Notas iniciais
Oieee... Gente, sei que demorei bastante para postar de novo e peço desculpas por isso. Voltei com um capítulo novo para vocês, cheio de tensão, como sempre :p hahaha Perdoem os possíveis erros e, se forem muito grotescos, é só me avisar nos reviews que eu arrumo. ^-^ Espero que gostem do capítulo. Beijos e boa leitura!

Emma reapareceu na sala de espelhos, estava exausta, era a segunda vez que travava aquela batalha interna com a sombra. E tudo por causa de Regina. Sua respiração ainda estava ofegante quando Shadow deixou seu corpo para ir para o espelho mais próximo da loira.

– Não vai se livrar de mim tão fácil, Swan. Para o seu próprio bem e da Evil Queen, seria melhor que você a expulsasse daqui.

– E porque eu faria isso? – Emma encarou a figura negra no espelho. – Quando Regina está por perto, você não consegue machuca-la através de mim. E se ela te incomoda, é porque ela me deixa mais forte. Eu a amo e isso é demais para você, não é mesmo? – A voz de Emma saiu cheia de deboche, enquanto a sobrancelha se erguia em sinal de desafio.

– Não deveria me subestimar, Emma.

Shadow voltou para o corpo de Emma, o brilho prateado por trás das íris verde-esmeralda de Emma se fizeram presentes. Consumia muito de sua energia manter a loira sob controle. E Regina era mesmo um perigo que não poderia ser ignorado.

xXx

Snow estava preocupada, já fazia dias que Regina tinha se mudado para o castelo e Tinker havia partido em sua jornada em busca do coração de Emma, que seria a salvação para todos eles. Dias que se passaram sem que ela tivesse nenhuma notícia, sem que soubesse dos avanços obtidos e mesmo se existia algum.

As crianças estavam sentindo falta de suas mães. Henry andava bem mais quieto que o normal, parecia sempre preocupado, distante. Era difícil animá-lo, mas Charming conseguia com algumas aulas de montaria que os levavam até próximo ao castelo. Eles ficavam alguns minutos olhando a construção de pedras à uma distancia julgada segura e, então, retornavam para a vila.

Merlin, por outro lado, parecia sempre confiante. Era incrível para Snow notar o quando o garoto parecia crescer, mesmo que o tempo não passasse ali. Não era fruto de sua imaginação, ela tinha certeza que não. Talvez o atraso nos planos de Shadow o estivesse enfraquecendo. Sim, poderia ser isso. Era uma esperança.

xXx

Regina não viu Emma no castelo pelo resto do dia. Não conseguiu dormir direito à noite, sentia-se observada, vigiada. O ar noturno ali dentro parecia mais denso, carregado de uma energia sombria. A noite era quando Shadow estava mais forte, ainda mais com uma lua cheia brilhante como essa.

A morena abriu a janela de seu quarto e saiu na sacada. Conseguiu ouvir o uivo da loba no meio da floresta e abriu um sorriso triste. Algo naquele som a fez ficar nostálgica, fez o coração da morena se apertar dentro do peito. Instintivamente, olhou em direção às montanhas. Como Tinker estaria se saindo? Estaria bem? Será que ainda faltaria muito para a jornada terminar?

Respirou fundo uma última vez e voltou para dentro do quarto. Deitou-se na cama, se aconchegando como podia entre os macios travesseiros de penas. Regina não tinha mais medo do escuro havia muitos anos. Porém, aprendeu desde cedo que também não era seguro confiar nele. Fechou os olhos e respirou fundo, prendendo um pouco a respiração e soltando-a ruidosamente num suspiro.

Os olhos castanhos se abriram e, ao invés de encararem o teto, viram olhos claros bem próximos de si e, em seguida, uma mão lhe tapar a boca com força. Havia algo por trás daqueles olhos. Um brilho prata intenso que demonstrava a presença da sombra. E um ar de fúria que ela ainda não tinha visto direcionado a ela.

– Vamos ver, exatamente, a que você veio. Rainha. – A voz grave sussurrou em seu ouvido, enquanto ela se contorcia abaixo daquele corpo, tentando se libertar.

xXx

Escuro. Frio. Úmido. Era exatamente assim o lugar no qual Regina acordou. Sua cabeça ainda girava e ela estava um pouco incomodada com a dor. Tentou mover os braços, sem sucesso. Sentia um metal frio e áspero, fedendo à ferrugem, em torno de seus punhos. O que diabos tinha acontecido?

Regina forçou a memória, a cabeça latejou, os olhos lacrimejaram com a dor e ela finalmente conseguiu recordar. Mas isso não significava que acreditava. Hook. Ela tinha sido atacada por Hook. Em seu quarto ou, ao menos, o quarto que escolheu para si. No meio da madrugada.

– Vejo que vossa Majestade acordou. – Ela ouviu uma voz, mas não foi capaz de reconhecê-la de imediato. – Tive que mudar suas acomodações, acredito que já tenha se acostumado, já que está aí dentro já faz alguns dias, dormindo feito um bebê. – Ele riu com ironia.

“Dias?” Regina pensou, sem acreditar. – O que você quer comigo? – Ela reuniu forças para erguer a cabeça e procurar de onde vinha a voz que falava com ela.

– Não reconhece a minha voz, não é mesmo? Talvez com esse tom... – A sombra assumiu a voz de seu hospedeiro. – Seja mais fácil de ser reconhecida.

– Hook? – Regina viu a silhueta do homem surgir diante de si. – O que está acontecendo? Onde está a Emma? O que fez com a Emma? – O tom de Regina subiu algumas oitavas e seus próprios gritos incomodaram sua cabeça dolorida.

– É incrível o que eu posso fazer em um corpo de alma negra. – Hook se apoiou diante da morena e lhe tocou o queixo com os dedos. – Controlar, por tanto tempo, um corpo cheio de luz como o de Emma, me dá certas vantagens e um grande poder de controle sobre hospedeiros inferiores.

– Onde está a Emma? O que fez com ela? – Outra vez a voz de Regina saiu alta. Ela tinha o desespero estampado nos olhos. – Se fez algo a ela, eu...

– Até parece que eu faria algo para um bem tão precioso quanto Emma. Mas tive que enfraquecê-la fisicamente. Estava sendo muito incomodo essas nossas... batalhas. Eu tinha que acalmá-la para controlá-la com mais facilidade. – Ele sorriu. Regina nunca teve tanto ódio daquele sorriso cafajeste de Hook. – Ela não está muito longe.

– Eu juro que você vai pagar por tudo o que está nos fazendo... – A morena tentou se mover outra vez, inutilmente. Não apenas permaneceu imóvel, como notou que sua magia estava sendo bloqueada. “Merda.”

– Como pode ver, você não pode se livrar destas algemas, elas bloqueiam sua magia e te mantem quieta. Uma maravilha, não acha? – Ele tornou a sorrir e encarou a cela em frente à de Regina. – Não se preocupe. Logo terá o seu companheiro de cela de volta. Emma o mandará de volta quando você menos perceber.

Hook se virou para sair, porém foi impedido pelo som de risada vindo da cela de Regina. A morena ainda estava fraca, sentada no chão frio com as costas na parede úmida, as correntes das algemas pesavam em seus punhos, mas ela ria. Como poderia estar rindo?

– Então foi por isso, não é? – O ar de rainha voltou à sua voz. O tom superior e desdenhoso em cada palavra que cuspia na direção do pirata possuído. – Usou o Hook para me raptar porque Emma jamais me machucaria. Eu mexo com ela, não é? Sou demais para você lidar. – O sorriso irônico nos lábios era de satisfação ao notar que a sombra hesitava. Era isso, ela tinha acertado no alvo. – O amor que ela sente por mim é demais para você. – Ela tornou a rir.

Neal apenas observava em silêncio, era muita informação para assimilar e ele ainda não havia conseguido, desde a primeira conversa com a morena. Entretanto, podia ver o quanto aquilo era real. Os olhos de Hook estavam enfurecidos e ele simplesmente virou as costas e sumiu escada acima.

– Parece que ele conseguiu te prender, enfim. – Neal disse em um tom mais amargo do que gostaria.

– Não deveria se alegrar. Eu sempre fui a melhor chance de tirar a nós todos daqui com vida. – Regina revirou os olhos, tentando se soltar mais uma vez das algemas, em vão.

– Desculpe. Eu só estou muito confuso com tudo isso. Sabe, é difícil aceitar... – Neal tentou começar a se explicar, mas foi interrompido pela rainha.

– Não, não é. – Ela o encarou. – É difícil lidar com o orgulho ferido. Enquanto a disputa era entre você e Hook, você se mantinha confiante. Saber que perdeu a Emma para mim é uma facada no seu ego, pois sou uma mulher, algo com o qual não dá para você competir fisicamente, não é? Deveria se concentrar em arrumar um jeito de fugir daqui enquanto ainda é tempo. Estou algemada, sem magia, não vou a lugar algum. Mas se você conseguisse sair e encontrar a Emma, antes que Shadow deixasse o corpo de Hook, ele estaria sem magia também e você teria uma vantagem. Eu trouxe a armadilha, vocês poderiam acioná-la e destrui-la... – Foi a vez de Regina ser interrompida.

– Regina, faz semanas que estou nessa cela. Acha mesmo que eu não teria escapado, se pudesse? – Ele a encarou, de braços cruzados.

– Então, nossa única esperança, nesse momento...

– É a Emma. – Os dois disseram em coro.

xXx

Naquela tarde, na vila, Snow procurava desesperadamente pelos dois garotos. Não via nenhum dos dois há mais de seis horas e estava ficando muito preocupada com o sumiço deles. David vasculhava a floresta a cavalo, junto com os anões, mas voltaram, no fim do dia, sem novidades.

Era desesperador ficar sem notícias das crianças, mas uma luz de ideia iluminou a mente de Snow. O castelo. Eles só poderiam ter ido para o castelo, atrás de Emma e Regina. Estava muito difícil para eles a distancia das duas mulheres, principalmente para Henry. Mas Mary conhecia o neto, era um rapazinho responsável, por mais teimoso que fosse, decidindo ir atrás das mães, não levaria o pequeno Merlin junto.

– David, o castelo. Henry foi para o castelo. – Os olhos de Mary tinham algumas lágrimas que se acumulavam.

– Ele não levaria o pequeno, levaria? – O marido a encarou, preocupado.

– Não. Mas isso não significa que ele não poderia tê-lo seguido. – Ela apontou os cavalos. – Talvez ainda dê tempo de alcança-los, de impedi-los.

– Snow, fazem mais seis horas que eles saíram. Já devem ter chegado, o castelo não é tão longe. – Ele a abraçou. – Não se preocupe, Mary. Regina está lá, Neal está lá. E Emma jamais faria nada contra os meninos, tenho certeza.

– O coco sumiu. – Rumple se aproximou do casal, dando a notícia.

– Regina não o levou? – Mary o encarou, confusa.

– Não, seria um risco muito grande levá-lo, Shadow poderia descobrir. Combinamos que ela me daria um sinal e eu o enviaria a ela.

– Henry. – Não foi preciso muito para Charming deduzir o que tinha acontecido.

xXx

A loira acordou num quarto escuro e completamente fechado, não fossem por pequenas passagens de ar. Havia uma cama luxuosa, uma mesa de canto com uma bandeja e algumas frutas, uma penteadeira com um espelho e alguns castiçais presos à parede, com velas acesas, lhe fornecendo alguma luz. Ela estava deitada, a cabeça estava dolorida, pesada. Mesmo assim, levantou-se, cambaleando, indo direto até o objeto que mais lhe despertou a atenção: o espelho. Concentrou-se. Tentou invocar sua magia interior. Nada. “Você é um patético desperdício de habilidade.” A voz de Regina ecoou em sua mente, as palavras ditas durante a primeira aula de magia da loira, ainda em Neverland. Deveria haver um modo de sair, ela tinha que se concentrar. Se ela entrou, se Shadow a fez entrar, ela conseguiria sair.

Afinal, como mesmo havia ido parar ali? Não conseguia lembrar-se direito. Forçou a memória, a dor de cabeça aumentando. A última cena que tinha na mente era a de uma madrugada, havia descido até a masmorra e libertado Hook. Por que raios tinha feito isso? Depois lembrou-se de estar em seus braços. Argh! Não é possível que o tivesse libertado para dormir com ele, tendo Regina embaixo do mesmo teto que ela. Após a revolta inicial, sua mente clareou, ela estava sendo carregada por ele. Depois disso, tudo era preto em sua mente.

Emma andava de um lado para o outro, não conseguia encontrar uma saída, uma solução para que se livrasse dali. Lembrou-se que Regina estava sozinha no castelo com Shadow e com os dois homens, que deveriam estar presos nas masmorras. Qualquer coisa poderia acontecer ali e, sem ela por perto, não poderia garantir a segurança de Regina. A sombra poderia fazer o que bem entendesse com a morena. Não, ela não iria deixar isso acontecer.

O único problema era que Emma estava fraca demais para tentar qualquer coisa. O desespero tomava conta de sua alma e isso não a ajudava. Pela primeira vez estava completamente sozinha dentro de sua própria cabeça, dentro de seu corpo, e não conseguia pensar em nada. A fome começou a falar mais alto e ela se aproximou das frutas. Uma linda maçã vermelha se destacava das outras na bandeja, as lágrimas rolaram sozinhas pelo rosto da loira ao se lembrar de Regina. Ela pegou-a e a comeu, uma mordida após a outra, mastigando por alguns minutos, para cair sobre a cama. Desacordada.

xXx

Era noite quando as duas crianças cruzaram o grande e pesado portão do castelo. Merlin era tão corajoso quanto Henry, caminhando de mãos dadas, lado a lado com o irmão maior. Henry carregava uma pequena mochila com alguns objetos que acreditava serem necessários para a aquela operação. Incluindo a armadilha de coco construída por seu pai.

Entraram de forma sorrateira, passando pelas grandes salas do castelo, em silêncio. O castelo era apavorante na penumbra noturna. Tiveram sorte, muita sorte, pois não cruzaram com ninguém durante o caminho. Henry ia subir as escadas, em direção aos cômodos do andar superior, mas Merlin travou no primeiro degrau, puxando o irmão para baixo. Henry pareceu confuso, até o menino cochichar para ele: “Prisioneiros não ficam nos quartos.”

Imediatamente Henry pegou o caminho oposto. Como poderia estar sendo tão desatento? Ele fugiu e foi para lá, justamente por achar que, tanto Hook quanto Neal estavam sendo prisioneiros. Talvez sua própria mãe adotiva também. O garoto duvidava que o pai iria permanecer no castelo após a chegada de Regina. Ele voltaria para a vila, bravo, decepcionado, após saber do romance das duas.

Encontraram uma porta, nos fundos, que dava para uma escada íngreme que descia para o que parecia ser o porão do castelo. A masmorra. Henry sentiu Merlin apertar sua mão um pouco mais forte e sorriu, encorajando o pequeno a prosseguir com ele. Desceram devagar, passo após passo. Estava muito escuro, qualquer deslize e eles denunciariam sua presença.

No final da escada, o caminho ficou um pouco mais iluminado. Luz de velas, pois naquela hora já não haveria mais sol lá fora. Não eram exatamente velas, como o garoto imaginou. Ao chegarem à porta, ao fim da escada, viram duas tochas iluminando as celas lá dentro. Aproximaram-se devagar, era difícil identificar as figuras ali dentro, mas conseguiu achar as chaves.

As duas celas do lado direito da porta estavam vazias, suas portas estavam abertas, pareciam esperar novos prisioneiros. Dirigiram-se para o lado esquerdo, Henry conseguiu distinguir a figura do pai, deitado numa cama improvisada, na primeira cela. Chegou mais perto, com a chave em mãos, soltando o pequeno Merlin por alguns minutos. O pequeno foi até a segunda cela. Viu uma figura sentada no chão, acorrentada, a cabeça tombada para o lado.

– Mãe. – Ele grudou nas grades, chorando. – Mamãe! – O barulho despertou tanto Neal quanto Regina, que não acreditou no que via.

– Merlin. Henry! – Lágrimas correram por seu rosto, sem que ela protestasse.

Henry abriu a cela do pai, que levantou-se e correu em sua direção, lhe dando um abraço. Em seguida, correu abrir a cela de Regina, se aproximando da mãe para abrir suas algemas, enquanto o outro garoto a abraçava forte, pendurado em seu pescoço. Assim que se viu livre, Regina abraçou os dois filhos, os tesouros da sua vida, deixando as lágrimas correrem.

– O que fazem aqui? Não sabem o risco que correram vindo aqui. – Ela os olhava, analisando se estavam bem, se não estavam feridos, esquecendo-se de suas próprias dores e feridas.

– Viemos salvar vocês. – Foi o pequeno que respondeu, abrindo um sorriso para a mãe.

– E trouxemos o coco, precisamos salvar a Emma também. – Agora era Henry falando, olhando determinado para os dois adultos diante dele. – Hey, onde está o Hook?

– Shadow está no corpo dele, temos que encontrar a Emma. – Neal se aproximou do filho. – Isso não é nada bom, porque ele prendeu Emma em algum lugar e não fazemos ideia de onde.

– Não fazemos, mas eu posso achá-la. – Regina se permitiu sorrir para Henry. – Eu posso achá-la e nós vamos acabar com isso. De uma vez por todas.

Notas finais
E então, ainda mereço reviews? :3