Era maio já, e a temporada de futebol americano estava pra começar. O primeiro jogo do meu time, os meridian falcons ia ser contra os Vidol serpents. O serpents era um dos melhores times da cidade, eu fiquei sabendo por jake. Eu ia jogar como WR titular no final de semana, meu ego nas alturas. Melhor do que isso, Milla estaria lá me assistindo, e eu queria impressionar ela.

A semana passou como um raio, quando eu menos esperava, já era o dia do jogo. Meu estomago borbulhava com o nervosismo, toda a confiança tendo sumido perto de quarta feira. Os diversos comentários maliciosos do meu irmão só ajudando meu animo a diminuir. Eu tive pesadelos a semana inteira, me imaginando fazendo o meu time perder. Só de lembrar eu me sentia nauseado já. O que eu não daria nesse momento pra ser tão autoconfiante quanto Mat.

— nós vamos arrancar a pele deles!!! — ele bradava dentro do vestiário, enquanto nós vestíamos os uniformes. A camisa era de um azul profundo, um grande falcão prateado marcado nos ombros. A calça era da cor do falcão da camisa, com duas grandes linhas azuis de cada lado.

Eu coloquei o capacete em minha cabeça, tentando esquecer todo o nervosismo que me assolava. O técnico chamou todos os jogadores, fazendo uma grande roda dentro do pequeno vestiário.

— Nós vamos ganhar hoje. Nós vamos ganhar porque somos melhores que eles. A vitória não é uma possibilidade, é uma certeza. Nós somos um time, e como um time ganharemos hoje!!!!

Ele gritou a plenos pulmões, sendo seguido por quase todos ali dentro. A animação geral me acalmou um pouco, estavam todos tão confiantes, acho que esse excesso de confiança geral acabou passando pra mim. Nós saímos do vestiário em fila indiana, eu atrás de Mat, todos correndo e gritando, feito um bando de animais. Não havia nuvens no céu, uma tarde incrivelmente ensolarada. As arquibancadas estavam lotadas, o alvoroço pareceu ter dobrado enquanto entravamos em campo. A grande maioria do estádio brilhava com o azul e prata dos nossos uniformes, uma grande bandeira, com um falcão gigante bem no meio, tremulava no meio da arquibancada.

Eu fiquei no banco esperando o time especial retornar com a bola. Quando o jogo começou eu vi meu time correr quase meio campo com a bola, uma grande hola começando nas arquibancadas. Eu pude notar do outro lado do campo, em uma quantidade bem menor, a torcida pintada de verde dos serpents. Eles vaiavam a plenos pulmões quando nossos jogadores correram.O jogo seguiu com o meu time ganhando por uma grande diferença de pontos. O nervosismo acabou me atrapalhando grande parte do tempo, acabei indo pro banco lá pela metade do jogo. Após três horas seguidas o jogo terminou, a vitória era nossa, assim como o técnico previra antes do jogo, uma onda de felicidade muito grande crescendo dentro de mim.

Quando estávamos dentro do vestiário novamente, a baderna rolando solta, todos gritando e pulando.

— Ei, japa — Era jake que chamava a minha atenção

— Fala

— Ficou sabendo da festa?

— Que festa?

— Vai ter uma festa de comemoração na casa do Mike, o time todo vai.

— Quando isso?

— Agora a noite. Você vai?

— Acho que sim.

— hm.O que você acha de eu chamar as meninas pra irem lá?

— July e Milla?— meu coração pulou acelerado dentro do peito.

— uhum. Elas e aquela menininha estranha que ta sempre grudada na Jules.

— Por mim tanto faz. — fingi descaso.

— beleza então. Vo lá falar com o Pete, você vem?

— Vo sim, deixa só eu tomar uma ducha e trocar de roupa.

— Beleza.

Alguns minutos depois eu sai do vestiário, encontrando Pete, Jake e Mat me esperando do lado de fora.

— caralho japa, você parece uma moça se arrumando. Eu tava quase indo sem você já— Pete disse debochado como sempre.

— Dexa de ser mala, o cara merece um descanso hoje. — Mat disse me dando um soco no braço.

— Mas vocês jogaram muito hoje, pena que eu não sou tão bom nisso. Aposto que aquele cara que o jake derrubou não volta a jogar tão cedo.

— Ai, ai. Não fizeram mais do que a obrigação de você, afinal, se esse ano o time de futebol for eliminado antes dos playoffs de novo, é capaz do coach de vocês surtar que nem no ano passado. — Pete disse me deixando confuso.

— Como assim?

— Ano passado, o time tava uma porcaria. Eles perderam tantos jogos seguidos, que no ultimo jogo, o Coach Baisen surtou. Todo mundo achou que ele não voltava esse ano.

— Cala boca Pete. O baisen só ficou irritado porque ninguém fazia nada do que ele mandava. Os veteranos do ano passado fizeram a pior campanha da historia dos falcons, qualquer um surtaria no lugar dele. — Mat me informou

— Isso é verdade, o time melhorou bastante com a nova equipe. — jake disse

— Pete, você vai na festa de comemoração do Mike? — perguntou Mat, desviando totalmente do assunto,

— Mike Newler?

— É.

— Opa, é claro que eu vou! A casa dele tem piscina, nunca que eu perderia essa oportunidade!— Pete disse feliz

— Então, vai cada um pra sua casa se arrumar e a gente se encontra na minha casa, meu pai deve levar a gente de carro, na hora de voltar a gente vem a pé. Pode ser? — Jake perguntou

Todos concordamos com a cabeça. Seguimos cada um pra sua respectiva casa.

•••

Quase uma hora depois eu já estava em frente ao prédio do Jacob apertando o interfone. A casa onde seria a festa ficava em um bairro bem depois do de Mat. Eu estava usando uma calça jeans um pouco larga, cheia de bolsos, com uma camiseta preta de manga longa, com um casaco vermelho por cima.

Quando Jake desceu, nós fomos pra entrada da garagem do prédio. O carro de seu pai era uma pickup gigantesca e preta, com cabine dupla.

— Para de babar no carro e sobe logo— Jake me chamou divertido enquanto entrava no carro imenso.

— Deixa de ser chato, ta parecendo o Pete já!

— Boa noite! — o pai de jake cumprimentou do banco do motorista quando eu entrei no carro. Ele parecia ser tão grande quanto o filho, a mesma vasta cabeleira loira no topo de sua cabeça.

— Boa noite. Meu nome é caius, prazer.

— Me chame de Billy por favor. — ele disse estendendo a mão pra mim

Logo depois nós partimos, passando na casa de Pete e Mat respectivamente. Não demorou muito pra chegarmos na casa de Mike newler. O lugar era gigantesco, nem nos meus sonhos mais bizarros eu me imaginava morando em um lugar daqueles. Parecia uma daquelas mansões de Hollywood.

Logo depois do pai de Jake ir embora, nós ainda estávamos do lado de fora olhando embasbacados pra frente da casa. O som de musica absurdamente alta vindo lá de dentro anunciava que a festa já tinha começado, varias vozes se misturando ao barulho.

— Vamo entrar ou vocês vão ficar com essas caras de babacas aqui na frente? — Pete provocou empurrando Mat.

— Aperta a campainha então, senhor espertão. — Mat disse emburrado.

— Se você insiste! — Pete disse passando a frente, se dirigindo ao interfone.

— EI!!!

Nós viramos a cabeça na mesma hora, vendo July gritando de longe, enquanto descia de um Volks antigo. Meu coração se encheu de esperança ao imaginar que Milla estaria com ela, mas isso durou pouco, porque logo após ela descer veio Jessica, a garota nanica que não desgrudava dela, e então o carro partiu. E eu fiquei lá olhando com cara de pateta.

— Oi Jules! — Jake foi comprimenta-la com um abraço que tirou a garota do chão.

— oi meninos. — Jess disse amigável, com um sorriso enorme no rosto.

— Hey jess— Mat disse com desanimo na voz

— Ola garotas! — disse Pete animado

Eu fui abraçado por July depois que Jake deixou ela voltar pro chão.

— July, porque a Milla não veio com vocês? — eu perguntei como quem não queria nada.

— Ahh, a Milla não pode vir. Ela tinha que ir pra igreja com os pais dela, alem do mais, Milla é muito certinha pra vir em festas. Ela me disse que mesmo se pudesse não viria, “pra ver um bando de adolescentes bêbados se matando numa piscina”. Mas ela me pediu pra dar os parabéns pelo jogo a vocês. — disse jess.

— Bêbados? — eu perguntei confuso

— É claro!! As festas do Mike são conhecidas por que ele sempre arruma um jeito de contrabandear bebida alcoólica pra cá. Pensei que alguém tivesse te falado isso. — disse Pete, animado até de mais.

— Vamos entrar logo então? — disse July puxando eu e Jake, fazendo os outros nos seguirem.

O lugar estava lotado de gente, todos os caras do time de futebol estavam lá. Acho que quase todos os alunos da escola estavam por lá. Uma bandeira gigante dos falcons, provavelmente a mesma de hoje cedo, estava pendurada na entrada. Muita gente já tinha pulado dentro da piscina, de roupa e tudo, mas a grande maioria estava dançando ali no meio do jardim ou sentado nas enormes cadeiras que foram colocadas em volta da piscina. Logo Mike newler veio nos cumprimentar.

— Hey, meus calouros favoritos!!!! — ele parecia muito alterado, veio cambaleando e caindo entre Mat e Jake. Mike era um dos WR do time, assim como eu, ele era muito alto, não tanto quanto jake, mas maior que eu. Loiro e meio magricela, Mike era um dos veteranos mais simpáticos da escola, todo mundo praticamente gostava do cara.

— Já bêbado Mike? — Mat disse ajudando ele a levantar.

— eu nem to bêbado, só um pouco alegre. Mas ai caras, tem comida nas mesas, e bebida lá no friser, é só pegar. Não precisa de timidez hoje, ok? Bom eu vou indo, divirtão-se!!!! — ele disse voltando cambaleando pro bolo de gente de onde ele tinha saído.

Pete nem esperou ele sair e foi seguindo pro meio da bagunça.

— a gente se vê mais tarde manada!

— Vem, vamos dançar jake! — July disse enquanto arrastava um Jake relutante pro meio da multidão.

Eu olhei pro lado e vi Jess olhando alegre(de mais até) pra mim. Puxei Mat no mesmo instante.

— Vamo pegar alguma coisa pra beber!! — eu gritei quando Mat me olhou confuso.

— Espera!!! Eu vou com vocês. — tarde de mais. Jess tinha nos seguido.Droga.

Eu realmente não gosto dela, ela fica me encarando de modo estranho às vezes. Isso é um pouco assustador, me da calafrios. Nós fomos até a cozinha e pegamos cada um uma garrafa de cerveja. Mat sumiu quando uma garota ruiva veio chamar ele pra pular na piscina. Ótimo, agora eu estava lá sozinho com aquela menina estranha.

Eu sentei em uma das cadeiras gigantes em volta da piscina enquanto tomava a minha cerveja. Dali eu podia ver Mat dentro da piscina de roupa e tudo se agarrando com a ruiva. Putz, o cara é rápido. Jess sentou-se ao meu lado puxando assunto:

— Hey caius, você jogou muito bem hoje!!

— erh... brigado. — eu disse sem graça.

— você já jogava na sua escola antiga?

— não, eu comecei esse ano.

— legal, então você é um menino prodígio? — ela disse, com aqueles enormes olhos estufados mirados no meu rosto.

— erh... acho que não. Eu só tenho jeito pra coisa. Alem do mais tem jogadores muito melhores que eu, o nervosismo atrapalhou o meu jogo hoje também. — eu disse corando com o elogio dela.

— vem, vamos dançar um pouco! — ela disse toda animada me puxando pelo braço.

— Caramba, minha cerveja acabou! Eu vou lá pegar mais, te vejo lá no meio da confusão! — eu disse me esquivando o mais rápido que pude. Eu não queria dançar com ela. E até que não era uma má idéia pegar outra cerveja, a minha tinha acabado mesmo.

Cheguei na cozinha em meio a empurrões e trombadas no meio do caminho. Uma garota morena estava inclinada mexendo no friser. Ela olhou pra mim:

— Quer uma também jogador? — ela perguntou, sorrindo de lado, me oferecendo uma garrafa.

— Vou querer sim, valeu. — eu agradeci.

Ela se levantou, e eu pude ver ela direito agora. Ela era pouco menor que eu, seu cabelos pretos e lisos iam até a cintura. Ela usava uma camiseta azul escuro, colada ao corpo com as palavras “Go falcons!!!!” escritas na frente. Uma mini saia destacava suas pernas. Caramba, ela era muito bonita.

— Você que é o WR novo, não é?

— Sou eu sim, pode me chamar de caius. — eu cumprimentei enquanto pegava a cerveja de sua mão.

— Meu nome é Claire, prazer. Você é novo na escola, não é?

— Sou sim, eu mudei pra cidade no inicio do ano.

— hmmm. Interessante, eu to no primeiro ano e você?

— eu também.

— Agora lembrei de onde eu te conheço! Você é da minha sala, não é?

— Sou? — perguntei confuso.

— É sim. Você senta lá atrás com a manada do Pete! — ela riu, mostrando seus dentes certinhos e branquinhos. Caramba, ela era muito bonita.

— Bom, eu ando com o Pete, se foi isso que você quis dizer. — eu sorri.

— então novato, você dança? — ela perguntou se aproximando de mim

— Normalmente não, mas acho que vou abrir uma exceção hoje. — eu disse sorrindo de lado, me sentindo estranhamente confiante. Um pouco animado de mais.

— mais uma cerveja? — ela perguntou tirando a garrafa vazia da minha mão.

— Pode mandar! — eu disse, estranhamente confiante. Ela pegou uma garrafa pra mim e outra pra ela, logo em seguida me puxando pra fora da cozinha. E lá estávamos nós, dançando no meio da confusão de gente, eu simplesmente seguindo ela, não me importando nem um pouco pra minha falta de jeito com danças. Eu não conseguia desgrudar os olhos do corpo dela. Ela se esfregava em mim enquanto rebolava no meio da dança, eu estava alegre. Alegre até de mais.

Depois de uma quase uma hora ela me puxou pra fora da pista de dança, me arrastando pra algum lugar. Eu simplesmente segui ela, como sempre. Quando dei por mim estávamos na cozinha de novo.

— Eu precisava beber alguma coisa, tava muito quente lá! — ela disse olhando pra mim

— Eu também vou querer, pega uma cerveja pra mim!

Ela se abaixou no friser pegando duas garrafas de novo. Ela veio até a mim, ao invés de parar ela continuou andando, até me imprensar na bancada da cozinha. Ela tinha um sorriso estranho no rosto. Ela me deu a garrafa, ainda me imprensando na bancada, eu tomei o primeiro gole, quando senti ela me puxando pela gola do casaco na direção dela. Nossos lábios se tocaram de forma violenta, ela sugando a minha boca com força, eu retribuindo da mesma forma. Sua língua pedindo passagem foi prontamente atendida. Eu girei meu corpo, invertendo nossas posições e levantando ela, que agora estava sentada na bancada, eu entre suas pernas.

Nós nos beijamos por um tempo que pra mim pareceu uma eternidade, só nos separando quando a falta de ar foi eminente.

— Caramba, não é que você beija bem mesmo japinha? — ela disse, sorrindo sacana pra mim.

— É, não posso dizer que você beija mal também. — eu disse sorrindo. Ela me puxou de novo, e nós ficamos um bom tempo ali nos beijando. Eu apalpando todas as partes possíveis do corpo dela.

BAMM

Nós dois nos viramos quando ouvimos o estrondo dentro da cozinha. Pete estava ali parado, com uma garrafa na mão, gargalhando alto da nossa cara de susto. Uma garrafa estava quebrada ali no chão.

— Acho melhor vocês arrumarem um quarto logo!!! — ele disse, se rachando de tanto rir. Acho que ele tava meio bêbado.

— Some daqui Pete!!! — eu disse nervoso por ele ter atrapalhado.

Ele saiu dali logo depois, ainda rindo.

— hey, liga não. A gente pode continuar isso outro dia. — Claire disse descendo do balcão, dando uma piscadela pra mim.

— hein? Não precisa ser outro dia! Ele já foi, aposto que não vai mais incomodar a gente. — eu disse puxando ela pelo pulso, tascando outro beijo na garota.

— Eu tenho que ir, já ta tarde. Minha mãe já deve ta vindo me buscar. — ela disse depois que terminou o beijo, me dando outro selinho após ter dito isso. — Me leva lá fora?

— Claro! — eu disse prontamente seguindo ela. No caminho eu me dei conta do quão tonto eu estava por causa da bebida.

Quando a mãe de Claire apareceu ela foi embora, me dando outro selinho de despedida. Eu fiquei lá, puto da vida com Pete ainda. Eu estava me sentindo meio tonto, meu estomago estava embrulhado. Acho que eu acabei bebendo de mais. Quando estava prestes a vomitar ali na calçada mesmo, senti uma mão no meu ombro. Olhei pra traz vendo jake e July me olhando preocupados.

— Você ta bem japa? — July perguntou me olhando preocupada.

— Acho que eu vou vomitar — dito e feito. Antes de terminar a frase eu me virei vomitando tudo que eu tinha no meu estomago. Argh, que nojo.