— Mamãe, eu… — Emma tentou se explicar, todavia, as palavras pareciam presas na garganta.

— Você acha pouco os problemas que temos? — indagou Ingrid. — Você faz ideia do que as pessoas estão falando nesse exato momento? De você, de David, de Regina…da nossa família!

— Eu não ligo para o que dizem…

— Mas eu sim! E estou me cansando das suas atitudes inconsequentes! — ela exclamou, num tom exaltado.

— Como eu poderia adivinhar que alguém estava nos fotografando?

— Você não tem que adivinhar nada! Você estava em um lugar público e sabia perfeitamente que correria este risco! Seu irmão ficará magoado porque apesar de tudo, Regina ainda é esposa dele e não tiveram sequer a consideração de esperar o divórcio sair!

— Tem razão, mamãe…desculpe. Eu realmente fui inconsequente, mas não foi proposital. E foi apenas um beijo, não aconteceu nada mais entre nós…

— Eu acredito, mas as pessoas lá fora não. Estão até chamando de relacionamento extraconjulgal.

— Aconteceu alguma coisa, mamãe? — David perguntou, e como ninguém respondeu, ele pegou o jornal acomodado sobre o braço do sofá.

— David, não foi proposital…eu…

— Está tudo bem, Emma. Regina e eu já estamos nos divorciando mesmo — ele falou, atirando o papel sobre o estofado. — Bom, eu estou indo para o escritório…quero deixar tudo organizado para quando você assumir o cargo. Até mais tarde, mamãe — acrescentou, beijando-lhe o rosto. — E não se preocupem com isso…as pessoas hoje em dia pagam por uma fofoca — dito isso, ele se retirou.

Enquanto dirigia rumo ao escritório, David não escondia o sorriso de satisfação ao se dar conta de que tudo começava a acontecer conforme o planejado. Embora não fosse agradável ser motivo de piadas perante os amigos, o papel de marido traído seria um ponto positivo para ele diante de todos, especialmente diante de Ingrid que repreendera duramente o comportamento de Emma.

— Em breve os papéis se inverterão, irmãzinha…você passará de heroína a vilã, e eu serei apenas sua vítima, aguardando ansioso na primeira fila só pra te ver cair bem de perto…

Ao longo do percurso que levava até sua sala, David percebeu alguns olhares curiosos em sua direção, o que significava que todos já estavam a par da “traição” de sua própria irmã com sua esposa.

Ao contrário de Ingrid Swan, Cora Mills não deu tanta importância às publicações envolvendo Regina e Emma, uma vez que a opinião alheia não mais lhe afetava como antes.

— Um par de chifres caiu muito bem nesse canalha disfarçado de bom moço. Só lamento o fato dele ser apontado nos noticiários como a vítima da história — Cora falou.

— Entre Emma e eu não aconteceu nada além de um beijo — Regina se explicou.

— Você ainda teve essa consideração toda?

— Apesar de tudo, ele é irmão dela mamãe.

— Meio irmão!

— Que seja…bom, eu tenho que ir. Mais tarde vou me encontrar com esse canalha para assinarmos o divórcio — disse Regina, beijando-lhe o rosto, e se retirando em seguida.

Naquela manhã, Regina havia retomado seus assuntos na Mills Export, e embora os olhares e cochichos dos seus próprios subordinados a incomodassem, ela optou por não dar tanta atenção a isso. Afinal de contas, não demoraria muito para que uma nova fofoca surgisse nas manchetes, e dessa forma, as pessoas esqueceriam aquele incidente onde ela e Emma estavam envolvidas.

No final da tarde, conforme o combinado, Regina se dirigiu ao escritório do advogado de David para tratar do divórcio, e como havia imaginado, seu estômago embrulhou quando seus olhos capturaram o sorriso cínico nos lábios dele.

— Está vendo só? Nem demorou tanto assim…não precisava se expor daquela forma — ele falou, depois de assinar o documento.

— Você pode enganar Ingrid, Emma e todos a sua volta. Mas a mim você não engana. Acha que não sei que foi você quem armou tudo isso para bancar o coitadinho diante de todos? — indagou Regina, num tom acusatório.

— Pense o que quiser. Afinal de contas, quem levou a fama de puta infiel foi você! — ele exclamou, e não contendo a raiva, Regina acertou um tapa em seu rosto.

— Nenhuma máscara dura para sempre, David. E a sua em breve cairá — ela disse, se retirando em seguida.

[…]

— Finalmente estou livre daquele crápula!

— Já contou a novidade para Emma? — Zelena perguntou.

— Ainda não…mas ela sabia que assinaríamos hoje. De qualquer forma, essa noite jantaremos só nós duas no imóvel que ela comprou de frente para o mar. A propósito, não dormirei em casa hoje — disse Regina.

— Olha só, você e Emma se acertaram, a Mills Export está a todo vapor, mamãe está mais relaxada e compreensível…acho que os problemas finalmente chegaram ao fim!

— É verdade…mas David ainda me assusta.

— Não seja boba. O que ele poderia fazer? Nada. Além disso, a senhora Swan está sempre atenta a tudo e a todos. Ela não permitirá que ele interfira na vida de vocês.

— Talvez tenha razão…bom, é melhor voltarmos ao trabalho.

Passava das dezessete horas quando Regina deixou a empresa e seguiu direto para casa. Embora estivesse cansada, adiar seu jantar com Emma não estava incluso nos seus planos. Depois de quase meia hora relaxando na banheira, ela se permitiu vasculhar o closet em busca de algo que agradasse tanto a ela, quanto a Emma.

— Para quem não gosta de atrasos, você está trinta e dois minutos atrasada — Emma falou, enquanto Regina descia as escadas.

— É isso mesmo? Será que não é você quem está trinta e dois minutos adiantada? — indagou Regina. — Porque no meu relógio são 18h28min, e se não me falha a memória, combinamos as 19h00min.

— Tem algo errado por aqui.

— É claro que tem, meu amor…e é o seu relógio. Agora vamos?

— Sim, vamos…a propósito, você está linda como sempre — Emma disse, esboçando um largo sorriso, e antes que Regina pudesse responder, Cora apareceu.

— Mamãe, nós já vamos…não dormirei em casa esta noite — Regina falou.

— Boa noite, senhora Mills — disse Emma.

— Boa noite, querida. Divirtam-se, mas tenham cuidado. Não quero ver a cara de vocês estampadas nas próximas manchetes! — ela falou, num tom brincalhão.

— Pelo visto sua mãe não deu muita importância aos noticiários… — Emma comentou.

— Mamãe mudou bastante desde…a morte de papai — disse Regina, e ao notar o desconforto nas feições de Emma, ela permitiu que sua mão repousasse sobre a coxa dela. — Não faça essa cara…é passado.

— Ainda me sinto culpada pela morte dele. Na verdade, me sinto culpada por tudo de ruim que aconteceu em nossas vidas.

— Nunca mais diga isso. Não quero o passado interferindo em nosso presente, tampouco no futuro, está bem?

— Está bem, amor. Desculpa… — Emma disse, dando-se conta de que haviam chegado.

— Gosto dessa casa…é tão quentinha e aconchegante — Regina falou, fechando a porta atrás de si.

— E ficará ainda mais quente quando estivermos na cama. A propósito, David assinou o divórcio sem fazer cara feia? — Emma perguntou, abraçando-a por trás.

— Sim — limitou-se a dizer. — O que teremos para o jantar?

— Sanduíche natural.

— Você está brincando, não está? — questionou Regina, desvencilhando-se no mesmo instante.

— Você tem algo contra sanduíche natural?

— Isso não é jantar.

— Mas é a única coisa que temos. Anna estava ocupada e não podia organizar isso para mim. Mamãe passou o dia todo me dando sermão por causa daquela foto no jornal, e para completar, meu relógio enlouqueceu e pensei que estava atrasada.

— Resumindo…seu dia foi um desastre!

— Exato! O que está fazendo?

— Ligando para o restaurante mais próximo e pedindo o nosso jantar. Simples.

— Eu não tinha pensado nisso.

— Percebe-se.

Após vinte minutos de espera, o jantar finalmente chegou. Enquanto degustavam o salmão ao forno, Emma explicava as mudanças que teriam em sua rotina quando voltasse a assumir os negócios da família, onde sua maior preocupação estava relacionada ao curto tempo que teriam juntas.

— Você passará o dia todo na Mills Export e eu no escritório.

— Podemos almoçar juntas todos os dias e como geralmente são duas horas para fazer isso, podemos aproveitar aqui, não acha?

— Acho que deveríamos morar juntas.

— Como sempre, muito apressada.

— A vida é curta, o tempo é curto. Temos que aproveitar.

— Sim…temos que aproveitar — Regina falou, ficando de pé. Sem esperar um convite, Emma fez o mesmo, e antes que pudesse se pronunciar, o colarinho de sua camisa foi puxado e os corpos se chocaram um contra o outro. — Essa noite não será o bastante para matar a saudade que estou de você… — acrescentou, mergulhando seus lábios nos lábios de Emma.

Ao mesmo tempo em que se beijavam, elas caminhavam desastrosamente aos tropeços em direção ao sofá. Emma praticamente caiu sentada sobre o estofado, enquanto Regina, de forma lenta e provocante, sentou-se sobre suas coxas.

Emma não pôde evitar sentir um desejo quase incontrolável de lhe rasgar as roupas e lhe marcar o corpo com seus beijos e carícias, mas, ela precisava ir devagar, pelo menos no início. Só assim seria capaz de aproveitar cada centímetro daquela mulher que a enlouquecia.

— Oi… — Regina falou, e Emma sorriu mediante aquela única palavra, ao mesmo tempo em que o som rouco da voz lhe causou um arrepio inexplicável.

— Oi… — Emma retribuiu a cortesia, enquanto suas mãos quentes deslizavam pela cintura de Regina, subindo sem demonstrar a urgência que sentia em tocá-la, até lhe alcançar os seios. Os polegares rasparam sobre os mamilos já enrijecidos por baixo do vestido, e então puxaram o zíper localizado na parte traseira da peça. Regina se levantou por alguns segundos para que o vestido pudesse cair sobre os seus pés, em seguida retornou à posição inicial. Seu corpo coberto apenas pelo sutiã sem alças e uma calcinha pequena, proporcionaram a Emma uma visão que por tanto tempo lhe fora negada. Seus olhos verdes intensos brilharam com tanta vontade, tanta adoração, que Regina não pôde evitar a sensação de poder e controle, como se não houvesse um só pedido seu que Emma não atendesse. Com esse pensamento, ela passou a desabotoar a camisa que Emma usava, botão por botão, desembrulhando-a como se fosse um presente. Quando a região do colo se encontrou exposta, Regina deslizou suas unhas sobre a pele pálida e macia, provocando diversas linhas de arranhões avermelhados. Emma gemeu em resposta às carícias selvagens, e sua cabeça tombou para trás quando a língua de Regina tomou o lugar das unhas.

Os dedos da mão direita de Emma se infiltraram por entre os cabelos curtos, puxando-os para trás, e em consequência disso, Regina cessou as carícias.

— Quero sua língua dentro da minha boca — Emma disse, e sem esperar uma resposta, ela tomou os lábios de Regina com os seus. Enquanto as línguas se enroscavam, as mãos de Emma iniciaram uma luta com o fecho do sutiã, e só se acalmaram quando conseguiram se livrar da peça. — Eu vou enlouquecer…se essa calcinha…não for arrancada do seu corpo agora… — acrescentou pausadamente, depois das inúmeras tentativas falhas de retirá-la.

— Rasgue-a… — Regina murmurou. Sua voz estava abafada pelo beijo. — Isso! — ela exclamou, quando o som do tecido se rasgando ecoou no ambiente. — Agora enfia seus dedos em mim… — acrescentou, seu pedido parecia mais uma ordem e independente do que fosse, Emma obedeceu sem pestanejar.

Com os braços em volta do pescoço de Emma, Regina se remexia, cavalgava sobre os dedos que preenchiam seu interior. Seus ombros eram marcados por beijos, chupadas e mordidas, assim como seu colo e cada centímetro de sua pele nua.

— Eu te amo…sua garota safada — disse Regina, extremamente ofegante, tomando-lhe o rosto em suas mãos até que os olhares se cruzaram. — Faça-me gozar agora… — acrescentou. Seus gemidos foram abafados pela boca de Emma, enquanto sua intimidade recebia as investidas cada vez mais fortes e precisas. Seu corpo tombou para frente e suas mãos se agarraram ao encosto do sofá quando os espasmos consequentes do orgasmo lhe atingiu em cheio.

Alguns minutos se passaram em silêncio. Emma deixou que suas mãos subissem e descessem sobre as costas de Regina, enquanto ela, quase desfalecida sobre o seu corpo, recuperava o fôlego. Num impulso, Emma lhe agarrou a cintura levantando-se em seguida. Regina, por sua vez, lhe rodeou os quadris com as pernas enquanto sua boca distribuía beijos por onde alcançavam. Em pouco tempo, chegaram ao quarto entre beijos e carícias.

— Acho uma injustiça você com tanta roupa e eu sem nada — Regina falou, assim que seus pés tocaram o piso de madeira e ela recuou alguns centímetros para observar sua amada ainda coberta pela calça e o sutiã.

— Façamos um trato…acomode-se na cama e se masturbe para mim enquanto eu retiro minhas roupas… — Emma propôs.

— Mas que proposta indecente…

— Por isso mesmo eu não aceito recusas.

— E quem disse que eu pretendia recusar? — Regina falou, virando-se de costas.

Despudoradamente, ela subiu sobre o colchão da cama e engatinhou como uma fera preparada para atacar sua presa. Emma sentiu os joelhos fraquejarem mediante aquela visão, e se não fosse a poltrona atrás de si, certamente ela teria caído.

— Estou esperando, Emma…tire a roupa — Regina falou, enquanto sua própria mão deslizava pelo seu ventre até alcançar o centro do seu prazer.

Emma soltou o ar com força. Seu peito subia e descia denotando o quão ofegante ela se encontrava. Seus dedos desprenderam o botão da calça e quando se preparavam para puxar o zíper, a campainha tocou fazendo-a recuar.