Uma Nova Maldição
10 Capítulo 10
Notas iniciais
– Maldita! – Foi só o que Regina conseguiu ouvir, numa voz monstruosa, antes de Emma desaparecer em sua fumaça roxa e, outra vez, deixa-la sozinha e confusa.
“Droga, aconteceu de novo”. Era o que a morena pensava ao olhar a sala vazia ao seu redor. “Bom, já que estou aqui sozinha, darei um tour pelo castelo.” Ela sorriu com o pensamento. Que tipo de coisas poderia encontrar ali? Que tipo de fraquezas aquele lugar poderia lhe mostrar, sem a presença de Emma e, principalmente, da sombra.
Respirou fundo, ergueu o queixo e se pôs a caminhar. Havia uma escadaria por ali, ela subiu, lentamente, degrau por degrau. Passou pelo longo corredor com sua pose majestosa. Por um momento, era como se Regina caminhasse por seu próprio castelo e revivesse sua era de glória como Evil Queen. Glória? A morena balançou a cabeça, nunca havia tido glória como rainha. Ela apenas sofria, era vazia e espalhava isso pra todos por onde passava, causando tristeza, miséria, sofrimento.
Uma porta em particular chamou a sua atenção, não estava fechada e, pelo luxo do cômodo, supôs que aquele deveria ser o quarto de Emma. Hesitou por um instante, em seguida olhou para seu próprio reflexo no espelho do corredor: o vestido longo e provocante, os enormes cabelos negros pesando em sua cabeça num firme rabo de cavalo. Tinha passado muito tempo enfurnada naquele casebre, culpando-se pelo que aconteceu com Emma, com todos, renunciando à magia que fluía por seu corpo. Agora não mais, se sentia poderosa outra vez, seus medos já não a assustavam mais. Sentia-se livre. E estava disposta a tudo para libertar Emma também. Para viver o amor que lhe fora roubado, pela segunda vez em sua vida.
Adentrou o quarto, observando os detalhes do ambiente. Era luxuoso, digno de uma rainha. Ou talvez da princesa que antes vivera ali. Na realidade, o quarto tinha muito de Aurora e bem pouco de Emma. Regina reconheceu o toque pessoal da antiga xerife ao ver alguns de seus saltos jogados em um canto, próximos a uma porta que deveria ser o closet, assim como a jaqueta vermelha, que jazia jogada sobre o encosto de uma cadeira, com a calça e regata da loira, igualmente largados sobre o assento.
Foi puro impulso. Ela se aproximou da cadeira e tocou o tecido de couro vermelho com os dedos. Abriu um sorriso com as recordações que lhe vieram, momentos de tensão, de brigas, o primeiro beijo. Ah, essa era lembrança que mais assombrava seus pensamentos. Passou os dedos pela gola da jaqueta e a apertou, a imagem que possuía sua mente era a de apertar aquela gola enquanto Emma a beijava com fervor.
– Atrapalho alguma coisa? – Regina quase pulou de susto ao ouvir aquela voz. – O que quer no meu quarto, Regina?
– Não faz mesmo a menor ideia, Swan? – Regina ergueu uma de suas sobrancelhas perfeitas, encarando a loira que permanecia parada a certa distancia atrás de si. Shadow fazia Emma jogar com as pessoas e Regina sabia muito bem que aquele jogo poderia ser para dois.
– Pelo visto, você não odiava essa jaqueta, afinal. – Emma lhe deu um sorriso cafajeste com o canto dos lábios, encarando-a.
– Com certeza, menos do que odiava aquele seu transmissor de tétano ambulante e amarelo. – A morena abriu um mesmo sorriso cafajeste e se aproximou da loira a passos lentos. – Sabe Swan, não tem se sentido solitária neste castelo?
Emma sentiu o corpo estremecer com a proximidade, Shadow notou quando a mente da loira foi invadida por pensamentos pecaminosos com Regina. – Na verdade não. – Ela respondeu seca. – Caso tenha se esquecido, tenho dois hóspedes aqui comigo. Não é a primeira a vir querer atender aos meus caprichos, Madam Mills. – Emma sorria, claramente se divertindo com a cara de Regina.
– Sim, claro. Hook e Neal estão aqui com você. – A morena olhou em volta, erguendo novamente a sobrancelha. – Onde estão eles agora?
– Por aí. – Emma respondeu, simplesmente.
– Então... – Regina sorriu, caminhando até mais perto de Emma, deixando seus lábios pairar sobre os da loira. – Por que não aproveitamos o tempo juntas? – Ela mordeu o queixo de Emma sem aviso, deixando ali uma bela marca de batom vermelho.
– Regina... – Emma gemeu. – Não... assim não... – Ela lutava para manter o foco de sua mente, enquanto a morena beijava seu pescoço. Era uma sensação tão boa que Emma inclinou a cabeça para abrir mais espaço para os lábios da morena e segurou a cintura fina, trazendo-a para si. – Reg... – Ela gemeu, interrompendo a pronuncia do nome. Afastou Regina gentilmente do seu corpo, sua cabeça latejando, a sensação de estar sendo rasgada ao meio estava voltando. – Não estamos... sós. – Ela levou a mão à cabeça.
A morena demorou uns segundos para entender o que Emma disse, mas percebeu exatamente do que se tratava, quando a loira voltou a se contorcer diante de si. – Emma, meu amor, me deixe ajudá-la...
– Fique longe de mim!
Regina sentiu uma energia invisível atirá-la para longe de Emma, que desapareceu novamente, sem que Regina pudesse fazer algo para impedir. Estava, pela terceira vez, sozinha após tentar se aproximar de seu amor.
xXx
Tinker avançou rápido em direção às montanhas da Floresta Encantada. O lugar desértico pelo qual passara durante a tarde teria castigado muito mais sua pele alva, não fosse por suas asas, que agilizaram a jornada. Ela agora poderia descansar um pouco, abrigada em uma barraca improvisada em meio à vegetação da base da montanha.
Deu uma última olhada para o céu, o pó verde ainda brilhava incansável, rumando muitos metros acima de sua cabeça. Seria uma longa subida pela manhã, mesmo com suas asas, que só poderiam levá-la até parte do caminho. Quanto mais alto, mais frio, quanto mais frio, menos suas asas a ajudariam.
Respirou fundo e deitou-se, ainda encarando o rastro verde no céu noturno. Até agora, tinha sido fácil demais. Nenhum inimigo a enfrentar, além do calor e possivelmente, o frio no dia seguinte. Passou horas imaginando se a vitória seria assim tão simples, apenas um desafio físico. Ela não tinha mais pó de fada em sua posse, então manteve a esperança de que não tivesse que enfrentar nada que iria além de suas capacidades. Adormeceu em meio aos pensamentos, descansando para o que viria no próximo dia.
xXx
Hook e Neal estavam sentados em suas celas, claramente entediados e irritados. Os passos vindos dos degraus da entrada os despertaram de seus devaneios e os fizeram levantar, olhando na direção da estreita porta de acesso à masmorra.
– Emma, já chega disso. Eu não aguento mais ficar aqui! – Esbravejou o pirata. – Eu quero sair! – Ele esmurrou as grades da cela.
– Emma, escute! – Neal falou com o tom mais passivo que conseguiu. – Me tire daqui, Henry deve estar preocupado, eu preciso voltar e ficar com ele. Se você realmente o quer, eu o trago para você. Eu dou um jeito, quando Regina perceber, será tarde. Seremos uma família. Por favor, Emma.
– Quando Regina perceber, será tarde? – Nenhum dos dois podia acreditar que estavam ouvindo aquela voz, entonada de uma forma gélida, não fosse pela silhueta da morena adentrando as masmorras. – Eu iria perguntar o que fazem aqui mas, pelo visto, estão exatamente onde merecem estar.
– Regina! – Ambos disseram ao mesmo tempo. – Nos tire daqui. – Foi Neal quem pediu.
– E por que eu deveria? – Ela sorriu. Estava claro em seu semblante que a rainha se divertia com a situação.
– Regina, essa não é você. – O homem tentou novamente.
– Não, essa é a minha querida Evil Queen. – Hook o interrompeu, abrindo um sorriso cafajeste em direção à morena. – Senti saudades, Majestade.
– Não me venha com essa, pirata. – Ela fez uma careta de nojo para ele. – Foi Emma quem os prendeu?
– Sim. – Os homens disseram em coro.
– Interessante. – A rainha sorriu, encarando-os. – Não ouve nenhuma resistência dela para impedir Shadow de colocá-los aí?
– Não que eu tenha percebido. Ela só me beijou e quando dei por mim, estava nesse inferno. – Disse Hook com cara feia. Regina olhou para Neal, que estava com a mesma expressão. Tinha acontecido o mesmo com ele.
– Eu sempre soube que nenhum de vocês era o destino dela. São incompetentes demais para lidar com alguém feito a Emma.
– Do que está falando? – Neal perguntou, porém Hook o atropelou com outra pergunta.
– E você, o que faz aqui, Regina? – Ambos a encaravam.
– Eu vim aqui salvar a minha mulher. – Ela sorriu abertamente, sentindo uma satisfação genuína ao comunicar aquilo aos dois homens.
– Conta outra, Regina. A Emma não gosta de mulheres... – Neal riu, balançando a cabeça. – E se gostasse, seria qualquer uma, menos você.
– Eu não diria isso se fosse você. Lembre-se de que sou eu que posso libertá-lo. – O olhar de Regina era de desprezo.
– Salvar a Emma? Está parecendo bem mais que veio se unir a ela. Veio oferecer seus serviços, Majestade? – Hook se insinuou. – Isso não costuma dar muito certo. – Ele abriu os braços, mostrando sua atual situação, dentro da prisão.
– Sei exatamente o que estou fazendo aqui, dear. – Regina abriu um sorriso majestosamente superior e se aproximou das grades. – E seja como for, eu não estou presa. Estou?
Com satisfação, Regina viu a petulância de Hook desaparecer, assim como o olhar incrédulo de Neal surgir. Em seguida, ela mesma desapareceu dali em sua fumaça roxa, deixando os dois para trás.
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