Uma Perfeita Idiota
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Foi uma questão de segundos para que Regina conseguisse se livrar das roupas que Emma ainda usava. O relógio sobre o criado-mudo ao lado da cama marcava exatamente meia-noite, e segundo Emma, elas precisavam se amar até que os primeiros raios de sol invadissem a sacada da janela.
— Diga que me ama, por favor…diga… — Emma murmurou, enquanto seu corpo despido se esfregava sobre o corpo de Regina.
— Eu te amo…loucamente. Mesmo você não merecendo… — ela respondeu, arqueando o quadril quando os dedos longos roçavam em sua intimidade.
— Sei que não mereço, mas imploro…não me despreze mais, nunca mais… — ela disse, e antes de ouvir uma resposta, sua boca foi preenchida pela língua de Regina.
Quando o ar se fez necessário, Emma mergulhou o rosto na curva do pescoço de Regina enquanto seus dedos ritmados e insistentes se movimentavam entre as pernas dela. O corpo de Regina se arrepiava ao sentir a respiração quente em seu pescoço, e quando Emma anunciou que estava já no seu limite, Regina a apertou mais forte entre os seus braços e as duas quase desfaleceram juntas. Com pernas e braços entrelaçados, elas nada disseram. E no silêncio do momento, dormiram em paz com o mundo.
[…]
Emma despertou com o som estridente de batidas em sua porta. Ao abrir os olhos à procura das horas em seu celular, ela levantou sobressaltada percebendo que passava das nove horas da manhã. Regina já não estava mais ao seu lado na cama, mas, as lembranças da noite anterior lhe fizeram esboçar um largo sorriso.
— Mamãe, bom dia. Desculpe, acabei perdendo a hora. Fazia tempo que eu não dormia tão bem! — ela disse ao abrir a porta e dar passagem para que Ingrid entrasse.
— Tudo bem, meu amor…eu só fiquei preocupada, embora Regina tenha dito que você estava dormindo profundamente.
— Regina já foi trabalhar?
— Sim, querida.
— Ela deixou algum recado para mim?
— Não que eu saiba.
— Bom…eu vou tomar um banho para ir ao escritório.
— Sente-se bem para ir trabalhar?
— Sim, mamãe…estou perfeitamente bem.
— Que bom…eu vou sair, tenho alguns assuntos para resolver.
— Está bem, mamãe. Até mais tarde.
Após o banho e já devidamente vestida, Emma tomou apenas um café sem açúcar e seguiu direto para o escritório. Pela primeira vez depois de tanto tempo, ela acordou com o sorriso de canto a canto, cumprimentando a todos que encontrava pelo prédio.
— Conheço essa cara! — exclamou Ruby.
— Ruby? O que está fazendo aqui logo cedo?
— Cedo? Já passam das dez da manhã.
— Bom, vamos para minha sala — Emma disse. — Aceita um café? Uma bebida?
— Não, obrigada.
— Então, o que posso fazer por você?
— Muitas coisas…uma delas poderia ser a noite ou aqui mesmo sobre a sua mesa.
Emma não pôde deixar de rir, mas a postura séria e devota que seu rosto apresentou, deixou claro que o comentário da amiga não passava de uma brincadeira para ela.
— Ruby…eu estou apaixonada por Regina e em breve vamos nos casar.
— Não sou ciumenta. Eu te divido com ela.
— Não é assim que funciona — ela disse, esboçando um meio sorriso. — Sabe…desde que conheci Regina, compreendi que essas coisas se faz por amor.
— Ah, é? E se Regina não se casar com você? Você nunca mais transará com outra pessoa?
— Se eu não estiver apaixonada, não.
— Não gostei dessa sua versão apaixonadinha…
— Logo se acostumará.
— Bom, eu vim apenas saber como você estava, já que você ficou de me ligar e não ligou.
— Desculpa, eu acabei esquecendo.
— Tudo bem, eu te ligo qualquer dia desses para tomarmos um drinque por aí.
— Prometo que farei o possível para não esquecer e comparecer.
— Assim espero, sua chata!
— Boba… Eu te acompanho até a porta.
Após a saída de Ruby, Emma discou o número de Regina, porém, não obteve resposta. Dessa forma, ela resolveu iniciar o trabalho e só por volta do meio dia, ela deixou o escritório para se dirigir à Mills Export na intenção de convidá-la para almoçar.
— A senhora não tem permissão para entrar aqui — disse o segurança.
— Como é que é?
— A senhora não tem permissão para entrar aqui — ele repetiu.
— Eu já estive aqui antes e entrei sem nenhum problema.
— Mas agora tenho ordens para não deixá-la passar.
— Você sabe quem eu sou?
— Sim senhora.
— E quem eu sou?
— Emma Swan.
— Rapaz esperto. Se você sabe quem eu sou, sabe também que Regina e eu somos bem íntimas.
— Não sei não, senhora.
— Pois agora está sabendo — ela disse, e ao fazer menção de passar, foi impedida mais uma vez.
— Sinto muito senhora.
— Tudo bem. Eu vou ligar agora pra Regina e você será demitido por essa falta — ela falou, enquanto discava o número.
Depois de muitas tentativas e alguns minutos de espera, Regina finalmente atendeu.
— O que é, Emma?
— Boa tarde para você também, meu amor. Estou aqui no portão de entrada e o segurança não me deixa passar — Emma falou, na outra linha.
— Coloque o telefone no viva voz.
— Pronto, Regina…pode dizer a esse sujeito que ele será demitido.
— Will, você será demitido… — ela disse, e nos segundos de pausa, Emma não conteve o riso. — Se permitir a entrada dessa…pessoa. Entendido? — acrescentou, e o sorriso esboçado por Emma rapidamente se desfez.
— Sim senhora — ele respondeu, e a ligação foi encerrada.
— Ela ainda está chateada comigo porque tivemos um desentendimento ontem…mas garanto que você será demitido qualquer dia desses, e quer saber, eu nem queria entrar mesmo — ela falou, guardando o celular de volta no bolso e retornando para seu carro.
O restante do dia se passou de forma tranquila, e só a noite quando chegou à mansão, Emma finalmente encontrou Regina. Todo o aborrecimento que ela sentia se esvaiu quando, ao entrar no quarto, seus olhos cruzaram com sua amada sentada sobre a cama, coberta apenas com uma toalha enquanto deslizava as mãos sobre as pernas para espalhar o hidratante.
— Porque impediu minha entrada na Mills Export? — ela perguntou, procurando desviar o olhar daquela cena.
— Sabia que é falta de educação entrar no quarto alheio sem bater?
— O quarto também é meu, mas da próxima vez, vou bater antes de entrar. Agora pode responder minha pergunta?
— Não vejo necessidade de você ir lá.
— Não vejo necessidade de você barrar minha entrada. De qualquer forma, eu fui apenas te convidar para almoçar.
— Eu estava muito ocupada.
— Eu pensei que depois de ontem nos acertaríamos de uma vez por todas.
— Pensou errado.
— Nós fizemos amor.
— Fizemos o que duas pessoas fazem para…satisfazer suas necessidades.
— Você disse que me amava loucamente.
— Eu estava prestes a gozar, portanto, diria qualquer coisa que você pedisse.
— Seus argumentos não me convenceram.
— Problema seu, meu amor — ela disse, e em seguida, se dirigiu ao banheiro.
Emma deixou o quarto e desceu escadarias na direção do jardim. Já passava das vinte e duas horas quando ela se acomodou em uma das cadeiras e se flagrou quase arrependida daquele contrato. Embora Regina tivesse se entregado de corpo e alma na noite anterior, sua indiferença do dia seguinte estavam acabando com qualquer vestígio de uma possível reconciliação verdadeira entre elas. Após alguns minutos refletindo, ela retornou para o quarto e ao girar a maçaneta da porta, se deu conta de que estava trancada com chave.
— Regina…abre essa porta — ela murmurou em voz baixa. — Sei que está me ouvindo, então abre essa droga de porta — acrescentou, batendo algumas vezes sem usar muita força. Depois de várias tentativas falhas, ela acabou desistindo.
[…]
A família inteira já se encontrava a postos na mesa para tomar o café da manhã, exceto Emma que só apareceu alguns minutos depois. O cansaço estava nítido em seu rosto, embora ela tentasse a todo custo esconder.
— Bom dia, irmãzinha! O que aconteceu para que você trocasse a companhia de Regina por um monte de livros velhos? — David se pronunciou, chamando a atenção de todos à mesa.
— Do que está falando, David? — Ingrid perguntou.
— Altas horas da madrugada e minha irmãzinha estava na biblioteca — ele falou, exibindo seu pior sorriso.
— Você dormiu na biblioteca, Emma? Por quê? — seu olhar desconfiado alternou entre ela e Regina.
— Era tarde quando Ruby me ligou e a senhora sabe, ela fala demais. Então para não acordar Regina, eu fui até a biblioteca e acabei adormecendo…A propósito, acho que vou convidá-la para passar o final de semana conosco — ela disse, seus olhos fuzilando os de Regina.
— Bom, a conversa está ótima, mas eu preciso ir — David falou.
— Eu também já vou, tenho que adiantar alguns trabalhos. Até mais tarde, família! — disse Anna, se recolhendo ao lado do irmão.
Minutos depois, Emma se retirou da mesa seguindo direto para a biblioteca onde lembrava vagamente de ter deixado o seu telefone celular. Ao pegar o aparelho e fazer menção de sair, Regina adentrou o cômodo rapidamente.
— Não se atreva a convidar sua amiguinha oferecida para passar o final de semana aqui! — ela exclamou.
— Qual é o problema? Está com ciúmes?
— Poupe-me, Emma! Eu não sou obrigada a tolerar certas coisas, mais do que já venho tolerando!
— E eu sou obrigada a tolerar suas grosserias e indiferença o tempo todo?
— Foi você quem procurou tudo isso! Se não tivesse me envolvido naquele maldito contrato, eu não seria obrigada a ficar aqui contra a minha vontade! — ela gritou.
— O que foi que você disse, Regina? — Ingrid perguntou, ao ouvir a conversa.
Com o choque estampado no rosto, Regina abriu a boca e fez menção de dizer alguma coisa, mas as palavras pareceram grudar em sua língua. Ainda que tivesse pensado várias vezes em contar a Ingrid o que estava acontecendo, Regina não fazia a menor ideia do que dizer naquele momento.
— Mamãe…esse assunto é entre Regina e eu.
— Responda o que eu perguntei, Regina. De que maldito contrato você está falando? — ela questionou, interrompendo a fala de Emma.
— Senhora Swan…eu…
— Emma, vá buscar o contrato referente ao empréstimo que você fez à Mills Export.
— Está no escritório…
— Mentira. Esse tipo de contrato não fica no escritório. Vá buscá-lo agora mesmo! — ela exigiu, e sem alternativa, Emma se retirou, retornando alguns minutos depois com o documento em mãos.
A perplexidade beirando a incredulidade se estampava em nas feições de Ingrid à medida em que seus olhos capturavam cada palavra presente naquele pedaço de papel. Com o olhar duro feito rocha, ela balançou a cabeça em total reprovação.
— Não posso acreditar no que estou vendo… — ela murmurou e instintivamente, ergueu a mão e lhe acertou um tapa no rosto. — Como foi capaz de tamanha baixeza?
— Eu fiz por amor…
— Isso não é amor. É obsessão, é doença! Quem ama não faz o que você fez…não impõe, não obriga, não se aproveita dos momentos difíceis das pessoas! — ela dizia, sem se importar com as lágrimas que começavam a se formar nos olhos verdes à sua frente. Regina, por sua vez, permanecia calada, a respiração presa na garganta.
— A senhora não compreende que…
— O que eu compreendo é que o que você fez, foi uma canalhice. Você foi egoísta e insensível com alguém que diz amar tanto! Eu estou extremamente decepcionada com você, Emma.
— Mamãe, por favor…eu posso explicar as razões que…
— Suas explicações ou razões de nada adiantarão! O que você fez foi inadmissível — ela falou, e em seguida rasgou o documento ao meio. — Você não é mais obrigada a permanecer aqui contra a sua vontade, Regina. — acrescentou, atirando os pedaços de papel no chão.
— Senhora Swan… — Regina tentou se manifestar, no entanto, não conseguiu formular nenhuma palavra naquele momento.
— Venha. Vou ajudá-la com suas coisas agora mesmo — ela disse, interrompendo-lhe a fala, e mesmo hesitante devido ao estado em que Emma se encontrava, ela se retirou ao lado de Ingrid.
Sozinha na biblioteca, Emma permitiu que as lágrimas caíssem, se entregando a um choro compulsivo. Tudo o que ela havia planejado de um jeito, acontecera de forma contrária. A reação de sua mãe, o desprezo de Regina, tudo serviu para que ela entendesse que alguém mentiu quando disse que o amor supera tudo. O amor que Regina dizia sentir não superou as desavenças e os erros cometidos por ela, e sua mãe chamou de baixeza sua tentativa desesperada de recuperar seu amor.
— Senhora Swan…eu sinto muito que…
— Por que não me disse a verdade, Regina?
— Não sei…eram tantos problemas, um depois do outro que eu não quis atormentá-la com mais um.
— Eu entendo… Bom, peço desculpas por esse comportamento de Emma. Nunca imaginei que ela fosse capaz de fazer algo assim.
— Ela agiu impulsivamente e recorreu ao caminho aparentemente mais fácil.
— Você ainda a ama depois de tudo o que aconteceu?
— Sim…eu nunca deixei de amá-la. Mas essa atitude me magoou profundamente.
— E com razão.
— Senhora Swan, minha família não tocou no dinheiro que Emma transferiu para a conta da Mills Export, e pretendo devolvê-lo…
— De jeito nenhum. Faremos um novo contrato de empréstimo como se deve.
— Não acho que seja uma boa ideia…
— Por favor…é um empréstimo apenas. Porém, com juros e datas para pagamentos — ela disse, tentando soar divertida.
— Falarei com minha irmã e depois eu dou uma resposta.
— Como desejar.
— Bom…eu já vou então.
— Regina, e a sua situação com Emma? Como ficará?
— Acho que ela precisa de um tempo para refletir e depois…bom, conversaremos a respeito do nosso relacionamento.
— Eu compreendo. Vá tranquila então.
— Obrigada, senhora Swan…obrigada por tudo.
— Não tem que agradecer nada. E conte comigo para o que precisar.
Após se despedir de Ingrid, Regina entrou em seu carro e partiu. Através da janela de vidro, Emma presenciou o que tanto temia: Regina estava indo embora e ela não podia fazer nada para impedi-la.
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