Notas iniciais
Quero agradecer a DiFabray por recomendar a história! Muito obrigada mesmo pela linda recomendação. Obrigada também a todos os comentários e favoritos! OBS: Pra quem gosta de músicas nos capítulos e pra quem gosta de imaginar a "cena", aconselho a ouvir a música citada no início do capítulo que a propósito é muito bonita e parece ter sido feita pra esse momento. Aconselho também a ouvir audiomachine unfinished life (melodia hiper dramática e maravilhosamente linda, que cai perfeitamente bem para os momentos de desespero, como veremos neste capítulo em uma das visitas de Ingrid ao túmulo do falecido marido e Emma) Boa leitura!

Sorria!

O que está fazendo?

Gravando um vídeo! Vai, dá um sorriso, amor!

Você é muito boba!

Você me deixa boba…

Nada de beijo erótico diante da câmera.

Um beijinho inocente…vem…

Depois do anel que carregava em seu dedo, aquele vídeo gravado por Emma no dia do seu aniversário na praia, havia se tornado parte de Regina. Para onde quer que fosse, ela levava consigo um dos dias mais felizes de sua vida.
Ao longo do dia, apesar de triste, Regina conseguia se distrair por alguns minutos e só assim a dor daquela perda diminuía em seu peito. Mas quando a noite caía, uma mistura de sentimentos lhe atingia em cheio: tristeza, arrependimento, culpa, saudade. Tudo de uma só vez.
Sua rotina se resumia a trabalho, casa, e nos finais de semana, uma visita a Ingrid e ao que restou das lembranças deixadas por Emma.
David voltou a assumir o escritório principal da família, e sempre que surgia uma oportunidade, ele se empenhava em oferecer seu apoio e amizade à Regina.

— Sou muito grato por você fazer essas visitas a mamãe. Desde que soubemos da tragédia, ela não sai mais de casa dizia ele.

— Eu sinto muito por ela e a compreendo. Foi uma perda difícil e muito dolorosa.

— É verdade…Emma e eu não éramos os melhores irmãos do mundo, mas eu sinto falta dela, das nossas discussões… ele falou, segurando-lhe a mão delicadamente. Mas está na hora de seguirmos em frente com nossas vidas. Sei que é isso que ela deseja que façamos acrescentou, afastando-se rapidamente quando Ingrid apareceu.

Regina passou o dia de sábado inteiro na companhia da família Swan, retornando para casa apenas no final da tarde. Ingrid havia se tornado uma amiga, e a proximidade entre elas contribuía para aumentar a segurança de David em relação aos planos e desejos que arquitetava na mente.

— Como está a senhora Swan? Zelena perguntou.

— Devastada…me parte o coração vê-la dessa forma.

— Você não está muito diferente dela.

— Eu sinto saudade, culpa, arrependimento…

— Isso vai passar, Regina.

— Eu sei…esse triste momento passará exatamente como passaram todos os outros. Mas eu não posso evitar parar e me perguntar o que restará de mim. A cada perda, é uma parte minha que se vai…

[…]

Na manhã seguinte, Ruby combinou com August de visitar o túmulo de David onde Ingrid mandara registrar o nome de Emma na lápide, para que assim houvesse um lugar onde os familiares e amigos pudessem deixar seu adeus.

— Eu ainda não acredito que Emma se suicidou… — disse Ruby, enquanto depositava uma rosa na grama diante da lápide.

— Eu acredito. Ela mudou muito depois que conheceu aquela mulher. Ela perdeu o controle, não era mais a mesma.

— Confesso que não fui muito com a cara da tal Regina, mas eu percebi que ela amava Emma de verdade.

— Amava nada! Aquela mulher não passa de uma vadia aproveitadora bancando a ofendida por causa da história do contrato. Por culpa dela, Emma tirou a própria vida.

— Você está exagerando, August.

— Nossa amizade acabou por culpa dela. E quer saber? Que se dane! Se ela achou que valia a pena morrer por causa de uma piranha, teve o que mereceu!

— Não seja insensível!

— Quer a real? Foda-se você também! Nem sei porque aceitei vir aqui com alguém que se dizia minha amiga, mas tudo o que desejava era ir para a cama com Emma mesmo sabendo que eu era apaixonado por ela!

— Mas ela não era apaixonada por você! Você está cego ou se faz de doido? Emma nunca gostou do que você tinha a oferecer!

— Você é outra piranha igual a Regina!

— E você é um retardado imbecil!

Daquele dia em diante, Ruby não teve mais notícias de August. Segundo alguns amigos em comum, ele havia partido para Portland sem passagem de retorno. A suposta morte de Emma causou mudanças inesperadas e inimagináveis na vida de muitas pessoas, inclusive na sua, já que na próxima semana ela começaria a trabalhar no escritório da família Swan como assistente pessoal de David Swan.

Por todos os domingos, as sete horas em ponto, Ingrid se encontrava em frente ao túmulo do seu falecido marido e sua filha. Seus dedos contornavam os nomes gravados na lápide, e se demoravam nas fotografias dos dois. De joelhos sobre a grama verde, era possível ver os pingos caindo sobre as pequenas folhas e não se tratava de chuva, tratava-se de suas lágrimas.

[…]

— Meninas, venham almoçar!

— Já estamos indo, vovô! — gritou Ariel. — Ah, não! Peixe outra vez?

— Está com um cheiro bom — disse Emma.

— Prometo que amanhã cozinharei algo diferente.

— Que assim seja. Estou enjoada de comer peixe.

— Como se sente, querida? Sua cabeça ainda dói? — ele perguntou, direcionando seu olhar a Emma enquanto servia a refeição.

— As vezes…mas hoje não doeu — ela disse.

— Que bom… — ele falou e após um suspiro, deu continuidade a fala. — Olhe querida, não quero que pense que sua presença aqui está incomodando, muito pelo contrário, tenho carinho por você da mesma forma que tenho com a minha neta. Mas…já se passaram quase dois meses e você não sabe quem é, nem de onde veio. Sua família deve estar muito preocupada — acrescentou, segurando-lhe a mão com delicadeza.

— Se eu tivesse família, eles estariam me procurando e já teriam me encontrado. Não estou no fim do mundo, estou? — Emma indagou.

— Não, mas…

— Vovô, por favor…quando ela recuperar a memória, ela decidirá o que fazer.

— Tudo bem, me desculpem. Então…acho que está na hora de encontrarmos um nome para você…

— Você tem cara de holandesa. Fala algum nome de origem holandesa, vovô!

— Eu não conheço nenhum nome bonito de origem holandesa. Você conhece, meu bem? — ele perguntou, e em meio aos risos, Emma negou com a cabeça.

— Então…que tal se te chamarmos de Allison? Eu adoro esse nome…você gostou? — indagou Ariel.

— Allison? Sim, eu gostei… — ela disse.

— Então está decidido. Seu nome a partir de agora, é Allison.

Os dias se passavam de forma tranquila no pequeno vilarejo de pescadores onde Emma passou a residir com Ariel e seu avô Leopold desde que fora encontrada ferida nas proximidades da vila. Algumas pessoas questionavam o velho pescador a respeito daquela desconhecida, o orientando a procurar a polícia, todavia, ele recuava diante das súplicas de sua neta para que Emma permanecesse com eles até que ela própria recuperasse a memória, ou que algum familiar aparecesse.

— Sabe o que mais gosto em você? Seu sorriso…é o mais lindo que já vi — disse Ariel.

— Você me deixa sem graça quando fala essas coisas.

— Não gosta que eu te elogie?

— Gosto, mas fico sem graça.

— Não fique — ela disse, tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos. — Allison…você me acha bonita?

— Sim, eu acho.

— Se eu te pedisse um beijo na boca, você me daria?

— Ariel…eu não acho que seu avô…

— Não foi isso que eu te perguntei — ela a interrompeu. — E meu avô não está em casa.

— Eu acho melhor a gente terminar de limpar a casa enquanto é cedo — disse ela, dando o assunto por encerrado.

Enquanto Ariel tentava uma aproximação mais íntima com Emma, David se empenhava em ganhar a confiança de Regina, e o orgulho de sua mãe que por tanto tempo fora dedicado inteiramente a sua falecida irmã.

— Quero colocar um detetive ou contratar alguma equipe de busca para procurarem minha filha — Ingrid falou.

— Mamãe, por Deus…sei que é difícil aceitar, mas Emma está morta — disse David.

— Eu não aceito isso! Eu não posso aceitar uma morte sem que meus olhos vejam o corpo dela!

— Está bem, mamãe…será como a senhora deseja. Hoje mesmo entrarei em contato com um amigo meu que trabalha nessas coisas. Fique tranquila.

— Obrigada, filho.

A cada quinze dias, David retirava uma generosa quantia da conta empresarial de sua família com a desculpa de que seria utilizado para cobrir os gastos da equipe que estavam a procura do corpo de sua irmã. Ingrid agradecia e se mostrava contente mediante aquele desempenho, mas o que ela não sabia, era que não existia equipe alguma e que nenhuma busca fora iniciada. Após um certo tempo, ela mesma pediu para que ele cancelasse os serviços, já que um ano havia se passado e a essa altura, seria impossível encontrar qualquer vestígio relacionado a Emma.

— David, meu amigo! Como tem passado? — Robin perguntou, acomodando-se em uma das luxuosas poltronas que decoravam a sala.

— Maravilhosamente bem! Acho até que se melhorar estraga! — ele disse, esboçando um largo sorriso. — Aceita uma bebida?

— Aceito sim. Eu soube da tragédia envolvendo sua irmã…meus pêsames, amigo.

— Obrigado — ele falou, enquanto adicionava gelo às bebidas. — Foi uma perda difícil, principalmente para mamãe…você sabe, Emma era a queridinha dela — acrescentou, entregando-lhe um dos copos.

— Eu imagino…e como ela está agora? Já se passou mais de um ano, não foi?

— Mamãe continua de luto. Não sai de casa, exceto aos domingos quando vai levar flores ao túmulo de papai onde ela mandou que gravassem o nome de Emma na lápide. Ela sai de manhã cedo e fica horas por lá, chorando o que já nem se tem para chorar.

— Sinto muito por tudo isso.

— Eu também sinto, Robin. E sinto mais ainda em ter que admitir que a minha vida melhorou muito depois da morte de Emma.

— Por que diz isso?

— Veja bem…sou o diretor-executivo do escritório principal da família, administro toda a fortuna de mamãe e em breve vou me casar com a mulher mais bonita desse país.

— Isso sim é novidade! David Swan de casamento marcado! Quem é a louca que aceitou se casar com você? — Robin perguntou.

— Regina Mills é o nome dela…veja, tenho uma fotografia. Não é a mulher mais bonita do país?

— Espere aí. Essa não é a mulher que tinha um romance com a sua irmã?

— Não era exatamente um romance e isso não me importa…Emma está morta e Regina agora é minha.

— Não acho certo o que você está fazendo.

— Felizmente eu não me importo com o que você acha ou deixa de achar.

— É claro que não se importa. Bom, eu já vou…boa sorte, cara.

— Obrigado e não se preocupe, apesar de você ser um chato antiquado, será convidado para o meu casamento! — ele disse, gargalhando quando a porta foi fechada.

Assim como Robin, outras pessoas não concordavam com aquela união. Ingrid Swan era uma delas.

— Regina…eu gosto muito de você, da amizade que surgiu entre as nossas famílias, mas não sou totalmente de acordo com esse casamento — Ingrid falou.

— Ingrid…o tempo não para. Precisamos seguir em frente com nossas vidas — ela argumentou.

— Eu sei…mas acho que é cedo para falar de casamento.

— Eu também acho cedo. Mas David insistiu tanto e…bom, ele tem sido um bom amigo, companheiro, sempre atencioso e carinhoso comigo.

— É, eu notei que ele amadureceu bastante e tem se mostrado um bom filho…

— Então?

— Talvez você tenha razão…está na hora de recomeçar, de seguir em frente.

Alguns dias se passaram e embora Regina tivesse explicado que não queria nada exagerado, David caprichou nos preparativos do seu casamento com ela. Na verdade, Anna foi a encarregada de organizar tudo nos mínimos detalhes. A cerimônia seria realizada dentro de uma semana na própria mansão, e apenas os familiares e amigos mais íntimos estariam presentes.

— Tem certeza que tomou a decisão certa, filha? Você nunca quis se envolver com homem nenhum e agora pretende casar com um — Cora falou.

— David esteve ao meu lado todo esse tempo…acho que ele é a pessoa certa para mim — ela disse.

— Se é isso que você quer, então desejo de todo o meu coração que você seja feliz ao lado deste homem.

— Obrigada, mamãe.

Finalmente o grande dia chegou. O reverendo já se encontrava em seu posto ao centro do jardim onde a cerimônia seria realizada.

Ingrid e Cora conversavam animadamente ao lado de suas respectivas filhas, enquanto David, já ansioso pela demora de sua futura esposa, permanecia próximo do altar. Minutos depois, Regina finalmente deu o ar de sua graça, e como não houve objeções, a união entre os dois foi registrada.

— Parabéns, Regina…para quem não gostava de homem, você se casou com alguém bem parecido com um — murmurou Ruby, no momento em que se aproximou para cumprimentá-la, e logo em seguida, se afastou sem esperar uma resposta.

Depois de receberem todos os cumprimentos, David e Regina se juntaram à família. Enquanto o almoço era servido, David falava com entusiasmo sobre a viagem que fariam por algumas semanas, onde visitariam a Grécia, Dubai, entre outros lugares. Regina não apresentava um terço do entusiasmo que ele fazia questão de mostrar, mas, aparentemente, ela parecia feliz.

[…]

— Vovô, ficaremos mais alguns minutos por aqui. Allison e eu queremos fazer uma caminhada ao pôr do sol — disse Ariel.

— Está bem, mas não voltem muito tarde — Leopold falou, retornando para casa.

— O que você tem, Allison? Parece triste…

— Eu estou bem — limitou-se a dizer.

— Se não quiser caminhar, voltamos para casa.

— Está tudo bem, é sério.

— Então prove que está tudo bem.

— Como?

— Vem até aqui…

— Ah, não! Você quer me puxar para a água e eu não quero me molhar…está muito gelada.

— Como sabe que está gelada?

— A essa hora a água sempre fica gelada.

— Eu prometo que não vou te molhar.

— De jeito nenhum!

— Vem! Juro que não vou te molhar…

— Jura mesmo?

— Juro. Juro pela deusa coroada! — exclamou Ariel, e o coração de Emma disparou.