Notas iniciais
As coisas vão começar a melhorar para Finchel em breve, muito breve... mas pra isso vocês vão precisar ter um pouco de paciência... se não fosse assim, não teria a mesma graça... eu acho! rsrsrs
Bjs!

"Eu amo aquele do Botticelli... O Nascimento de Vênus." Exclamou Rachel.

"É aquele que tem uma mulher numa concha, né?" Perguntou Finn, só para confirmar.

"É, sim." Ela riu.

"É bonito mesmo. Mas eu acho que os meus favoritos são os do Monet." Ele disse, pensativo.

"Você tem bom gosto, Finn."

"Eu acho que eu tenho." Concordou, baixinho, olhando para ela, que tinha acabado de fechar o armário, ficando completamente visível para ele, que estava encostado, de lado, em um dos armários perto do dela.

Era uma quarta-feira e eles tinham começado uma animada conversa sobre pintura, logo que a professora Beiste terminara a aula. Tão animada que, sem se darem conta, ele havia acompanhado a garota até o armário dela, onde aguardara que ela trocasse o material da primeira aula pelo da segunda, e agora eles estavam ali, se encarando, muito mais próximos do que deveriam.

"Eu sou louca pra ir aos Jardins de Monet." Falou, sonhadora e sorrindo largamente, sem ter percebido o duplo sentido da resposta dele.

"Eu adoro o seu sorriso." Ele afirmou, pegando-a de surpresa, mas ela não fez nada além de também se encostar nos armários. De repente, seu corpo pareceu precisar de algum apoio. "Você sorri com o rosto todo... com os olhos... o seu rosto se ilumina. É mais lindo que qualquer uma dessas pinturas... eu poderia passar horas só te olhando."

"Finn, você prometeu." Ela lembrou, mas não irritada, apenas sem jeito.

"Eu prometi não te beijar." Falou, ainda mais baixo, porque era um assunto tabu. "Não prometi não falar a verdade." Sorriu, mostrando suas covinhas que pareciam pedir para ser beijadas.

"É uma honra ser comparada a um quadro desses, mas..."

"O que é que tá pegando aqui?" Rachel foi interrompida, ao sentir uma mão forte segurando seu braço e, se virando rapidamente, encontrou o olhar raivoso de Jesse.

"A gente só tava conversando, Jesse." Rachel tentou argumentar, mas ele ainda a apertava com força.

"Vem." Disse, muito seco, como quem dá realmente uma ordem, puxando-a.

"Larga ela, cara." Finn se meteu, não querendo briga, porque não era do feitio dele, mas não podendo aceitar que uma garota, principalmente aquela garota, fosse tratada com tal falta de cavalheirismo.

"Finn, por favor... eu resolvo isso." Ela pediu, sabendo que, se Jesse estava sendo áspero assim com ela, para o rapaz ele reservaria uma atitude muito mais violenta e covarde, como ir atrás dele com os dois gorilas de quem ele vivia acompanhado, agora.

Ela saiu dali, com Jesse, que realmente tinha perdido a calma. Desde que ele ficara sabendo que Finn entrara para o clube do coral, ele ficara com medo da possibilidade de uma aproximação entre o garoto e sua namorada, porém não tinha como dizer nada sem levantar suspeitas sobre o fato de que ele sabia que eles tinham ficado na festa de boas vindas.

Depois, ficara bastante insatisfeito ao ver que os caras com quem ele costumava andar antes, principalmente Sam e Noah, que eram os melhores amigos homens de Rachel, tinham se tornado amigos do novato, e o convidavam até mesmo para as atividades que aconteciam nas casas deles, como encher a cara de cerveja e jogar vídeo game ou jogos de baralho, a tarde toda ou noite adentro. Não houve sequer chance de ele tentar interferir nessas novas amizades.

Por último, tinha ficado sabendo que Rachel vinha passando algum tempo com Finn, em razão da liderança compartilhada dos dois no Novas Direções, mas ainda não havia nada que ele pudesse fazer, porque o coral era sagrado para ela e, fora a informação dada por Karofsky sobre o beijo e a ida para a cabine de fotografias, não havia nada que demonstrasse que o namoro dele corria qualquer perigo.

Só que agora ela tinha ido longe demais! Era a terceira vez que ele via os dois conversando, fora do clube e, dessa vez, demonstravam uma grande intimidade e interesse um pelas palavras do outro, além de estarem trocando sorrisinhos e olhares, o que era uma enorme afronta à imagem dele, algo que ele não estava disposto a tolerar.

"Me solta, Jesse." A morena pediu, firme, pois eles já tinham andado grande parte do corredor e ele ainda a segurava. Ele largou o braço dela, bufando.

"Esse tipo de ceninha não vai se repetir!" Ele afirmou, em um tom de voz alto demais para o gosto dela. Todos os alunos em volta estavam olhando para os dois.

"Esse tipo de cena... ou melhor, de barraco... é que não vai acontecer, Jesse." Ela revidou, bem mais baixo que ele, mas tão séria quanto. "Se você quiser CONVERSAR, como uma pessoa civilizada, a gente faz isso, na hora do almoço, ok? Agora, eu tenho aula."

Dito isso, ela foi em direção à sala de aula, deixando ele para trás, mas, na hora do almoço, os dois foram mesmo para uma sala de aula, a fim de ter a tal conversa.

Finn estava no refeitório, com Sam e Matt, quando Jesse e Rachel saíram de lá, sem nem ao menos tocar em comida. Estava preocupado porque não queria criar problemas para ela, não queria fazê-la sofrer. No entanto, havia uma parte dele, provavelmente a maior parte dele, que desejava ter criado, sim, um problema. Não um probleminha qualquer, apto a provocar uma briguinha, mas um problema grande o suficiente para que Jesse e ela terminassem.

"Agora, eu sou toda ouvidos, Jesse." Rachel disse, ainda insatisfeita com o comportamento dele.

"Essa amizade entre você e esse Hudson, Rachel... isso não pode continuar."

"Ou o que? Vai terminar comigo?" Ela o desafiou, se surpreendendo consigo mesma ao perceber que desejava que ele dissesse que sim.

"Rachel, eu não quero terminar com você." Ele afirmou, mais calmo, se aproximando dela, tentando fingir até uma certa doçura, mas sem convencer. Sabia que um ultimato não funcionaria com ela. "Só que existem coisas... você precisa entender que pega muito mal prum cara a namorada dele andando com outro por aí."

"Eu tenho vários amigos, Jesse." Quis parecer indiferente a um metro e noventa e um centímetros de beleza, charme, carisma, pegada, inteligência, talento, fofura, senso de humor (e tudo mais que ela já tinha descoberto e ainda queria descobrir em Finn), como se ele fosse, para ela, a mesmíssima coisa que Noah ou Sam.

"Mas eles não estão a fim de você, como esse cara tá."

"Ele não..."

"Rachel, ele tá a fim de você!" Se irritou de novo, mas respirou, antes de continuar. "Vamos combinar uma coisa?" Nem a esperou responder. "Eu vou passar a ir pros ensaios com você. Eu quero ver qual é a desse cara... se dá pra confiar nele. E, assim, eu também fico mais com você... com os nossos amigos. Quem sabe eu até descubro porque vocês acham tanta graça nessa coisa de cantar."

Rachel não gostou nem um pouco da solução dada por Jesse ao "problema", mas não teve como argumentar. Gostou menos ainda quando ele, efetivamente, começou a acompanhá-la aos ensaios e às reuniões que ela tinha com Finn e o Sr. Schue, mesmo que agora fossem bem poucas, porque grande parte dos detalhes relacionados às Seccionais já haviam sido discutidos. A situação ficou ainda mais constrangedora quando o namorado descobriu que ela cursava uma disciplina com Finn, e passou a levá-la e buscá-la na porta da sala de aula.

Jesse virou uma sombra de Rachel e Finn se sentia irritado, frustrado, triste, carente do sorriso dela, da gargalhada dela, dos papos inteligentes que os dois estavam começando a ter quando St. Janota resolveu virar um cão de guarda. Os melhores momentos da semana inteira passaram a ser os poucos minutos da aula da professora Shannon, durante os quais eles trocavam olhares, sorrisos, às vezes até bilhetes em que ela se desculpava pela atitude de Jesse ou brincava com alguma coisa relacionada à própria aula. Algumas vezes, eles conseguiam sentar juntos e conversar um pouco, até que a professora os repreendesse.

Nos finais de semana, por alguma razão, Jesse parecia menos preocupado em monitorar Rachel, e Finn a via, quando ambos saiam com o grupo de amigos, que eles agora dividiam. No entanto, diante de toda a situação, o máximo que ele fazia era cumprimentar, olhar e sorrir. Em nenhum momento, eles tiveram oportunidade de ter uma conversa só dos dois, sem que isso pudesse ser suspeito, e ele nem mesmo sabia se ela queria conversar ou não com ele.

Se pelo menos a presença quase constante de Jesse fizesse bem a Rachel, Finn aprenderia a lidar melhor com ela, porém ele tinha a impressão de que ela não estava feliz. Alguns vezes, ele havia percebido que ela o observava, mesmo sentada ao lado do idiota, e vislumbrara uma ponta de preocupação no olhar dela. Era como se ela percebesse que cada passo de Jesse para dentro da sala do coral era como uma pisada forte no coração dele e, por meio de seu olhar, ela se desculpasse. Provavelmente ele estava enganado, mas ele tinha essa sensação.

E ele estava completamente certo. Ela estava tendo muitos problemas nos últimos dias. Vinha brigando muito com o namorado porque, se ele era um chiclete colado a ela na escola, nos finais de semana ele desaparecia e, por meio de fofocas, ela ficava sabendo que ele estava participando, com Karofsky e Azimio, de atividades que ela desprezava, como pegas, pichação de muros e outras formas de vandalismo.

Além disso, ela sentia falta de Finn, muita falta. Pensava nele durante o dia e era visitada por ele, em seus sonhos, à noite. Tinha vontade de ligar para ele, de conversar, de rir das coisas engraçadas que ele dizia, mas alguma coisa, que nem ela entendia o que era, a impedia de fazer contato com ele, assim como a impedia de se livrar de Jesse, com quem ela, na verdade, agora tinha plena certeza de não querer estar.

Foi por sentir muita falta de Finn e querer tentar passar um tempo perto dele, nem que fosse por dez ou quinze minutos, que, em uma tarde de segunda-feira, ela escapou de Jesse e foi, sem ele, para a sala do coral. É claro que ela sabia que ele iria depois, mas tinha a esperança de que Finn, como ela, também chegasse ao local antes da hora do ensaio, o que ela sabia ser um hábito dele, porque o rapaz gostava de organizar as coisas e até de cantar um pouco sozinho, para aquecer a voz.

Era exatamente o que ele estava fazendo quando ela chegou à sala, e não somente a voz deliciosa dele, como também a letra da música que ele cantava, a fizeram parar na porta, sem fôlego e sem equilíbrio.

Ela ficou ali, encostada no batente, até que ele terminasse. Seu coração estava disparado e a boca seca.

Rachel não sabia o que fazer. Aquilo estava mesmo acontecendo com ela?

Notas finais
Observações???