Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários e favoritos! Boa leitura!

Emma despertou mais cedo do que de costume, uma vez que a jornada em seu novo trabalho, iniciava as oito horas em ponto. Aparentemente recuperada da febre, ela fez o desjejum ao lado da mãe e da irmã mais nova, já que David tinha viajado novamente para Portland.

Assim que chegou ao escritório, ela discou o número de Regina, todavia, a morena não atendeu mais uma de suas milhares de ligações.

O dia se passou rapidamente e de forma tranquila. Emma já estava ciente do que precisava fazer e por essa razão, não necessitou tanto da ajuda da secretária Isabela, tampouco de sua irmã Anna. No final da tarde, antes de voltar para casa, ela recebeu em seu e-mail um relatório sobre os passos de Regina ao longo do dia.

O relatório se resumia a dois encontros em restaurantes, geralmente com homens que ela julgou ser empresários dos quais Regina tentava conseguir contratos. Uma visita ao banco também foi citada na rotina, mas o que realmente lhe chamou a atenção, foram as fotografias. Em diversas imagens, Regina se encontrava acompanhada de uma bela morena, ambas sorridentes e próximas demais, o que fez com que a raiva e o ciúme começasse a se manifestar em seu corpo.

— Quanto mais tempo ela passar em Nova York, pior será para mim…não posso perdê-la, não posso… — ela disse, levantando-se rapidamente de sua cadeira.

— Emma, está de saída? — Anna perguntou, ao encontrá-la no corredor.

— Eu tenho um assunto pessoal para resolver, Anna. Aconteceu alguma coisa? — indagou Emma.

— Não, pode ir tranquila — ela disse, e sem pestanejar, Emma saiu apressadamente.

Passava das dezesseis horas quando ela chegou a mansão da família Mills. Embora estivesse surpreso com aquela visita, Henry Mills não se recusou a recebê-la.

— Senhorita Swan, a que devo essa visita? — ele perguntou.

— Senhor Mills, boa tarde. Vim aqui de boa fé lhe oferecer o dinheiro que precisa para reerguer a Mills Export — ela falou, sem cerimônias.

— Agradeço a sua…boa fé, senhorita Swan. Mas não precisamos do seu dinheiro.

— O senhor acredita mesmo que algum banco emprestará dois milhões de dólares para levantar uma empresa praticamente falida?

— E por que não?

— Pela lógica, senhor Mills. Eles não terão garantias.

— Isso é o que a senhorita diz! E agora se me der licença…

— Sabe…a princípio, quando estive aqui pela primeira vez, tive uma boa impressão do senhor, mas me dei conta de que foi um grande equívoco de minha parte.

— Felizmente, suas impressões sejam elas boas ou ruins, não me atingem em nada.

— Claro…um velho farsante como o senhor não deve se atingir com nada mesmo. Acha que não sei sobre sua falsa doença?

— O que? Saia da minha casa agora!

— Porque inventou que estava doente de Alzheimer? Para que essa mentira? Fez isso para se passar por coitadinho e controlar suas filhas e sua esposa, não foi? — Emma falou, num tom acusatório.

— Não…não…cale-se, e vá embora da minha casa… — ele murmurou, seus olhos arregalados denotavam o susto e a surpresa mediante aquela acusação.

— Eu contarei a Regina essa sua mentira e… — antes de concluir o que pretendia dizer, Emma se calou ao notar que Henry ofegava, levando a mão direita ao peito.

— Papai? O que está acontecendo aqui? — Zelena perguntou, e antes que alguém pudesse dizer algo, ele caiu.

— Henry! — Cora gritou, correndo ao encontro do seu marido desfalecido no chão. — Chame uma ambulância pelo amor de Deus! — acrescentou, enquanto ao lado de Zelena, ela tentava fazer com que ele reagisse.

Ainda que estivesse atônita e assustada com o acontecido, Emma conseguiu chamar o socorro, todavia, era tarde demais. Henry Mills havia falecido.

— Infelizmente…não podemos fazer mais nada. Levaremos o corpo para realizar a autópsia e ter certeza de que se tratou de um enfarto, o que é bem provável — disse o médico.

— Maldita, mil vezes maldita! — gritava Cora, direcionando seu olhar a Emma, embora continuasse ajoelhada ao lado do corpo do seu marido.

— O que você fez? O que você disse ao meu pai? — Zelena gritou, tentando avançar na direção em que Emma se encontrava, no entanto, foi impedida por um dos socorristas.

— Eu não queria que isso acontecesse…eu não queria… — Emma murmurou, e a pedido de um dos médicos ali presentes, ela se retirou.

Enquanto dirigia, os fatos daquela tragédia surgiam em sua mente como cenas de um filme de horror. Henry Mills estava morto e por sua causa. Em seu pensamento, Regina jamais a perdoaria, e essa possível verdade dilacerou seu coração.

— Emma? Filha, o que aconteceu? Por que está chorando? — Ingrid perguntou, correndo ao seu encontro quando ela apareceu na sala nitidamente nervosa e assustada.

— Eu não queria, mamãe…eu não tive culpa, eu juro… — ela dizia, abraçada ao corpo de sua mãe.

— Fale o que aconteceu, por favor Emma… — Ingrid pedia, tão angustiada quanto.

— O pai de Regina…nós discutimos e ele…ele teve um enfarto e morreu — ela revelou, recebendo um olhar incrédulo de sua mãe.

— Misericórdia senhor! — exclamou Granny, ao presenciar toda a conversa.

— Emma…calma…fique calma… — dizia Ingrid. — Granny, traga um calmante, alguma coisa para ela, logo!

— Sim senhora!

Poucos minutos depois, Granny retornou com uma xícara de chá em mãos. Emma bebeu o líquido aos poucos, enquanto seus cabelos eram afagados por Ingrid. Quando finalmente o pranto cessou, ela conseguiu explicar todo o ocorrido, desde sua descoberta sobre a falsa doença de Henry, até sua proposta recusada por ele que acabou resultando na discussão e posteriormente, no enfarto que o levou a óbito.

— Eu não sabia que ele tinha problemas no coração, mamãe…se eu soubesse, jamais o teria enfrentado.

— Não foi sua culpa, meu amor…você foi em paz tentando ajudá-lo. O que aconteceu foi uma fatalidade…

Enquanto Ingrid tentava isentar a culpa de Emma, Zelena falava com Regina ao telefone pedindo para que sua irmã voltasse o mais rápido possível, todavia, ocultou o real motivo, dizendo apenas que Henry estava muito doente. Regina, por sua vez, não hesitou em pegar o primeiro voo para Storybooke, e ao desembarcar, foi recebida por uma Zelena abatida e angustiada, totalmente diferente do que ela costumava ver.

— Por Deus, Zelena…o que aconteceu? — ela perguntou, e em resposta, Zelena desabou em um pranto compulsivo.

Algumas pessoas se aproximaram assustadas, questionando se alguma delas necessitava de ajuda ou auxílio médico. Regina agradeceu a atenção e não descartou a possibilidade de conduzir sua irmã ao posto médico dentro do aeroporto, no entanto, Zelena garantiu que estava bem, e minutos depois, pegaram um táxi e se dirigiram até a mansão.

— Papai já saiu do hospital? O que realmente aconteceu? — Regina perguntou, enquanto atravessava o jardim em direção a porta.

Assim que entraram, seus olhos percorreram o ambiente e cruzaram com Cora e Granny chorando. Ao lado delas, estava Victor Whale, médico que assumiu a família após a aposentadoria do seu pai.

— O que está acontecendo? Onde está o meu pai? — ela perguntou, num tom exaltado.

— Infelizmente, o senhor Mills faleceu, Regina — Victor falou.

— Não…não pode ser…não pode ser… — ela murmurou, esvaindo-se em lágrimas, sendo amparada por sua irmã.

Victor esperou alguns minutos até que Regina se acalmasse pelo menos um pouco. Em seguida, informou que o corpo já estava a caminho para que fosse velado e na manhã seguinte, seria realizado o funeral. Ao ser questionado sobre a causa da morte, Victor disse que se tratou de um enfarto, deixando claro que ele e o próprio Henry desconheciam o problema. Zelena, por sua vez, não hesitou em contar a Regina sobre a visita de Emma, acusando-a de provocar a morte de Henry Mills.

— Emma? Não, Zelena…Emma jamais…

— Eles estavam discutindo quando eu cheguei! Ela o acusava de alguma coisa e papai…meu Deus…eu vi o medo nos olhos dele, Regina!

— Discutindo por quê? Fale! — ela gritou.

— Eu não sei!

— Já chega vocês duas! — exclamou Cora, e antes que pudesse dizer algo mais, Úrsula informou que o corpo de Henry havia chegado.

Alguns amigos e conhecidos, assim como os funcionários da Mills Export, se dirigiram ao velório. O caixão permaneceu no jardim, embaixo da macieira onde ele costumava se sentar para ler um livro ou o jornal do dia. Minutos depois, Ingrid Swan apareceu para dar suas condolências.

— Como se atreve a colocar os pés aqui depois do que sua maldita filha fez? — gritou Zelena, e ao fazer menção de se aproximar mais, Regina a impediu.

— Zelena, por favor! Fique com mamãe…eu preciso falar com a senhora Swan — disse Regina.

— Eu sinto muito, Regina…

— Diga-me que Emma não está envolvida nisso…

— Foi uma fatalidade. Emma só queria ajudar.

— Por favor! Certamente ela veio tentar convencê-lo a aceitar o maldito empréstimo, e como ele se recusou, ela o insultou a ponto de…

— Não tire conclusões equivocadas. Converse com minha filha e…

— Emma está morta para mim! E acredite, senhora Swan…eu nunca a perdoarei por isso. Agora por favor, vá embora. Sua família já causou dor suficiente para a minha família — disse ela.

— Diga a sua mãe que eu sinto muito — dito isso, ela se foi.

Na manhã seguinte, as sete horas em ponto, o funeral foi realizado. Regina, ao lado de Cora e Zelena, não conteve o choro quando os primeiros grãos de areia colidiram contra a madeira do caixão. As pessoas presentes no funeral começavam a deixar o cemitério quando Emma apareceu. Seus olhos verdes e mortiços que expressavam culpa por aquela tragédia, encontraram os olhos castanhos que ela tanto amava escondidos por trás das lentes escuras dos óculos de sol.

— Regina…eu sinto muito… — ela disse, e em resposta, recebeu um tapa que a fez cambalear.

— Como foi capaz de tamanha maldade…?

— Por favor, deixe-me explicar…eu não sabia que seu pai tinha problemas no coração…

— Não me interessam suas explicações! Eu te odeio, Emma…nunca a perdoarei por tirar o meu pai de mim!

— Eu juro que nunca tive a intenção…

— Emma, por favor…respeite a dor dessa família — Victor falou, e sem alternativa, Emma foi embora.

[…]

— Ela não quis me ouvir, mamãe…ela me culpa pela morte dele e nunca me perdoará… — dizia Emma, com a cabeça apoiada nas coxas de Ingrid enquanto seus cabelos eram afagados por ela.

— É normal essa reação por parte dela, filha. A dor é recente e sempre buscamos um culpado por essas fatalidades.

— Tenho medo que ela me odeie para sempre.

— Espere ela se acalmar e quando você se explicar, as coisas se mostrarão diferentes…

Na biblioteca, Anna contava todo o ocorrido a David que por sua vez, acreditou ser uma ótima oportunidade para se aproximar de Regina, e mesmo que não tivesse qualquer possibilidade de manter uma possível relação com ela devido a sua orientação sexual, usaria dessa artimanha para afastá-la cada vez mais de Emma.

— Eu avisei que você pagaria caro por roubar o meu cargo no escritório, irmãzinha…e eu não precisei mover um dedo sequer… — ele murmurou, assim que Anna se retirou.

Devido ao estado fragilizado em que Emma se encontrava, Ingrid não permitiu que ela se dirigisse ao escritório, passando essa tarefa temporária a David, seu filho mais velho.

— Quer dizer que todas as vezes em que Emma ficar com essas frescuras, eu terei que fazer o trabalho que a senhora se orgulha em gritar aos quatro ventos que pertence a ela?

— Respeite a dor da sua irmã e não conteste minhas decisões!

— Eu não vou tolerar isso, mamãe.

— David, você não é obrigado a nada…mas aguente as consequências como Emma aguentou quando decidiu sair de casa para se aventurar com aquela droga de oficina!

— Sei que a senhora adoraria me deserdar para dar tudo a Emma!

— Eu não vou discutir com você. E lembre-se, você não é obrigado a nada.

Alguns dias se passaram e Emma finalmente voltou a sua rotina no escritório principal da Swan Ocean Palace. Suas tentativas de falar com Regina foram todas por água abaixo, mas o fato de saber que sua amada permanecia na cidade, aliviava um pouco a dor em seu coração.

Embora não tivesse conseguido nenhum empréstimo para reverter a situação da Mills Export, Regina tentava levantar o patrimônio de sua família com o que tinha em mãos. Sua casa na praia foi vendida, bem como o apartamento de Zelena e alguns carros da família. Com todas as vendas, conseguiram praticamente metade do dinheiro, todavia, as dívidas eram bem maiores do que elas imaginavam.

— Vai dar tudo certo, Regina…conseguiremos levantar nossa empresa e teremos justiça pela morte do nosso pai — Zelena falou, recebendo um olhar desconsertado de sua irmã.