Uma Nova Maldição
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Regina abriu a porta da casa e deixou os dois entrarem. Como era esperado, as crianças não estavam em casa, mas sim na escola improvisada que Mary havia organizado. Ela fechou a porta com certa urgência e apontou o sofá para os dois. Nenhum deles se sentou.
– Seja direto, Rumple. O que exatamente você descobriu? – A morena o encarava, alternando seu olhar entre ele e Tinker, que abria um grande sorriso para ela.
– Descobri um modo de encontrarmos o coração de Emma, Regina. O que é, de fato, a causa dos nossos problemas. Principalmente, dos dela. Imagino que não deva ser muito agradável conviver com alguém em sua mente lhe dando ordens.
– Como? – Regina ouviu a primeira frase e ignorou todo o resto. Estava ansiosa como jamais esteve. – Me diga, Gold! Como vamos encontrar o coração de Emma?
– Vamos não, dear. Você vai. – Ele deu um sorriso irônico. – Creio que a resposta sempre esteve bem debaixo dos nossos narizes. – O homem olhou com o canto dos olhos para Tinker, que se apresentou prontamente.
– Tinker? Mas o que...? – A fada a interrompeu, antes que a morena continuasse.
– Pó de Fada, Regina! – Sua voz saiu empolgada. – Eu sei que posso fazê-lo funcionar de novo, eu venho tentando há um bom tempo, desde StoryBrooke. E eu sei que consigo.
– Pó de Fada? Isso não tem ligação alguma com Emma.
– Jura, Regina? Eu sei que muitos anos se passaram, mas acredito que se lembre. Eu encontro coisas! – Ela disse empolgada, segurando nas mãos o vidrinho contendo o precioso pó.
– Espera... – Regina tentava assimilar tudo aquilo. – É Emma que está precisando ter o coração de volta. Não eu. No que isso ajuda?
– Regina! – Ela alterou-se. – O que foi que te aconteceu? Você me pareceu bem mais esperta há um ano. – A fada falou com um tom zangado, mas riu ao final da frase. – Regina, eu posso encontrar o seu amor. E você sabe que seu amor é a Emma...
– A Emma está no castelo, todo mundo sabe onde fica. – A morena interrompeu a fada, com um tom de desagrado ao lembrar os dois homens que estavam lá com a loira. – E o fato de eu amá-la, não significa que ela me ame em retorno. Que esteja destinada a mim.
– Creio que eu deva explicar melhor a você, Regina. – Rumple se pronunciou, aproximando-se da morena. – Tinker pode encontrar aquilo do qual você precisa. E, como sempre, dearie, você precisa de amor. – Ele sorriu irônico outra vez. – Se quer uma prova, há uma frase que diz: “A luz mostra o reflexo da alma, assim como o espelho mostra o reflexo do corpo.” Uma sombra, Regina, é o reflexo da alma de uma pessoa, não pode ser vista nas trevas, apenas com a luz. E a alma de Emma estava lutando contra Shadow por você. – Gold fez uma pausa dramática. – Está mais do que claro que a Salvadora sempre foi destinada a ser o seu final feliz. Sendo assim, é óbvio que ela nutre sentimentos em retorno, por você. Porém, seus sentimentos tem origem em um coração muito bem escondido. Sendo assim, o pó de fada iria levá-la, não até o corpo de Emma, mas sim ao seu coração.
Regina observou a loirinha sorrindo, por sobre o ombro do homem à sua frente. Antes que notasse, uma lágrima rolou por seu rosto e um sorriso abriu-se, quase instantaneamente. Em outras circunstâncias, jamais haveria se permitido demonstrar tamanha fraqueza emocional. Mas, naquele momento, a felicidade foi maior do que ela.
– E o que estamos esperando? – Ela andou até a fada, seus olhos lacrimejantes, e segurou em suas mãos, junto ao vidrinho que a loira mantinha ali. – Tinker, me ajude a salvar Emma.
– Deve estar preparada, Regina. Não será nada fácil. – Gold se pronunciou, ainda de costas para as duas.
– O que quer dizer com isso? – Regina o encarou, quase o fuzilando com o olhar.
– Ora, uma rainha que já teve tantos corações em suas mãos, não se lembra do efeito que isto causa? – A morena mantinha-se imóvel, então ele continuou. – Quando estiver perto do coração dela, Emma irá notar. Significa que Shadow irá notar. Ela está sendo controlada pela sombra, justamente por estar sem o órgão vital. Foi só por isso que ele conseguiu adentrar seu corpo. Acha mesmo que Shadow vai deixar que você saia com o coração, onde quer que esteja, tão facilmente? Será necessária uma distração.
– Eu sei disso, Rumple. – Ela revirou os olhos.
– Que tipo de distração? – A fada a olhou com um ar interrogativo.
– Tinker... – Regina apertou as mãos da fada nas suas novamente. – Uma vez eu lhe confiei o meu coração em suas mãos. – Ela parou para suspirar, sentindo as lágrimas virem aos olhos com mais força. – Eu não tinha nada a perder. Mas hoje... – Ela tornou a encarar a fada. – Eu vou te confiar o coração de Emma. Vou lhe confiar o meu final feliz. Em suas mãos. Eu sei que você é capaz.
– Regina... – Tinker tentou se pronunciar, mas foi interrompida.
– Rumple está certo, precisamos de uma distração. Eu serei a distração, é nossa melhor opção no momento.
– Apenas você poderá lhe devolver o coração, Regina. É bom que se mantenha viva até lá. – Ele a encarava, segurando as mãos diante do corpo.
– Eu me manterei. – Regina sorriu, mas seu sorriso logo sumiu. – E Shadow? Tem alguma forma de destruí-lo? Posso aprisioná-lo com magia, não mais do que isso. E se ele escapar...
– Ele não vai. – Rumple sorriu e fez o antigo coco reaparecer com magia. – A armadilha ainda existe. Basta que ele seja preso aqui e que você a destrua.
xXx
Regina e Tinker estavam no centro da vila, rodeada por todos os moradores. Já haviam anunciado a todos que a jornada para colocar fim naquele tormento começaria. Snow, para surpresa da morena, abraçou-a bem apertado e sussurrou em seu ouvido. “Eu sabia que você teria a chance de mostrar o seu verdadeiro valor, Regina. A mulher que me salvou quando criança sempre esteve aí, me mostrou isso ao se arriscar tanto para salvar meu neto. Fico feliz em saber que tenha voltado a amar. Você merece seu final feliz.”
A princesa também se ofereceu para acompanhar a fada em sua jornada, mas Regina achou melhor que ela ficasse e cuidasse dos meninos. Ela deu um último beijo nos filhos e, antes de soltá-la, Henry lhe sussurrou no ouvido: “Traz a Emma de volta. Eu sei que ela te ama e vocês vão ter um final feliz. Juntas. Vamos ter a nossa família.” As palavras do menino lhe arrancaram algumas lágrimas. Ela lembrou-se de Neal, de que não seria assim tão simples, mas respirou fundo e deu um aceno com a cabeça. Tinker derramou o pó de fada, fazendo-o brilhar sobre elas. Com os olhos fechados, a fada pareceu proferir o que queria e o pó tomou uma direção, brilhando esverdeado sobre a floresta. Para o lado oposto do castelo.
xXx
Emma mantinha-se sentada diante do espelho de sua penteadeira. Escovava os cabelos lentamente, suspirando. Encarou seus próprios olhos esverdeados. Podia jurar que havia um brilho estranho por trás deles, um indício de que Shadow estava presente.
Um forte estrondo na porta da frente do castelo a tirou de seus devaneios. Quem ousaria invadir o seu lar? Antes que pudesse perceber, a sombra já havia usado magia para transportá-los até o hall de entrada. Não havia ninguém ali. Caminhou até a enorme sala do castelo, estava escura. Vazia. Deu às costas para a lareira, no exato momento em que esta se acendeu, iluminando o lugar. E então Emma ouviu aquela voz tão familiar em seus ouvidos.
– Não vai me dar as boas vindas, Miss Swan?
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