Uma Nova Injeção De Adrenalina
4 Capítulo 4
Finn estava cansado, muito cansado. Apesar de eles terem chegado a Lima em uma sexta-feira e disporem do final de semana todo para organizar a mudança, sua mãe, Carole, havia feito a família inteira trabalhar o dia todo. Foram caixas e mais caixas carregadas para o segundo andar e o porão, e abertas a procura das mais variadas coisas,
móveis montados e arrastados de um lado para o outro, até ficarem exatamente como ela queria, além de uma faxina final, para que não ficassem vestígios de serragem pelos cômodos, pregos e parafusos perdidos embaixo dos móveis, ou pedaços do papelão das caixas.
Isso justificava seu estado de exaustão e o porquê de ele não ver nenhum sentido em acabar seu dia em uma festa. Ainda mais em uma festa em que não encontraria ninguém conhecido. No entanto, não explicava como e por que Kurt, ao contrário, fazia questão de comparecer às boas vindas da nova escola. O irmão lamentava ter perdido os cinco primeiros dias de aula, em razão de nem o pai, Burt, nem Carole terem
conseguido encerrar todos os seus compromissos antes de quinta-feira, para que eles pudessem viajar, com todos os seus pertences. Dizia que não admitiria perder também a comemoração.
Finn se rendeu. Na maioria das vezes, ele não conseguia negar nada a Kurt. Era assim desde quando ele se entendia por gente. Mas o fato é que, além de cansado, ele não estava nada animado para encarar a nova escola, pessoas estranhas, o fato de não saber que tipos de pessoas podia esperar encontrar no McKinley. Sentia falta dos amigos da antiga escola, dos professores e, principalmente, do seu treinador, que era o
melhor amigo de todos, e aquele que mais o tinha ajudado em um dos momentos mais difíceis de sua vida.
O rapaz pensava nisso, enquanto esperava o irmão terminar de se arrumar, sentado no sofá da sala. Pensava também que, por mais que isso o frustrasse, tinha que seguir em frente, se acostumar com a nova cidade, com tudo que era novo, porque seus pais mereciam isso, mereciam seu apoio. Eles tinham ido para Lima a fim de que as coisas
melhorassem para a família, uma vez que Burt tinha recebido uma oferta de trabalho, para ganhar um salário que era o triplo do anterior e, ainda, com muito mais chances de crescimento na carreira. Carole, por sua vez, tinha conseguido uma colocação praticamente igual a que tinha na cidade natal do filho.
A mãe merecia toda a consideração e apoio dele, por toda a barra que tinha segurado quando seu pai biológico, Christopher Hudson, a deixou e foi viver com outra mulher, quando o menino deles tinha apenas alguns meses. Burt também merecia todo o seu amor, respeito e dedicação porque tinha sido um verdadeiro pai, não fazendo diferença alguma entre ele e o filho de sangue, Kurt, fruto de seu primeiro casamento, ensinando os dois meninos a serem seres humanos de bem, honestos, amigos um do outro. Burt era, sim, seu pai. Do outro, ele só tinha o sobrenome.
“Filho?” Era a terceira vez que Burt chamava.
“O-oi, pai.” O homem mais velho riu.
"Essa cabeça tá longe, hum? Alguma garota que ficou lá em...” A pergunta vinha com um ar de preocupação, por isso Finn tratou de interrompê-lo.
“Não, pai... não. Não precisa se preocupar, porque eu não deixei ninguém pra trás. Só os amigos, mesmo.”
“Eu lamento que você e o Kurt tenham tido que se mudar por nós, filho.”
“O que é isso, velho?” Somente ele o chamava assim, mas Burt gostava. “Em primeiro lugar, a gente tem que se apoiar. Você sempre nos apoiou em tudo e sempre ensinou isso pra gente. Logo agora, a gente ia agir como se não tivesse aprendido nada?” Os dois riram. “Em segundo lugar, a gente nem vai esquentar o lugar aqui. Tanto eu quanto o Kurt
queremos estudar em outros Estados. A gente iria sair de lá, de qualquer
jeito.”
“Mas iam se formar com seus amigos. Eu sei como isso é importante. Sem contar...”
“Relaxa, Sr, Hummel.” Disse Kurt, chegando à sala. “Eu e Finn estamos bem. Nenhum de nós jamais teve problemas pra se enturmar. No fim do ano letivo, a gente vai estar se formando com um monte de amigos, pode apostar.”
Com isso, Kurt fez sinal para Finn e os dois saíram de casa, chegando à festa em, aproximadamente, uns quinze minutos. O garoto tinha que reconhecer que o lugar parecia legal. A escola era
grande, bem conservada, tinha quadra poliesportiva, campo de futebol americano, teatro, laboratórios bem equipados. A festa, por sua vez, estava bem organizada, havendo muitas mesas, bastante comida e bebida sendo servidas, obviamente sem nenhum teor alcoólico, atrações e atividades diferentes, como um rapaz fazendo caricaturas, uma jukebox, que funcionava com moedas e tocava nos intervalos do show, uma cabine para tirar fotografias 3x4, com uma espécie de camarim perto, com acessórios divertidos, que a pessoa poderia colocar, além de algumas máquinas de fliperama e caça níqueis.
O show, por sua vez, era um tanto quanto amador, na opinião de Finn, feito por pessoas com idades próximas da dele que, apesar de visivelmente animadas por estarem ali cantando, não estavam suficientemente preparadas. Logo que ele e Kurt chegaram, havia mais ou menos uns quinze, entre meninas e rapazes, se apresentando, e depois eles foram se revezando em grupos menores, duplas, trios, e até alguns solos.
Entretanto, foi apenas quando todos voltaram ao palco e cantaram juntos de novo, a fim de encerrar sua participação e deixar a jukebox dar o tom da festa, que ele, atraído pelo fato de amar a música Jump, do Van Halen, voltou os olhos para o palco e reparou em uma certa garota, pela primeira vez.
Havia várias garotas lindas em quem ele já tinha reparado na festa e, enquanto Kurt conversava com uma menina que lembrava Jennifer Hudson na época do American Idol e uma outra, se ascendência asiática, ele tinha até pensado em puxar assunto e, quem sabe, até ficar com alguém, só não tinha escolhido ninguém ainda. Contudo quando viu
aquela morena de beleza diferente, que tinha algo que chamava sua atenção, apesar de ele não saber exatamente o que, ele teve certeza que tinha que ser ela.
Era o fim dos problemas. Uma vez escolhida a garota, tê-la em braços jamais tinha sido um problema para Hudson.
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