Notas iniciais
Cuidado para não pular capítulo, já que eu atualizei ontem também!
E me desculpem se a fic tiver caído muito de qualidade... eu não me sinto particularmente inspirada no momento. Estou triste por Finchel da série...

Era finalmente véspera do dia dos namorados, data que nos Estados Unidos da América se comemora em quatorze de fevereiro de cada ano. Rachel estava um pouco cansada, mas também muito animada para as comemorações que estavam programadas e, principalmente, para celebrar, finalmente, com alguém de quem gostava de verdade. Acabou percebendo, no entanto, que, ao fazer seu calendário, a professora April tinha desconsiderado completamente a data comemorativa e marcara um dos ensaios para a noite de Valentines, o que deixou não somente ela como praticamente todos os seus companheiros de elenco bastante frustrados.

Após uma longa conversa, os integrantes da peça da escola decidiram tentar convencer a professora a liberá-los do ensaio, porém a tarefa não foi tão fácil quanto eles imaginavam. Como o espetáculo seria exibido ao público formado por alunos, pais, professores e funcionários na noite de sexta-feira da semana seguinte, a professora afirmou que não havia como abrir mão de um ensaio sequer e assegurou que a única coisa que ela poderia fazer por eles seria adiantar o ensaio para a noite daquele mesmo dia. Não havia sido marcado ensaio para aquela noite porque ela tinha um compromisso, mas ela poderia abrir uma exceção e deixá-los, apenas dessa vez, com seu assistente de maior confiança.

Não houve alternativa para os alunos-atores senão topar aquela mudança de escala. Mesmo os que não tinham namorados com quem comemorar haviam sido convidados para festas e, além disso, não queriam atrapalhar os planos dos companheiros. No entanto, para Rachel, aquela mudança trouxe um pequeno problema, uma vez que ela havia prometido a Eugene que buscaria a afilhada em um ensaio de balé, no começo da noite, para que a mulher pudesse ir visitar uma amiga em outra cidade.

"Você acha que eles podem criar algum problema lá na academia, se eu for buscá-la?" Finn perguntou, se oferecendo para ser o salvador da namorada, mais uma vez, depois que ela comentou sobre o impasse. "Se eles não tiverem problema em entregar a Lyd pra mim, eu posso ir no seu lugar... aí eu venho pra cá com ela, a gente vê seu ensaio, e eu deixo vocês em casa depois."

"Você me deixa muito mal acostumada, resolvendo todos os meus problemas, Sr. Hudson." Ela sorriu. "Eu acho que não tem problema nenhum, até porque a professora dela estuda aqui... ela faz História da Arte com a gente, então ela sabe que você é meu namorado. Obrigada, Finn." Ela deu um beijo nele e os dois foram almoçar, uma vez que a questão estava resolvida.

Pouco antes das sete da noite, Finn entrava em um estúdio de balé, onde esperaria a pequena Lyd, a quem planejava sugerir um lanche, visto que faltava bastante tempo para o ensaio da madrinha dela acabar. Em um corredor com uma parede praticamente inteira de vidro, de onde se podia ver a sala de aula, Finn viu alguém cuja presença o intrigou bastante. Olhando na direção em que a pessoa olhava, no entanto, algumas peças de quebra-cabeça foram se juntando, rapidamente.

O rapaz que Finn viu do lado de fora da sala observava dentro dela uma garota magra, alta, de pele bem branca e cabelos amarrados em um coque minuciosamente arrumado, dançar alguns passos de balé clássico com indescritível leveza, enquanto Lyd e mais umas cinco ou seis meninas a observavam. Aquela era a professora a quem Rachel se referira naquele mesmo dia, horas antes, e Hudson a conhecia não somente em razão das aulas de História da Arte, mas também porque ela era uma das garotas que Kurt tinha ajudado, em mais de uma ocasião, depois de a mesma ter sido atingida por raspadinhas jogadas pelos idiotas dos times de futebol e de hockey.

O nome da garota era Cecily e ela era uma menina muito bonita e inteligente, mas que não fazia parte de nenhum grupo popular do McKinley, tendo por isso, e também por sua timidez, virado um alvo fácil de bullying. Não era nada surpreendente que ela fosse uma bailarina, afinal ela tinha todo o jeito e a elegância de uma, agora que Finn tinha parado para pensar. Chocante era ver Jesse St. James, dentre todas as criaturas, observando cada um de seus movimentos e parecendo encantado com eles, mas isso se encaixava com a história que Rachel tinha lhe contado rapidamente, dias antes.

"Olá." Finn cumprimentou o outro rapaz, depois de ter se aproximado, sem ser notado.

"O-oi." Jesse respondeu, um pouco assustado com a aproximação súbita, um pouco desconfiado por Finn Hudson estar dirigindo a palavra a ele.

"Eu vim buscar a Lyd... a afilhada da Rach." Finn disse, apesar de não dever explicação alguma a Jesse.

Finn não achava que ele tinha se tornado a melhor pessoa do mundo só porque tinha perdido alguns movimentos, mas alguma coisa no olhar de St. James, que não deixava Cecily um segundo sequer, o intrigava naquele momento e ele se sentiu impulsionado a conversar com o outro por causa disso.

"Ah, é claro! A Lyd..." Jesse falou, depois de olhar rapidamente para as crianças e identificar Lydia, e sorriu.

Pensou que talvez Finn estivesse esperando uma explicação para a presença dele ali, mas não deu nenhuma, apenas continuou a fitar a bailarina mais velha. Na verdade, se sentia desconfortável por ter o namorado de Rachel puxando assunto com ele de repente. Pensou que Hudson devia estar com pena dele e ele não sabia muito bem como lidar com a piedade dos outros.

"Já disse a ela que a ama?" Finn perguntou, sem introduções, espantando Jesse.

"O-o que?"

"Você já disse a Cecily que está apaixonado por ela ou ela pensa que só ela se importa com você?"

"Do que você tá falando, cara? Aliás, por que você tá falando comigo?" Jesse retrucou, insatisfeito.

"Cara, numa boa?" Finn passou as mãos pelo rosto. "Eu também não faço ideia de por que eu to falando com você! Você infernizou a vida do meu irmão, junto com o Karofsky... você tentou colocar a culpa na Rachel e quase me separou dela... eu realmente não deveria nem dirigir a palavra a você."

Jesse tinha feito a pergunta e conhecia a resposta, mas mesmo assim se sentiu mal. Hoje, ele não faria nada daquilo que havia feito, mas era uma vergonha que ele tivesse precisado sofrer um acidente e ficar, até segunda ordem, preso a uma cadeira de rodas, que ele estava ainda aprendendo a manejar, para que tivesse deixado de se achar uma pessoa superior às outras, uma espécie de dono do mundo, um idiota com rei na barriga, como dizem por aí.

"Eu pediria desculpas, mas duvido que ajude muito." Disse Jesse, sincero.

"Já é um começo, cara. Se forem desculpas sinceras, já é um começo."

"São." Um silêncio desconfortável voltou a se instalar.

"Ainda estou curioso pra saber sobre a Cecily. Ela sabe que você a ama?" Finn forçou.

"Como VOCÊ sabe que eu a amo?"

"Pela sua cara de idiota olhando pra ela." Ele falou, mas rindo, e o outro nem mesmo se ofendeu. Não havia por quê. "Você nunca olhou a Rachel desse jeito e... bom, EU olho a Rachel desse jeito. Como se não existisse nada em volta." Suspirou.

"Ela é linda!" Jesse sorriu largamente. "E ela é doce, pura... ela é como um anjo." O rapaz, sentado em sua cadeira, virou-se para o lado e para cima pela primeira vez, olhando para o rosto do colega de escola que fora considerado seu inimigo um dia. "Ela foi a única pessoa que se preocupou comigo, além dos meus pais. Ela, que eu nunca defendi... que eu deixei de lado por causa da minha popularidade, que eu ignorei por tanto tempo. Ela que... tem as pernas mais ágeis que eu já vi, enquanto as minhas estão paralisadas." Ele tinha lágrimas nos olhos, por isso voltou a desviar o olhar do de Finn. "Como eu posso dizer pra ela o que eu sinto? Eu... eu perdi esse direito, cara."

"Jesse, ela gosta de você, cara. A Rachel me disse que você falou que ela foi ao hospital, que ela almoça com você, te faz companhia. Apesar de tudo... ela gosta de você."

"Eu sei que ela gosta. Mas como ela pode?" Questionou irritado.

"Cara, deixa eu te contar um segredo?" Finn disse, brincalhão, querendo melhorar o clima. "Essa pergunta é tão difícil de responder quanto tipo... achar a cura do câncer. O que faz uma pessoa se apaixonar?" Deu de ombros e Jesse suspirou. "Jesse, eu não sou seu amigo. Talvez nunca seja, mas ainda assim eu vou te falar o que falaria pra um amigo. Aproveita que amanhã é dia dos namorados e convida ela pra sair."

"Comigo nessa cadeira?" O outro falou, incrédulo.

"Qual é o problema? Vão rolar várias festas em vários lugares onde você pode colocar sua cadeira ao lado da dela e passar a noite conversando, comendo, ouvindo música. Eu e a Rachel vamos ao Breadstix, com a galera do coral... talvez lá ela não se sinta mal, não fique com medo de bullying. E eu garanto que também não vão fazer ou falar nada pra você... apesar de tudo."

"Eu não sei se é uma boa ideia... eu quero primeiro..."

"Finn!" Uma Lyd muito animada correu ao encontro dele. Os dois nem haviam percebido que a aula acabara. "Cadê a Rach?"

"Ela está ensaiando. Eu e você vamos fazer um lanche e depois encontrar com ela... o que acha?"

"Lanche, é? Eu posso tomar Milk shake?"

"Claro!" Ele riu do entusiasmo dela.

"Lyd, você esqueceu suas sapatilhas." Cecily se aproximou, entregando-as à menina. "Olá, Finn. Oi, Jesse... eu... não achei que viesse de verdade." Falou, timidamente.

Finn segurou a mão de Lydia e a guiou em direção a porta, deixando Jesse e Cecily sozinhos, finalmente. Torcia para que tudo desse certo, pois acreditava que Jesse tinha começado a mudar, mas que só mudaria de verdade com uma boa influência e o amor de uma garota como ela. Sentiu um certo medo pois, se Jesse desse esperanças a Cecily e depois partisse o coração da delicada garota, ele teria tido uma certa participação nisso, o que não era uma ideia nada agradável. Afastou o pensamento, pois gostava de se ver como uma pessoa otimista.

Teve uma noite agradável levando Lyd para comer em uma lanchonete perto da escola, assistindo com ela o finalzinho do ensaio de Rachel, e depois levando as duas até a casa onde moravam, mas sequer teve tempo para namorar, porque Berry estava exausta e o dia seguinte seria cansativo também. Obviamente, não chegou também a comentar sobre seu encontro com o ex dela e sobre o fato de ter dado uma de conselheiro amoroso.

Rachel soube da conversa apenas quando, depois de Finn ter cumprimentado St. James, que seguiu seu conselho e levou Cecily à festa do Breadstix, o namorado acabou tendo que explicar sua mudança de comportamento. Ela achou um pouco estranho saber que seu atual tinha dado conselhos a seu ex, mas não se espantou com a generosidade dele e gostou de saber que a menina a que Jesse tinha se referido era Cecily. Elas não eram amigas, mas ela, assim como Hudson, via na bailarina uma ótima influência para um rapaz em fase de mudanças.

Os demais integrantes do clube do coral presentes não tinham propriamente nada contra o ex-capitão do time de futebol, e Kurt não foi à festa, por isso não houve nenhum tipo de clima ruim em razão da presença do garoto. A noite foi bem agradável e divertida, na verdade, com alguns deles cantando em um palco improvisado, e Sugar, que não tinha namorado, mas aproveitava qualquer motivo que encontrasse para festejar, distribuindo presentes para solteiros e casais incrementarem suas noites.

Sam e Mercedes ficaram constrangidos ao receber, na frente de todos, uma cesta com alguns itens de sex shop, enquanto Sugar explicava que as bolinhas explosivas com gel dentro poderiam ser estouradas e usadas para massagens corporais, mas também introduzidas na vagina, para que se rompessem com a penetração. Já Santana e Brittany agradeceram silenciosamente o fato de a colega rica ter sido discreta quanto ao presente delas, um vibrador que, segundo Motta, elas poderiam usar se sentissem saudades dos pênis de Sam e Artie.

Tina e Mike gostaram da ideia de brincar com cremes de massagem comestíveis e até combinaram de ir embora da festa um pouco mais cedo. Enquanto isso, Rachel e Finn riam muito dos itens que as lojas de sexy shop vendem como fantasia de enfermeira, mas chegavam à conclusão de que alguns itens da maletinha de "remédios" não ficariam tão mal assim no meio das brincadeiras nada inocentes dos dois.

Depois de aproveitar suficientemente a festa da lanchonete mais popular de Lima, Rachel e Finn seguiram em direção à casa dele, onde o porão estava preparado para ser o cenário da noite romântica e sensual dos pombinhos. Seus pais estavam em casa, e ele achou que seu quarto seria um local próximo demais a eles, ainda que não houvesse nenhuma ilusão da parte do jovem casal de que seus parentes não soubessem exatamente o que eles iriam fazer, antes de dormir juntos naquela noite.

Já haviam feito amor lentamente e se deliciado com orgasmos intensos, quando Rachel se lembrou de que tinha comprado um presente para ele. Tirou da bolsa um embrulho todo amassado, do qual os dois riram, e viu que tinha acertado na escolha, outra vez, quando ele sorriu amplamente, colocando na frente do corpo primeiro a camiseta onde se lia Led Zeppelin e, em seguida, aquela onde estava estampada a referência ao Queen.

Ele buscou, dentro da cesta onde tinha colocado algumas coisas para os dois comerem mais tarde, a lembrança que havia comprado para ela, e também a viu sorrir sinceramente, ao contemplar o delicado cordão de prata com um pingente que reproduzia as máscaras com semblantes opostos que simbolizam o teatro. Ele a ajudou a colocar a pequena joia no pescoço e voltou a aproveitar a presença daquela linda garota que só ele podia chamar de namorada e que não tinha mais nada no corpo além do delicado ornamento.

Foi mais uma noite fantástica que só não foi perfeita porque, antes de adormecer, apesar de não terem trocado uma palavra sequer sobre isso, Finn e Rachel sentiram um certo medo do dia em que não poderiam mais ignorar o mundo lá fora e prestar atenção somente ao seu amor.