Uma Perfeita Idiota
20 Capítulo 20
— O que você quis dizer com “teremos justiça pela morte de papai?” — Regina perguntou.
— Bom…quando levantarmos a empresa, mostraremos aquela idiota que não precisamos do dinheiro dela — ela disse.
— Zelena, eu não quero mais problemas. Então vamos apenas trabalhar, certo?
Alguns dias se passaram e embora insistisse, Emma não conseguia esclarecer os fatos com Regina. Num final de tarde nublado, Regina organizava alguns papéis para deixar a empresa quando de repente, a porta se abriu e seus olhos cruzaram com os olhos verdes de Emma.
— Com que direito você entra assim em minha sala? — ela perguntou.
— Eu preciso falar com você. Por favor, me escute.
— Chamo a segurança, senhora? — a secretária perguntou.
— Não…está tudo bem, pode se retirar.
— Obrigada — Emma falou.
— Diga logo o que quer e vá embora.
— Seu pai estava mentindo.
— Do que está falando?
— Sobre a doença que ele dizia ter…ele não estava doente de Alzheimer.
— Não pode ser.
— É verdade. Ele mentiu todo esse tempo.
— Basta, Emma! Ele não está vivo para se defender.
— Se não acredita, pergunte ao Dr. Victor.
— Tudo bem, Emma…e se ele estivesse mentindo? Você procurou saber os motivos?
— Regina, eu só quero que você entenda que tudo foi uma fatalidade…eu não tive a intenção e se soubesse…
— O que você foi fazer em minha casa?
— Fui oferecer o empréstimo para que você voltasse logo.
— E…?
— Ele recusou e ainda foi grosseiro comigo… Então começamos a discutir e eu disse que contaria a verdade para você. Foi então que ele passou mal e…
— E morreu.
— Eu juro que se pudesse evitar, se eu pudesse voltar no tempo… — antes que ela pudesse concluir sua fala, o telefone tocou. Era a secretária na outra linha.
— Bom, se era só isso que você tinha para dizer…
— Regina, você não me ama mais?
— Emma, por favor…vá embora.
— Diga olhando nos meus olhos que deixou de me amar e eu prometo que a deixarei seguir em frente sem mim.
— É melhor você ir embora antes que eu chame a segurança.
— Eu não vou sair enquanto você não me responder… — ela murmurou, encurralando-a contra a parede.
— Emma…eu estou falando sério… — Regina sussurrou, a respiração presa na garganta.
— Eu te amo…não percebe? O que posso fazer para que você me perdoe? Diga e o farei… — ela disse, e ao fazer menção de beijá-la, Regina se afastou rapidamente.
— Retire-se, Emma… — ela falou, abrindo a porta e dando passagem para que ela passasse.
Emma pensou em argumentar mais uma vez, todavia, recuou quando seus olhos cruzaram com Milah do lado de fora conversando com a secretária. Era a mesma mulher com quem Regina havia sido fotografada em Nova Iorque. Embora a raiva e o ciúme começasse a se manifestar em seu corpo, ela conseguiu se controlar e deixar o prédio.
— Eu sinto muito não ter vindo antes para o funeral do seu pai…meus pêsames — Milah falou, envolvendo-a num abraço apertado.
— Obrigada… — Regina murmurou, fechando a porta atrás de si.
— Era ela? A mulher de quem você me falou?
— Sim…
— Vocês terminaram?
— Estou magoada com ela…são muitos problemas e eu não tenho cabeça para lidar com tudo isso agora.
— Sei que a dor da perda é difícil de suportar. Mas o que aconteceu foi uma fatalidade, Regina. Seu pai poderia ter sofrido um enfarto a qualquer momento, independente de discutir com ela ou com quem quer que fosse.
— Eu sei…mas ela foi impulsiva como sempre. Enfim, eu não quero falar sobre isso.
— Tudo bem, não se preocupe.
— Ficará alguns dias pela cidade?
— Só o final de semana mesmo. Posso usar seu telefone? Meu celular está sem bateria e preciso confirmar a reserva no hotel.
— Hotel? De jeito nenhum! Você ficará em minha casa.
O final de semana se passou de forma tranquila, especialmente com a visita de Milah na mansão dos Mills. Zelena, embora estivesse contente com aquela visita, passaria o final de semana com Killian na casa dos pais dele. Cora, por outro lado, não mostrou qualquer entusiasmo de sua parte, e como vinha fazendo desde a morte de Henry, optou por se refugiar na biblioteca. Regina ainda não tinha conversado com sua mãe ou irmã a respeito da suposta falsa doença de Henry, e nem pretendia fazê-lo sem antes conversar com Victor Whale.
Na manhã de segunda-feira, após acompanhar sua amiga até o aeroporto, Regina seguiu direto para o consultório de Victor, surpreendendo-se quando ele relatou as mesmas palavras de Emma.
— Porque ele mentiria a respeito disso, Dr. Victor?
— Sinceramente eu não sei, Regina.
— Não entendo…nós vimos os exames e tudo.
— Mesmo? Nesses exames deve ter o nome do médico que deu esse diagnóstico…se me trouxer os exames, talvez eu consiga descobrir algo.
— Eu farei isso…procurarei os exames e os trarei para que dê uma olhada. Muito obrigada, Dr. Victor.
— De nada, Regina…e, bom…sei que não é da minha conta, mas não culpe Emma por essa fatalidade. Problemas no coração não esperam discussões para se manifestar — ele disse, e ela apenas assentiu antes de se retirar.
Enquanto se dirigia para empresa, Regina pensava seriamente nas palavras de Victor e em partes ele tinha razão. Os pensamentos embaralhados em sua cabeça se misturavam às suposições para que Henry tivesse inventado toda aquela história de uma doença inexistente. Após um longo suspiro, ela sentiu a cabeça doer ainda mais quando, ao abrir a porta de sua sala, deparou-se com Emma a sua espera.
— Você de novo… O que faz aqui?
— É por causa daquela mulher, não é? Por que não diz de uma vez que me trocou por ela?
— Porque não é verdade.
— Isso quer dizer que você ainda me ama?
— Isso quer dizer que eu preciso trabalhar.
— Regina, por favor…
— O que havia entre nós acabou, Emma.
— Para mim não acabou.
— Mas para mim, sim.
— Você voltará para mim por bem ou por mal.
— O que quer dizer com isso?
— Você verá — dito isso, ela se retirou.
[…]
Depois de muito pensar a respeito do que pretendia fazer, Emma deixou o escritório para colocar em prática sua última tentativa de recuperar Regina. Em poucos minutos, ela chegou ao destino desejado disposta a qualquer coisa.
— Emma Swan? Aqui? — indagou Cora, claramente surpresa.
— Sim senhora. E deseja falar com a senhora — a empregada informou.
— Deixe-a entrar — ela disse, e segundos depois, a mesma empregada retornou na companhia de Emma.
— Senhora Mills…antes de tudo eu gostaria de dizer que sinto muito pelo que aconteceu ao seu marido.
— É claro que sente. Afinal de contas, foi você quem provocou tudo isso.
— Foi uma fatalidade.
— Não creio que tenha vindo aqui me dizer a mesma coisa que sua mãe disse…
— Não, não foi por isso. Tenho uma proposta a fazer.
— Proposta? Interessante. E o que seria essa proposta?
— Sei que vocês venderam algumas propriedades e que ainda assim, não conseguiram dinheiro suficiente para levantar a empresa, uma vez que as dívidas só aumentam devido aos juros altíssimos acrescentados a cada dia que se passa sem que tudo seja quitado… — ela disse, fazendo uma pausa enquanto Cora permanecia em silêncio. — Quanto mais tempo se passar, pior será e em breve, a senhora perderá essa casa e até o último centavo que tiver.
— E onde está a proposta nisso tudo? — ela perguntou.
— Dez milhões de dólares resolveria todos os problemas, não?
— Estaria disposta a nos emprestar dez milhões de dólares? A troco de quê?
— Regina.
— O que disse?
— Empresto o dinheiro sem acrescentar juros com a condição de que Regina se case comigo — ela propôs, e em resposta, Cora explodiu numa generosa gargalhada.
— Você realmente não conhece a minha filha. Acredita mesmo que ela aceitaria isso?
— A princípio, ela não precisa saber…
— Impossível!
— Basta que ela assine o documento. Depois de assinado, o dinheiro entrará na conta da empresa e não haverá volta…porque se o acordo for quebrado, a senhora terá um prazo de dez dias para me pagar o dobro do que lhe foi emprestado.
— E como eu não teria o dobro para pagar, Regina teria que atender as suas “exigências” — ela completou, andando de um lado para o outro. — Você pensou em tudo, não é? Mas…só uma dúvida…o que te fez acreditar que eu aceitaria essa proposta?
— Não imagino a senhora se desfazendo de sua mansão para viver a velhice num minúsculo apartamento. Além disso, faço isso por Regina.
— Ela te odiará quando souber a verdade.
— Mas estará ao meu lado e eu farei com que ela enxergue que as minhas decisões são feitas por amor a ela. Agora fale…aceita o acordo?
— Sim…eu aceito.
Alguns dias após a conversa com Cora, Emma informou a Ingrid a respeito do empréstimo que faria aos Mills, ocultando a cláusula onde Regina seria obrigada a conviver com ela. Embora estranhasse o valor altíssimo, ela não se opôs e rapidamente deixou o banco avisado sobre a quantia que deveria ser transferida para a conta da Mills Export.
— É uma diferença muito grande, Emma. São oito milhões a mais do que eles disseram precisar — Ingrid falou.
— Eu sei, mamãe. Mas com o passar do tempo e a morte do senhor Mills, as coisas pioraram — Emma argumentou.
— Tudo bem…o gerente do banco informou que a transferência será feita amanhã mesmo.
— Obrigada, mamãe…não sei o que faria sem o seu apoio — disse Emma, envolvendo-a em um abraço apertado. — Agora eu preciso ir…tenho alguns assuntos para resolver antes de ir ao escritório.
— E Regina? Como estão as coisas com ela?
— Estamos nos acertando e em breve ficaremos juntas novamente — dito isso, ela se retirou.
Conforme havia dito a Ingrid, antes de se dirigir ao escritório, Emma seguiu ao encontro de Cora para receber o contrato assinado por Regina.
— Ela não percebeu nada? — Emma perguntou.
— Felizmente, não.
— Que bom…amanhã mesmo o dinheiro estará na conta da empresa.
— Muito bem…aqui está o contrato.
— Fique com essa cópia. Eu ficarei com a original e mais uma cópia — ela disse, e Cora apenas assentiu, se retirando em seguida.
No dia seguinte, conforme o gerente do banco havia informado, o dinheiro fora transferido para conta da Mills Export. Zelena que atuava no setor financeiro, assustou-se quando recebeu uma ligação do próprio gerente.
— Regina…você não vai acreditar no que acabou de acontecer! — exclamou Zelena.
— O que foi, Zelena? Você está me assustando! Fala de uma vez!
— Dez milhões foram transferidos para a conta da empresa.
— Dez milhões? O que está dizendo? Quem transferiu esse dinheiro?
— Você não imagina?
— Emma? Não pode ser…como ela conseguiu o número da conta? Como fez essa transferência sem nos consultar?
— Eu não sei, Regina…não faço a mínima ideia.
— Mas eu vou descobrir!
— Aonde vai?
— Falar com ela e devolver o dinheiro — dito isso, Regina se retirou.
Trinta minutos foi o tempo percorrido por Regina até que seu carro estacionasse em frente ao prédio onde se encontrava o escritório principal da família Swan. Antes de ter sua entrada autorizada, Regina esperou alguns minutos até que Emma fosse informada daquela visita.
— Deixe-a entrar agora mesmo — Emma disse, uma vez que já esperava por isso. Minutos depois, a secretária abriu a porta dando passagem para que Regina entrasse.
— Pode me explicar o que significam aqueles dez milhões de dólares? — ela perguntou.
— Bom dia para você também — Emma falou.
— Responda a droga da minha pergunta!
— Significa um empréstimo. Simples.
— Não fiz empréstimo algum!
— Mas sua mãe fez.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu.
— Não é verdade! Mamãe não faria isso sem nos consultar!
— Mas ela fez.
— Assim como ela fez, desfará!
— Impossível. A não ser que ela tenha vinte milhões para me pagar pela quebra do contrato.
— Vinte milhões?
— Aqui está o contrato, Regina…leia atentamente, especialmente as cláusulas — disse Emma, entregando-lhe o papel.
À medida em que seus olhos percorriam as letras pequenas, porém, bem claras nas últimas linhas do papel, sua expressão se apresentava cada vez mais incrédula, a ponto e fazê-la perder o raciocínio por alguns segundos.
— Isso não pode ser verdade… — ela disse, ainda em choque mediante o conteúdo. — Você só pode estar louca…não existe outra explicação…
— Estou louca de amor por você…
— Infeliz… Eu não concordei com nada do que está escrito aqui.
— Sua assinatura está clara.
— Eu não assinei isso.
— Você assinou, embora não soubesse o que estava assinando.
— Miserável! — ela exclamou, acertando-lhe um tapa na cara. — Como foi capaz?
— No amor e na guerra vale tudo.
— Vá se ferrar você e o seu amor! — disse ela, num tom exaltado. — Veja o que eu faço com o seu maldito contrato! — acrescentou, rasgando o documento e atirando os pedaços contra seu rosto.
— É apenas uma cópia. Tenho os originais.
— Isso nunca vai acontecer!
— Vai sim…e amanhã mesmo irei buscá-la para que vá morar comigo na mansão.
— Sonhar não custa nada, não é? Idiota! — dito isso, Regina se retirou.
Enquanto dirigia, Regina se perguntava como Cora fora capaz de fazê-la assinar aquele contrato sem que ela percebesse. Ainda no meio do caminho, ela ligou para Zelena marcando de se encontrarem em casa, adiantando que Cora era a responsável por aceitar o empréstimo. Minutos depois, chegaram à mansão praticamente juntas.
— E então, Regina? Emma explicou porque fez aquela transferência de dez milhões para a conta da Mills Export? — Zelena perguntou.
— Sim, e agora é a vez de mamãe explicar a razão de ter concordado com isso.
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