A manhã de domingo se passou mais rápido do que elas desejavam e no final da tarde, já era hora de retornar para Storybrooke. Enquanto dirigia, Regina agradecia a Emma pelo maravilhoso final de semana, prometendo repetir a “dose” assim que fosse possível. Emma, por outro lado, começava a fazer os planos ainda no caminho, e entre os planos, estava um jantar para que Regina finalmente pudesse conhecer sua família.

— Como se chama sua mãe?

— Ingrid, e não se preocupe…ela não é tão chata como a sua mãe.

— Emma!

— Eu disse alguma mentira?

— Não, quer dizer, eu nem conheço a sua mãe para afirmar que ela é menos chata que a minha — ela disse, estacionando em frente a oficina. — Chegamos.

— Infelizmente! — Emma disse. — Porque não vem morar comigo?

— Não posso, meu amor…

— A casa não é do seu agrado? Podemos procurar um apartamento do seu agrado e…

— Emma…estamos namorando há pouco mais de um mês, não acha cedo?

— Não, eu não acho.

— Mas é cedo…além disso, meu pai está doente e eu não posso simplesmente sair de casa.

— Pode visitá-lo todos os dias…

— Meu amor, depois falamos disso, está bem?

— Está bem e desculpe se estou te pressionando…apenas…

— Não está me pressionando e apesar de ser cedo, eu adoraria dormir e acordar ao seu lado todos os dias. Mas no momento, não será possível, você compreende?

— Sim, meu amor. Eu compreendo — Emma falou, descendo do veículo e retirando sua mochila do banco traseiro.

— Eu te ligo mais tarde — disse Regina, beijando-lhe os lábios e em seguida, se foi.

Assim que entrou em casa, Emma se jogou em sua cama relembrando o final de semana inesquecível ao lado de Regina. Ela sabia que de fato era cedo para começarem uma vida juntas, mas o amor que sentia, a vontade de mantê-la por perto o tempo todo fizeram com que essa possibilidade passasse pela sua cabeça diversas vezes. Seus pensamentos foram interrompidos quando o seu telefone tocou.

— Oi, mamãe…

— Já está em casa, Emma?

— Sim, algum problema?

— Não, só queria avisar que sábado será o aniversário de vinte anos da nossa rede hoteleira. Quero que esteja presente.

— Mamãe, esses eventos não combinam comigo e…

— Não vou perdoá-la se você me fizer a desfeita de não comparecer! — dito isso, Ingrid desligou.

— Droga! — Emma murmurou, atirando o aparelho sobre os travesseiros.

[…]

Regina havia acabado de se arrumar para se juntar aos seus pais no jardim da mansão quando Zelena a impediu de prosseguir, puxando-a pelo braço até um canto qualquer da sala.

— Porque você não me contou a cena que mamãe fez no jantar? — ela perguntou.

— Pra que, Zelena?

— Regina, como permitiu que mamãe humilhasse sua namorada?

— Eu não permiti! Além disso, o que eu poderia fazer? Bater em mamãe?

— Não, mas…

— Emma a colocou no lugar dela e foi o suficiente. Além disso, o que mamãe fez não mudou as coisas entre nós…passamos um final de semana incrível juntas — ela disse, esboçando um largo sorriso.

— Uma pena eu não ter comparecido ao jantar…nunca a vi de perto.

— Qualquer dia desses, combinamos de sair juntas e você chama o Killian.

— Encontro de casais?

— Quase isso.

— Vamos, papai quer conversar com a gente.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não que eu saiba.

Enquanto se dirigiam ao jardim, Regina contava como havia passado o final de semana ao lado de Emma, inclusive, exibiu o anel que ganhou de presente de aniversário.

— Papai, como está? — ela perguntou, cumprimentando-o com um beijo. — Mamãe… — acrescentou, cumprimentando-a também e em seguida, Zelena fez o mesmo.

— Oi filha! Como passou o final de semana? — Henry perguntou.

— Muito bem, pai. Olha o presente que ganhei — ela disse, estirando a mão.

— Será que não é roubado? Porque aquela morta de fome não teria dinheiro para comprar uma joia valiosa… — Cora comentou.

— Cora, basta! — exclamou Henry.

— Nada do que disser estragará o meu final de domingo, mamãe — disse Regina.

— O que queria falar, papai? Diga logo porque o clima aqui está muito pesado e eu preciso de ar puro! — Zelena se pronunciou.

— Recebemos um convite para o aniversário de vinte anos da rede de hotelaria Swan Ocean Palace e gostaria que a família comparecesse…será bom para a empresa que não anda muito bem ultimamente — ele explicou.

— Tem razão papai…se tivermos sorte, podemos até conseguir contatos para possíveis contratos — Regina falou.

— Isso mesmo, filha. Era só isso que eu tinha pra dizer…

A semana se passou rapidamente e os problemas na Mills Export pareciam aumentar de forma desenfreada, o que acabava limitando o tempo de Regina, e consequentemente, o contato entre elas se dava na maioria das vezes, por telefone.

Era uma manhã de sexta-feira, Emma terminava de arrumar os últimos detalhes de um carro, quando August apareceu.

— Emma…podemos conversar?

— Pode falar…

— Gostaria de me desculpar por aquele incidente.

— Tudo bem, já passou.

— Eu também gostaria de saber se podemos voltar a trabalhar juntos…

— Está bem…mas eu vou logo avisando que não vou tolerar ofensas direcionadas a Regina e…

— Não, não, não acontecerá. Eu só fiquei preocupado com você e confesso que…bom, sinto falta das nossas saídas juntos. Desde que conheceu a madame você me jogou pra escanteio.

— Não é isso, cara…você é meu melhor amigo e sabe disso. Apenas…já passamos o dia todo trabalhando juntos e o tempo que me sobra preciso dedicar a ela.

— Você tem razão…me perdoe. Posso te dar um abraço?

— Claro, seu bobo!

O restante do dia se passou de forma tranquila e ao lado do seu antigo parceiro, Emma terminou os serviços pendentes dos três veículos que se encontravam na oficina. No final da tarde, Regina apareceu para mais uma visita rápida, onde o tempo curto e o cansaço do dia, lhes permitiam apenas trocar alguns beijos e palavras.

— Estou com saudade de você… — disse Emma, sentada ao lado de Regina no banco do carona.

— Eu também, meu amor…mas infelizmente, as coisas parecem piorar na empresa.

— Eu sinto muito, Regina…mas o que acha de passarmos o final de semana juntas?

— Não posso, amor…amanhã haverá um evento do qual eu preciso comparecer.

— Posso ir a esse evento com você e depois que acabar, passamos o restante da noite juntas — Emma sugeriu.

— Querida, mamãe estará presente…além disso, se você não recebeu um convite então…

— Não creio que me impedirão de entrar, ainda mais na sua companhia.

— Emma, você parece uma criança insistente!

— E você não quer que eu te acompanhe por quê?

— Se você começar com aquela mesma história de vergonha, juro que ficarei muito aborrecida!

— As vezes é o que parece! Sabe quantas vezes saímos para jantar fora? Uma! E sabe quantas vezes você me apresentou a qualquer amigo seu? Nenhuma! Além disso, sua mãe…

— Chega, Emma! Fala-me, quais foram os amigos seus que eu conheci? Nem sua família eu conheço e você ainda me vem com essas cobranças idiotas?! — ela gritou, claramente irritada. Emma nada respondeu, desceu do veículo e caminhou a passos firmes em direção as escadarias que levavam para a porta de entrada de sua casa.

Regina suspirou contrariada e após alguns segundos pensativa, ela deu partida e se foi.

[…]

Na manhã seguinte, Emma despertou com o som insistente da campainha. Por um instante ela chegou a pensar que se tratasse de Regina, todavia, tratava-se de Ingrid, sua mãe.

— Mamãe, o que faz aqui tão cedo? — Emma perguntou, dando passagem para que ela entrasse.

— Vim buscá-la…esqueceu que hoje é o aniversário de vinte anos…

— Tá, já sei…mas a festa será a noite.

— Qual o seu problema? Porque está mal-humorada?

— Assunto meu, mamãe.

— Você está muito malcriada!

— Mamãe, por favor…eu não vou a esse evento, não estou com cabeça pra isso!

— Porque não se abre comigo, Emma? Eu sou sua mãe…porque não confia em mim?

— Do que está falando?

— De tudo que você me exclui…por Deus, você está endividada, está devendo até a sua irmã e não fala comigo…

— Pra que? A senhora tantas vezes gritou aos quatro ventos que serei deserdada!

— E o que você quer que eu faça? Que eu te entregue tudo enquanto você brinca de sujar as mãos com graxa?

— Eu não estou brincando, mamãe! Esse é meu trabalho!

— Foi esse maldito trabalho que tirou o seu pai de mim! De nós! — ela gritou, não contendo o pranto.

— Mamãe…eu… — Emma murmurou, envolvendo-a num abraço apertado.

— Você não compreende que tudo o que sinto é medo de perdê-la como perdi David…eu não suportaria outra dor como aquela, Emma…

— Não chore, por favor…não vai acontecer nada, eu prometo…

— Deus! Seu pai me dizia a mesma coisa e…por Deus, Emma!

— Mamãe, acalme-se por favor…irei ao evento, eu juro…mas por favor, fique calma…

Cessado o pranto, Emma acompanhou sua mãe até a mansão onde seria realizado o evento. Todos os preparativos já estavam em andamento desde a noite anterior, e uma equipe contratada por Ingrid para ajudá-las na escolha dos trajes e maquiagem já estavam a disposição. Emma se perguntava qual era a necessidade de tudo isso, uma vez que se tratava apenas de um evento, e não uma cerimônia de recepção para reis ou rainhas. De repente, a imagem de Regina surgiu em sua mente e sem se importar com o que pensariam, ela sorriu percebendo que sua amada era digna de ser recebida como uma verdadeira rainha. Foi tirada de seus pensamentos quando Anna apareceu, arrastando-a para que juntas escolhessem o que vestiriam naquela noite tão importante para a família.

[…]

O relógio marcava dezenove horas e os primeiros convidados começavam a chegar. O imenso jardim da mansão servia de salão para receber a todos. Diversas mesas com suas respectivas cadeiras muito bem decoradas e posicionadas sobre a grama verde bem cuidada, esperavam para ser preenchidas no tão esperado aniversário de 20 anos da rede hoteleira Swan Ocean Palace. Uma espécie de maquete que mais parecia uma escultura do hotel com a logo marca da família era exibida logo na entrada, onde os convidados paravam para fotografar aquela bela obra de arte num entusiasmo sem tamanho.

O jardim já se encontrava cheio, os garçons circulavam de um lado para o outro servindo os saborosos e elegantes canapés acompanhados das finas taças de champagne. Da janela do quarto onde se encontrava, Emma sentiu seu coração disparar quando a família Mills adentrou os portões e Regina, caminhando de forma majestosa, lhe roubou seu melhor sorriso.

— Minha deusa coroada… — ela sussurrou consigo mesma, olhando-se pela milésima vez no espelho, e embora não fosse vaidosa, gostou de seu reflexo naquele traje elegante diferente do que ela costumava vestir.

Ingrid já se encontrava a postos, cumprimentando a todos que chegavam com um entusiasmo que há muito tempo ela não sentia. Já passava das dezenove e trinta quando a matriarca da família se dirigiu ao pequeno palco para agradecer a presença de todos.

— Boa noite, senhoras e senhores — ela disse. — Antes de tudo, quero agradecer a presença de todos nessa data tão importante para mim. É com muito orgulho que tenho o prazer de comemorar os 20 anos de trabalho, compromisso e dedicação de todos aqueles que contribuíram para o crescimento deste patrimônio. — acrescentou, esboçando um sorriso orgulhoso. — Obrigada a todos, especialmente aos meus filhos. — disse por fim, recebendo um abraço de Anna e David. — Sei que muita gente não conhece…então aproveito para vos apresentar os meus tesouros, David, Anna e… — ela parou, enquanto percorria o ambiente com o olhar. — Oh, aí está você! — Ingrid falou, estendendo a mão para Emma que se aproximava. — Como costumam dizer, essa é minha filha do meio, a “rebelde” da família, Emma Swan — Ingrid disse, explodindo de orgulho.

Nitidamente desconsertada, Cora Mills, ou melhor, toda a família observava a cena com um ar de incredulidade e surpresa.

— Nossa! Ela é mais bonita do que imaginei. Porque nunca falou que sua namorada era filha da tão requintada Ingrid Swan? — indagou Zelena.

— Eu não sabia do parentesco…quer dizer, vi uma fotografia dela com a família mas não reconheci a senhora Swan — Regina respondeu, sem desviar os olhos da cena.

Depois de sussurrar alguma coisa no pé do ouvido de sua mãe, Emma caminhou lentamente ao seu lado na direção da mesa em que Regina e sua família se encontravam acomodados. No meio do percurso, vez e outra paravam para receber os cumprimentos de alguns convidados que nenhuma delas conhecia claramente. Quando finalmente chegaram ao lugar de destino, Emma se pronunciou.

— Mamãe, quero que conheça alguém muito importante e especial para mim…Regina… — Emma falou, exibindo seu belo sorriso.

— Muito prazer, senhora Swan — Regina falou, levantando-se para cumprimentá-la.

— O prazer é meu, Regina…quer dizer que você é a responsável por provocar esse sorriso bobo na minha filha… — ela disse, num tom divertido.

— Acho que sim, porque quando a conheci, ela apresentava uma expressão muito dura — disse a morena, arrancando um sorriso de sua “sogra”. — Ah, essa é minha irmã Zelena…e esses são os meus pais, Cora e Henry Mills.

— Muito prazer e se sintam em casa! — exclamou Ingrid.

— Emma, porque nos disse que sua mãe era… — Cora tentou se pronunciar, todavia, foi interrompida rispidamente por Emma.

— Eu não disse nada! Quem disse foi a senhora!

— E você confirmou! Se tivesse nos dito que era filha da senhora Swan…

— Certamente a senhora teria me recebido com toda a gentileza do mundo e em hipótese alguma, se esforçaria tanto para tentar me humilhar! — Emma a interrompeu mais uma vez.

— O que está acontecendo? Do que estão falando? — Ingrid perguntou, claramente desconsertada.

— Nada importante, mamãe — disse Emma. — Regina, podemos conversar?

— Minha família e eu já estamos de saída, Emma…conversamos amanhã — Regina falou, numa seriedade sem tamanho.

— Está cedo…a festa acabou de começar — disse Ingrid, embora continuasse intrigada com aquele diálogo entre sua filha e Cora Mills.

— Filha, aproveite a festa e a noite ao lado da sua companheira…Zelena nos leva para casa — Henry se pronunciou.

— É, Regina…aproveite a noite e divirta-se — disse Zelena. — Emma, senhora Swan, foi um prazer — acrescentou, se retirando em seguida ao lado dos pais.

— Bom, vou deixá-las a sós…Regina, sinta-se em casa — dito isso, Ingrid também se retirou.

— Vamos… — Emma murmurou.

— Para onde? — indagou Regina.

— Conversar em um lugar mais discreto.

— O que tiver que conversarmos, conversaremos aqui mesmo! — Regina exclamou, num tom exaltado.

— Atrapalho alguma coisa, irmãzinha? — David perguntou de forma zombeteira, e em seguida, dirigiu seu olhar à Regina. — Minha nossa…e ainda dizem que perfeição não existe! — acrescentou, percorrendo o corpo à sua frente com o olhar sem se importar com a presença de Emma.