Notas iniciais
Em primeiro lugar, obrigada pelas reviews!
Em segundo, por favor não se desanimem com o tamanho do capítulo nem com o que acontece no meio dele. O final vale a pena... pelo menos, eu acho... rsrsrss
IMPORTANTE!! Dedico essa capítulo à minha "irmã" Fabi, que está fazendo niver hoje...
Irmã, espero que seja um bom presente rsrsrs
Love You!!!

Sim, aquilo estava acontecendo e se tornara impossível negar. Rachel estava apaixonada! Apaixonada pelo garoto mais irritante e antipático do mundo, quando se tratava de seu talento, conhecimentos na área da música e a competição de corais, mas o mais fofo de todo o universo quando falava sobre a família, os amigos, o amor por cantar, os sonhos e, principalmente, quando sorria aquele sorriso torto, que parecia tão natural, tão sincero.

A garota estava com medo. Os sintomas já estavam presentes havia algum tempo, mas ela tinha conseguido negar para si mesma, quase tanto quanto conseguia esconder dos outros. Agora, não mais. Agora, era oficial e ela não sabia o que fazer, como agir, se deveria considerar uma benção finalmente se apaixonar, saber o que é querer uma pessoa pelo que ela é, do jeito que ela é, ou se essa constatação iria lhe trazer mais problemas que soluções.

Contudo, havia pelo menos uma coisa boa nisso tudo: o sentimento parecia ser recíproco. Já tinha escutado, tantas vezes, amigas e conhecidas se lamentando por amores não correspondidos, que, certamente, uma das coisas que mais temia quando pensava em paixão era a rejeição, um sentimento não compartilhado. Nesse aspecto, pelo menos, ela parecia estar com sorte. Podia afirmar que ele também gostava dela, pelos olhares e sorrisos, pelo comportamento, pelos elogios, e porque a escolha daquela música, cuja última nota ele acabara de entoar, não podia ser uma coincidência.

"Finn, isso é verdade?"

"O-oi, Rachel. Você... chegou cedo." Ele respondeu, com o semblante bastante confuso.

"Oi, Finn." Ela respirou fundo, repetindo a pergunta, cuja resposta era tão importante para ela. "É verdade o que você tava cantando?"

"É só uma música, Rachel." Deu de ombros, apesar de sentir que não iria convencê-la.

"De todas as milhares de músicas que você podia escolher, você escolheu ESSA música, Finn. Me diz! É verdade?" Ela o olhou, esperançosa, mas ele continuou sem responder, e caminhou para o piano, onde ficou olhando partituras, como se elas fossem a coisa mais nova do mundo para ele. "Fala comigo, Finn. Eu preciso saber se é verdade." Pediu, chegando bem perto dele. "Você queria ter a garota do Jessie? Você quer que ela seja sua... que EU seja sua?"

Ele olhou para os músicos, que fingiam se preparar para o ensaio, mas que ele sabia já estarem mais do que preparados, afinal tinham acabado de tocar para ele cantar. Ele sabia que eles podiam ouvir tudo, de onde estavam, então fez um sinal para ela, indicando a banda com a cabeça, e andou para o outro lado da sala, o mais distante possível deles, sendo seguido por ela.

"O que você quer que eu diga, Rachel?" Ele falou, impaciente, irritado. "Que eu sou louco por você... que eu tô completamente apaixonado por você?" Ele não a encarava, por isso não pode ver o sorriso tímido no rosto dela.

"É... eu..."

"Eu não preciso dizer nada disso, porque você SABE que eu tô apaixonado por você." Ao dizer isso, ele olhou nos olhos dela, mas não foi por mais do que segundos, então voltou a olhar para todos os lugares, evitando o rosto dela. "Só que você namora esse idiota! E você agora traz ele pra cá com você... e... e a gente tava se aproximando, mas agora nem seu amigo eu consigo ser, porque ele é uma maldita sombra sua! E... e eu pensei que eu podia te mostrar..." Ele respirou profundamente, pois um nó se formava em sua garganta, mas ele era orgulhoso demais para derramar uma lágrima que fosse na frente dela.

"Me mostrar?" Ela queria dizer que também estava apaixonada e que ele não precisava mostrar absolutamente nada para ela, mas, ao invés disso, ela só conseguia ouvir e perguntar.

"Não importa mais, Rachel. Nos últimos dias, eu andei pensando muito e... você voltou com ele, quando poderia ter ficado comigo. Você... gosta dele." Ele fez uma careta de dor, ao tratar dessa constatação. "Eu vou esquecer você, Rachel. Eu vou... superar, partir pra outra. Pode ficar tranquila, porque eu não vou sair por aí cantando essa música e dando bandeira, não. Ela foi só um... desabafo ou algo assim."

"Mas... Finn..." Ela disse, tocando no braço dele.

Ela precisava fazer algo, dizer algo, assegurar a ele que não havia razão para esquecê-la ou partir para outra, porque ela queria ser dele, ela seria dele. Ela só precisava terminar com Jesse, o que ela estava mais do que disposta a fazer, e, então, eles poderiam se entregar à paixão que sentiam um pelo outro.

Infelizmente, nesse exato momento, Noah, Quinn, Sam, Santanna, Mike e Tina entraram na sala do coral, interrompendo a conversa. Os rapazes foram falar com Finn e as meninas cercaram Rachel, contando alguma fofoca que ela sequer registrou, quase todos alheios à tensão que havia no momento de sua chegada. Apenas Santanna percebeu o jeito de Rachel e fez uma nota mental sobre ter uma conversinha com a amiga, mais tarde.

O ensaio correu bem, apesar de tudo. Tanto Finn quanto Rachel conseguiam esquecer um pouco os problemas quando estavam cantando. Se bem que, no momento, quem tinha (ou achava que tinha) um problema era Finn. Ele estava triste, porque acreditava não ser correspondido e, além disso, tinha que ficar vendo a cara de babaca de St. James. Já Rachel, na verdade, estava ansiosa. Tudo o que ela queria era terminar com o namorado e se declarar para o "seu" grandão.

Infelizmente, ela não conseguiu falar com Jesse naquele dia, porque ele afirmou ter compromissos e estar, inclusive, atrasado para estes. Então decidiu que conversaria com ele no dia seguinte, quando os dois saíssem do colégio, depois do treino dele de futebol e do ensaio dela com as líderes de torcida. Sua resolução estava tomada e ela não voltaria atrás, se algo não tivesse acontecido entre o momento de sua decisão e aquele em que ela iria ver o namorado.

No horário de saída da escola, antes de seguir para o treino, Rachel se deu conta de que havia esquecido o uniforme das Cheerios no carro e foi buscá-lo. Caminhando pelo estacionamento, viu Finn em seu carro, indo na direção da saída, e não pode deixar de sorrir. Só de vê-lo ela sentia o coração aquecer, o corpo relaxar, a alma viajar para lugares desconhecidos, se sentia feliz, enfim. Seu sorriso, porém, não durou muito, pois ela logo viu, no banco do carona do carro dele, a figura inconfundível de Hayden.

Ela sentiu o chão faltar. Correu para o banheiro e chorou. Ele havia feito exatamente o que tinha prometido: superar e partir para outra. Tinha voltado a sair com Hayden, ou talvez nunca tenha deixado de ficar com ela. Provavelmente estavam os dois indo, naquele momento, para algum lugar escondido, onde poderiam fazer coisas que Rachel sonhava fazer com ele, onde poderiam se beijar, e abraçar, e tocar, como ela, e somente ela, deveria ser tocada por ele.

Não havia mais porque terminar com Jesse, então, depois do treino, ela convidou Santanna e Quinn para fazerem um lanche em sua casa. Devorou as delícias de Eugene, com mais voracidade do que já era de costume. Comeu do jeito que comia quando todas as outras coisas pareciam ruins e erradas, e somente croquetes de carne, pastéis de queijo, empadas de frango, cupcakes e sorvetes cheios de calda e castanha eram capazes de dar algum prazer, algum sentido à existência.

As amigas fizeram muitas indagações, principalmente Santanna, então, pela primeira vez, Rachel confessou a elas o que sentia por Finn. Contou tudo o que já havia acontecido entre os dois, pediu desculpas por não ter confiado o segredo a elas, antes, e, no final, apesar dos protestos das duas garotas, que tinham argumentos diferentes, mas concordavam em relação a achar que era hora de Rachel terminar com Jesse e lutar por Finn, pediu que as amigas respeitassem a sua decisão de deixar tudo como estava.

O restante da semana se arrastou para Rachel e Finn. Nenhum dos dois conseguia sorrir genuinamente, principalmente na presença um do outro. Nenhum dos dois tinha esperança de que algo mais rolasse entre eles, apesar de popularmente se afirmar que a esperança é a última que morre.

O destino, no entanto, queria que os dois enfrentassem a realidade de seus sentimentos, por isso tratou de aproximá-los, novamente.

"Eu não tô conseguindo, Sr. Schue. É frustrante!" Disse Rachel, sobre notas que ela não estava conseguindo atingir, no vocal que tinha sido escolhido para ela apresentar nas Seccionais.

"Rachel, eu tenho certeza que, com bastante treinamento, vai ficar simplesmente perfeito."

"Eu preciso da sua ajuda, professor."

"Infelizmente, eu ando extremamente sem tempo, Rach. Eu vou ver minha família na Califórnia, no final de semana." Ele olhou em volta. "Finn?" Chamou, e o rapaz veio imediatamente.

"Oi, Sr. Schue."

"Finn, eu preciso que ajude a Rachel. Eu vou passar o final de semana fora, e a gente precisa que o vocal dela esteja cem por cento, na segunda-feira."

"Ok." O garoto respondeu, hesitante, olhando para ela.

"Ótimo!" Will bateu no ombro de Finn e saiu, indo falar com outros de seus pupilos.

"Eu... é... quando você quer..." Era difícil para ele até manter um diálogo mínimo com ela, depois de sua declaração, e agora eles tinham que marcar uma espécie de aula particular.

"Você pode ir à minha casa, amanhã à tarde? Lá tem piano..." Hiram, pai de Rachel, não havia levado seu piano, quando ele e Shelby se separaram.

"Claro! Me... passa o endereço por sms? E o horário..."

Ela assentiu com a cabeça. Estava tão sem jeito quanto ele. Passada a raiva inicial, ela tinha entendido a atitude dele de ficar com Hayden, afinal ela tinha namorado e sempre havia tentado afastá-lo de si. Como ele poderia adivinhar que, na verdade, ela estava doida para cair nos braços dele? Só restara a tristeza e agora ela ia ter que passar um tempo com ele, treinando a voz, o que a deixava ansiosa, nervosa, envergonhada até, coisa que não era normal para Rachel Corcoran.

No sábado à tarde, ela se arrumou como se esperasse um namorado e ele se perfumou como se fosse encontrar a sua garota. A chegada dele à casa dela foi estranha, o clima entre os dois estava tenso, ninguém sabia o que dizer, o que fazer, como se comportar na presença do outro. No entanto, conforme iam ensaiando, os dois iam ficando mais a vontade, até que estavam conversando, praticamente da mesma maneira como costumavam fazer antes de Jesse abordar os dois e virar um segurança particular indesejado da menina.

"Tenta." Disse Finn, tocando uma nota no piano.

"Láááá..." Rachel soou. "Ficou bom!" Disse, animada.

"Legal. Mais alto." Ele pediu.

"Láááá..."

"Muito bom!"

"Eu acertei?"

"Sim. Foi ótimo. Vamos de novo... eu vou começar do grave."

"Podemos dar uma parada?" Ela pediu. "Cantar me dá fome." Na verdade, tudo dava fome a Rachel, mas isso ele não precisava saber.

"Ok."

"Vamos à cozinha. Eugene já deve ter preparado um lanche pra gente." Ela disse, caminhando para o outro cômodo e ele a seguiu.

Os dois sentaram e comeram algumas coisas. Finn elogiou o lanche e Eugene, que estava na cozinha com eles, agradeceu, aproveitando para pedir licença e sair, pois precisava buscar Lydia na aula de balé.

"Queria saber por que você pediu para eu te ajudar no canto, Rachel. Quer dizer... eu sei que pediu ao Sr. Schue e foi ele quem me pediu, mas... achei que você foi... bem, no ensaio de ontem."

"É minha única chance de ser boa, como você é."

"Agora, acha que sou bom?"

"Sim. No começo te achei prepotente... além de obcecado demais com a vitória!" Falou, sincera. "Mas depois, te ouvi cantar... eu não sei como dizer, mas você me tocou... bem aqui." Colocou a mão sobre o peito, onde fica o coração. Os dois engoliram seco, se olhando nos olhos, como não faziam havia tempo. "Está batendo muito forte!" Ela disse, respirando fundo e sorrindo. "Você é... legal, Finn."

"Eu... posso tomar mais um pouco desse suco?" Ele disse, não sabendo o que responder.

"Claro!" Ela serviu os dois e eles beberam. A tensão era quase algo palpável. "Tem calda de chocolate..." Ela se inclinou, passando o polegar no canto do lábio dele, espontaneamente, para tirar o resquício de doce. Os dois ficaram em silêncio de novo, se encarando.

"Sabe... eu não posso te beijar, eu... fiz uma promessa boba! Mas... você pode me beijar, se quiser." Disse Finn, brincalhão.

"Você se acha, não é, garoto?" Ela disse, mas não irritada, e sim divertida.

"Bom, se eu me acho, e você não quer me beijar, você não vai se importar que eu vá indo, não é? Eu já te ajudei... já comi esse lanche delicioso da Sra. Eugene... agora, eu já posso ir pra casa." Ele afirmou, se levantando do banco que ocupava, ao lado do dela, junto à bancada da cozinha.

"Não." Ela afirmou, manhosa, segurando o braço dele, e fazendo com que ele se sentasse de novo, ao mesmo tempo em que ela se levantava e se aproximava dele. Dessa forma, eles ficavam praticamente da mesma altura. "Eu quero."

Ela tocou os lábios dele com os dela, devagar. Os dois deram alguns beijinhos delicados, suaves, desse tipo de beijo que chamamos de selinho. Enquanto isso, as mãos dele tocavam, suavemente, as costas dela, e os braços dela envolviam o pescoço dele.

O beijo continuou calmo, mas se tornou mais íntimo, suas línguas de encontrando, compartilhando um gosto que era uma mistura de chocolate, marshmallow e caramelo, com paz, tranquilidade, conforto, com paixão, carinho, uma felicidade inédita, inexplicável. O abraço também ficou mais apertado, mais aconchegante, e nenhum dos dois tinha vontade alguma de sair dos braços um do outro.

A partir daquele momento, apesar de os dois ainda terem algumas inseguranças e pequenas questões a resolver, Rachel e Finn tinham uma certeza. Eles queriam e iriam pertencer um ao outro. E nada mais nesse mundo importava!