Uma Nova Maldição
13 Capítulo 13
Notas iniciais
– Ora ora, uma visitante. – Tinker olhou para todos os lados, até ver surgir, da penumbra, um enorme leão de juba negra e um dos olhos marcados por uma cicatriz de corte. – Onde está a minha educação? Meu nome é Scar e creio que terei que te impedir de arruinar os meus planos.
– Seus planos? – Tinker estava confusa. – Olha... Scar, eu não sei do que está falando. – Ela deu alguns passos para trás, quando o leão se aproximou.
– Você não é deste reino. Não há nenhuma criatura como você por aqui. Então, deve ter vindo do reino de Shadow.
– Você o conhece!? – Ela estava surpresa. Como?
– Nós temos um pequeno acordo. – O leão sentou-se a poucos passos de Tinker, exibindo uma pose refinada. – Eu cuido de um pequeno objeto para ele, e ele aumenta os meus domínios.
– Então é você o guardião do coração da Emma! Eu sabia que teria um guardião. Eu só não imaginava que... – Ela o encarou, dando outro passo atrás, por precaução.
– Que fosse um belo e grande leão como eu, não é mesmo? – Ele sorriu, mostrando os enormes caninos, enquanto gesticulava colocando a enorme pata no peito, num gesto quase lisonjeado.
– Na verdade, eu esperava qualquer coisa. Só não esperava que essa coisa falasse. – Tinker sorriu com certo deboche. O leão era vaidoso e, talvez, não fosse bom para a saúde irritá-lo, mas ela precisava arriscar e descobrir seus pontos fracos.
– Como ousa? – Ele se colocou de pé, mas não perdeu a compostura. Aquele leão poderia lembrar-lhe a Regina de tempos atrás e isso a fez sorrir internamente. – Eu não sou apenas um belo leão falante, minha querida. Eu sou o verdadeiro rei de toda essa terra.
– Oh, perdoe-me então. Eu não sou daqui, eu não sabia. – Tinker se fez de inocente, fazendo o leão lhe sorrir outra vez. – Gostaria de lhe conhecer melhor, grande Scar. Conte-me mais sobre você.
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– Temos que nos apressar, Regina. Ele pode dar falta de nós a qualquer momento. – Neal encarava a morena dentro do quarto que Emma costumava ocupar no castelo.
– Estou indo o mais rápido que posso, por que não me ajuda a procurar, ao invés de reclamar tanto? – Regina esbravejou, revirando o closet de Emma de cima a baixo. – Droga, onde está?
– Aqui. – Neal chamou a atenção da mulher, estendendo-lhe a jaqueta vermelha de Emma.
– Onde estava? – Ela olhou com curiosidade para o homem.
– Embaixo da cama. – Regina revirou os olhos e reprimiu um sorriso. Por que será que aquela informação não a impressionava?
– Okay, vamos logo com isso. – Ela pegou a jaqueta entre as mãos e fez o feitiço. – Certo, isso vai nos guiar até a Emma.
– Talvez seja melhor que você vista, Regina. Não podemos perdê-la de vista e nem mesmo arriscar que Hook a veja flutuando por aí.
Regina hesitou, aquela peça trazia inúmeras lembranças de Emma. Vestiu a jaqueta e logo sentiu o impulso de para onde deveria ir. Saíram do quarto apressados, acompanhados pelos meninos que estavam de vigia na porta. A morena quase não podia controlar a velocidade de seus passos e, vez ou outra, a vestimenta obrigava seu corpo a virar bruscamente. Esgueiraram-se pelo castelo por algumas horas, indo bem além do que qualquer um deles já havia visitado do lugar, até que a jaqueta fez a rainha parar bruscamente diante de uma parede. Seria uma passagem secreta?
– Emma está aqui. Em algum lugar atrás dessa parede. – Ela começava a vasculhar os meios de abri-la, quando foram surpreendidos pela voz do pirata.
– O que fazem fora das celas?
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Scar era mesmo vaidoso. Tinha mostrado seus domínios para a fada, se vangloriando e se queixando da vida que poderia levar, não fosse o sobrinho ingrato, Simba. Funcionou exatamente como a fada previra, ele acabou contando o plano todo da sombra para ela.
O acordo entre os dois era que Shadow tiraria todos os humanos, criaturas impuras, daquele mundo e transformaria aquele lugar num mundo de sonhos, onde os humanos apenas pudessem visitar enquanto dormiam. "Exatamente como era Neverland, antes de Peter Pan", a fada pensou. Se Scar o ajudasse, ele lhe daria a posse de toda aquela área, incluindo o reino de Simba e talvez até mais, para governar como bem entendesse.
– Se humanos não podem vir até aqui, como é que eu cheguei nessa floresta? – Ela tentava entender.
– Você deve ser uma criatura pura de coração. Há um desafio a ser cumprido, antes de chegar até aqui. Nenhum humano jamais o venceu, porque nenhum humano seria capaz de se machucar, se arriscar e passar necessidades por um animal.
A loira lembrou-se de todos os animais que ajudou no caminho até lá. Ela poderia parecer humana, mas era uma fada. E as fadas são mesmo capazes de grande bondade. Rumple fez em bem em desviar Regina dessa jornada e fazer com que ela a escolhesse para ir em seu lugar, talvez ele já soubesse de tudo. Se fosse Regina, naquela floresta infinita, a rainha certamente sucumbiria presa, sem magia, naquele lugar.
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– Sabemos que Emma está aqui, abra essa passagem e nos deixe levá-la. Você não tem magia no corpo do Hook. – A morena se aproximava de Shadow. – Eu, por outro lado... – Regina fez a bola de fogo surgir em sua mão.
Hook riu, soltando o ar num suspiro de desdém, com seu famoso olhar cafajeste. – O pirata pode mesmo não ter magia, Regina. Mas Emma possuía muita magia e muito pouco conhecimento sobre ela. Fiz muitas coisas interessantes com a ajuda dela, inclusive a magia que trouxe a todos para cá. O melhor de tudo, é que nem sempre ela tinha ideia do que fazia. Assim como esta... – Ele ergueu o gancho no ar e, rapidamente, o gravou no peito de Regina, arrancando fora o coração da rainha. – Não devia ter me subestimado, Evil Queen. – A mão de Hook se fechou em volta do coração, apertando-o.
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Era noite, outra vez. Tinker iria dormir naquele covil. Estava assustada, morrendo de medo do que poderia acontecer a ela, porém tinha um plano em mente. Assim que o leão se recolhesse, ela pegaria o coração de Emma e usaria a magia de Rumple, que trazia consigo, para se transportar direto ao castelo.
A loirinha poderia estar sem magia, mas ainda tinha os conhecimentos sobre as ervas e, andando pela floresta com os alegres Timão e Pumba, havia carregado algumas que lhe poderiam ser úteis. A que fazia dormir, a mesma que usara em Regina em Neverland, lhe fora útil mais uma vez.
Scar era cuidadoso, deixou-a sob os cuidados de duas hienas, suas servas. A garota fingiu estar dormindo e observou, com um leve sorriso, as duas hienas caírem em sua armadilha, previamente preparada, e adormecerem. O enorme leão também se recolheu, dando para a fada a chance que precisava.
Tinker levantou-se em silêncio, dando passos apressados e delicados pelo covil. Ela se lembrava de um lugar pelo qual passaram e sua intuição dizia que aquele era o lugar certo. A noite era escura e quente lá fora, também pudera, aquele lugar parecia um deserto, eram só rochedos e areia por toda parte, arbustos espinhentos e árvores mortas. Chegou a um paredão de pedra do outro lado de um precipício, onde existia um buraco fundo escavado na parede. Fazia algum tempo que não via o rastro do seu pó de fada, ele havia enfraquecido com o tempo, mas conseguia distinguir o brilho verde e fraco no fundo do buraco escuro. Era o lugar certo.
Atravessou a espécie de ponte de pedra que levava ao outro lado e agachou-se no chão, ficando da altura do buraco. Enfiou seu braço até o ombro, encontrando a caixa de madeira ao fundo. Puxou-a para fora do buraco e pode observar os detalhes entalhados ali. Abriu-a e viu o coração brilhante e intacto de Emma. Sorriu aliviada, havia conseguido. Agora só precisava voltar ao outro reino, já que ali não conseguia usar magia, e usar o feitiço de Rumple para voltar pra casa.
Virou-se outra vez para a ponte de pedra, sorrindo, segurando firme a caixa em mãos e colocando-a, gentilmente, dentro de sua pequena bolsa. Teve sorte por caber. Ao erguer a cabeça novamente, seu sorriso sumiu no mesmo instante, pois Scar vinha caminhando na direção contrária.
– Você não sairá daqui com essa caixa, sabe disso, não sabe? – Era incrível a cara sínica que aquele leão conseguia fazer, porém o que a assustou mais, naquele momento, foi o olhar assustador que ele lhe dava.
– Eu vou sim. – Tinker deu um olhar sério para o animal, que não saiu tão determinado quanto ela pensava.
– Só há um caminho para sair. Terá que passar por mim e isso não vai acontecer.
Scar rugiu e deu um salto em direção à ponte onde a fada estava, que automaticamente deu passos para trás, tentando se proteger. O leão avançava, rugindo e desferindo patadas no ar com as garras afiadas à mostra. Tinker foi recuando, até que pisou numa pedra solta e se desequilibrou, caindo da ponte. Ela conseguiu, com bravura, manter-se pendurada, com os dedos agarrados à pedra, enquanto o enorme leão se aproximava e colocava suas grandes patas sobre suas mãos.
– Dê-me a caixa e eu te ajudo a subir. – Ele fez uma cara bondosa, completamente falsa. Tudo ficará bem se me der a caixa.
– Não! – A fada gritou, com seu corpo balançando no vazio escuro. A fada o olhava, seus braços começavam a doer, mas ela não poderia confiar nele. – Me ajude a subir e pode ficar com ela.
– Dê-me essa caixa de uma vez! – Ele esbravejou e Tinker pôde sentir as garrar dele se projetarem e arranharem sua mão.
– Não! – Tinker gritou de novo, as garras dele se afundaram em sua mão, a dor era quase insuportável. – Me deixe ir! – Ela sentia os dedos adormecerem com a dor e o sangue escorrer por seu braço, a única coisa que ainda a mantinha ali, pendurada, era o peso do próprio leão com as patas sobre suas mãos.
– Você quer ir, pequena? – Scar aproximou sua cabeça do precipício, encarando os olhos desesperados da fada com um sorriso cínico.
– Sim, por favor. – A voz estava fraca, saiu quase num suspiro.
– Que assim seja. – O leão retirou uma das patas de cima das mãos de Tinker e a fada vacilou. Ele retirou a outra pata e as mãos da loira começaram a escorregar, levando seu corpo rumo ao buraco negro abaixo de si. – Vamos, caia! – Ele abria um sorriso, seu olhar parecia o de um psicopata.
Tinkerbell ainda pôde ouvir um rugido alto de leão, embora não conseguisse avistar a quem pertencia. Suas mãos escorregaram um pouco mais quando a terra embaixo delas pareceu tremer com o estrondo de um baque. O sangue escorria por suas mãos e ela estava fraca, seus dedos estavam lisos e amortecidos. Ela soltou a pedra.
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