Uma Nova Injeção De Adrenalina
46 Capítulo 46
"Então, finalmente, você resolveram assumir esse lance de vocês?" A garota disse, guardando livros em seu armário da escola, enquanto seu mais novo amigo a aguardava.
"Ah, Rachel. Deixa de ser chata. A gente não tinha nada mesmo, até a semana passada... e só ontem a gente conversou sobre namorar."
"Eu acho bom você tratar muito bem o meu cunhadinho... viu, Sr. Blaine Anderson? Ou então você vai se entender comigo!" Ameaçou a morena, em tom brincalhão. "E também com o irmão dele e com metade do clube glee."
"Eu gosto dele, Rach." Ele sorriu e ela retribui o sorriso com um tão largo quanto o dele, fechando seu armário e caminhando, ao lado dele, em direção à sala de aula de Inglês, matéria em que os dois eram colegas. "Você já tinha visto?" Ele perguntou, quando os dois passaram por um cartaz preso na parede, que mostrava ela e Finn abraçados, e dizia "Vote Rachel Berry e Finn Hudson para Rainha e Rei do baile".
"Não." Ela fez uma pausa, olhou bem para a imagem, e voltou a caminhar. "Mas gostei da foto que vocês escolheram. Obrigada."
No colégio McKinley High, quando se aproximava o dia do baile de final de ano letivo, era tradição que os alunos indicassem colegas para serem candidatos a formar a Corte da festa.
Rachel e Finn tinham sido indicados pelos membros do coral, que, além disso, estavam fazendo campanha para os dois, com cartazes, panfletos e anúncios na rádio da escola. Os outros candidatos a rei eram David Karofsky, atual capitão do time de futebol, e o jogador de Hockey Rick, e as outras candidatas a rainha eram Hayden, que atualmente saía com Karofsky, e Mary, namorada de Rick.
Estes eram os alunos cujos colegas estavam fazendo campanhas a seu favor, e cujos nomes apareceriam impressos na cédula de votação. No entanto, isso era apenas uma formalidade, porque, na verdade, no dia da festa, os alunos podiam votar em quem quisessem, sem problema nenhum.
"Eu normalmente adoro festa, mas eu nem to pensando no baile esse ano, Blaine. Eu to tão nervosa com os meus testes." Rachel confessou.
"São no final dessa semana, né?"
"São! Tem um depois de amanhã e dois na sexta." Suspirou. "E o Finn também tem um amanhã... e sexta eu acho que são três."
"Vocês vão se sair bem." Ele assegurou.
"Eu espero que sim." Disse, entrando na sala de aula, e os dois sentaram juntos e continuaram conversando, porque o professor deles ainda não havia chegado. "A gente vai ao cinema hoje, pra tentar se distrair um pouco. A gente fica o tempo inteiro ensaiando, se não fizer alguma outra coisa... é insano!" Gargalhou. "Você e Kurt poderiam ir com a gente, num encontro duplo."
"Eu não posso. Eu tenho que ajudar o Jesse a fazer uma surpresa pra Cecily."
"Uma surpresa?" Ficou curiosa.
"Sim. Ele quer convidá-la para o baile de um jeito diferente, pra que ela não possa recusar. Eu só não sei ainda qual... mas ele ficou de me contar isso hoje e qual a minha participação."
"Por que ela recusaria o convite dele?" Perguntou, confusa.
"Para fazer de uma história longa uma mais curta, o meu tio fica falando pra ela que é muito estranho o Jesse ter se interessado por ela... fica dizendo que ele só está com ela porque não é mais popular." Respirou fundo. "Pelo que eu sei, ele não tá completamente errado. Se nada tivesse acontecido, o cara continuaria achando popularidade a coisa mais importante do mundo e não namoraria a minha prima. Mas, poxa, ele mudou! Meu tio fica dizendo essas coisas pra Cecily, achando que está fazendo um bem, cuidando dela, mas... na verdade, ele acaba com a autoestima dela e nem vê isso! Ela agora está com medo que o Jesse seja rei do baile, como ano passado, e acabe dançando com a rainha e deixando ela de lado. Ela não está querendo nem vir." Fez uma careta de chateação.
"Isso é muito triste, Blaine. Se eu puder ajudar, de algum modo..."
O professor chegou e a aula começou, interrompendo o oferecimento de ajuda de Rachel. Blaine, no entanto, achava que ele e Jesse dariam conta de convencer a bailarina a ir à sua última festa no colégio, então tudo ficaria bem.
Rachel não pensou, por alguns dias, em baile, Jesse, Cecily ou na crueldade que é a divisão entre os populares e os outros alunos, chamados de perdedores e cuja vida pode virar um inferno durante os anos escolares, com sérias consequências para a sua autoestima, que podem durar anos a fio. Na verdade, não pensou em praticamente nada que não fossem os testes para faculdades de teatro que faria naquela semana.
A garota havia enviado inscrições para cinco instituições de ensino e recebido resposta positiva de três, e o primeiro teste marcado foi com uma professora de NYADA, chamada Carmen Tibideaux.
A professora foi até a escola de Rachel e avaliou a morena e mais alguns colegas, que interpretaram monólogos de peças clássicas, bem como cantaram e dançaram um número de sua escolha, uma vez que nos Estados Unidos as peças de maior prestígio são musicais, e a conceituada faculdade de Nova York escolhia seus alunos levando em conta todas as habilidades necessárias para participar destes.
Rachel ficou nervosa e não se saiu muito bem, mas não se deixou abater e se preparou para os outros dois testes, que foram em um mesmo dia. Primeiro, ela encarou o Sr. Pitt, da faculdade de Chicago, e se saiu muito melhor do que no primeiro teste, mas, no final do dia, quando se apresentou para Isabelle Wright, representante da escola dramática de Los Angeles, talvez por ser aquela para a qual mais gostaria de ir, ficou extremamente nervosa e deixou a tensão transparecer, apesar de não ter propriamente cometido nenhum erro.
"Você me parece ter muita paixão, Srta. Berry. Mas eu temo que não esteja preparada para encarar uma cidade como Los Angeles... e um ambiente tão competitivo quanto o do teatro." Sorriu simpaticamente Isabelle. "Bom... ainda tenho muitos candidatos para ver, então pode ser que voltemos a nos ver... mas, caso receba uma negativa de nossa faculdade, não desanime, por favor. Eu sinto que você tem talento... só precisa de um pouco mais de..." Pensou. "...maturidade, é isso. Só um pouco de maturidade, então você sempre pode tentar novamente, no ano que vem, se não entrar agora, ok?"
Rachel ouviu atentamente as palavras da professora, que deveriam ser encorajadoras e reconfortantes, mas funcionavam, na verdade, como um soco no estômago. Ela não poderia esperar jamais um ano inteiro para começar a estudar alguma coisa! Teria que ir para a faculdade que a aceitasse agora, mesmo que não fosse a sua preferida. Seus parentes não iriam gostar de vê-la em casa sem estudar por doze meses, mesmo que a escola de LA fosse a que dava a melhor formação completa, voltada não somente para teatro, mas para TV e cinema também. Eles sempre pensariam que a escolha dela tinha a ver com Finn e não com capacitação artística.
Finn tentou confortá-la de todas as maneiras naquela noite e evitou ao máximo comentar sobre os próprios testes. Mesmo quando ela perguntou como ele havia se saído, ele se restringiu a dizer que fora bem, não achando que seria justo dizer, naquele momento, que suas audições tinham sido todas fantásticas, elogiadíssimas, e que o recrutador de Los Angeles o aplaudira de pé, o que indicava que, provavelmente, ele tinha garantido sua vaga para estudar exatamente no lugar com o qual sempre sonhara.
Somente a passagem dos dias e a aproximação da formatura, com suas várias comemorações, animaram Rachel. Eventualmente, ela se conformou em fazer Direito, se não fosse aprovada em nenhuma das três escolas de teatro para as quais tinha feito teste. Ninguém sabia, mas ela tinha enviado cartas a algumas universidades que formavam advogados, porque, no caso dela, isso sim era ter o plano B a que Finn tinha se referido dias antes, na casa dele.
Durante a semana do baile, ela, as amigas e Kurt foram ao shopping escolher vestidos e acessórios, e o cunhado ajudou o namorado dela e os outros meninos, para que todos estivessem impecáveis em seus smokings, na noite da festa. Quando a hora chegou, Finn foi buscá-la em casa, levando um corsage (aquela tradicional flor que o garoto coloca no braço de sua acompanhante) da cor do vestido dela, graças a informação dada por Kurt, e os dois posaram para um monte de fotos, a pedido de Shelby, que não se cansava de falar sobre o quanto sentia orgulho da linda filha.
Usando seu modelito de cor nude, que contrastava de forma perfeita com sua pele, Rachel entrou no carro de Hudson, já que os dois tinham concordado em não alugar uma limousine e gastar todo o dinheiro em um quarto no melhor hotel de Lima. O namorado ia dar a partida no automóvel, mas ela o interrompeu, ansiosa.
"Finn, babe. Eu queria conversar com você, antes de irmos pro baile... te pedir uma coisa."
"Claro, Rach. Mas... aconteceu alguma coisa? Você parece nervosa, de repente."
"Não aconteceu nada comigo... eu só... eu queria sua ajuda numa coisa."
"Ok. É só falar." Ele deu um daqueles sorrisos de lado que derretiam o coração dela, mas não era hora para se apaixonar ainda mais por Finn Hudson e sim hora de colocar um importante plano em prática.
Rachel contou para o namorado algo em que vinha pensando havia dias e ele concordou em fazer o que ela queria, sem nenhum problema. Eles foram para o baile, dançaram, comeram, conversaram com os amigos, cantaram, como era tradicional os membros do clube do coral fazerem nas festas do colégio, falaram com outras pessoas que precisavam concordar com o plano e, por fim, se colocaram em uma posição estratégica em frente ao palco, de onde viram a tão esperada coroação da noite.
Viram juntos quando Jesse St. James foi coroado novamente, como no ano anterior, e a surpresa estampada no rosto dele, pois ele agora não era mais um cara popular para ter sido eleito o rei da escola. Uma coisa de que Jesse não poderia ser acusado era de ser um cara burro, por isso ele sabia muito bem que havia alguma coisa errada e teve até medo de ser tratado como Carrie, a estranha, naquele momento.
Sua surpresa e pânico ficaram ainda maiores quando o diretor Figgins anunciou que a rainha daquele ano era sua namorada Cecily e, por alguns instantes, ele ficou sem saber o que fazer. Se aquilo fosse uma armadilha, todos os seus esforços para levar a namorada à festa não somente teriam sido vãos como se virariam contra ele. St. James pensou que talvez ele merecesse esse castigo, no final das contas, mas enquanto uma das professoras colocava uma pequena coroa na cabeça da bailarina e entregava a ela um pequeno cetro, ele viu Rachel e Finn sorrindo para ele e teve certeza de que os dois tinham alguma coisa a ver com aquilo e de que, portanto, nada de mal aconteceria à sua frágil garota.
O casal real foi aplaudido, apesar de os alunos estranharem bastante o anúncio, afinal as pessoas conversavam umas com as outras, e ninguém tinha manifestado intenção alguma de eleger Jesse naquele ano. Quanto a Cecily, era desconhecida pela maioria e alvo de bullying de alguns, então sua coroação não fazia sentido também.
Então, os dois desceram do palco e se dirigiram ao centro da pista, como era tradicional, dançando juntos uma balada. Por um curto tempo, apenas os dois se movimentaram no ritmo da música e, depois, outros casais se juntaram a eles, curtindo um clima de romance todo especial. Rachel e Finn eram um dos casais aproveitando a melodia para deslizarem muito lentamente juntos, cantando baixinho um para o outro e trocando elogios e declarações de amor.
Os dois estavam felizes por eles, e também por terem dado o lugar que tinham conquistado na Corte da escola para pessoas que mereciam bastante aquela posição, naquele momento. Cecily merecia ser vista ao menos uma vez, não como um alvo fácil de implicância e violência, mas como a menina linda e doce que era. Merecia curtir o baile ao qual quase não tinha comparecido por medo de não ser boa o suficiente para o garoto por quem era apaixonada, por medo que ele a trocasse pela popularidade outra vez. E Jesse merecia estar ao lado dela, por ter reconhecido seus erros, a ponto de enfrentar seus antigos aliados nas coisas erradas que fizera, em prol de ajudar as pessoas a quem um dia tinha feito mal.
"Obrigado." Disse Jesse ao casal, minutos mais tarde, aproveitando uma ida de Cecily ao banheiro.
"Por que?" Rachel se fez de desentendida e ele riu. "A Cecily precisava saber que ela é especial... que ela merece o melhor, Jesse." Afirmou. "E você tem demonstrado que pode ser esse melhor... e eu espero que continue assim. Que você não a decepcione e não faça a gente se arrepender."
"Eu amo a Cecily. E eu aprendi muita coisa, Rachel. E eu devo tanto... tanto a vocês! A gente não é amigo, eu não tenho essa pretensão, mas... eu devo a vocês e não vou decepcionar e... e vocês podem contar comigo. Vocês podem contar comigo pra qualquer coisa... sempre!" Informou, com firmeza.
"Oi, Rachel. Oi, Finn." Cecily chegou e cumprimentou, sorridente. Vendo os três pararem de falar, ela mesma continuou. "Eu queria que vocês soubessem que eu sei que eu não fui eleita rainha e, provavelmente nem o Jesse rei. As pessoas nessa escola viraram as costas pra ele, depois que ele parou de jogar e eu nunca fui ninguém aqui." Os outros três se entreolharam. "Foram vocês que fizeram isso, não foram?"
"Cecily, quando eu vim pro baile hoje, eu imaginei que eu e o Finn fossemos ganhar. Eu sei que parece pretensioso, mas eu ganhei ano passado, disputando com meninas como a Hayden e a Mary... e o Jesse esse ano deixou de ser popular e o Dave virou capitão, mas ninguém gosta de verdade dele... ele nunca seria eleito. O Rick, então... sem comentários." Rachel riu. "Eu fui falar com a comissão organizadora da festa e eles confirmaram que a gente ia receber as coroas, mas eu já tinha falado pro Finn que eu não queria ser coroada de novo, que eu queria que você fosse coroada, pra que você tivesse o momento especial que você merecia."
"É isso mesmo, Cecily." Continuou Finn. "Você merecia os holofotes, e a atenção, e a dança com o seu namorado... tudo! Você é uma garota forte, que sofreu esses anos todos, pelo que eu fiquei sabendo, e continuou sendo boa a ponto de ficar do lado do Jesse, quando ninguém ficou... quando ele nunca tinha feito por merecer o seu carinho ou a sua consideração. Você é tão grande que você fez ele mudar tanto, a ponto de hoje ele merecer esse amor que você tem por ele. E merecer ser coroado, pra poder dividir esse momento com você. Eu e a Rach estamos felizes por termos enganado todo mundo." Deu uma risada gostosa e contagiante que fez os outros rirem junto com ele.
"Obrigada." Cecily disse, docemente, com lágrimas nos olhos, e abraçou o casal. Jesse também agradeceu de novo e se despediu, pedindo licença para roubar deles sua própria namorada, para que os dois desfrutassem de uma última dança.
"Srta. Berry, gostaria de mais uma dança?" Hudson perguntou, com falsa formalidade.
"Na verdade, gostaria que nossa última dança da noite fosse em outro lugar, se não se importa." Ela respondeu, sedutora.
"Nem um pouco." Ele assegurou, beijando-a, e os dois seguiram juntos para o lugar onde ele faria dela sua rainha e ela faria dele o seu rei.
Afinal, estes eram os únicos títulos que eles realmente faziam questão de ter, não só naquela noite de celebração, como em qualquer outra.
Fale com o autor