Uma Perfeita Idiota
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Perdemos todos os contratos? Mas…como? Como é possível? — indagou Regina, num misto de incredulidade e aflição.
— Tudo o que importamos na última semana foi desviado…os clientes não receberam as mercadorias e cancelaram os contratos — Henry disse.
— Pra piorar, ainda temos que pagar tudo o que eles não receberam… — Zelena falou.
— Estamos endividados até o pescoço e graças a vocês duas que vivem se distraindo com…
— Chega, Cora! — Henry a interrompeu. — Não é hora de apontar culpados! É hora de encontrar uma solução!
— O que vamos fazer, papai? — Zelena perguntou.
— Você assumirá a presidência da Mills Export e Regina viajará para Nova York e tentará um empréstimo com os bancos ou com alguns dos nossos conhecidos…
— De quanto precisamos? — Regina questionou.
— Acredito que dois milhões de dólares seria o suficiente para pagar o que devemos e melhorar a segurança nas importações.
— Dois milhões de dólares? É muito dinheiro…será difícil algum banco querer emprestar, além disso…
— É a única solução, Regina! Esta casa está avaliada em um milhão de dólares…podemos colocá-la como garantia, e o restante, conseguiremos com a venda de alguns carros, algumas joias, não sei. O importante agora é conseguir esse dinheiro!
— Sua “namorada” não é a morta de fome que pensávamos ser. Ingrid Swan poderia perfeitamente emprestar esse dinheiro…
— De jeito nenhum! — Henry se pronunciou. — Não quero que depois fiquem pensando coisas a nossos respeito, principalmente de Regina!
— O que poderiam pensar? — questionou Cora.
— Ora, Cora! Por favor! Faremos do jeito que eu disse e ponto final!
— Quando devo viajar, papai? — Regina perguntou.
— Dentro de dois ou três dias…entrarei em contato com alguns amigos para marcar um encontro e em seguida, você viaja.
[…]
Na manhã seguinte, antes de se dirigir à Mills Export, Regina se deteve alguns minutos na companhia de sua amada, afinal de contas, Emma precisava saber que dentro de poucos dias, ela teria que viajar para NY sem uma data de retorno específica.
— Não existe outro meio? Não quero ficar longe de você… — Emma falou, envolvendo-a numa abraço apertado.
— Será por pouco tempo, meu amor — Regina disse.
— Quanto tempo?
— Ainda não sei…
— Regina, por favor…eu posso conseguir esse dinheiro com mamãe e você não precisaria…
— Papai não quer e nem eu!
— Por que não?
— Não quero que sua família pense que estamos nos aproveitando e…
— Isso é besteira! Você nem conhecia a minha família.
— Por isso mesmo! Acabei de conhecê-los e já vou pedir dinheiro emprestado?
— Regina…
— Emma, por favor…não insista. Não quero discutir por isso.
— Tudo bem…sei que não é um bom momento mas, mamãe pediu para que fôssemos jantar com ela essa noite.
— Está bem…que horas devo te encontrar?
— Dezenove horas…te esperarei aqui para irmos juntas, certo?
— Certo, amor. Agora tenho que ir.
— Te acompanho até seu carro…
O dia se passou mais depressa do que Regina esperava. Uma reunião com todos os funcionários da Mills Export foi realizada e teve duração de quase três horas. Henry, assim como Cora e Zelena estavam presente, o que contribuiu apenas para aumentar o pânico e descrença dos funcionários em relação aos seus respectivos cargos, uma vez que tudo indicava que em breve, a Mills Export decretaria falência. No final do expediente, Regina retornou para casa na companhia de Zelena. Juntas, procuravam novas ideias e soluções para reverter aquele imenso problema.
Por volta das dezenove em ponto, Regina acionou a buzina de seu carro em frente a oficina. Segundos depois, Emma apareceu, correndo a seu encontro como uma criança.
O jeans rasgado usado por ela lhe davam uma aparência ainda mais juvenil e “rebelde” como a própria Ingrid comentou na festa no sábado passado, e esse fato, provocava diferentes sensações no corpo de Regina que só ela saberia explicar.
— Adoro os jeans rasgado que você usa — Regina comentou, enquanto Emma ajustava o cinto de segurança.
— É mesmo? Achei que não gostasse das minhas roupas — ela disse, aproximando-se para beijar-lhe o rosto.
— Acontece que para cada ocasião, existe um tipo de vestimenta e você parece não saber disso.
— Eu sei, mas não me importo.
— Percebi… — ela falou, puxando-a para um beijo quando o veículo parou no sinal vermelho.
Passados alguns minutos, finalmente chegaram à mansão da família Swan. Embora soubesse que Ingrid adorava ter a família toda reunida, Emma agradeceu o fato de seu irmão David não estar presente.
— Regina, fico feliz que tenha aceitado meu convite — Ingrid falou, cumprimentando-a com um beijo no rosto.
— Eu quem fico feliz por ter sido convidada — ela disse.
— Quase não conversamos àquele sábado em que nos conhecemos, e vi nesse jantar uma boa oportunidade para nos conhecermos melhor.
Quando o jantar foi servido, acomodaram-se à mesa numa conversa animada conduzida por Anna, a herdeira mais nova da família. Ingrid não escondeu seu desagrado em relação ao trabalho de Emma, esclarecendo que sempre sonhara em vê-la administrando os negócios da família, mesmo que David fosse o mais velho dos irmãos e o homem da casa. Regina, por outro lado, não negou apoio a sua sogra, concordando com cada palavra dita, o que só fez com que a simpatia de Ingrid por ela apenas aumentasse.
— Regina…agora que estamos só nós duas, deixe-me dizer que Emma comentou comigo a respeito da situação da empresa de sua família.
— Emma não deveria incomodá-la com meus problemas.
— Não é incômodo algum. Além disso, eu insisti para que ela falasse…já que notei que ela estava um tanto triste porque você terá que viajar. Eu só quero dizer que se precisar de alguma coisa, de um empréstimo ou apoio para reverter o problema…
— Senhora Swan, por favor…não me interprete mal, porém, não acho certo envolver sua família em tudo isso.
— Regina, estamos todos em família. Nunca vi minha filha tão encantada por alguém como está por você, e isso já é o suficiente para mim. Devo ressaltar que Emma mudou bastante depois de te conhecer.
— Eu agradeço, senhora Swan…mas por enquanto, buscarei outros meios de acabar com essa crise na Mills Export e qualquer coisa, lembrarei de sua oferta — Regina falou, e sem mais argumentos, Ingrid consentiu.
Minutos após o diálogo entre elas, Regina se despediu e ao lado de Emma, deixou a mansão. Ainda que não tivesse sido do seu agrado o fato de Emma ter falado a respeito da crise enfrentada pela empresa de sua família, Regina estava ciente de que ela o fizera com a intenção de ajudá-la, e por essa razão, não a repreendeu, tampouco tocou no assunto.
— Durma comigo essa noite… — Emma pediu. — Depois de amanhã você viajará e eu morrerei de saudades…
— Que exagero, amor…você não morrerá.
— Vai dormir comigo essa noite?
— É impossível dizer não quando você me olha assim…
Tão logo desceram do carro, em poucos segundos já estavam a caminho do quarto aos beijos enquanto as peças de roupas mais fáceis de retirar do corpo, iam ficando para trás. Quando chegaram ao cômodo desejado, Emma acomodou Regina delicadamente sobre a cama e em seguida, cobriu o corpo dela com o seu. Os lábios macios percorreram os ombros da mulher sob seu corpo, e em seguida, subiram para o pescoço.
— Seu cheiro é incrível…me enlouquece…e sempre fica em mim depois… — Emma disse, beijando-lhe rapidamente os lábios para posteriormente, chupar e morder o queixo. — Você é linda…eu seria capaz de te olhar noite e dia e ainda assim não cansaria… — acrescentou, espalhando beijos pelo rosto. Naquele momento, Regina percebeu que poderia ter todo o poder que quisesse sobre Emma.
— Beije-me, por favor… — Regina pediu, e quando os lábios se encontraram, ela deixou escapar um gemido sufocado de entrega.
O beijo se tornou mais profundo e os toques mais selvagens. Emma se sentia inebriada com o perfume de Regina, e enlouquecida com o sabor e delicadeza de sua pele, mas nada disso parecia suficiente nessa noite considerada uma pré despedida. Emma lhe tocava as coxas, os seios, necessitando tomar todas as partes daquele corpo ao mesmo tempo. Regina, por outro lado, deixava o rastro de suas unhas por todos os lados que podia alcançar, arrancando gemidos e se deliciando com as expressões de prazer apresentadas por Emma. Ambas se mordiam, provocavam a boca uma da outra, e compartilhavam os gemidos de satisfação.
— Eu te amo, Regina… — ela disse, correndo a ponta dos dedos ao longo dos seios.
— Eu também te amo, meu amor… — Regina respondeu, segurando-lhe a mão para em seguida, guiar seus movimentos.
Por alguns minutos, Emma se deixou guiar pelas mãos de Regina, e logo depois, ela assumiu o controle de suas carícias, começando pelas coxas, deslizando pela perfeita curva da cintura e em seguida, subindo pelos lados até chegar nos seios, onde ela os apertou, roçou levemente o polegar sobre os mamilos endurecidos, e finalmente, os acomodou em sua boca. Primeiro um, depois o outro. Sem pressa, ela repetiu as carícias até se sentir plenamente satisfeita.
O quarto estava parcialmente escuro, a única iluminação vinha da lua que pairava no céu noturno. Emma tomou a boca de Regina com a sua num beijo rápido, mas repleto de desejo e amor. Os lábios se afastaram quando Emma sentiu a necessidade de lhe tocar o pescoço, e em seguida, os seios, passando pelo abdômen, onde ela plantou pequenos beijos e mordidas até finalmente alcançar as coxas. Emma não sabia como, mas Regina já estava sem calcinha, pronta para ela.
De joelhos na ponta da cama, Emma lhe afastou as pernas, passando as mãos ao longo da pele aveludada. Sem pressa, ela beijou o interior das coxas e entre as pernas. O sabor da mulher amada chegou até sua boca invadindo-lhe a mente, apagando qualquer vestígio do mundo lá fora.
Regina manteve as mãos emaranhadas nos cabelos longos de Emma, guiando-a para onde ela queria, pressionando-lhe o rosto contra suas coxas ao mesmo tempo em que levantava o quadril empurrando-o de encontro à boca que lhe saboreava.
— Oh, céus! Você me mata de prazer… — Regina sussurrou, ensandecida com o deslizar da língua de Emma sobre o seu sexo. Cada passada em cima do clitóris causava um gemido nela. — Por favor, não pare… — acrescentou, ao notar que o clímax já se aproximava. Seus gritos se tornavam mais altos e o nome de Emma era pronunciado constantemente numa quase súplica.
Regina arfou quando sentiu a boca de Emma cobrindo-lhe o sexo por completo, chupando-o como se fosse a mais saborosa das frutas. Sua respiração falhou e seu corpo foi sacudido pelas ondas prazerosas provocadas pelo orgasmo.
— Quando você goza, sua pele fica corada e sua voz rouca…não existe nada melhor ou mais perfeito do que olhar o seu rosto depois disso… — Emma sussurrou, deitando-se a seu lado na cama.
— É mesmo? Só falta você querer me fotografar enquanto gozo — Regina falou, num tom divertido.
— Céus! Como não pensei nisso antes?!
— Para de ser boba, Emma! — ela exclamou, não contendo o riso. — O que foi? Que carinha é essa?
— Eu não quero que você vá para Nova York.
— Meu amor, serão apenas alguns dias… — ela falou, acariciando-lhe o rosto.
— Eu não vou suportar a saudade…
— Prometo te ligar todos os dias…agora vem, vamos tomar um banho…
[…]
Regina despertou com toque suave dos lábios de Emma em suas costas. Passava das sete horas da manhã e o café já estava servido, pronto para ser degustado. Sem pressa, fizeram o desjejum entre conversas e sorrisos, ainda que fosse possível notar a tristeza estampada nos olhos verdes claros.
Após o café, uma longa troca de beijos aconteceu entre elas, e em seguida, Regina se dirigiu até sua casa, afinal de contas, precisava arrumar as malas já que viajaria na manhã seguinte. Emma, por sua vez, precisava falar com Ingrid a respeito da conversa entre ela e Regina, embora tivesse certeza da recusa por parte de sua amada.
— Sinto muito, filha…ela não aceitou — Ingrid disse.
— Mas que droga! Porque ela tem que ser tão orgulhosa?
— E porque você está tão desesperada? São apenas alguns dias…
— Mamãe, por favor…a senhora sabe que essas coisas tratadas em bancos são demoradas.
— É verdade, ainda mais se tratando de tanto dinheiro.
— Não quero que ela vá…
— Pare de ser dependente, Emma!
— A senhora não entende…enfim, eu tenho que ir — ela disse, despedindo-se com um beijo.
— Emma, acalme-se e juízo, por favor…
Naquela manhã, Emma deixou a oficina nas mãos de August enquanto procurava uma forma de impedir Regina de viajar. Por um momento ela pensou em procurar Henry Mills e oferecer o dinheiro emprestado, mas lembrou das palavras de Regina onde ela afirmou que seu pai fora o primeiro a recusar a proposta. A noite, novamente elas se encontraram e fizeram amor até chegarem ao limite da exaustão, e na manhã seguinte, veio a despedida.
— Emma, você vai amassar o meu casaco! — exclamou Regina.
— Calma! Porque você sempre acha que eu estou sendo uma idiota?
— Porque você geralmente é.
— Eu detesto despedidas.
— Eu também, mas não posso ir sem receber um abraço seu — ela disse, aconchegando-a entre seus braços.
— Volta logo, por favor…
— Eu vou voltar…
— Te amo.
— Eu também te amo…e comporte-se.
— Sempre.
— Até breve, meu amor — dito isso, Regina lhe beijou o rosto e se dirigiu a sala de embarque, deixando-a desolada para trás.
Fale com o autor