Uma Nova Injeção De Adrenalina
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Rachel andava bastante ocupada! É claro que Finn tinha razão e os ensaios para a peça não estavam atrapalhando nenhuma das suas outras atividades, mas, por outro lado, não sobrava tempo algum para preguiça. Ela não estava passando muito tempo nem com ele e, para conseguir garantir os poucos momentos de namoro que tinha, ficar com os amigos fora da escola era algo que só acontecia nos finais de semana.
Não tinha tido tempo de se concentrar na tal operação para juntar Sam e Mercedes, então tentou o jeito convencional, durante uma tarde em que a Srta. Jones e Kurt Hummel a ajudavam a comprar alguns itens para o figurino da peça, já que, por ser uma produção escolar, não havia figurinista ou cenógrafo profissional, e os próprios alunos tinham dividido as tarefas de produção.
"Cedes, o que você acha do Sam?"
"Diva, diva..." A amiga começou a falar, rindo. "Você me subestima assim mesmo?" Olhou-a apenas e continuou. "Pra você estar me perguntando isso, é claro que ele andou conversando com você. Até porque eu posso ser sua amiga, mas ele é quase seu irmão."
"Sim, é verdade. Ele andou conversando comigo... eu sei de tudo."
"Do que você sabe?" Kurt, que estivera uns minutos afastado, mexendo em uma arara de roupas, voltou e se introduziu no assunto.
"É..." Rachel viu como o rosto de Mercedes se contorceu em uma pequena careta e disfarçou por ela. "É que o Sam tá a fim da Mercedes... mas ela não tá facilitando muito pro meu amigo, não." Riu.
"COMO ASSIM?" Chocou-se o garoto. "Qual é o problema, deusa de ébano? Alguma coisa tem aí, porque eu sei muito bem que você tem uma... coisa por ele."
"Você não sabe de coisa nenhuma, Kurt." Ela afirmou, contrariada.
"Ah, eu sei, sim. Eu sei que no mínimo você acha ele fofo e, portanto, se não tivesse um babado rolando, você não teria porque... dificultar, como diz a Rach." Suspirou, adotando uma certa postura, como se tivesse sido ofendido. "Me fere de morte que minhas duas melhores amigas estejam escondendo algo de mim, mas não vou insistir. O que acham daquele chapéu?"
"Eu gosto." Rachel afirmou, andando em direção ao chapéu. Kurt se afastou novamente, indo perguntar algo a um vendedor. "Eu prometo não dizer nada ao Kurt sobre suas férias românticas com meu melhor amigo hetero... é sério. Mas eu queria muito que você pensasse melhor, Cedes." A garota revirou os olhos. "Eu sou amiga dele, sim, o que pode me fazer parecer suspeita, é claro! Mas, se eu sou amiga dele, como sou... conhecendo aquele playmobil há anos, como eu conheço, é justamente porque ele tem um coração enorme."
"Ainda o assunto Sam?" Kurt disse, com o mesmo ar aborrecido.
"Sim, eu estou dizendo a Mercedes que ela deveria dar uma chance a ele... conhecê-lo melhor. Ele GOSTA dela... gosta de verdade... como eu nunca vi ele gostar de ninguém antes, pra falar a verdade." Ela sabia que estava expondo um pouco o amigo e que talvez ele não gostasse muito da estratégia dela, mas valeria a pena se ela conseguisse convencer Jones.
"Eu não confio nele, Rach. Desculpe. Ele já me chamava pra sair quando ele ainda namorava! Eu não quero sair com ele e acabar me envolvendo com alguém em quem não posso confiar." Ela afirmou, chateada, sem nem se importar com Kurt e com a cara de surpresa exagerada dele.
"Cedes, talvez eu nem devesse te dizer isso, mas eu preciso... e, Kurt, cunhadinho, isso NÃO SAI DAQUI, ok?" O rapazinho balançou a cabeça, positivamente. "O Sam e a Santie nunca se gostaram de verdade... o namoro deles era conveniente pros dois, mas se gostar mesmo, eles sempre se gostaram só como amigos. Eu acho que o Sam tá... apaixonado por você e... bom, se ele estiver apaixonado e vocês ficarem juntos, eu tenho certeza que ele não vai trair a sua confiança, Cedes."
"Eu não sei, Rach." Foi a resposta da outra, mas tanto Rachel quanto Kurt perceberam que a atitude dela mudou. Já não estava mais tão convicta de não querer dar chance alguma a Evans.
Os três fizeram compras por mais algum tempo e não falaram mais no assunto, mas Rachel ficou animada com o brilho que viu nos olhos de Mercedes. Ao chegar em casa, ela ligou para Sam e disse que ele deveria esperar uns dias e fazer alguma surpresa para a menina por quem estava apaixonado. Ele precisava se esforçar mais do que simplesmente a abordando no corredor com convites para ir à lanchonete ou pegar um cinema.
O loirinho fez exatamente o que a amiga disse e, uns dias depois, cantou para ela durante um dos ensaios do glee, mas isso não mudou absolutamente nada, assim como não surtiram efeito as flores e os chocolates que ele enviou para a casa dela.
Por fim, prometendo a si mesmo que esse seria o último clichê que usaria e contando com a ajuda dos amigos, resolveu fazer uma serenata embaixo da janela dela, como o personagem de John Corbett no filme Eu odeio o dia dos namorados, que Quinn estava assistindo na sala da casa deles uma noite, quando ele chegou à casa deles e foi comer um sanduíche sentado no sofá.
Ao ouvi-lo cantando, a garota sentiu um misto de irritação, porque teve que se explicar para os pais e não havia exatamente muito o que dizer a não ser que era um garoto da escola que estava a fim dela, e de satisfação, porque, ainda que ela continuasse receosa, ele estava agindo de um jeito romântico, fofo, que falava ao coração dela. Ela saiu da casa pedindo para ele parar imediatamente, como se estivesse apenas contrariada e nem um pouco balançada, e ele fez o que ela pediu, mas não se deu por vencido.
"Sai comigo, gata."
"Sam, a gente já falou sobre isso..." Lembrou, cansada.
"Por FAVOR! Pelo menos uma vez. Me dá uma chance?" Olhou para ela, cheio de expectativa, mas ela baixou o rosto. "Sabe... se você não topar... não tem problema, eu posso vir aqui toda noite, cantar pra você." Riu, fazendo ela rir e, finalmente, baixar a guarda.
"Tudo bem, branquelo! A gente sai. Mas só porque meus pais iam ficar malucos com você cantando em frente à casa deles todo dia."
Ele sorriu feito bobo, beijou a mão dela, e esperou que ela acenasse aos amigos deles que o acompanhavam e entrasse em casa, para se juntar aos amigos, comemorando com eles com soquinhos, abraços e outros cumprimentos típicos deles.
A saída dos dois aconteceu dias depois, em uma sexta-feira, e era sobre isso que Mercedes estava falando com Kurt, no dia seguinte, sentada na arquibancada do campo de futebol do McKinley com ele e Finn, enquanto Evans e outros jogadores se aqueciam na lateral do campo, e Rachel e as demais líderes de torcida já faziam alguns passos de sua coreografia, animando a torcida. O time da escola deles iria participar de seu segundo jogo da temporada, em alguns instantes.
"Aí a gente se beijou, quando ele foi me deixar em casa... eu já tava até achando estranho, mas acho que ele preferiu assim pra me mostrar que ele não quer só pegação."
"Hum, interessante." Kurt respondeu, enquanto olhava um dos jogadores exibir os músculos do abdômen, ao se abanar com a própria camisa.
"A gente vai sair de novo hoje." A garota completou, sorridente.
"Muito bom, Srta. Jones!" O amigo finalmente olhou para ela, de verdade. "Ainda estou um pouco zangado por você não ter me contado antes que já havia beijado... algumas vezes, aliás... aquela boca de truta, mas eu fico feliz que você tenha caído em si e aceitado o convite dele. Vocês fazem um casal exótico e eu gosto disso."
A garota apenas riu e cutucou Kurt, mostrando Finn. O irmão dele estava quase babando, com os olhos paralisados em uma direção para a qual eles sequer precisavam olhar para saber o que encontrariam nela. Ou quem!
Pouco tempo depois, no entanto, alguns outros membros do clube se juntaram a eles e Finn começou a conversar, não prestando mais atenção nas líderes de torcida, que, por sua vez, pararam logo depois, uma vez que o jogo estava começando.
A maior parte dos amigos que estavam com Finn na arquibancada, assim como ele próprio, não entendia nada de futebol americano e estava ali somente para prestigiar o pessoal que fazia parte do time ou das Cheerios. Eles não sabiam nada das regras e nem estavam realmente interessados, apenas usavam aquela como mais uma oportunidade para passarem um tempo juntos. Porém, mesmo eles tiveram a sua atenção capturada quando tudo aconteceu.
Bem perto do final do jogo, e de uma vitória esmagadora do time da casa, alguns brutamontes do time adversário derrubaram o capitão, Jesse St. James, que, como acontece muitas vezes nas violentas partidas de futebol americano, ficou encoberto pelos corpos de seus inimigos desportivos.
Até aí, não havia nenhuma novidade, mas quando, um a um, os garotos foram se levantando, pode-se ver o corpo imóvel de Jesse estirado na grama. Os companheiros de time correram até ele e começaram a gritar, a passar a mão na cabeça nervosamente, alguns querendo brigar com os meninos que tinham derrubado St. James, outros os segurando. O técnico correu também e se ajoelhou perto de seu comandado, falando alguma coisa, e rapidamente vieram os paramédicos que ficavam próximo ao campo para atuar em emergências como aquela, imobilizaram o rapaz e o levaram até uma ambulância, que logo saiu do local.
O jogo continuou, mas sem concentração alguma dos jogadores de nenhum dos times ou dos espectadores. Os Titans ganharam, mas o assunto comentado não era a vitória e sim o seu capitão e o que poderia ter acontecido com ele. Será que ele havia sofrido alguma lesão grave? Será que ficaria bem? Ninguém sabia, mas alguns rezavam e todos torciam para que nada de realmente ruim acontecesse, mesmo aqueles que não tinham amizade ou simpatia pela vítima.
Definitivamente, aquele não foi apenas mais um jogo dos Titans, como eles esperavam.
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