Uma Perfeita Idiota
16 Capítulo 16
Notas iniciais
— David, some daqui com suas cantadas baratas! — exclamou Emma, claramente aborrecida com o descaramento do irmão.
— Primeiro, não confunda um elogio com cantadas. Segundo, não percebe que está aborrecendo a senhorita? A propósito, como se chama? — ele perguntou, esboçando um largo sorriso.
— Regina — ela disse, recebendo um beijo delicado em sua mão.
— Encantado, Regina. Sou David Swan, ao seu dispor.
— Obrigada, você é muito gentil — ela disse, retribuindo o sorriso.
— Bom, foi um prazer, Regina — ele falou, se retirando em seguida.
— Agora que finalmente parou de flertar com ele, podemos conversar? — Emma perguntou, e em resposta, Regina deu de ombros, acompanhando-a para um canto afastado dos demais.
— Estou ouvindo…
— Por que está aborrecida?
— Não gostei da forma como você falou com minha mãe na frente da minha família e da sua mãe!
— Eu não disse nada demais, mas peço desculpas por molestá-la.
— Estou me cansando das suas desculpas — ela disse, recebendo o silêncio como resposta.
As duas permaneceram em silêncio por alguns minutos que mais pareceram horas. Regina esperando uma resposta que não veio, Emma procurando alguma palavra que não fosse “desculpa”.
— Você pode dormir aqui comigo essa noite? — Emma perguntou, num tom quase inaudível.
— Não acho prudente…é a casa da sua mãe.
— Mamãe não irá se opor, pelo contrário. Mas se não se sente à vontade, podemos ir para minha casa…
— Outro dia…amanhã tenho alguns assuntos para resolver.
— Amanhã é domingo.
— Para mim é um dia como qualquer outro.
— Está bem, eu te levo para sua casa…
— Não precisa. Chamarei um táxi.
— Pedirei ao motorista de mamãe para levá-la então…não confio em táxi a essa hora.
— Está bem. Boa noite — Regina disse, beijando-lhe o rosto rapidamente.
Tão logo se despediram, Emma se trancou em seu quarto atormentada pelas lembranças da indiferença por parte de Regina. Seus impulsos precisavam ser controlados rapidamente ou caso contrário, seu relacionamento poderia ser abalado. Seus pensamentos foram interrompidos quando a voz de Ingrid se fez presente.
— Filha, posso entrar?
— Sim, mamãe.
— Aconteceu alguma coisa?
— Só estou com um pouco de dor de cabeça.
— Nunca imaginei que você estivesse envolvida com Regina Mills — ela comentou, de supetão.
— Por quê?
— Conheço a família Mills e são pessoas difíceis, de gênio forte e um tanto arrogantes, especialmente Cora.
— É, eu sei.
— O que foi aquela conversa? Cora Mills te destratou?
— Ela não está de acordo que a filha dela se envolva comigo por causa da minha profissão.
— Eu compreendo o lado dela.
— Como é?
— Emma, se você não tivesse do que sobreviver, se você não tivesse escolha, tudo bem…mas você tem! Você tem uma fortuna que se recusa a administrar por puro capricho! E se eu estivesse no lugar de Cora, faria o mesmo!
— Você se casou com meu pai e…
— Era o que ele tinha para sobreviver quando o conheci! E você sabe, ele era orgulhoso e cabeça dura, imaginava que se largasse a profissão, as pessoas diriam que ele estava sendo sustentado por mim. E agora, sabe o que as pessoas devem pensar? Que eu sou uma miserável e que por essa razão, você se mata de trabalhar naquela droga de oficina!
— Não ligo para o que as pessoas pensam!
— Mas eu sim!
— Problema seu, mamãe!
— Essa sua teimosia está ficando insuportável! — dito isso, Ingrid se retirou.
[…]
Na manhã seguinte, a família inteira se encontrava reunida para o desjejum como há muito tempo Ingrid não presenciava. O contentamento estava estampado no sorriso que ela fazia questão de exibir. Emma, apesar da péssima noite que passou rolando pela cama sem conseguir dormir, apresentava um bom humor que rapidamente desapareceu quando David resolveu provocá-la.
— Quem diria que uma mulher como Regina Mills fosse…diferente! E pior, que se interessasse por você — ele disse, direcionando seu olhar à Emma.
— Incrível, não? Com tanta gente por aí, ela se interessou logo por mim! — Emma rebateu.
— Pois é…ela foi o caminho todo me falando de você…
— Como assim, o caminho todo?
— Oras, quando fui deixá-la em casa ontem a noite.
— Você?!
— Sim, irmãzinha. O motorista de mamãe parecia cansado, então me ofereci para ir no lugar dele — David falou, e diferente do que imaginava, Emma não perdeu a compostura.
— Obrigada, David. Marco já está com a idade um pouco avançada para dirigir à noite e eu nem me dei conta disso. Mas que bom que você se antecipou e levou Regina para casa…estou te devendo uma… — ela falou, embora a raiva e o ciúme estivesse consumindo-a por dentro, todavia, não daria o prazer ao seu irmão em vê-la aborrecida.
Após o café da manhã, Emma se dirigiu para o jardim ao lado de Anna e Ingrid, onde passaram uma manhã agradável entre conversas e sorrisos. No final da tarde, Emma se despediu e foi embora. Regina havia ligado duas vezes, no entanto, ela preferiu não atender. Ao chegar em casa, minutos depois, a campainha toca e pela janela de seu quarto, ela consegue enxergar o carro de Regina estacionado em frente ao jardim que leva até as escadas. Sem pressa alguma, ela se dirigiu até a porta e quando abriu, deu passagem para que a morena entrasse sem dizer nenhuma palavra.
— Eu te liguei e você não atendeu. Fiquei preocupada… — Regina falou.
— Imagino que sim…afinal de contas, basta você estalar os dedos e eu corro ao seu encontro como um animal domesticado. É natural que se preocupe quando isso não acontece — Emma disse.
— Por que não me atendeu? — ela perguntou, ignorando aquele comentário.
— Porque eu estava aborrecida com você e não quis correr o risco de provocar mais uma briga entre nós.
— E posso saber o motivo de seu aborrecimento?
— Você não aceitou que eu te levasse para casa, mas aceitou ir com meu irmão.
— Não tenho culpa se ele tomou o lugar do motorista de sua mãe.
— Tem culpa porque não aceitou ir comigo!
— Qual o problema de ter ido com seu irmão? Não seria pior ter ido com um desconhecido qualquer?
— Tem razão…mas ele estava dando em cima de você.
— Impressão sua. Acredito que ele estava tentando te provocar e pelo visto conseguiu — Regina falou, sentando-se ao lado de Emma. — Não acho legal perdermos tempo com brigas sem fundamentos…quero aproveitar cada minuto com você em paz, se divertindo, se amando…
— Você se aborrece fácil — disse Emma.
— Eu sei e sinto muito. Mas você não é tão diferente de mim nesse quesito — ela argumentou, suspirando em seguida. — São muitas coisas em jogo, Emma…a doença de papai, as pressões de mamãe, a empresa que está em crise…
— Ficarei feliz em poder ajudá-la em alguma coisa… — Emma falou.
— E você pode.
— Diga-me como e eu o farei.
— Faça amor comigo…
Ao ouvir aquelas palavras, Emma se aproximou e Regina pôde sentir o perfume dela envolvendo-a. Cheirava a chocolate e canela.
— Sempre… — Emma murmurou. — Tudo o que mais desejo sempre que te encontro, é fazer amor com você… — acrescentou, e Regina estremeceu ao sentir a respiração quente em seus cabelos.
Os dedos de Emma se moveram sobre os braços de Regina, deslizando as alças do vestido que ela usava, expondo os ombros, deixando-os livres de barreiras para logo em seguida, beijá-los sem qualquer vestígio de pressa. As mãos tocaram-lhe o rosto e o polegar acariciou os lábios. Os olhares grudaram um no outro para posteriormente, os lábios se tocarem e as línguas se encontrarem. Enquanto se beijavam, ambas se dirigiam até o quarto tropeçando desajeitadas e arrancando as roupas do corpo num misto de urgência e desespero. Alguns objetos como vasos e porta-retratos se espedaçavam pelo chão cada vez que elas esbarravam nos móveis espalhados pelo caminho.
Quando finalmente caíram sobre a cama, uma eletricidade familiar percorreu ambos os corpos. Emma puxou o vestido de tecido leve para baixo, revelando o sutiã sem alças que Regina usava. Sem hesitar, ela fez o mesmo movimento que segundos atrás havia feito com o vestido, expondo os seios excitados no tamanho perfeito. Sua boca rapidamente se apossou de um, enquanto o outro, era estimulado pela ponta dos dedos.
Regina não permitiu que as carícias se prolongassem, uma vez que ela pretendia assumir o controle naquele momento. Sem pedir permissão, ela forçou o seu corpo invertendo as posições.
— Tire a camisa… — ela disse, e sem relutâncias, Emma o fez. — Vem… — Regina murmurou, se colocando de joelhos sobre o colchão macio. A seu pedido, Emma imitou a mesma posição, ambas de joelhos, uma de frente para outra. Lentamente, seus dedos buscaram o fecho do sutiã usado por Emma, e quando o abriu, atirou a peça íntima num canto qualquer daquele cômodo. Seus olhos permaneceram alguns segundos apreciando os seios de tamanho ideal e tão excitados quanto os seus. Suas mãos se fecharam sobre eles, apertando-os, ora lentamente, ora com uma certa pressão, fazendo com que Emma acabasse tombando a cabeça para trás, o que acarretou em beijos molhados e algumas lambidas em seu pescoço.
Alguns minutos depois, Regina substituiu suas mãos por sua boca. A língua deslizava sobre os mamilos para logo em seguida, sugá-los e apertá-los tanto com os lábios, quanto com os dentes. Emma respondia a cada carícia com suspiros e gemidos, o que apenas contribuía para aumentar o desejo de Regina em lhe dar o máximo de prazer. Quando Regina fez menção de beijar-lhe a boca, o celular de Emma vibra em cima do criado-mudo ao lado da cama, e o nome de Ruby aparece piscando insistentemente no visor.
Sem aviso prévio, Regina esticou o braço e alcançou o aparelho. Sua mandíbula contraída denotava o desagrado mediante aquela interrupção.
— Não vai atender sua amiguinha? — ela perguntou.
— Não, estou muito ocupada para atender minha amiguinha — ela disse, capturando o aparelho e o atirando no chão.
A expressão de desagrado deu espaço a um sorriso malicioso, e em consequência disso, o beijo que segundos atrás fora interrompido, aconteceu. Emma liberou um gemido abafado contra a boca de Regina ao sentir as unhas de sua amada deslizando sobre suas costas, causando finas listras avermelhadas sobre a pele clara. Em resposta, Emma encerrou o beijo para afundar sua cabeça na curva do pescoço de Regina, chupando-o, lambendo-o, deixando pequenas mordidas por onde seus dentes alcançavam.
De uma forma quase desesperada, as mãos de Regina desabotoaram a calça jeans que Emma vestia, e após descer o zíper, a peça foi puxada bruscamente para baixo até as coxas. Através do tecido da calcinha, Regina pôde sentir a umidade entre as pernas dela, e sem se dar ao trabalho de retirá-la, sua mão invadiu a peça íntima e seus dedos mergulharam no sexo encharcado.
Emma arfou em resposta ao toque, e os gemidos se tornaram mais altos à medida em que os movimentos adquiriam mais velocidade e pressão. Quando o orgasmo chegou, ela se agarrou ao corpo de Regina com todas as suas forças e juntas, caíram sobre a cama.
Passados alguns minutos, Regina lhe puxou a calça retirando-a de seu corpo por completo, e em seguida, descansou a cabeça no ombro da mulher amada.
— Foi com seu pai que você aprendeu a mexer em carros? — Regina perguntou, enquanto seus cabelos eram afagados carinhosamente por Emma.
— Sim…ele me ensinou a dirigir e pilotar quando eu tinha 12 anos. E como eu gostava de passar muito tempo com ele na oficina, acabei aprendendo.
— E sua mãe não reclamava?
— Claro que reclamava. Ela quase infartou quando me viu pilotando uma motocicleta.
— Sua mãe é dona de uma grande rede de hotelaria…porque não trabalha com ela? Acho que seria mais saudável.
— Não sei…as vezes, sinto como se…bom, eu queria manter a memória do meu pai viva, entende?
— Entendo…mas você pode mantê-la viva sem que precise trabalhar com isso.
— Não gosta do meu trabalho?
— Não acho apropriado para uma mulher. É pesado, é másculo demais, meu amor — ela disse, e antes que Emma pudesse responder, um novo som as interrompeu. Dessa vez, era o telefone celular de Regina que tocava e o nome de Zelena aparecia no visor.
Depois de uma breve conversa com sua irmã, Regina encerrou a ligação. A expressão em sua face denotava o quão enfadosa havia sido aquele diálogo.
— Aconteceu alguma coisa, meu amor? — Emma perguntou, acariciando-lhe o rosto com delicadeza.
— Perdemos mais três contratos.
— Eu sinto muito, amor. O que se pode fazer para reverter essa situação?
— Não sei…precisamos de um capital altíssimo para baixar os preços e inovar, não sei…preciso estudar isso.
— Se quiser, posso falar com mamãe para lhe emprestar…
— De jeito nenhum, Emma!
— Por que não? Você é minha…
— Meu amor, por favor…consultarei alguns bancos e tudo se resolverá. Agora vamos mudar de assunto, certo?
— Tudo bem…
Depois de algumas horas dividindo a mesma cama, Regina se despediu e por volta das vinte e duas horas, chegou à mansão. Seu semblante sereno deu lugar a uma expressão assustada quando seus olhos cruzaram com Henry, Cora e Zelena sentados à sua espera.
— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, aproximando-se lentamente.
— Perdemos todos os contratos da Mills Export…estamos arruinados — Henry falou, num tom quase inaudível.
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