- Mamãe! Papai! Olha!

- Ah, essa seria nossa família, filha?

- Sim, papai! Olha aqui é você, depois a mamãe, eu e a Cassie!

- Está tão bonito! – elogiou mamãe – Você quer ser artista quando crescer, não é Amanda?

- É! – respondi com um sorriso enorme no rosto.

- Porque não mostra pra sua irmã?

- Tá bem, pai!

Saí escada acima procurando a Cassandra. Achei ela no nosso quarto.

- Essa sou eu, Amanda? Eu to linda! Você tem que ser artista.

- Jura?

- Aham!

- Que bom! Porque eu realmente quero ser uma!

- Faz outro desenho meu!

- Okay! – eu fui pegar meu lápis de cor, mas de tanto apontar já estava tudo bem pequeno – Ah, Cassie! Eu preciso de uma nova caixa de lápis de cor!

Como papai e mamãe estavam ocupados, decidi ir sozinha. Peguei o dinheiro e andei três quadras até a loja. Quando estava voltando eu vi um carro de bombeiros indo pra minha rua. Foi a corrida mais rápida que fiz em toda a minha vida. Cada vez que estava mais perto, mais fumaça eu via. Até que estava em frente a minha casa, do lado do caminhão de bombeiros.

- Mãe! Pai! Cassie! – comecei a correr em direção ao incêndio, à minha casa.

- Não, você não pode menina! – um bombeiro me agarrou.

- Mas toda minha família está lá dentro! – eu disse aos berros

- Não, se você entrar você vai se queimar! Nós vamos salvar sua família.

Finalmente parei de me debater nos braços do bombeiro. Tudo que pude fazer foi ficar assistindo a este show de horrores. Quando eles finalmente conseguiram controlar o fogo, pude ouvir o chefe dos bombeiros conversando com seu auxiliar:

- E agora, o que a gente vai fazer com a garota?

- Antes de qualquer coisa temos que descobrir como contar pra ela essa tragédia.

- Que tragédia? – perguntei com os olhos inchados.

Ambos olharam pra mim. O chefe começou a falar:

- Sua mãe e irmã... Não sobreviveram.

- E papai? – disse recomeçando a chorar.

- Ele está gravemente ferido, está sendo levado pro hospital agora.

Minhas lágrimas agora correm livremente, e toda a dor que eu sentia ia embora junto com elas. Lembro que tive que implorar pro bombeiro para ser levada ao hospital, mas ele dizia que não me faria bem ver meu pai naquele estado. Finalmente ele cedeu, e fui levada as pressas pro hospital num carro de polícia.