faculdade, que ultimamente quando entro na internet - apesar de entrar todos os dias - não tenho paciência nenhuma para escrever uma linha sequer, ou para vir aqui postar.
Mas a espera acabou. O capítulo chegou, a Jeh já revisou os capítulos 16 e 17, pelo menos para o feriado e ela já começou a revisar uma fanfic que vou postar em breve. E, é justamente por isso, e outros detalhes, que não vou prolongar muito esta fanfic. Estou ficando cada vez mais ocupada e não quero que fiquem muitas histórias em hiatus e eu acabe tendo que abandoná-las.
Espero que tenham gostado desse capítulo. Comentem, se possível, recomendem.
Beijinhos,
@ninaxaubet >follow.
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