Uma Nova Injeção De Adrenalina
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Espero que gostem.
Bjs!
"Finn, será que você poderia largar isso um pouco? Supostamente, essa deveria ser uma noite pra gente conviver... em família, sabe?" Era noite de Natal e Kurt se referia ao fato de, ao invés de conversar com o irmão, o pai e a mãe, Finn estar constantemente trocando mensagens com a namorada.
"Ai, desculpa, gente. Desculpa mesmo... eu só vou me despedir, então, ok? Só mais uma mensagem."
"Ok, meu filho." Burt respondeu, rindo.
"Nem parece que vocês se viram hoje à tarde... e vão almoçar juntos amanhã." Carole comentou.
"Não se desgrudam! Eu nem sei como vai ser quando cada um for pra uma faculdade em um canto diferente do país." Kurt observou, sem se dar conta do peso que tinham suas palavras. Somente a mãe de Finn percebeu a sutil mudança que elas provocaram no semblante do próprio filho.
Depois de parar de trocar mensagens com Rachel, Finn passou uma noite agradável ao lado da família. Comeram a deliciosa ceia preparada por Carole, assistiram especiais de Natal na TV, cantaram músicas natalinas no Karaokê de Kurt, abriram os presentes que estavam há dias em volta da árvore e fizeram orações. Não eram uma família religiosa, daquelas que frequentam igrejas ou templos, mas acreditavam em uma força superior, naquilo que nós homens chamamos de Deus. Eram gratos por tudo que tinham e uma data como aquela parecia o momento perfeito para expressar tal gratidão.
Na casa de Rachel, a noite não foi tão diferente. Também houve a hora da ceia, preparada por Shelby, que praticamente só entrava na cozinha nessa época do ano, junto com a governanta. Antes de desfrutar da refeição, Clay fez uma oração de agradecimento, enquanto Rachel, a mãe, Eugene, Roger e Lydia, agradeciam silenciosamente, de mãos dadas. Depois, houve uma entusiasmada troca de presentes, que teve seu ápice no momento em que Shelby pegou uma pequena caixa e a entregou à filha, que leu a pequena etiqueta que dizia "Para nossa princesinha de todos os seus pais", e abriu rapidamente o embrulho, encontrando dentro dele uma chave de automóvel.
"O que é isso, gente? Meu carro já voltou do mecânico? O problema era simples?" Perguntou a garota que, ao voltar de Akron, não tinha encontrado seu carro na garagem e fora informada de que ele apresentara problemas mecânicos.
"Você acha que a gente te devolveria a chave do seu carro num embrulho de presente, princesa?" Clay questionou.
"É..." Quase engasgou. "É o que eu tô pensando? Um carro novo?" Todos riram de sua reação à surpresa.
"Vamos lá na garagem ver?" Chamou Shelby.
Todos os que ali estavam foram à garagem, onde encontraram o novo carro de Rachel, um Honda Fit vermelho, que era simplesmente a cara dela. Depois dos protestos da garota, que continuava achando que os pais não deveriam ter despesas com ela, e de ter ouvido a mãe explicar que ela, Clay, Hiram e Leroy já vinham juntando dinheiro para trocar o carro dela desde o começo do ano, como presente de aniversário e Natal, deixou os protestos de lado e agradeceu, abraçando animadamente os pais presentes e correndo para telefonar para os pais que estavam em outra cidade. Pensou em mandar uma mensagem para Finn, mas achou melhor fazer uma surpresa no dia seguinte, usando o novo veículo para ir ao almoço na casa dele.
Depois da festa de aniversário de Berry, quando os Hummel tiveram a oportunidade de passar um tempo com os Corcoran, as mães de Finn e Rachel estavam se tornando amigas. Então, Carole, que tinha o hábito de receber pessoas no dia vinte e cinco de dezembro mas ainda não conhecia muita gente em Lima, convidara Shelby, Clay e Rachel para o almoço de Natal, e o convite fora aceito de bom grado.
Mais ou menos por volta do meio dia, todos se cumprimentaram e trocaram votos de um Feliz Natal, enquanto Burt recebia uma garrafa de vinho de Clay e Shelby entregava a Carole os biscoitinhos em forma de pinheiros assados por Lyd. Rachel foi mostrar o presente que ganhara dos pais ao namorado e ao amigo, que olharam tudo e adoraram cada detalhe, e Finn brincou, dizendo que o presente dele, depois de um carro zero quilômetro, não iria ter graça nenhuma, mas Rachel lhe assegurou que ele sequer precisava ter comprado alguma coisa para ela, pois estar ali com ele já era um presente maravilhoso.
O jovem casal passou um tempo com a família e logo o almoço foi servido. Eles deram graças, comeram, beberam, riram e, depois de se acomodarem na sala de estar, iniciaram uma troca de presentes. Eram presentes simples e alguns eram um pouco impessoais, uma vez que as famílias estavam ainda se conhecendo, mas tudo tinha sido escolhido com carinho e era isso o que importava naquele momento.
O presente de Rachel para Kurt arrancou gargalhadas da família, quando ele abriu o embrulho e segurou nas mãos, completamente mudo e lívido, o cordão de prata grosso, bem ao estilo daqueles que rappers e gangsters usam. É claro que não era o presente de verdade, apenas uma brincadeira, e ele não poderia ter ficado mais aliviado e feliz do que quando recebeu a estilosa blusa de gola alta de cachemira azul que ela escolhera. Ela, por sua vez, também amou os sapatos de salto alto que ganhou do amigo.
Finn ficou empolgadíssimo com as miniaturas de Mick Jagger, e de Brian Johnson e Angus Young do AC/DC, que ganhou da namorada. Depois da primeira visita de Rachel à casa dele, durante a qual ela vira algumas miniaturas no quarto do rapaz, a morena ficara sabendo que ele tinha uma verdadeira coleção delas e, com a ajuda do irmão dele, descobrira que ele ainda não possuía estas três, julgara que elas formariam um bom presente e acabara acertando na mosca. Porém, foi o presente que Rachel recebeu de Finn o mais comemorado da noite, o mais emocionante de todos.
O garoto saiu da sala, dizendo que iria buscar o último presente da noite, e não foi difícil saber que se tratava de algo dele para ela, pois era o único que faltava. O que ela não estava esperando, nem em sonhos, era que ele fosse voltar da área de serviço com uma pequena cesta de palha, coberta por uma almofadinha vermelha, onde jazia preguiçosamente o filhotinho de gato mais fofo que ela já tinha visto na vida. Ela amou aquela criaturinha instantaneamente e a pegou no colo de imediato, fazendo carinhos nela e falando, repetidas vezes, sobre o quanto ela era linda, mas, intimamente, temeu que seus pais não fossem permitir que ela levasse o animal de estimação para casa.
"Quando eu vi esse gatinho sendo vendido numa Pet Shop, aqui perto, ontem, eu soube na hora que era o presente perfeito pra você, amor." Finn disse sorrindo. "E quando eu falei com a sua mãe e ela me disse que eu poderia comprá-lo pra você, eu saí feito um doido de casa, com medo que ele já não estivesse mais lá." Riu de si mesmo.
"Ele é tão fofinho! Tão pequenininho! Eu preciso pensar num nome perfeito pra ele. Obrigada, amor... eu já te disse que você é o... melhor. Namorado. Do. Mundo?"
"De nada, babe. Você merece o melhor, pois também é a melhor." Ele respondeu, mas um pouco sem jeito, e não fez o que normalmente faria, que seria tomá-la em seus braços e beijá-la apaixonadamente, pois eles estavam perto de seus pais.
"Precisamos ver o que vamos fazer com ele na noite de Ano Novo. Você sabe que soltamos fogos durante a festa e que alguns vizinhos fazem o mesmo... e ele pode se assustar." Shelby observou.
"Por falar em Ano Novo, eu e Burt gostaríamos de agradecer muito o convite que vocês nos fizeram, mas alguns familiares nossos não aceitam 'não' como resposta, então vamos ter que viajar." Carole lamentou.
"Vocês vão viajar?" Rach perguntou, olhando para o namorado e se mostrando decepcionada.
"Não, eu Carole e Kurt vamos... o Finn vai ficar." Burt afirmou, e foi imediato o retorno do sorriso dela. "Para o desgosto de algumas primas dele, devo acrescentar." O pai implicou com o rapaz, que apenas riu.
"O gatinho pode ficar aqui comigo. Eu só não sei se soltam fogos ou não por aqui... mas não custa tentar, né?" Finn ofereceu.
O gato acabou ficando por lá mesmo quando, no começo da noite, Rachel e a família dela foram embora. No curto caminho até a casa dos Corcoran, a menina já sentia falta do namorado e de seu novo filho, para quem ela precisava achar um nome. Porém, estava feliz e cheia de ideias para fechar com chave de ouro aquele ano.
Chegado o dia trinta e um de dezembro, um Finn muito elegante adentrou a casa de Rachel, que parecia uma princesa recebendo os convidados com os pais. Logo que ele se fez presente, porém, ela pediu licença a todos e foi dar atenção exclusiva a ele e às coisas gostosas que os garçons estavam servindo. Já acostumado com o jeito dela, o rapaz não demorou a perceber que sua garota estava um pouco nervosa e, preocupado, resolveu que era melhor perguntar, de uma vez, se alguma coisa havia acontecido.
"Na verdade, sim." Ela respondeu, sem hesitar. "Mas não é uma coisa ruim." Segurou as mãos dele e o encarou. "Como eu te falei antes, essa festa acontece todo ano e, fora a comida e a bebida, não há nada de bom nela, para pessoas da nossa idade. Os convidados são todos familiares dos meus pais, que ou tem no mínimo a idade deles ou são bem mais novos que a gente, ou colegas de trabalho deles, que só sabem falar de leis e precedentes judiciais e... essas coisas." Finn não entendia por que todo esse discurso, se ela já tinha avisado sobre isso e ele tinha decidido passar a virada do ano com ela, mesmo assim. De qualquer modo, continuou atento às palavras dela. "Então, eu conversei com meus pais e eles concordaram que, depois do jantar, eu vá pra sua casa... e a gente faça a nossa própria festinha." Sorriu, de um jeito sugestivo.
"Você tem certeza, Rach? Não vai pegar mal?"
"Não! Tá tudo bem, eu juro. A gente vai sair pela porta da cozinha e não vai despertar a atenção de ninguém e... quer saber mais?"
"Mais?"
"Eu vou dormir na sua casa com você." Mordeu os lábios em antecipação.
"Rachel..." Ele passou a mão pelos cabelos, nervoso.
"Eu não vou te torturar, Finn Hudson." Riu, sabendo as razões para que ele estivesse nervoso. Uma noite inteira com a namorada sem poder transar com ela devia ser um tormento para um cara. "Eu to pronta." Acrescentou, séria.
"Você... a gente..." Agora era ele quem estava nervoso a ponto de não conseguir formular uma frase e, sorrindo amplamente, ela apenas balançou a cabeça, confirmando.
A noite pareceu interminável para os dois a partir daquele momento. Ambos só pensavam no momento que os aguardava, sozinhos na casa dele, no quarto dele, dividindo a mesma cama. Eventualmente, no entanto, chegou a hora, os dois escaparam pela saída de serviço e ele dirigiu até sua própria casa, com ela ao lado dele, segurando uma garrafa de champagne e alguns potinhos em que Eugene tinha colocado doces para eles comerem mais tarde.
Os dois quase não conversaram, nem no caminho para a residência dele nem quando já estavam lá. Finn apenas perguntou o que ela pensava sobre, ao invés de irem para o quarto dele, colocarem alguns cobertores sobre o tapete, perto da lareira, acenderem o fogo e ficarem na sala, e ela adorou a ideia. Depois os dois se sentaram naquela espécie de cama improvisada e se serviram de bebida, em meio a um silêncio que estava começando a se tornar constrangedor.
"Finn?" Rachel o chamou, tocando o queixo dele e fazendo com que ele a olhasse. "Você parece mais nervoso que eu." Ela deixou de lado a própria taça e pegou a dele, colocando-a no chão também.
"Rach, babe... você tem certeza que quer fazer isso?" Hesitou. "É... você sabe que eu te amo, que... eu nunca me senti como eu me sinto quando eu tô com você, mas..."
"Mas?" Preocupou-se.
"Você tem que saber que estou indo embora, Rachel. Vou para Los Angeles e não voltarei mais." Lembrou.
"Ainda faltam alguns meses para nos formarmos. Você tem planos até lá?" Disse, brincalhona e o beijou com doçura.
"Eu falo sério, babe." Ele afirmou, preocupado, pensando no que o irmão havia mencionado, dias antes. Perder a virgindade é um passo muito importante para grande parte das meninas e ele não sabia se tinha o direito de deixar que Rachel se entregasse a ele daquela forma, sabendo que havia uma chance muito grande de os dois se separarem em breve.
"Eu sei!" Ela assegurou. "Eu soube, desde o início, que você vai pra Los Angeles... que o nosso namoro é como essas coisas que tem prazo de validade, sabe?" Segurou a mão dele, acariciando-a. "É claro que isso me deixa um pouco triste, às vezes, Finn... mas, mesmo assim, eu sou grata por poder ter você comigo durante esse ano. Eu tenho vivido momentos incríveis! Eu... nunca tive um aniversário tão lindo... nunca ganhei presentes tão especiais. Nunca ninguém mudou a letra de uma música pra colocar o meu nome nela, antes!" Os dois riram. "É do seu lado que eu quero estar, quando a gente ganhar as Regionais e se classificar pras Nacionais e... é com você que eu quero comemorar a ótima apresentação que a gente vai fazer na Califórnia. É com você que eu quero dançar no baile desse ano e é a sua mão que eu quero segurar, quando eu estiver nervosa, esperando chamarem pelo meu nome na formatura." Sorriu, alisando o rosto dele. "É com você que eu quero ter esse momento, do qual eu vou lembrar, pelo resto da minha vida. Não existe nada de que eu tenha mais certeza!"
A sala voltou a ficar em silêncio, mas agora não havia mais qualquer constrangimento, porque eles falavam pelos olhares, pelos toques, pelos beijos, pela respiração ofegante, pelos gemidos. Ela nunca se sentira tão desejada em sua vida e, ao mesmo tempo, nunca fora tocada de uma forma tão doce, tão cuidadosa. Ela sabia que aquilo era fazer amor e não fazer sexo apenas, que era como julgava que a primeira vez de toda garota deveria ser.
E quando os fogos acesos pelos moradores da vizinhança explodiram no céu, anunciando a chegada de um novo ano, os dois estavam conectados fisicamente, como em uma expressão perfeita da conexão emocional que já possuíam antes.
Eles podiam ver fogos de artifício, mesmo de olhos fechados! Porque existia uma coisa ainda mais quente, brilhante e intensa explodindo dentro deles.
Notas finais
Eu optei por algo mais sutil, mas é claro que os smuts virão depois... só quem não me conhece não sabe (rsrsrs).
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