Notas iniciais
Como prometido, segundo capítulo da noite...

Na manhã seguinte, ficou confirmada a previsão de Rachel. Os Berry já tinham planejado todo o dia de sábado deles, até a hora do jantar. Eles tomaram café em uma confeitaria, foram ao museu, ver uma exposição temporária de quadros de Modigliani, almoçaram no mesmo restaurante em que o Vocal Adrenaline comemorava suas vitórias, passearam pelo maior shopping da cidade, fazendo inclusive algumas compras, a maioria de presentes dos pais para sua princesinha, e jantaram em um restaurante novo, que Finn não conhecia.

Depois de deixar os dois homens mais velhos em casa, e de tomar um banho e trocar de roupa, Finn e Rachel seguiram, mais uma vez, ao encontro dos amigos dele, que haviam combinado de jogar uma partida de boliche. A garota já começou surpreendendo as outras duas ao aparecer usando um All Star quadriculado, calça jeans e uma camisetinha simples, e quase sem nenhuma maquiagem (apenas rímel e um gloss). Chocou-as ainda mais quando, apesar de já ter jantado, pediu ao garçom do lugar um milk shake grande e batatas fritas com queijo cheddar e bacon, para beliscar enquanto o grupo estivesse jogando. As meninas tinham presumido que ela fosse do tipo que só comesse saladinhas com limonada, pensando todo o tempo na manutenção de sua boa forma física.

Rachel, Nancy e Katie ainda calçavam seus sapatos especiais de boliche, quando os respectivos namorados começaram a aquecer para o jogo, e a desafiar uns aos outros. Aquela cena era comum para as duas moradoras de Akron, que somente reviravam os olhos, vendo a batalha de egos que se formava todas as vezes em que os três amigos, mesmo sendo quase irmãos, se reuniam para jogar o que quer que fosse. Para a visitante de Lima, no entanto, era novidade, e ela não somente reparou no quanto eles eram competitivos, a ponto de parecer que esqueciam que as meninas estavam ali e que elas também participariam do jogo, como percebeu que elas se incomodavam um pouco com aquele comportamento meio machista, mas não falavam nada.

"O jogo é individual?" Perguntou a garota, tentando entender aquela dinâmica.

"Não. Normalmente a gente joga em duplas pra equilibrar." Disse Justin.

"Equilibrar?" Questionou, desconfiada.

"É... sempre um cara e uma garota." Respondeu Seth.

"E com isso você quer dizer que as garotas, sozinhas, nunca teriam chance... é isso?" Ela continuou interrogando e ele coçou a cabeça, sem querer dizer em alto e bom som aquilo que, de fato, não só ele mas também Justin e Finn pensavam. "Nem precisa me responder." Ela riu. "Meninas, esses nossos namorados estão precisando de uma lição urgente! Vocês não acham?" As duas olharam-na, confusas. "Eu proponho meninas contra meninos." Falou, séria. "Vamos ver o que acontece com vocês fora dessa zona de conforto que vocês criaram."

Decidida, ela preparou o computador para que as garotas jogassem em um grupo e os garotos em outro, e ninguém protestou. Os meninos porque imaginaram que iriam ganhar de lavada e sem esforço algum, e as garotas porque gostaram da atitude, e da mudança nos padrões que os meninos tinham estabelecido. Ficaram com um pouco de medo de serem humilhadas na pista, mas acharam que valia a pena correr o risco.

O que eles não sabiam era que Rachel jogava boliche desde que se entendia por gente, e jogava extremamente bem. Clay tinha jogado profissionalmente por anos e ela e Shelby acabaram praticando muito, por estarem sempre lhe fazendo companhia em campeonatos. As outras duas meninas também não eram jogadoras ruins, e, assim, elas conseguiram ganhar duas partidas de três, acabando com a posse dos meninos.

Mais importante do que a vitória, no entanto, foi a mudança de perspectiva das outras meninas em relação a ela, que sua atitude causou, a ponto de, na hora das despedidas, as três terem trocado telefones e prometido manter contato.

Finn já mantinha contato com os amigos, mas eles queriam que ele prometesse ir mais a Akron. Sentiam falta da presença dele na escola, nas festas, em saídas como a daquela noite e, principalmente, na banda que eles tinham formado no começo do ano anterior. A Jumpers, que ganhou esse nome por causa do filme em que o protagonista tem o poder de se teletransportar e da pretensão que eles tinham de que a música pudesse levá-los também a qualquer lugar ao qual eles quisessem ir, tinha Justin na bateria, Josh no baixo, Seth na guitarra e Finn nos vocais, e, com a ida do último para Lima, tinha parado de fazer apresentações.

"Pensei que o Jordan tava me substituindo." Comentou Finn.

"Que nada! O Jord só estuda, cara... não para de dizer que quem quer ser médico tem que pegar pesado." Falou o irmão do garoto.

"E ele não tem a pegada rock da Jumpers... quem tem é você." Afirmou Seth.

"Cara, eu não vejo a hora da gente ir de uma vez pra Los Angeles e começar a tocar nos bares..." Falou Justin, deixando a empolgação tomar conta de sua voz.

"E estudar só música, cara. Aprender tudo sobre música... melhorar a nossa música... mostrar o que a gente sabe fazer, no lugar certo... e não aqui no fim do mundo que é Ohio." Completou Seth, não menos excitado.

As meninas olhavam para Rachel, preocupadas, se perguntando se aquela conversa trazia uma informação completamente nova para ela ou não, afinal ela tinha começado a namorar Finn há pouquíssimo tempo e a ida dele para LA tinha bastante potencial para colocar um fim prematuro no relacionamento.

A morena, todavia, não estava sendo pega de surpresa. Nas muitas conversas que ela e o namorado já haviam tido, ele contara da banda, dos planos dos quatro amigos de estudarem todos em LA, para investir na carreira do grupo, e, acima de tudo, do sonho que ele acalentava, desde que se entendia por gente, de ser um grande astro do rock.

Ele já tinha começado a preparar o material necessário para se candidatar a vagas em várias escolas de música, afinal não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto, investir em uma coisa só. Porém o seu grande sonho era ir para a Califórnia, não somente porque as oportunidades para uma banda como a dele e dos amigos eram maiores lá, mas especialmente porque a maior escola de canto do país era a Los Angeles Academy of Vocal Arts (LAAVA).

Rachel tinha se tornado uma das maiores fãs de Finn e torcia, de coração, para que ele realizasse todos os seus sonhos, ainda que isso significasse que o namoro deles viraria uma relação de longa distância ou teria prazo de validade. É claro que todas as vezes em que o assunto surgia ela sentia uma pontinha de tristeza, lá no fundo do coração, mas ela havia decidido não pensar nisso ainda, já que não tinha chegado sequer a metade do ano letivo.

O grupo terminou as despedidas e promessas de se falar, de se encontrar, de passar um tempo juntos, e até de fazer um novo desafio de meninos contra meninas em algum jogo, e Finn e Rachel entraram no carro dela, contentes pela noite divertida que tinham passado. O garoto comentou sobre o fato de ela ter ganho definitivamente a amizade de Katie e Nancy, e sobre as habilidades dela com a bola de boliche, que ele desconhecia até então. Ela, por sua vez, afirmou que seria legal se eles pudessem juntar o pessoal de Lima com a galera de Akron, um dia, ideia com a qual ele concordou plenamente, logo imaginando Puck jogando vídeo game contra Josh ou Sam recebendo dicas sobre malhação de Seth.

A diversão daquela noite, entretanto, ainda não tinha acabado. Quando o namorado estacionou o carro dela na garagem da casa dos Berry, Rachel se lembrou de que eles iriam voltar para Lima pela manhã e sentiu um tipo de saudade antecipada. Ela tinha aproveitado muitíssimo a viagem, mas não havia ficado muito tempo sozinha com Finn, desde que eles tinham colocado tudo em pratos limpos, por isso sentia uma falta enorme de um contato mais íntimo com ele.

"Vamos ficar um pouco aqui?" Ela pediu, segurando a mão dele.

"Ficar aqui... na garagem?" Ele ficou confuso.

"É, Finny." Ela riu. "Aqui a gente não está realmente DENTRO da casa dos meus pais e... talvez você não se sinta traindo a confiança deles... e a gente possa namorar um pouco." Ela brincava com os pelinhos do braço dele, enquanto falava, com uma voz calma e cheia de doçura, mas contraditoriamente provocante.

Ela subiu os olhos, que estiveram acompanhando os movimentos de seus próprios dedos, e encontrou os olhos dele, repletos de um brilho intenso de paixão por ela. Ele sorriu, respondendo silenciosamente que concordava em passar um tempo dentro do carro com ela. Se inclinou, roçando os lábios nos dela suavemente, várias vezes, enquanto tocava seu rosto e suas costas, também de um jeito delicado.

Era um carinho gostoso que arrepiava todos os pelos do corpo dela, mas que se tornava excessivamente sutil, a cada segundo, tirando o sossego de Rachel. Então ela o empurrou, com as duas mãos no abdômen dele, para que ele encostasse no banco do motorista, e o surpreendeu subindo em seu colo, com uma perna de cada lado do corpo dele. Olhando-a, totalmente hipnotizado, ele colocou as duas mãos nas costas dela, enquanto ela, mais ansiosa, o agarrava pela nuca, voltando a beijá-lo, já sem suavidade alguma. Os beijos eram lentos, mas intensos, com línguas explorando o sabor uma da outra, sem descanso e, quando faltava ar, eles se separavam por alguns segundos, apenas para voltar, em seguida, mostrando ainda mais vontade de se conectar um ao outro.

Uma das mãos de Finn deslizou até a nuca de Rachel e ele a puxou ainda mais em sua direção, fazendo suas línguas irem ainda mais fundo. Uma das mãos dela saiu do pescoço dele e começou a alisar seu abdômen, por dentro da camiseta, fazendo a respiração dele ficar mais ofegante do que já tinha começado a ficar. A mão direita dele, que ainda estava nas costas dela, desceu, chegando ao bumbum, que ele alisou e apertou algumas vezes, lamentando mentalmente que ela estivesse usando calças jeans naquela noite.

A mão dela, dentro da camiseta dele, subiu ainda mais e ela tateou seu peitoral forte, sentindo a respiração falhar diante da excitação crescente e da vontade também crescente de ter ainda mais contato com ele. O toque dela fez o membro dele, que já estava endurecendo, ficar completamente rígido e, sem pensar, ele usou a mão que alisava a bunda dela para puxá-la em sua direção, pressionando o corpo dela contra o dele, fazendo as intimidades dos dois se roçarem gostosamente, ainda que houvesse muito jeans entre eles para ser lamentado.

Por alguns segundos, ele pensou que talvez tivesse feito uma grande burrada, que ela fosse se sentir desrespeitada pelo seu movimento impulsivo. Já se preparava para pedir desculpas, quando sentiu ela se movimentar acima dele, recriando a mesma fricção deliciosa, algumas vezes, ao mesmo tempo em que continuava alisando o peitoral dele e parava de beijá-lo na boca para atacar seu pescoço e sua orelha com os lábios e a língua.

"Isso é tão gostoso!" Ela sussurrou no ouvido dele, enquanto apertava o clitóris contra o pênis dele, mais uma vez.

"Muito." Ele concordou, soltando um ar que ele nem sabia estar segurando nos pulmões. "Mas..." continuou com dificuldade "...é melhor a gente parar, Rach."

"Por que, Finny?" Questionou, com olhinhos de cachorro sem dono. "Tá tão bom." Afirmou, maliciosamente, mordendo o lábio inferior e deslizando a mão do peitoral para o abdômen.

"É que... chega uma hora que... se a gente não vai até o fim e tudo... acaba ficando meio... doloroso." Ele fez uma pequena careta.

"Tudo bem." Ela falou, saindo do colo dele. Já sentada no banco do carona, deu mais um beijo nele, fazendo carinho em seu rosto, e começou uma conversa qualquer, para que ele pudesse sair daquele estado de excitação antes de eles finalmente entrarem em casa.

Quando chegou a seu quarto, a menina teve certeza de que fizera a coisa certa ao ir a Akron com Finn, se revelando uma Berry, que tinha agido da melhor maneira ao escolher conhecer os amigos dele, ao invés de sair sozinha com o namorado, e que havia feito a melhor opção, quando não quis sair do carro logo que eles entraram na garagem.

Aquela tinha sido, oficialmente, uma das melhores noite da vida dela. E, com Finn Hudson em sua vida e os grandes passos que ela estava disposta a dar a partir dali, os dias e as noites só poderiam ficar melhores.

Notas finais
Essa facul que o Finn quer fazer eu inventei, ok? Até existe uma academia de artes vocais, mas ela é na Filadélfia.