Uma Nova Injeção De Adrenalina
3 Capítulo 3
A briga entre a principal dentre as líderes de torcida e o capitão do time de futebol envolvia, portanto, o Novas Direções. Ele tinha acabado de saber pelos amigos que o coral iria cantar na festa de boas vindas do colégio, na sexta-feira daquela semana, e isso significava que ele iria passar boa parte da festa sozinho, sem a namorada, sem os melhores amigos, tendo que aturar outros jogadores de futebol que, no fundo, só queriam tomar o lugar dele, e levavam as namoradinhas fúteis penduradas em seus pescoços.
“Meu amor, você tem que entender...” Repetiu Rachel, pela terceira vez.
“QUE DROGA, RACHEL! Eu to sempre tendo que entender... que aceitar calado essa PORCARIA de coral! Mas isso já é demais. Pra mim, chega! Se eu tenho uma namorada, mas eu não posso ficar com ela numa simples festa da escola, pra que ter uma namorada?”
“O que você quer dizer com...”
“Quero dizer exatamente o que você entendeu. Se eu não tiver minha namorada comigo, na festa, eu não quero mais ter uma namorada.” Disse, virando as costas e saindo.
“JESSE ST. JAMES!” Despertou não só a atenção dele, mas também a dos poucos presentes no corredor que ainda não tinham percebido que havia uma discussão rolando ali. Jesse virou, encarando Rachel. “Você está terminando comigo?” Disse, agora baixo, com ar indignado, mas também preocupado.
“Se você escolher esse seu clube idiota, sim. É você quem vai decidir.” Desafiou, fazendo o sangue dela ferver. Ninguém chamava o coral pelo qual ela tinha tanto carinho de idiota. Era o mesmo que xingar a própria Rachel e todos os seus amigos.
“Se é assim, se considere livre, Jesse.” Sentenciou.
“Você vai se arrepender, Rachel.” Ameaçou, apesar da voz calma, e saiu, andando devagar e sem perder sua pose característica, a empáfia, o nariz em pé.
Rachel ficou parada no corredor, sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Em igual estado de choque estavam Quinn, Santanna, Sam e Puck. As garotas pediram licença aos rapazes e levaram a amiga, completamente muda e sem expressão, para o banheiro mais próximo, onde ela finalmente chorou, um pouco no ombro de cada uma. Não esperava isso do namorado, ou agora ex. Ele sempre reclamava do coral, mas ele jamais tinha tentado afastá-la de nada nem ninguém de que ela gostasse, então ela nunca pensou que um dia ele seria capaz de fazê-lo, de uma forma tão taxativa, tão definitiva.
Foi uma semana difícil, porque Rachel via Jesse durante os ensaios das cheerios, que eram no mesmo horário dos treinos do futebol, além de encontrá-lo uma vez ou outra no corredor e frequentar as mesmas aulas de Espanhol da Srta. Holly Holiday que ele. Também tinha que aturar os recadinhos que ele ficava trocando, certamente de propósito, com uma porção de meninas da escola no Facebook, se insinuando para elas e recebendo provocações de volta.
Rachel não estava gostando nada daquilo. Passou a ser a única sozinha no grupo de amigos, sentia falta de andar de mãos dadas com alguém, de ser abraçada, de trocar mensagens de celular bobas, durante as aulas ou quando estava em casa sem nada pra fazer. Contudo, procurar Jesse e pedir uma nova chance estava fora de questão.
Primeiro, porque ela não iria abrir mão de apresentar seu solo de The Only Exception, o mash up de Start Me Up e Livin' on a Prayer, junto com Q e S, ou Any Way You Want It, com o grupo todo. Segundo porque, mesmo que ele resolvesse aceitar que ela cantasse durante a festa, isso não apagaria o fato de que ele havia dado um ultimato a ela, e Rachel não gostava de ser colocada, assim, contra a parede. Ela era uma quase mulher moderna e soberana de suas próprias vontades.
Quando a noite da festa chegou, QRS se arrumavam, juntas, na casa de Quinny, que era a mais animada das três.
“Essa animação toda não é pra cantar, né, loura?” Perguntou Santanna, que não conhecia o significado da palavra sutileza. Quinn deu uma risadinha envergonhada.
“Na verdade, eu tenho mesmo uma coisa pra contar.”
As outras duas a olharam, curiosas, deixando de lado, por um tempo, os cabelos, as maquiagens, a escolha dos acessórios.
“Eu decidi que eu estou pronta. Eu vou transar com Puck... essa noite... depois da festa.”
Rachel ficou animadíssima e abraçou a amiga, bem apertado, as duas indo às gargalhadas juntas. Santanna tentou se fazer de indiferente, perguntando que ele já sabia e recebendo uma resposta positiva, mas acabou abrindo um enorme sorriso e se juntando às outras duas, em um abraço triplo.
“Como é, Santy? Vai doer muito?” Perguntou Quinn à amiga mais experiente, que já tinha transado com Sam e com um outro rapaz, com quem tivera um “lance”, como ela gostava de chamar, nas únicas férias que ela tinha passado longe das inseparáveis amigas, em uma das vezes em que ela e Sam tinham terminado.
“Doer vai, Q. Mas tem um monte de coisas boas que ele vai poder fazer com você e que não vão doer. E mesmo a dor, é suportável... e é importante você passar por ela algumas vezes, pra depois você começar a sentir prazer.”
“E você vai estar com o Noah, Quinny! Não tem como não ser maravilhoso, porque vocês são loucos um pelo outro... os olhos de vocês brilham, quando vocês estão juntos... ele esperou por você todo esse tempo. Isso é tão... romântico!”
“Isso é verdade, Q. O Puck nem olha direito pras outras meninas... ele é quase um cachorrinho.” Riu.
“Santanna!” A loura repreendeu, batendo de leve no braço da amiga, que riu ainda mais. A risada contagiou Rachel e, por último, até a própria Quinn, que não conseguia sequer se fingir de zangada.
“Será que um dia eu vou encontrar alguém assim?” Perguntou Rachel, voltando a sentar em frente à penteadeira, para terminar a maquiagem, e mudando seu semblante totalmente.
As amigas também mudaram de expressão e trocaram um olhar, preocupadas com Rachel. Será que ela vinha evitando falar de Jesse porque era doloroso demais? Será que ela não chorara muito, até aquele momento, apenas porque ainda não tinha realmente parado para pensar no fato de que perdera aquele com quem namorava há mais de um ano?
“Eu gosto do Jesse. Eu até quero voltar com ele... se ele me pedir desculpas, claro. Mas eu nunca me senti preparada pra transar com ele... e fico até meio irritada quando ele insiste. E, às vezes, eu não sei se é porque EU não to
preparada ainda... ou se é porque eu não vejo ele me olhar do jeito que o Noah
te olha, ele se preocupar comigo como o Noah se preocupa com você.”
“O Sam e eu não somos propriamente um casal apaixonado e a gente tem uma ótima vida sexual.” Santanna retorquiu, indiferente, prendendo os cabelos com uma presilha, encarando o espelho, acima da imagem de Rachel.
“Mas talvez a Rachel seja mais romântica que você, Santy.” A latina só fez um gesto e uma careta que indicavam que Quinn podia estar certa, e Q e R suspiraram.
As meninas terminaram de se arrumar e seguiram para a comemoração, junto com Sam e Puck, no carro do moreno. Chegando lá, cumprimentaram quase todos os alunos, ou melhor, todos os alunos que eram populares como eles ou que existiam para admirar e invejar o que eles faziam, o que eles eram. No fundo, os cinco eram pessoas do bem, mas eles estavam inseridos nessa lógica de pirâmide social e, se era assim, era melhor aproveitar a sorte (e talento) que os mantinha no topo.
Não foi muito tempo depois de chegar à festa que Rachel avistou Jesse St. James, primeiro e único, com sua jaqueta inconfundível de jogador de futebol. Noah e Sam não faziam questão de usá-la, a não ser em situações relacionadas ao esporte, mas, para ele, ela era uma necessidade, era o símbolo do lugar que ele ocupava na pequena sociedade de alunos do McKinley.
Rachel percebeu quando ele a viu e, a fim de provocá-la, começou a falar coisas no ouvido de Grace, uma das cheerios mais novas, que invejava e odiava QRS por ocuparem lugares mais importantes que ela no grupo, e por não ter sido aceita no Novas Direções. Viu também quando a menina riu, sensualmente, passando uma das mãos pelo braço dele, e o riso malicioso que brotou nos lábios do rapaz.
A imagem de total intimidade dos dois irritava Rachel, ainda que ela não soubesse muito bem, àquela altura, se sentia ciúmes ou um pouco de nojo de Jesse.
Fosse uma coisa ou a outra, isso não importava. Ela não tinha tempo para isso, agora. Rachel tinha escolhido a música, então era nela que a garota iria se concentrar.
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