Uma Nova Injeção De Adrenalina
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Espero que pelo menos o capítulo não esteja dos piores...
Beijão a cada um de vocês guerreiros que ainda acreditam em Finchel. Love you!
Rachel chegou à escola nervosa e ficou andando de um lado para o outro no camarim do auditório, enquanto observava alguns colegas de elenco chegarem e começarem a se preparar, cada um do seu jeito. Alguns faziam aquecimentos de voz bens estranhos, outros alongavam o corpo, e alguns se preocupavam em conferir se todos os objetos utilizados em cena estavam em seus devidos lugares.
Começou a pensar que talvez tivesse chegado cedo demais, uma vez que estava claro que os responsáveis pelos detalhes de cenário tinham feito um bom trabalho, e ela não pretendia fazer alongamento ou aquecer a voz. Aquecer a voz era algo que ela fazia quando ia cantar apenas, e a peça que encenariam naquela noite não era um musical.
Percebeu, no entanto, que não era tão cedo assim, quando Sugar e Tina, que haviam se oferecido para ajudá-la com a maquiagem, finalmente se juntaram a ela nos bastidores. A chegada das duas, a princípio, a deixou mais tensa, porque significava que dentro de pouco tempo ela estaria no palco, mas logo as amigas fizeram com que ela ficasse completamente relaxada, porque a asiática falava pouco mas tinha um sorriso que passava uma confiança absoluta no sucesso, e a patricinha falava sem parar, arrancando gargalhadas das outras duas com observações que somente ela era capaz de fazer.
"Eu ontem assisti, de novo, o Crepúsculo!" Contou Sugar. "Como a garota sem bunda pode escolher entre um lobo fortão e um vampiro deprimido? Ela gosta dos dois!"
"Fala sério, Sugar! Ela simplesmente sabe." Afirmou Tina, suspirando.
"E se ambos a fazem se sentir bem, de formas diferentes?" A riquinha perguntou, de repente mais séria, o que não passou despercebido por Rachel.
"Você não escolhe o amor verdadeiro. O amor verdadeiro escolhe você." A asiática respondeu, sonhadora. "É preciso ter certeza sobre se casar, porque casamento é promessa, dura para sempre."
"Meninas, eu acho ótimo que estejam aqui comigo, enquanto me arrumo, mas por que estão sendo tão estranhas e sérias?" Rachel questionou.
"Podem guardar um segredo?" Tina quis saber das outras duas, depois de alguns segundos refletindo. Então, vendo-as concordar com um gesto de cabeça, puxou o cordão pendurado em seu pescoço, que tinha, até então, uma parte escondida dentro da blusa, e mostrou um anel pendurado nele.
"Tina, o que é isso?" Sugar se assustou, mas conseguiu manter a voz relativamente controlada.
"É um anel de noivado." Tina disse, sem jeito.
"Não brinca!" Rachel praticamente gritou.
"Mike fez o pedido."
"E o que você disse?"
"Eu disse 'sim', claro."
"Tina, você perdeu a cabeça?" Foi Sugar quem perguntou.
"Eu amo o Mike. Amo de verdade mesmo!"
"Mas e os seus estudos?" Rachel se preocupou.
"Eles estão de pé... eu tenho sonhos para uma grande vida! Alguns deles incluem um pouco de dificuldade até que eu faça todos se realizarem, mas, em todos os meus sonhos, com dificuldade ou não, ele está lá... o Mike." Sorriu. "Prometem não contar pra ninguém, por enquanto?"
"Não está com medo de que seja a decisão errada?" Sugar fez uma careta.
"Eu sei que estou com a pessoa certa." A menina deu um sorriso tão grande que devia doer.
"Se é assim, só podemos ficar felizes por você." Rachel assegurou e abraçou a garota. Sugar ainda a olhava com desconfiança, mas também desejou felicidades e abraçou a amiga.
A verdade é que Sugar estava tendo problemas para escolher entre Artie, que depois de terminar com Britt resolvera convidá-la para sair algumas vezes e, agora, queria namorar, e Rory, com quem ela também já tinha saído algumas vezes, e que resolvera se declarar apaixonado, depois de vê-la com Artie em um restaurante. Para ela, era difícil entender a segurança de Tina de que ficaria com Mike uma vida inteira!
Enquanto a conversa voltava a ser trivial e a maquiagem era terminada, Finn chegava ao auditório com seus pais e irmão, encontrando Shelby, Clay, Hiram e Leroy, já sentados e guardando lugares para os quatro. Não estava nervoso, apenas ansioso para ver a namorada, finalmente, mostrar seu talento a um número razoável de pessoas. Ele não achava justo que a enorme capacidade para atuar de Rachel, a qual ele tinha testemunhado algumas vezes nos últimos dias, não fosse explorada ao máximo, não pudesse ser desfrutada por outras pessoas que apreciassem as artes dramáticas como ela.
Do lado de fora do auditório, outras pessoas começavam a chegar para ver a encenação que a escola havia preparado para aquele ano. Os amigos de Rachel, é claro, estavam entre essas pessoas que fizeram questão de prestigiar a montagem, ainda que amadora.
Santana e Brittany chegaram juntas e conseguiram lugares bem atrás de Finn e Kurt. Lauren sentou-se com Sunshine e Wade, Joe com Rory, Anisha e Marguerite, Artie com David e Trent. Mike chegou com os Chang, pensando que talvez, se os pais saíssem bem felizes da peça, ele e a noiva poderiam lhes contar a novidade.
Quinn chegou com o namorado Noah, o irmão Sam e a agora cunhada Mercedes e, logo que viu um dos muitos banheiros do colégio, resolveu levar a amiga para retocar a maquiagem, deixando os dois meninos parados no corredor a sua espera. Logo eles viram Jesse, sentado em sua cadeira de rodas, parado em um canto, e perceberam que o rapaz ficou bastante sem jeito com a presença deles.
"Qual é, cara? Como é que você tá?" Noah perguntou, afinal de contas ele e Jesse não andavam mais juntos, como quando St. James namorava Rachel, mas eles tinham continuado companheiros de time, até o acidente.
"Eu to legal, cara. Agora que passou um tempo, os médicos já puderam fazer novos exames, e eles descobriram que a minha coluna tá legal... que o dano não foi permanente. Eu só tô com as pernas muito fracas e tal, então eu tô fazendo fisioterapia."
"Legal." Afirmou, sincero, Sam, ao lado de Noah. Não era porque o cara tinha sido um babaca com a melhor amiga dele que ele iria desejar que o outro ficasse sem andar para sempre.
"Obrigada por perguntarem." Jesse continuou, envergonhado. "Eu sei que não somos mais amigos... e que a culpa é toda minha."
"Tudo bem." Puck deu um tapinha no ombro dele. "Não somos amigos, mas também não precisamos ser inimigos." Assegurou.
"Oi, Puck... Sam." Cumprimentou Cecily, que voltara do banheiro, se juntando aos três rapazes no corredor, junto com Quinn e Mercedes. "Amor, as meninas tavam me falando que, depois da peça, vai todo mundo pra um pub... será que a gente pode ir também?" Completou, se dirigindo a Jesse, com sua voz sempre doce.
"Eu... eu não sei, linda." Ficou sem jeito, por não saber se seria bem vindo no programa do grupo de amigos de Rachel e Finn. "Eu não sei como é o lugar... se dá pra andar por lá nessa cadeira." Isso também não era nenhuma inverdade.
"Dá, sim, cara. A gente vai lá no Lion's. Tem rampa, é espaçoso... é tranquilão." Puck respondeu.
"E a gente precisa fofocar com a Cecily." Acrescentou Quinn, que tinha se aproximado bastante da bailarina, depois da ida da garota com Jesse à festa de dia dos namorados.
"É, cara. Vai, sim. Não deixa essa cadeira te atrapalhar, não. Até porque já já você vai sair dela, né?" Sam continuou, sentindo que o rapaz precisava ter certeza de que não estaria se intrometendo.
"Ok." St. James respondeu, sorrindo, pois não conseguiria dizer 'não' à namorada que o olhava com tanta esperança no semblante.
Todos entraram e ocuparam seus lugares na plateia do auditório, de onde viram Rachel arrasar no palco. Ela fez as pessoas darem gargalhadas nas horas certas e também se emocionarem com sua Catarina, exatamente quando deveriam. Sua atuação era totalmente natural e o trabalho dos outros alunos-atores também era bastante bom, o que fez com que ninguém nem sentisse o tempo passar e a peça chegar ao final.
O elenco foi aplaudido de pé e se abraçou muito, comemorando, antes de ir para o camarim e se transformar em simples adolescentes prestes a deixar o ensino médio de novo. Depois disso, Rachel recebeu as congratulações e elogios dos pais, dos amigos e do namorado, com quem seguiu, finalmente, para uma merecida comemoração em um dos poucos pubs da cidade.
Foi uma noite ótima, apesar de Kurt ter passado a primeira parte dela torcendo o nariz para a presença de Jesse. Além de conversar muito sobre a peça, as Regionais, que aconteceriam no final de semana seguinte, e a formatura, que se aproximava para grande parte dos presentes, os amigos jogaram dardos e sinuca, e cantaram no karaokê.
Foi uma diversão super oportuna antes de uma semana de muito trabalho! Com a aproximação da competição, o clube do coral se reuniu todos os dias da semana seguinte, a fim de se aproximar ao máximo da perfeição. Finn entrou no seu modus operandi meio psicótico, o que rendeu algumas pequenas discussões com Rachel, mas os dois fizeram as pazes todas as vezes do jeitinho que mais gostavam. Ela, por sua vez, se manteve calma e tentando tranquilizar todos os colegas que estavam tensos.
Quando chegou, finalmente, o primeiro sábado do mês de março, os membros do clube fizeram juntos uma pequena viagem até Westerville, onde ficava a Dalton Academy, uma escola privada apenas de meninos cujo coral, os Warblers, iria competir contra o deles e o Trouble Clef, de uma escola de Marietta. A viagem foi tranquila, porque todos estavam poupando suas vozes e, quando eles chegaram ao seu destino e começaram a se arrumar, a preparação não foi nada diferente daquela que tinha ocorrido no dia das Seletivas.
As coisas mudaram um pouco, no entanto, quando Kurt, que tinha ido à lanchonete daquele colégio com Trent, Rory e Joe, para buscar o lanche oferecido ao grupo pela produção do evento, voltou de mãos vazias e chorando compulsivamente.
"O Sebastian, Finn." Ele conseguiu dizer, entre soluços, abraçando o irmão. "O Sebastian... eu devia saber... eu não devia ter ido lá fora." Não parava de chorar.
"Finn, o que houve, pelo amor de Deus? Quem é Sebastian?" Rachel questionou, preocupada, mas Finn fez um gesto para que ela esperasse que ele acalmasse Kurt, antes de explicar qualquer coisa.
"O que ele fez agora?" Ela viu o namorado perguntar calmamente ao irmão, cujo choro começava a diminuir.
"Ele..." Soluçou. "Ele ficou dizendo que ainda dava pra sentir cheiro de ovo em mim... ele e os amigos ficaram falando que eu devo ter pesadelos com a mãe dos pintinhos vindo atrás de mim por vingança..."
"Kurt, você não tem que ligar pra isso. Você é superior... MUITO superior àquele babaca!" Finn assegurou e Kurt balançou a cabeça afirmativamente, se mostrando bem mais tranquilo. "O Sebastian é um ex-namorado do Kurt, babe." Ele continuou, agora olhando para Rachel.
"Não! Ele não é meu ex-namorado... ele é um babaca que me usou e que eu não quero ter na minha lista de relacionamentos." Kurt esclareceu.
"Ele se aproximou do Kurt porque ele e alguns outros membros desonestos dos Warblers queriam descobrir as músicas que o Vocal Adrenaline ia cantar... saber se a gente tinha alguma carta na manga, essas coisas." O namorado de Rachel contou a ela. "A gente achou estranha a aproximação, mas ninguém tinha o direito de dizer pro Kurt não ficar com ele, né? Então, eles ficaram juntos um tempo, mas ele terminou quando viu que não conseguiria descobrir nada."
"Não satisfeito em chegar pra mim e dizer que não valia a pena ficar viajando toda hora pra ver alguém tão comum quanto eu, ele voltou a Akron com uns amigos e eles jogaram ovos em mim e... ele falou que tinha me usado o tempo todo e eles ficaram rindo da minha cara." Hummel terminou a história, humilhado.
"Que cara..." Rachel abriu a boca, mas foi interrompida.
"Oi. Você é Kurt Hummel?" Um rapaz moreno se aproximou dos três, usando o uniforme da Dalton.
"Como você tem a cara de pau de vir aqui no nosso camarim implicar ainda mais com o meu irmão, cara?" Finn se levantou da cadeira que ocupava ao lado de Kurt e falou em tom ameaçador.
"Não, Finn, calma." Pediu Kurt, se colocando entre os dois rapazes. "Esse colega do Sebastian me defendeu dele... e de uns outros idiotas lá." Informou. "Muito obrigado. Eu nem consegui te agradecer." Disse ao garoto.
"Não foi nada, cara. Eu vim aqui só ver se o estrago tinha sido muito grande. O namorado da minha prima tava comigo, quando eu vi o Sebastian e o Nial tentando humilhar você... e aí, depois que eu terminei de acertar minhas contas com eles, ele me falou seu nome. Eles estudam com vocês lá no McKinley... o Jesse e a Cecily."
"Você é primo da Cecily?" Rachel se apresentou na conversa.
"Uhum." Respondeu o rapaz, sorridente. "Blaine Anderson." Ofereceu a mão, que ela apertou, se apresentando também. Em seguida, ele apertou a de Kurt, cujo nome ele já sabia, e a de Finn, que também disse quem era.
Logo, no entanto, a conversa foi interrompida porque o coral de que Blaine fazia parte recebeu o primeiro sinal para se arrumar e ele teve que sair correndo, não sendo mais visto por eles naquele dia, quando, depois de um dueto de Finn e Rachel, e de duas apresentações do grupo, o Novas Direções se sagrou campeão das Regionais, garantindo uma vaga na competição Nacional em Los Angeles.
Kurt Hummel, no entanto, tinha a impressão de que, de repente, como em um passe de mágica, ele havia começado a acreditar em coisas interessantes, como amor à primeira vista e almas gêmeas separadas pela inveja dos deuses.
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