— Finalmente! Em meio a tantos problemas e tragédias, finalmente uma notícia boa! — exclamou Ingrid.

— Senhora Swan, não é bem…

— Quando eu sair do hospital, Regina irá para casa conosco mamãe. Assim ela já irá se acostumando com o ambiente. A senhora não se importa, não é? — Emma a interrompeu, ignorando o olhar furioso que Regina direcionou a ela.

— É claro que não me importo! Regina já é da família, ainda mais depois dessa notícia maravilhosa — disse Ingrid. — Deixe-me parabenizá-la, querida — acrescentou, envolvendo-a num abraço apertado. — Minha filha não poderia ter escolhido melhor — disse por fim, e naquele momento, Regina não conseguiu acabar com a farsa.

— Obrigada, senhora Swan… — ela falou, claramente sem graça.

— Quando Emma sair do hospital, daremos uma festa para comemorar! A propósito, vou falar com o médico responsável para saber quando você receberá alta — ela disse, e após depositar um beijo em sua filha, ela se retirou.

— Você não tem vergonha de tanto cinismo? Como é capaz de mentir para sua mãe dessa forma? — indagou Regina, nitidamente aborrecida.

— Não estou mentindo. Você vai para casa comigo e depois vamos nos casar.

— Você perdeu o juízo, não há outra explicação!

— Regina, só a morte me fará desistir de você…

— Muito bem, então prepare-se para colher o que está plantando, Emma…você se arrependerá amargamente dessa canalhice toda.

— Você me assusta quando fala assim.

— Ótimo! E vá se preparando! — ela disse, e antes que Emma pudesse argumentar, Ingrid apareceu ao lado do médico.

Enquanto uma das enfermeiras trocava o curativo, o médico explicava os cuidados que Emma deveria tomar para que o ferimento não inflamasse e a cicatrização se desse de forma rápida. Alguns remédios foram receitados e ele garantiu que na manhã seguinte, ela receberia alta.

— Eu tenho que ir, meu amor. Mais tarde voltarei para visitá-la e amanhã estarei aqui bem cedo para levá-la para casa — Ingrid falou.

— Não precisa vir amanhã, mamãe…Regina virá e iremos juntas. Assim a senhora terá mais tempo para organizar um banquete porque eu estou faminta desde agora. A comida daqui é horrível.

— Como desejar, querida — ela disse, beijando-lhe o rosto. —

— Até mais, mamãe.

Afastando-se ao lado de Regina, Ingrid parou assim que abriu a porta.

— Obrigada por toda a atenção que você está dando a minha filha, apesar daquele incidente com seu pai.

— Não se preocupe, senhora Swan…assim como minha irmã não pretendia machucar Emma, acredito que ela também não teve a intenção de provocar aquele infortúnio…

— Jamais, Regina…jamais ela faria algo desse tipo, especialmente com um ente querido da pessoa que ela mais ama nesse mundo. Nunca vi minha filha dessa forma, tão apaixonada, tão empenhada em te fazer feliz e isso é algo que eu sempre quis que acontecesse. Graças a você, ela tomou juízo, está em família e no posto que a ela pertence — Ingrid discursou, segurando-lhe ambas as mãos.

— Senhora Swan, eu nem sei o que dizer…

— Não diga nada. Apenas esqueçam os problemas e sejam felizes!

— Tem razão…e por favor, não precisa voltar mais tarde. Eu passarei o dia todo com ela — disse Regina, em voz alta, e nesse momento, os olhos de Emma brilharam e um largo sorriso apareceu em seus lábios.

— Tudo bem, mas qualquer coisa, me ligue.

— Pode deixar.

— Até amanhã, filha…até amanhã, Regina — dito isso, Ingrid se retirou.

Regina permaneceu na mesma posição em que se encontrava, de costas para Emma. Por um momento ela pensou em acabar com aquele teatro e contar a verdade, uma vez que Ingrid parecia desconhecer o conteúdo daquele contrato. No entanto, a felicidade refletida nas palavras e no brilho dos seus olhos azuis, fizeram com que sua coragem para relatar os fatos desaparecesse. Pela forma como Ingrid falava, Regina supôs que ela jamais concordaria com essa atitude de Emma, além disso, era muita coisa para ser explicada, novos problemas surgiriam e naquele momento, já tinham problemas demais.

— Você não imagina o quanto eu estou feliz por você ter resolvido passar o dia aqui comigo — Emma falou, trazendo-a de volta a realidade.

— Você acha mesmo que eu vou passar o dia todo com você? — indagou Regina.

— Mas…você disse a minha mãe que…

— O que eu disse foi uma mentira. Você gosta de mentiras, não gosta? E eu estou começando a gostar também — ela disse, enquanto pegava sua bolsa em cima da poltrona.

— Para onde está indo?

— Para casa, meu amor. Tenha um ótimo dia! — dito isso, Regina se retirou.

[…]

— Você realmente vai morar com ela? — Zelena perguntou.

— Sim, mas ela está enganada se pensa que as coisas serão como ela quer — disse Regina.

— E a polícia? A interrogou?

— Sim, e Emma falou a mesma coisa que você, então fique tranquila…tudo já foi esquecido, mas por favor, nunca mais faça uma besteira dessas!

— Tudo bem…mas e agora? Vamos usar o dinheiro para resolver a situação da empresa?

— Não sei, Zelena…a senhora Swan desconhece o que Emma fez e acho que seria desonesto de nossa parte usar esse dinheiro.

— E o que faremos então? Deveríamos contar a verdade para ela.

— Por enquanto, vamos trabalhar com o que temos…e sobre contar a verdade, é melhor esperarmos as coisas se acalmarem um pouco.

Na manhã seguinte, Regina apareceu no hospital somente às dez horas, embora o médico tivesse informado que estaria no hospital a partir das seis. Apesar da demora, Emma não se mostrou aborrecida, pelo contrário, ela sorriu quando seus olhos verdes encontraram os castanhos, e mesmo que seu sorriso não tenha sido correspondido, Emma não perdeu o bom humor.

— Você vem para casa comigo, não é? — ela perguntou.

— Infelizmente — Regina respondeu, abrindo a porta do carro para que ela entrasse.

— Quem nos visse agora, diria que você me odeia e que nunca sentiu um pouquinho que fosse de amor por mim.

— Lembre-se que foi você quem decidiu assim.

— Você me odeia, Regina? — Emma perguntou, e em resposta, Regina ligou o som do veículo, ignorando a pergunta.

O percurso que levava até a mansão da família Swan foi percorrido em silêncio. Regina parecia atenta ao trânsito, e Emma perdida em pensamentos. Em pouco tempo chegaram, e enquanto Emma era recebida calorosamente por Ingrid e Anna, David se encarregou de Regina, e só depois cumprimentou sua irmã.

Durante o almoço, Ingrid não perdeu a oportunidade de contar a novidade sobre a futura união entre Emma e Regina. A notícia foi bem recebida por todos, exceto por David que estava disposto a impedir que tal fato acorresse.

Após a sobremesa e os remédios, Emma foi acompanhada até o quarto por Ingrid e Regina, e diferente do que ela imaginava, sua cama não seria dividida com a mulher que tanto amava.

— Então, senhora Swan…como eu vinha dizendo, acho que é melhor Emma ter a cama só para ela. Eu me mexo muito a noite e tenho medo de machucar o ferimento… — Regina falou, tentando segurar o riso à medida em que a expressão de Emma se fechava.

— A cama é grande o suficiente, Regina. Além disso…

— Regina tem razão, filha. Vocês terão muito tempo para desfrutar da companhia uma da outra. Agora o mais importante é a sua recuperação.

Os dias se passavam e tudo o que Emma havia imaginado, acontecia, porém, de forma contrária. Regina continuava com sua rotina na Mills Export e quando chegava, após jantar em família, a acompanhava até o quarto e logo em seguida se recolhia no quarto ao lado. Nos finais de semana, David fazia questão de permanecer em casa, e consequentemente, acabava roubando a companhia de Regina apenas para ele.

Alguns dias depois…

Era uma noite de sexta-feira, Emma finalmente se encontrava totalmente recuperada e por incrível que pudesse parecer, ela havia conseguido convencer Regina a aceitar seu convite para jantar em um novo restaurante tailandês que fora inaugurado há poucos dias.

Já devidamente pronta, e depois de uma última olhada diante do espelho, ela desceu as escadas apressadamente à procura da mulher amada.

— Granny, você viu Regina por aí? — ela perguntou.

— Dona Regina acabou de sair com seu irmão — ela respondeu, causando-lhe um súbito desconserto.

— Ah…eu só queria saber onde ela colocou os meus remédios, não consigo encontrá-los — foi a única desculpa que conseguiu encontrar.

— Achei que já não precisasse mais de medicamentos.

— É para cicatrizar mais rápido… Bom, eu vou procurá-los melhor — ela falou, se retirando em seguida.

— Emma, você não sairia com Regina para jantar hoje? — Ingrid perguntou, ao esbarrar com ela no corredor.

— Acontece que eu me senti um pouco zonza e como ela estava muito animada…

— Ela foi sozinha?

— Com David.

— Filha…o que está acontecendo?

— Nada, mãe…porque está me fazendo essa pergunta?

— Regina passa o dia todo na empresa dela e a noite percebo que quase não conversam ou trocam carinhos…

— Regina é muito discreta e, bom…é o jeito dela, não se preocupe, mamãe.

— Certo…se está tudo bem, eu fico mais tranquila.

— Boa noite, mãe.

— Boa noite querida.

Emma se dirigiu ao quarto onde passaria a dividi-lo com Regina, uma vez que o ferimento estava praticamente curado e por esse motivo, hipoteticamente, não tinha razão para que dormissem separadas. Enquanto observava as poucas estrelas no céu através da vidraça da janela, Emma se dava conta de que Regina tinha razão quando disse algo sobre ela colher o que havia plantando, mas o que ela não sabia, era que a mulher de sua desventura tinha ido para casa jantar com sua irmã, e não para um restaurante em companhia de David como todos acreditavam.

Passava das vinte e três horas quando Regina finalmente chegou. Ao acender a luz do quarto, deparou-se com Emma de braços cruzados encostada no parapeito da janela.

— Que susto, Emma! — ela exclamou, levando a mão direita ao peito.

— Vejo que a companhia do meu irmão foi muito agradável para você — Emma disse, ao mesmo tempo em que observava as horas em seu relógio de pulso.

— Pois é, não tenho do que reclamar.

— Combinamos algo e você fez outra coisa. Foi com ele e me deixou plantada aqui feito uma idiota.

— Pelo menos combinamos…pior foi você que fez um maldito contrato sem combinar nada comigo — ela falou, enquanto retirava os sapatos. — Ah, e você é sempre uma idiota.

— Talvez eu seja mesmo…mas estou começando a me cansar de ser.

— Não me diga!

— Sabe, Regina…quando você resolver dar valor aos meus sentimentos, será tarde demais.

— Bonitas palavras! Mas eu tenho outras melhores…você está agindo como uma louca e precisa se tratar.

— O que eu realmente preciso é do seu amor, de você.

— Sinto desapontá-la! Agora se me der licença, eu preciso dormir — ela falou, abrindo a porta do quarto para que Emma se retirasse.

— Acontece que essa noite você não vai me desapontar — Emma disse, fechando a porta com força, e antes que Regina pudesse reagir, ela lhe puxou pela cintura e pressionou sua boca contra a dela.

Emma permanecia em um estado constante de saudade e desejo, uma vez que entre ela e Regina não havia intimidade há mais de três meses. Regina, por outro lado, embora se encontrasse na mesma situação onde seu corpo era castigado todos os dias pela vontade de amá-la, de se entregar de corpo e alma como na primeira vez, a lembrança de ter sido “negociada” como uma mercadoria qualquer, lhe dava forças para resistir, ao mesmo tempo em que despertava dentro de si a vontade de puni-la e feri-la por aquele ato.

Regina se debatia presa entre os braços ao redor de corpo, e mesmo que aparentemente ela tentasse se desvencilhar, seu coração batia cada vez mais forte, e seu corpo respondia de uma forma bastante familiar. Só depois de sentir que Regina havia parado de lutar, Emma conseguiu relaxar o próprio corpo e posteriormente, encerrar o beijo para que ambas pudessem respirar.

— Me solta… — Regina murmurou.

— Eu vou enlouquecer se não te amar pelo menos essa noite… — Emma respondeu, e quando Regina fez menção de dizer algo mais, sua voz foi silenciada por outro beijo.

A princípio, Emma permitiu que seus dedos lhe tocassem de forma suave, entretanto, a saudade era tanta que ela logo perdeu a delicadeza e quase arrancou o zíper da saia que Regina usava, tamanha fora a força usada por ela para se desfazer da peça. O mesmo destino seria dado a blusa caso Regina não a tivesse retirado por conta própria.

O sutiã sem alças foi retirado do seu corpo pelas mãos habilidosas, revelando os mamilos endurecidos sob o olhar vidrado de Emma, e sem qualquer vestígio de hesitação, ela os tocou, primeiro com a ponta dos dedos em movimentos circulares, depois com a língua para só então, abocanhá-los e sugá-los como uma criança faminta. Regina ofegou profundamente, fazendo com que Emma intensificasse as carícias.

— Eu te amo… — Emma sussurrou, beijando-lhe os ombros, sentindo o peito dela subir e descer, assim como a pele inteira se arrepiar em resposta aos seus beijos. Naquele momento, Emma não sabia como prosseguir, se perguntando se deveria tomá-la ali mesmo, no tapete do quarto, rápida e furiosamente, ou se deveria levá-la para cama e possuí-la com toda sua paixão reprimida. Suas mãos tremeram quando os dedos se enroscaram no cós da calcinha e puxaram a peça para baixo. Instintivamente, seus joelhos cederam e ela se colocou aos pés da mulher amada. Seus lábios umedecidos optaram por começar pelas panturrilhas, beijando-as, marcando a pele clara com seus dedos e depois aliviando qualquer rastro de dor com a ponta da língua. Regina não fazia outra coisa que não fosse gemer, ao mesmo tempo em que lutava com todas as suas forças para que suas pernas se mantivessem firmes, ou caso contrário, ela desabaria.

— Eu não vou suportar… — ela murmurou, quando os lábios de Emma beijaram-lhe a parte interna da coxa, para logo em seguida, se mover entre o seu sexo.

O corpo de Regina tremeu em resposta aquela carícia, sua cabeça tombou para trás e suas mãos se agarraram aos cabelos longos de Emma, que por sua vez, lhe envolveu as coxas com um abraço, enquanto sua boca acompanhada da língua trabalhava numa perfeita sincronia. Emma começou devagar, com longas chupadas e pequenas lambidas provocantes, e em curtos intervalos de segundos, ela levantava o olhar deparando-se com sua mulher completamente entregue.

Os músculos se enrijeceram e entre um gemido e outro, Regina anunciou que estava prestes a gozar. Emma não cessou as carícias, pelo contrário, aumentou a pressão de sua língua e segundos depois, sentiu o prazer da sua amada se derramar na sua boca.

— Pelos céus, Emma…minhas pernas…

— Eu não vou deixar você cair — Emma a interrompeu, levantando-se rapidamente e agarrando-lhe o corpo. — Nunca deixarei você cair… — acrescentou, conduzindo-a até a cama, mergulhando em sua boca como se fosse a última vez.