— Quanto mais fazemos amor, mais vontade eu sinto de permanecer na cama contigo…te amando…te cobrindo de beijos… — dizia Emma, enquanto seus lábios distribuía beijos sobre a nuca de Regina.

— Eu também, meu amor…mas agora, preciso ir — disse Regina, se colocando de frente para ela.

— Porque não dorme comigo essa noite?

— Porque preciso me organizar…tenho uma reunião cedo amanhã — justificou-se, recebendo um beijo apaixonado na boca.

— Não quer tomar um banho antes de ir?

— Sim, eu quero…alias, preciso de um banho.

— Mas eu vou junto.

— Eu não te convidei.

— O banheiro é meu.

— Você é muito boba — Regina disse, levantando-se em seguida.

— E você é muito gostosa.

— Eu sei.

— E convencida!

— Também!

Depois de alguns minutos de provocações, troca de beijos e carícias, Regina finalmente se encontrava pronta, ou melhor, quase pronta para sair.

— Reze para que meus pais não me vejam chegar em casa assim, com os botões da camisa arrebentados — dizia Regina, enquanto retocava a maquiagem.

— Você ordenou que eu rasgasse sua calcinha e por isso, achei que poderia rasgar a camisa também — justificou-se.

— Quer bancar a espertinha, é? Você rasgou a camisa antes de rasgar a calcinha.

— A ordem dos fatores não altera o resultado.

— Está avisada…reze.

— Eu vou rezar, mas se por acaso minha reza não surtir o efeito esperado e seus pais te flagrarem com os botões da camisa arrebentados, o que acontecerá?

— Você saberá na hora certa.

— Agora fiquei curiosa.

— A curiosidade matou o gato.

— Eu não sou um gato.

— Mas é uma “Ema”, o que torna as coisas piores porque o gato tem sete vidas — ela disse, esboçando um sorriso vitorioso quando a loira não conseguiu argumentar. — Me acompanha até o carro?

— Com todo o prazer…

Após um longo beijo de despedida, Regina finalmente retornou para casa. Felizmente, seus pais conversavam no escritório e por essa razão, não a viram chegar no estado em que se encontrava sua camisa. Enquanto subia para seu quarto, ela sorria imaginando se Emma naquele momento rezaria ou não.

— Do jeito que é boba…capaz de estar de joelhos ao pé da cama — ela murmurou consigo mesma.

— Falando sozinha, irmãzinha? — indagou Zelena.

— Que susto, Zelena!

— Minha nossa! Passou um furacão pela sua camisa? — ela perguntou, não contendo a gargalhada.

— Fala baixo!

— É impressão minha ou sua “mecânica” é inimiga de botões?

— Ela é inimiga de qualquer peça de roupa que esteja em meu corpo! Satisfeita?

— Muito satisfeita!

— Ótimo! Agora vou trocar de roupa antes que mamãe me veja assim — dito isso, ela adentrou em seu quarto.

Enquanto vestia uma outra roupa, Regina se flagrou sorrindo ao lembrar dos momentos que vinha passando ao lado de Emma. As brincadeiras, as provocações, o bom humor daquela mulher era tão contagiante, que parecia ser capaz de derreter até o mais duro dos corações. Seus pensamentos foram interrompidos quando batidas se fizeram presentes, e Úrsula, governanta da casa, informou que o jantar seria servido dentro de alguns minutos.

— Filha, não a vi chegar — Cora falou, aproximando-se para beijá-la no rosto.

— Cheguei agora a pouco — ela disse, enquanto caminhavam em direção à sala de jantar.

Enquanto jantavam, Regina permaneceu o tempo todo calada, imaginando mil e uma reação de seus pais quando tomassem conhecimento de seu relacionamento com Emma. Talvez, Henry se mostrasse mais compreensivo, Cora, por outro lado, certamente desaprovaria sem cerimônias. De qualquer forma, ela estava decidida a falar sobre o assunto, e independente de aceitação de seus pais, ela não renunciaria.

— Eu tenho um comunicado a fazer — Regina falou, recebendo os olhares atentos de todos sentados à mesa.

— Aconteceu alguma coisa, filha? — Henry perguntou, nitidamente preocupado.

— Não é nada grave, papai…apenas…bom, eu queria dizer que estou me relacionando com alguém.

— Já era hora, irmãzinha! Parabéns! — Zelena falou, esboçando um largo sorriso, embora já soubesse a respeito.

— Como se chama? Nós a conhecemos? — Henry indagou.

— Se chama Emma, papai — ela disse.

— Emma de que? — questionou Cora.

— Não sei…nunca perguntei o sobrenome dela.

— Pois deveria porque isso é muito importante…espere um pouco…você disse Emma? — ela perguntou, estreitando os olhos. — Não se trata daquela mecânica metida a homem, não é?

— Se trata dela sim, mas ela não é metida a homem, mamãe!

— Não posso crer…você só pode estar brincando, Regina! — vociferou Cora, levantando-se bruscamente.

— Eu não estou brincando, mamãe!

— Você só pode estar fazendo isso para nos afrontar! Porque não tem condições de você se envolver com uma morta de fome, ainda por cima, que exerce uma profissão tão…

— Ela não é morta de fome! Tem seu próprio negócio e…

— Negócio? Você chama aquele ferro velho de negócio? Por Deus, Regina!

— Regina é adulta e tem todo o direito de se relacionar com quem ela quiser, mamãe! — Zelena interferiu.

— Não se meta, Zelena! Esse assunto não diz respeito a você! — Cora gritou.

— Nem diz respeito a senhora! — Zelena rebateu.

— Cora, por favor. Não acha que deveríamos conhecer a moça antes de fazer comentários? — Henry se pronunciou.

— Não, eu não acho! Como se não bastasse aceitar seu desvio sexual, ainda temos que aceitar uma…mecânica como nora?

— Mamãe, Regina não vai casar! Ela só está…

— Já disse para não se meter, Zelena!

— Chega! Goste a senhora ou não, Emma é a pessoa que eu escolhi e quero em minha vida! — Regina falou, num tom exaltado. — Vou para meu quarto, com licença!

— Era só o que me faltava! — exclamou Cora, contrariada e enraivecida.

Trancada em seu quarto, Regina pensava seriamente em deixar a casa de seus pais para que assim, pudesse desfrutar de um pouco mais de privacidade, todavia, a doença de Henry a impedia de dar esse passo à frente. Algum tempo após ser nomeada presidente da Mills Export, Regina recebeu a notícia de que seu pai era portador de uma doença incurável: Alzheimer. A partir de então, a família decidiu que permaneceria unida, até porque uma das recomendações do médico era justamente a proximidade dos filhos e da esposa, para que assim, fosse possível retardar a manifestação avançada da doença.

Na manhã seguinte, antes de se dirigir a empresa, Regina acompanhou o seu pai até o escritório onde Cora já os esperava. Depois de uma breve conversa, Cora propôs que Regina convidasse sua companheira para um jantar, todavia, deixou claro que essa decisão foi tomada por Henry. Embora a notícia tivesse sido de seu agrado, Regina estava consciente de que sua mãe não facilitaria as coisas, e por essa razão, tratou de alertar Emma sobre algumas possíveis perguntas indiscretas ou momentos constrangedores que Cora Mills se empenharia em causar.

— Do que está rindo? — indagou Regina.

— De você, minha estressadinha! — Emma disse, roubando-lhe um beijo. — Você parece uma adolescente com medo de apresentar o primeiro namorado aos pais! — acrescentou, traçando um caminho de beijos que iam do ombro direito ao pescoço.

— Está dizendo isso porque não conhece minha mãe!

— Não se preocupe, meu amor. Prometo que não farei você passar vergonha diante dos meus sogros.

— Emma, estou falando sério…

— E eu também!

— Se não for pedir muito, use roupas formais.

— O que você tem contra minhas roupas?

— Você fica parecendo um moleque vestida assim.

— Mas você gosta!

— Quem disse?

— Se não gostasse, não teria se apaixonado por mim.

— Não vou rebater.

— Porque não tem argumentos! Ahá!

— Dessa vez você venceu. Ah, não se atrase. Mamãe detesta atrasos.

— Algo mais?

— Não vá de motocicleta.

— Pelo visto, conquistar sua mãe será mais difícil do que foi conquistar você.

— Achou que me teria tão facilmente, mocinha?

— Pior que não.

— Bom, eu tenho que ir… — disse Regina, beijando-lhe os lábios. — Nos encontramos a noite, em minha casa.

— Está bem, meu amor — Emma falou, e após um outro beijo, Regina se foi.

Naquele dia parcialmente nublado, Emma fechou a oficina mais cedo e outra vez, sua irmã mais nova, Anna Swan, foi solicitada para ajudá-la a escolher uma roupa adequada para aquela ocasião. Novamente, Emma optou por um terno feminino, já que os vestidos não lhe agradavam desde quando ainda era uma criança.

— Não acha que deveria levar sua namorada para mamãe conhecer? — indagou Anna, enquanto a ajudava com a maquiagem.

— Assim que mamãe voltar de Portland, falarei com ela a respeito disso.

— Posso adiantar a notícia de seu namoro?

— Não.

— Por quê?

— Porque isso é assunto meu.

— Tudo bem então…Uau, você está linda!

— É verdade — ela disse, e as duas gargalharam. — Você me empresta o seu carro?

— Claro que sim. Mas você já deveria ter comprado um carro pra você…sabe que mamãe detesta motocicletas.

— No momento eu não posso…não tenho dinheiro suficiente agora.

— Porque não quer. Se voltasse para casa e cuidasse dos assuntos da família…

— Anna, não quero falar disso.

— Tudo bem. Você me deixa em casa e amanhã eu venho buscar o carro.

— Obrigada.

Depois de deixar Anna em casa, Emma seguiu direto para a casa dos Mills. Embora tivesse se mostrado tranquila mais cedo diante de Regina, ela sentia que suas mãos começavam a suar frio, e um nervosismo jamais sentido antes, causando-lhe calafrios.

Ao estacionar em frente a residência, Emma observou que faltavam dez minutos para as dezenove horas e um sorriso discreto brotou em seus lábios.

— Estou no horário…um ponto para mim! — ela disse, descendo do veículo. Assim que apertou a campainha, a governanta da casa abriu a porta dando passagem para que Emma entrasse. Discretamente, seus olhos percorreram o ambiente em busca de Regina, todavia, depararam-se com outra figura de expressão séria e imperiosa que ela subitamente julgou ser a “sogra”.

— Boa noite, senhorita Emma. Seja bem-vinda! — Henry falou, aproximando-se para cumprimentá-la, enquanto Cora, se manteve no mesmo lugar, observando-a, analisando-a de cima a baixo.

— Obrigada. O senhor é muito gentil — ela disse, cumprimentando-o de volta.

— Essa é minha esposa, mãe de Regina — ele falou, e instintivamente, Emma estirou a mão para cumprimentá-la, todavia, Cora não retribuiu o gesto, e nem pretendia fazê-lo. Felizmente, Regina apareceu quebrando aquele momento extremamente constrangedor.

— Emma, que bom que veio — ela disse, beijando-lhe o rosto. — Agora que já se conheceram, vamos para a sala de jantar, sim? — acrescentou, esforçando-se para esconder seu nervosismo.

Enquanto o jantar era servido, Henry conversava com Emma a respeito de sua empresa e seu orgulho por ter sua filha mais nova como presidente, ressaltando que essa tarefa havia sido destinada a Regina porque Zelena, a filha mais velha, não aceitou o cargo.

— Por falar nisso, peço desculpas pela ausência de Zelena…infelizmente, ela já havia marcado um outro compromisso — ele disse.

— Não se preocupe…oportunidades não faltarão! — disse Emma, num tom divertido.

Regina pouco falava tamanho era seu nervosismo, mas estava adorando aquela afinidade entre Emma e seu pai, principalmente quando Henry abordou assuntos que ela jamais imaginou que sua amada fosse compreender ou dispor de conhecimento, surpreendendo-se quando Emma mencionou Beethoven como um dos pilares da música ocidental no período da transição entre o classicismo e o romantismo, destacando suas maiores obras.

Naquele momento, Regina respirou aliviada ao pensar que o jantar não seria o desastre que ela havia imaginado, todavia, o clima agradável entre eles foi quebrado quando Cora decidiu interferir.

— Quem é o seu pai, Emma? O que ele faz da vida? — Cora perguntou.

— Meu pai já faleceu, senhora. Mas era o melhor mecânico do estado do Maine — ela disse, esboçando um meio sorriso.

— Eu sinto muito — Henry falou, aparentemente com sinceridade. Regina, por outro lado, pousou sua mão sobre a dela numa tentativa de mostrá-la suas condolências, embora estivesse surpresa por só agora tomar conhecimento desse fato.

— E sua mãe, minha filha? Ainda é viva? — Henry perguntou.

— Sim, graças a Deus — ela disse.

— E o que ela faz? É empregada doméstica? — questionou Cora, recebendo um olhar desconsertado de todos os ocupantes da mesa.

— Sim, minha mãe é empregada doméstica e eu tenho muito orgulho dela.

— Pra quem é filha de um mecânico e uma empregada doméstica, você até que tem um pouco de conhecimento — comentou a mais velha.

— Cora! — Henry a repreendeu.

— O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. É preciso muito conhecimento para não se tornar uma velha arrogante feito a senhora! — Emma disse, levantando-se em seguida.

— Como se atreve a me faltar com o respeito dentro de minha própria casa? — Cora falou, levantando-se de supetão.

— Emma, por favor… — murmurou Regina, segurando-lhe o braço delicadamente.

— Senhor Mills, obrigada pelo jantar e perdoe-me qualquer coisa. Com licença — ela disse, se desvencilhando de Regina.

Enquanto caminhava na direção do seu carro, Emma tentava conter a raiva que sentia naquele momento. Ao fazer menção de abrir a porta do veículo, Regina a impediu, segurando-lhe a mão.

— Emma, desculpe. Eu…

— Tudo bem, Regina…não se preocupe, está tudo bem — ela disse, tocando-lhe o rosto com ambas as mãos. — Nos falamos amanhã — acrescentou, beijando-lhe os lábios rapidamente para logo em seguida, entrar no carro e partir.