Notas iniciais
Obrigada a todos que estão comentando e aos que favoritaram a história! Boa leitura!

Regina despertou com o som irritante de seu telefone celular informando que uma nova mensagem de texto havia chegado. Ao pegar o aparelho, ela se deu conta de que passava das quatro horas da manhã, mas o que realmente a assustou, foram as quinze chamadas perdidas de sua mãe.

— Droga… — ela murmurou, tentando se desvencilhar do abraço de Emma sem que para isso tivesse que acordá-la, todavia, seu esforço foi completamente inútil, uma vez que no seu primeiro movimento, Emma a puxou de volta para junto de seu corpo.

— Onde vai? — ela perguntou.

— Para casa…dorme, meu anjo. Ainda é cedo — disse Regina.

— Eu sei, ainda tá escuro e por isso, você ficará aqui comigo.

— Emma…daqui a pouco terei que ir trabalhar e mamãe já me ligou umas mil vezes!

— Regina, que idade você tem? Parece uma criança com medo da mamãe…

— Não é isso, Emma…apenas…

— Apenas nada. Fica aqui, dorme mais um pouco e eu prometo que farei o seu café da manhã — ela disse, envolvendo-a novamente em seus braços.

— O que está fazendo? — indagou Regina, assim que Emma se posicionou sobre o seu corpo.

— No momento não estou fazendo nada, mas o farei… — ela disse, mordiscando-lhe o queixo. — Agora que me despertou, quero fazer amor outra vez — acrescentou, cobrindo-lhe o pescoço com seus beijos.

— Meu amor…

— Esquece o mundo, esquece tudo, Regina…esquece tudo e vamos aproveitar!

— Você é uma garota irresponsável… — Regina murmurou, tomando-lhe os lábios com os seus, e mais uma vez, fizeram amor.

[…]

— Pode me dizer onde raios você passou a noite? — Cora perguntou, assim que Regina ultrapassou o portal da porta.

— Mamãe, com todo respeito…eu não tenho porque lhe dar satisfação da minha vida.

— Enquanto você viver nesta casa, satisfação você dará sim!

— Se eu ainda vivo nesta casa é por causa da doença de papai! Mas não seja por isso, hoje mesmo procurarei um apartamento para mim!

— Filha, não precisa disso…por favor — Henry se pronunciou. — Cora, Regina é adulta o suficiente para saber o que é certo e o que é errado.

— Mas não é adulta para entender que apenas nos preocupamos!

— Não há motivos para preocupações, portanto, não me atormente mamãe. Vou tomar um banho para ir a empresa, com licença.

Enquanto a água morna banhava-lhe o corpo, Regina se deixou viajar pelo mundo das lembranças onde existiam apenas ela e Emma. Os momentos vividos na noite anterior invadiam sua mente a todo instante, provocando risos e reações que seu corpo jamais sentira antes.

Da mesma forma se encontrava Emma, destilando sorrisos como a muito tempo não fazia.

— Que cara de idiota é essa? Viu um passarinho verde? — August perguntou, assim que Emma abriu os portões da oficina.

— Vi coisa muito melhor! — ela disse, esboçando um sorriso ainda maior. — Regina e eu estamos namorando — acrescentou, não se contendo de felicidade.

— Não confio naquela mulher — ele disse.

— Quem tem que confiar sou eu, ora essa.

— Ela se acha a dona do mundo! Só vai brincar com você e…

— Chega, August! Se é pra ficar dizendo besteiras então é melhor ficar calado!

— Tudo bem, desculpa. Eu só quero que… — Antes que ele pudesse prosseguir, o som da buzina do carro de Regina se fez presente, e no mesmo instante, Emma correu ao seu encontro.

— Que surpresa mais agradável! — disse Emma, inclinando-se para beijá-la. — Achei que você fosse ficar de castigo por ter chegado de manhã em casa — completou, recebendo um tapa no ombro.

— Palhaça!

— Au! Isso é bom! Dói, mas é bom.

— Emma, você é uma idiota!

— E ainda assim você me ama.

— Só um pouquinho…bom, eu tenho que ir. Só passei para te dar um beijo de bom dia.

— Vou querer beijo de boa noite também.

— Pensarei no seu caso — ela disse, beijando-lhe a boca rapidamente. — Comporte-se!

— Se não vier, invadirei seu quarto pela janela — Emma falou, e após um outro beijo, Regina se foi.

De longe, August observava toda a cena nada satisfeito. Desde a adolescência, quando conheceu Emma em um evento de Motocross, August passou a nutrir sentimentos por ela mesmo depois de tomar conhecimento sobre a orientação sexual de sua amiga. Os anos se passaram e ainda assim, August se dizia apaixonado, embora nunca tivesse declarado seu suposto amor. De qualquer forma, segundo ele próprio, era suficiente tê-la por perto como amiga e companheira de farras, mesmo que morresse de ciúmes todas as vezes em que ela o deixava ao lado dos outros amigos à mesa, para ficar com alguma garota que acabara de conhecer. Ainda assim, no final das contas, era com ele que Emma retornava para casa, era ao lado dele que assistia a um filme no cinema ou saía para pilotar a motocicleta do seu pai escondido de sua mãe. Mas agora, era com Regina que ela dividia o seu tempo e isso começava a lhe tirar o sossego.

— Tudo bem, August? — Emma perguntou, interrompendo-lhe os pensamentos.

— Sim, eu só estou com um pouco de dor de cabeça — ele disse.

— Se quiser ir pra casa, vá tranquilo. Eu cuido de tudo por aqui.

— Eu tô bem, vamos trabalhar…

[…]

Assim que adentrou sua sala, Regina foi surpreendida com um maravilhoso buquê de rosas em cima de sua mesa. Enquanto aspirava o perfume que emanava das pétalas, ela abriu o cartão e instintivamente, seu sorriso cresceu ao se deparar com o conteúdo.

Para minha Deusa Coroada”

Com amor, Emma.

A jornada de trabalho na Mills Export nunca havia sido tão agradável como essa, onde nem mesmo os erros cometidos por alguns subordinados foram capazes de estragar o dia de Regina. A lembrança de seus momentos com Emma, o perfume das rosas penetrando em sua sala, e o cartão que por diversas vezes ela leu e releu, pareciam protegê-la dos aborrecimentos que geralmente lhe ocorria, especialmente numa manhã de segunda-feira.

— Já está indo embora, irmãzinha? — indagou Zelena, ao cruzar com Regina no estacionamento da empresa.

— Estou aqui desde as nove horas da manhã!

— Mas você nunca sai às dezesseis horas.

— Hoje sairei, posso?

— Claro que pode, você é a presidente da empresa, não? Só acho que a dona Cora não gostará nem um pouco de saber que sua filhinha inocente está saindo mais cedo para fornicar com uma certa mecânica! — ela disse, não contendo o riso.

— Fala baixo, sua louca!

— Foi ela quem mandou aquelas flores?

— Sim…

— Vocês já transaram? Ela é boa de cama?

— Vai se ferrar, Zelena!

— Não posso saber?

— Não! Minhas intimidades só dizem respeito a mim!

— Agora, falando sério…vocês estão juntas mesmo? Pra valer?

— Sim, nós estamos e…eu estou feliz.

— Parabéns, Gina…você merece. Mas então vem a pergunta que não quer calar…você contará aos nossos pais que está se envolvendo com alguém?

— Não queria contar porque você sabe, eles ficam dando palpites e se metendo onde não devem, principalmente a dona Cora! Mas contarei o mais rápido possível por quê…bom, algumas vezes dormirei com Emma e não quero mamãe me enchendo o saco com horários.

— Quer saber, está na hora de você comprar um apartamento para ter um pouco mais de privacidade.

— Já pensei nisso, mas com essa doença de papai…Enfim, eu tenho que ir…

— Entendo…Bom, então nos falamos depois. Cuide-se e juízo!

Depois de sua breve conversa com Zelena, Regina se dirigiu ao encontro de Emma conforme havia combinado. Embora não quisesse se mostrar interessada demais e ansiosa demais diante de sua amada, Regina contava os minutos para encontrá-la e se jogar em seus braços. Quando seu carro foi estacionado em frente a oficina, Emma largou tudo o que estava fazendo para lhe dar sua total atenção.

— Acho que cheguei cedo demais… — Regina falou, descendo do veículo.

— Pensei que você só viria a noite, mas não se preocupe, fecharei a oficina agora mesmo.

— Posso vir mais tarde se quiser.

— Eu quero agora… — ela disse, piscando o olho esquerdo de forma cúmplice. — August, pode ir…eu fecho a oficina — Emma falou, caminhando para dentro do ambiente acompanhada de Regina.

— Emma, precisamos entregar esse carro amanhã cedo e você sabe que a senhora Blanchard é…

— Pode deixar que eu me entendo com a senhora Blanchard, vá tranquilo — ela disse, e sem argumentos, ele se retirou. — Enfim, sós! — disse Emma, baixando as portas da oficina para logo em seguida, envolver Regina entre seus braços.

— Você está cheirando a graxa — disse Regina, virando o rosto quando Emma fez menção de beijá-la.

— E…?

— Graxa me lembra homem e eu não gosto de homem.

— Você está vendo que não sou um homem.

— Mas está cheirando a graxa.

— E por isso você não vai me beijar?

— Não, eu não vou te beijar.

— Mas eu sim, vou te beijar! Afinal de contas, eu tenho passe livre para tomar o que já me pertence, não é, senhorita Mills? — ela disse, erguendo-lhe o corpo para logo em seguida, sentá-la sobre o capô do carro.

— Você não pode usar as minhas palavras contra mim — Regina falou, embora estivesse adorando aquele comportamento de Emma.

— No momento, eu quero usar outra coisa… — Emma murmurou, tomando-lhe os lábios com os seus.

Regina não protestou, tampouco fez sequer menção de afastá-la, pelo contrário, suas pernas envolveram a cintura de Emma enquanto suas mãos percorriam os ombros parcialmente cobertos pela regata branca que ela usava.

— Espera! — disse Regina, empurrando-a levemente. — Você não vai me tocar com as essas mãos sujas.

— Regina, você é muito fresca!

— Que seja…

— Ok, minha língua está limpa.

— Emma!

— Tá bom! Vamos subir e enquanto você prepara o jantar, eu tomo banho — ela disse, ajudando-a a descer do capô.

— Eu não vou cozinhar pra você.

— Por que não? Já pode ir treinando para quando casarmos.

— Vai sonhando!

— Você é uma namorada muito má.

— E você é uma namorada muito abusada.

— Tomarei essas palavras como um elogio. Agora vou tomar banho, sinta-se em casa.

Enquanto Emma não voltava, Regina percorreu toda a extensão da sala com o seu olhar, se demorando num porta-retratos sobre a bancada do bar. Ela não conteve o sorriso ao notar a pose que Emma fazia ao lado do que ela imaginou ser a família completa.

— Bisbilhotando minhas coisas, senhorita Mills? — Emma perguntou, abraçando-a por trás.

— Só um pouquinho — ela disse, virando o rosto para receber um beijo rápido nos lábios. — É sua família?

— Sim, meus dois irmãos e meus pais.

— Você é a mais velha?

— Tenho cara de ser a mais velha?

— Tem cara de ser a mais problemática.

— Quem vê cara não vê coração.

— Deixa de ser boba! — Regina exclamou aos risos, colocando-se de frente para ela. — Hum agora sim…limpinha e sem cheiro de graxa!

— Isso merece uma comemoração, de preferência, na cama! — Emma disse, beijando-a com paixão, ao mesmo tempo em que a empurrava, conduzindo-a até o quarto.

Emma agarrou os fios negros e curtos aumentando a pressão dos lábios para melhor acomodar o beijo. Em resposta, Regina gemeu e teve os cabelos puxados com um pouco mais de força.

— Você gosta disso… — Emma sussurrou, interrompendo o beijo para arrastar sua língua sobre o pescoço de Regina.

— Sim, eu gosto… — Regina respondeu, interrompendo o beijo por poucos segundos enquanto passava as mãos pela lateral do corpo esbelto, agarrando-se a bainha da sua camiseta, levantando-a e tirando-a por cima da cabeça. — Seu corpo me deixa louca… — disse Regina, deslizando as palmas das mãos sobre o abdômen definido de Emma.

Sem aviso prévio, ela se ajoelhou enquanto lentamente desabotoava o jeans que Emma usava. Os lábios, vez e outra, tocavam o abdômen descoberto, depositando beijos e pequenas mordidas, causando-lhe arrepios de prazer. Emma vestia um sutiã preto e uma calcinha boxer na mesma cor, provocando um contraste perfeito com o tom claro, quase pálido de sua pele. O contato dos lábios sobre a pele macia foi quebrado quando Emma a puxou para junto de si, invadindo-lhe a boca com sua língua, enquanto as mãos trêmulas de excitação tentavam desabotoar-lhe a camisa de mangas longas. Impaciente com a falta de êxito naquela tarefa, Emma puxou a camisa de forma violenta, fazendo os botões se espalharem pelo chão. Regina não fez outra coisa senão gemer diante daquele gesto bruto e impaciente, no entanto, ela mesma decidiu puxar o zíper de sua saia para que esta não acabasse por receber o mesmo destino da camisa.

Quando a saia de Regina deslizou pelas pernas expondo seu corpo parcialmente despido, Emma deu alguns passos para trás e seus olhos a admiraram com tanta devoção, que se fosse possível, ela a colocaria sobre um altar apenas para contemplá-la.

— De uma coisa estou certa…eu te amo, Regina — Emma falou, aproximando-se outra vez. Suas mãos se moveram em busca do fecho do sutiã, e sua boca a beijava ao longo do pescoço enquanto os dedos desabotoavam a peça íntima puxando as alças para frente. Emma recuou alguns centímetros para permitir que o sutiã caísse entre elas e mais uma vez, ela enlouqueceu com a visão completa dos seios perfeitos e bem modelados completamente nus.

— Você quer me saborear? — Regina perguntou, e em resposta, Emma avançou, enterrando o rosto em seus seios enquanto as mãos da morena agarraram-lhe os cabelos puxando-a para mais perto.

Regina gemeu, inclinando-se e permitindo que Emma chupasse um dos mamilos rijos, ansiosos para serem tocados. Depois de saborear o primeiro, sua boca se ocupou do segundo, e posteriormente ela seguiu alternando entre chupadas, pequenas mordidas e massagens com ambas as mãos. Regina arfava, enlouquecida de prazer, temendo que a qualquer momento seus joelhos fraquejassem e ela desabasse no chão. Embora esse não fosse o plano, ela não descartou a possibilidade de ser possuída por Emma no chão ou em qualquer outra parte da casa. Aquela visão a excitou de uma forma que ela jamais imaginou ser possível, e quando os dedos fizeram menção de lhe puxar a calcinha, seu sexo de súbito pulsou.

— Vá em frente e rasgue…eu sei que você quer fazer isso — Regina falou, encostando seus lábios na orelha de Emma para logo em seguida, mordiscá-la sensualmente. Um segundo depois, a peça íntima não era nada além de um tecido rasgado, jogado em um canto qualquer do quarto.

Agarrando-lhe os quadris, Emma a levantou e sem qualquer cerimônia, Regina lhe abraçou a cintura com as pernas, ao mesmo tempo em que lhe tirava o sutiã para que suas unhas se ocupassem das costas sem qualquer barreira. Ao se dar conta de que seria conduzida até a cama, Regina lhe agarrou os cabelos com força, sussurrando em seguida:

— No chão…foda-me no chão… — ela ordenou, e por uma fração de segundos, Emma quase gozou mediante aquele pedido.

Sem questionamentos, Emma acomodou-a no chão frio de seu quarto, cobrindo-lhe o corpo com o seu. As mãos de Regina escorregaram até sua bunda e seus dedos puxaram a calcinha para baixo. Um gemido de satisfação escapou de sua garganta ao sentir a umidade do sexo de Emma sobre sua coxa, onde ela começou a pressionar, arrancando gemidos descontrolados da mulher sobre o seu corpo.

— Você gosta de me provocar, não é? — Emma perguntou, e antes que Regina pudesse responder, Emma lhe invadiu a intimidade com seus dedos. — Você também gosta disso, não gosta? — ela indagou, empurrando o mais fundo possível.

— Sim…sim…faça mais rápido… — ela sussurrava, pressionando o joelho entre as coxas de Emma. — Com força…com força, Emma… — dizia ela, numa quase súplica.

— Suas expressões me matam de prazer…me tiram os sentidos! — Emma murmurou por entre dentes, extasiada com a maneira que Regina mordia o lábio insinuando uma falsa inocência.

— Não suporto mais, Emma…goza comigo… — ela disse, substituindo a coxa pela sua mão, lambuzando os dedos no prazer da mulher amada.

Embora desejasse prolongar o máximo aquele momento, Emma, assim como Regina, não teria forças o suficiente para segurar o orgasmo nem um minuto a mais. Ambos os corpos se encontravam cobertos por uma fina camada de suor, o que parecia facilitar os movimentos que elas faziam uma contra a outra. Assim como imaginavam, o orgasmo veio com tudo, de forma desenfreada e arrebatadora.

— Pelos Deuses, Regina… — Emma murmurou, tão ofegante quanto. — Você me deixa louca! — acrescentou, enxugando as pequenas gotículas de suor sobre a testa da sua amada com seus beijos.

— É mesmo? Quero contribuir um pouco mais com essa sua loucura… — ela sussurrou, mordiscando-lhe o queixo. — Agora sim, leve-me para a cama e me faça sua outra vez… — acrescentou, e em resposta, recebeu aquele sorriso que a encantava.