Uma Nova Injeção De Adrenalina
39 Capítulo 39
Finn e Rachel estavam deitados na cama dela, abraçados, em silêncio. Ela tinha a cabeça repousada sobre o peitoral do rapaz e brincava de "escrever" os nomes dos dois, com os dedos, no braço dele, enquanto ele fazia carinho nos cabelos dela, preguiçosamente. Seus corpos nus estavam cobertos apenas por um lençol, pois o sistema de aquecimento ligado e as atividades que tinham acabado de desenvolver tinham exterminado qualquer sinal do frio de janeiro.
Era uma noite de quarta-feira, e talvez eles já devessem estar dormindo àquela hora, mas a viagem de negócios de Shelby e Clay e a autorização da Sra. Cocoran para que Finn dormisse na casa deles com sua filha tinham reunido os dois jovens amantes, que, quando sozinhos, não conseguiam resistir ao desejo, cada vez maior, que sentiam um pelo outro. Nenhum dos dois sequer se lembrava que havia relógios, naquele momento, ou compromissos esperando por eles, no dia seguinte.
"Rach, babe?" Finn a chamou e ela se movimentou na cama, ficando de frente para ele e sorrindo. "Os testes pra peça da escola são depois de amanhã... e você nem tocou mais no assunto comigo." Disse, calmamente, mas parecendo chateado.
"É que eu achei melhor não fazer, amor. Eu te falei... já tenho muitas atividades!"
"Rachel, você ama tanto teatro! Colocou até o nome do gatinho que eu te dei de Fiyero, que é o nome de um personagem daquele musical que você tinha visto com o Kurt... ele me disse."
"Ué, é que eu gostei do personagem! Eu fiquei encantada com o musical... eu nunca tinha visto um. Quem não se encanta com a Broadway?"
"Você sabe que não é assim, Rachel." Ele falou, ainda mais sério. "Você não gosta um pouco de teatro... você é uma apaixonada! Seus pais já deixaram escapar várias vezes que, toda vez que eles deixavam você escolher o programa, desde criança, você sempre queria ir ao teatro. E você lê peças de teatro... você tá sempre focada na parte da interpretação, quando a gente monta as apresentações do coral..."
"Tudo bem, Finny. É verdade que eu adoro assistir peças de teatro... e que me fascina que alguém possa experimentar ser outra pessoa por um tempo, brincar com emoções que não está realmente sentindo..." Os olhos dela brilhavam e quem ficava realmente fascinado, ao ver tanta emoção sendo transmitida por aquelas palavras, sem que ela nem mesmo se desse conta, era seu namorado. "Mas, mesmo assim, eu já tenho duas atividades extracurriculares. Os ensaios de torcida acabaram, mas os jogos vão começar... e as Regionais não tão muito longe."
"Se você não estivesse preocupada em se boicotar, baixinha..." Observou, brincando com o nariz dela. "...teria visto nos cartazes que os ensaios vão ser à noite, porque a professora April não pode na parte da tarde. A cantina do colégio até vai abrir, pro pessoal pode fazer um lanche... ou até jantar. Não vão atrapalhar em nada os ensaios do coral e nem as suas apresentações acrobáticas nos jogos, com aqueles pompons e aquela roupinha sexy." Riu. "E não vão atrapalhar os estudos também, porque vão ser só três semanas... na época das provas, vocês já vão ter até se apresentado." Ele a olhou por alguns segundos, cheio de expectativa.
"Ok." Ela falou, hesitante. "Ok, eu vou fazer... vou me inscrever amanhã. Mas, olha, eu vou ficar muito brava com você se eu passar o maior vexame no teste, Finn Hudson!"
"Você não vai." Ele riu, mas logo fez uma careta, pensativo. Tinha chegado a parte mais difícil da conversa, afinal. "Só que tem um probleminha." Ela o olhou, apreensiva. "É... as inscrições acabaram hoje..."
"E você me convenceu pra que, então, garoto?" Irritou-se, não deixando nem que ele terminasse de falar.
"Eu... é... eu inscrevi você." Falou, com medo da reação dela. "Eu sei que você vai brigar comigo, porque eu não tinha o direito de me meter..." Tentou se justificar, mas foi interrompido de uma maneira que não esperava, recebendo vários beijos rápidos nos lábios.
"Eu te amo tanto, Finn!" Sorriu. "Como é que você pode saber o que eu quero, antes mesmo que eu descubra?" Bateu no braço dele, se fazendo de contrariada.
Ele apenas sorriu e a puxou para si. O que ele queria era vê-la feliz e, com exceção dos momentos de maior intimidade entre os dois, os minutos em que ele a vira mais radiante do que nunca foram aqueles em que o Novas Direções se apresentou, durante as Seccionais. Os instantes em cima do palco!
É claro que aquilo tinha sido importante para todos os integrantes do coral e que para ele tinha sido particularmente especial, por causa do que a música representava em sua vida, mas, no caso dela, parecia haver um entusiasmo maior do que o dos demais com a demonstração de emoções, os gestos, a expressão facial, e depois os aplausos, os elogios, a emoção de quem estava assistindo.
Ele já tinha percebido que os dois tinham em comum o gosto pela arte, pela música, e por se apresentarem para qualquer tipo de plateia, sendo por ela ovacionados no final. Contudo, ela, além disso, tinha também um interesse incomum pelos textos e performances teatrais, então não havia nenhuma razão para que ela não aproveitasse a oportunidade que havia surgido de encenar uma peça. Provavelmente, isso a deixaria ainda mais feliz, sem contar que algo lhe dizia que ela tinha talento e que ele iria adorar vê-la interpretando, então ele não hesitara em garantir sua participação nos testes.
Aliviado por ela ter entendido sua atitude e até ficado aparentemente agradecida, ele a beijou com toda a paixão. Correspondendo com o mesmo entusiasmo, ela deitou-se sobre ele, que deslizou as duas mãos pela lateral do corpo dela. Ela parou de beijá-lo na boca e começou a distribuir beijos pelo pescoço dele, enquanto ele a apertava mais contra si. A respiração dele já estava se alterando e o sangue se concentrando especialmente em uma região, então ele a empurrou com jeito e ficou por cima dela, sendo sua vez de atacar o pescoço da garota, que gemia baixinho.
Ele tomou o seio dela em uma das mãos, usando a outra para se apoiar e olhar nos olhos dela. Encarando-a, ele a provocou, friccionando repetidas vezes seu polegar no mamilo dela. Por um tempo, ela apenas o encarou também, ofegante, mas depois deslizou uma das mãos pelo abdômen dele, até chegar ao membro e começar a masturbá-lo devagar. Se apoiando nos dois cotovelos, ele beijou o vale entre os seios dela, enquanto mexia o quadril no mesmo ritmo lento, quase doloroso, com que a mão dela trabalhava. A outra mão da morena empurrou, impaciente, a cabeça dele na direção de um dos seios e, depois de rir da ansiedade dela, obediente ele lambeu e sugou seu mamilo, provocando gemidos um pouco mais altos.
O nome dele sussurrado em meio a sons sem significado foi a deixa para que ele descesse uma das mãos até a intimidade dela, tocando-a, deslizando os dedos por toda a extensão dela e depois introduzindo dois deles em sua cavidade. Engoliu seco, ao senti-la tão molhada, tão pronta. Afastou a mão dela de seu membro, sorrindo, e beijou sua boca, enquanto, com destreza, pegava um preservativo na gaveta da mesinha de cabeceira.
Ela apenas o observou, ansiosa e mordendo os lábios, cobrir o pênis com a camisinha e introduzi-lo em seu corpo, devagar. Envolveu, então, o quadril dele com as pernas, e o pescoço com os braços, apertando-o contra si o máximo que podia. Os dois fecharam os olhos e, juntos, foram aumentando o ritmo e a força dos movimentos, a altura dos gemidos, a intensidade do prazer.
Gritando o nome dele, ela teve um orgasmo intenso que estremeceu todo o seu corpo e arrepiou seus pelos, a deixando completamente relaxada logo em seguida. Ele a seguiu até o ápice, explodindo dentro do preservativo, e se jogou para o lado, para não deixar cair todo o seu peso, que parecia ter dobrado, em cima dela.
Depois de amarrar a camisinha e se livrar dela, ele se acomodou na cama, puxando o lençol, que havia caído enquanto eles se amavam, e cobrindo seus corpos com ele outra vez. Ela deitou novamente a cabeça sobre o peito dele e ele a abraçou, e os dois adormeceram quase imediatamente nos braços um do outro.
"A Emma me deu esses papéis, quando eu fiz a sua inscrição pro teste, amor." Finn informou, entregando duas folhas a Rachel, quando eles estavam prestes a sair de casa para ir à escola, na manhã seguinte.
"São dois trechos da peça." Ela afirmou, depois de passar os olhos por elas, rapidamente. "São cenas da Catarina com o Petrucchio." Falou, normalmente, mas ficou pensativa, em seguida. "Você me inscreveu pra algum papel em especial ou todos os testes são iguais, Finn?"
"Não, não. Cada personagem vai ter o seu próprio teste... inclusive a pessoa podia fazer teste pra mais de um, mas eu achei muito cansativo... e desnecessário também. Eu inscrevi você pra o papel da protagonista, claro!"
"Finn?" Ela se assustou. "Eu não ia nem fazer o teste e você me inscreve pro papel principal?"
"É o papel que você merece." Ele respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia de todas.
"Você acredita tanto assim em mim?" Perguntou, emocionada e, ao mesmo tempo, um pouco sem jeito.
"Mais!" Sorriu, mostrando as covinhas. "Agora, vamos, senhorita? Assim a gente vai se atrasar."
"Claro." Respondeu, indo com ele em direção à porta, mas logo pegou no braço dele. "Só uma coisa, amor." Ele a olhou, esperando que ela dissesse o que era. "Você vai comigo, né?"
"Claro." Sorriu, mais uma vez, de forma cúmplice. "Se for te deixar mais confiante, eu vou tá lá o tempo todo."
Com isso, ele pegou a mão dela e a guiou até o carro, para mais um dia quase comum, não fosse pelo fato de ela ter passado a noite de quinta decorando falas e treinando-as em frente ao espelho, e de ter tido mais dificuldade do que seria normal para pegar no sono.
A ansiedade foi crescente durante toda a sexta-feira, não sendo esquecido o teste nem mesmo durante a reunião do coral que, felizmente, era uma daquelas que tinham sido separadas para atividades mais lúdicas, não havendo, naquele dia, ensaio de nenhum dos aspectos (voz ou coreografia) do número das Regionais. Porém, se Rachel tinha sentido medo de passar vergonha, o teste provou por A mais B que ela não tinha razão nenhuma para isso.
Finn estava lá no momento em que os pares foram sorteados e também quando Rachel contracenou em duas cenas com um tal de Harry. O garoto era razoável, mas a menina se destacava totalmente, exatamente como o namorado havia imaginado que seria. Ele estava presente também enquanto ela esperava mais quatro casais fazerem seus testes e na tão esperada hora em que a professora April agradeceu a participação de todos e escolheu sua Catarina e seu Petrucchio.
Ele pulou da cadeira que ocupava na plateia do auditório, ao mesmo tempo em que ela pulava no palco, depois de saber que seria a protagonista da montagem da escola naquele ano, e a abraçou quando ela desceu do palco, depois de ter recebido um cronograma dos ensaios e as boas vindas da diretora e de seus assistentes.
Como Hudson pressentira, o simples fato de saber que iria encenar a Megera Domada colocara um sorriso diferente no rosto de sua garota e, consequentemente, ele também não conseguia parar de sorrir.
As coisas estavam ficando cada vez melhores...
Fale com o autor