Notas iniciais
No próximo capítulo provavelmente teremos as Seccionais então, se alguém ainda quiser ajudar a escolher as músicas, como eu pedi há um tempo atrás, ainda tem uma chance. É só voltar uns capítulos, olhar as opções, e depois deixar um comentário.
Não deixem de conferir a minha outra fic em andamento A chave para o coração, e de deixar suas impressões. Ela foi atualizada hoje também.
Beijos a todos!

Agora que Rachel e Finn tinham assumido o namoro completamente, eles tinham decidido ir para a escola juntos, no carro dele, sempre que ela não tivesse treino das Cheerios depois da aula, o que na verdade era praticamente todos os dias, já que as líderes de torcida ensaiavam apenas uma ou duas vezes por semana. Rachel conversava animadamente com Kurt, que também ia com eles quase todo dia, enquanto Finn dirigia, visto que Hummel e Berry tinham se aproximado bastante, depois que ele pedira desculpas por tê-la julgado culpada precipitadamente e descobrira as peculiaridades de sua história familiar.

Kurt achava o máximo Rachel ter três pais, dois deles gays como ele, e ficava perguntando sem parar um monte de coisas a ela, e falando sobre o fato de querer adotar uma criança no futuro ou contratar uma mulher para gerar um filho dele. Sobre isso, entretanto, Rach não sabia opinar, uma vez que ela tinha sido concebida pelo método tradicional, em uma das poucas relações heterossexuais que seu pai Hiram tivera na vida. Finn ria não só da empolgação de Kurt, como também do genuíno interesse de sua namorada em ajudar o irmão dele com o que fosse possível a ela esclarecer sobre a relação entre homossexualidade e paternidade.

Havia, no entanto, uma coisa que ainda incomodava Rachel e Kurt, mesmo que eles não tivessem tocado no assunto até aquele momento. Já fazia mais de uma semana que ela tinha convencido os meninos de que não fora responsável pelas cartas enviadas a Kurt, mas o verdadeiro responsável, que o tinha atormentado tanto, ficara completamente ileso, o que era totalmente injusto. Rachel tinha certeza de que somente Jesse tivera motivo e oportunidade para mandar as cartas e colocar as coisas em seu armário. Tinha reforçado a sua certeza ver o semblante confuso dele, ao observá-la de mãos dadas com Finn e constatar que eles estavam mais juntos do que nunca, mas, para que ela pudesse fazer qualquer coisa a respeito, era preciso provar o envolvimento do rapaz com os atos de bullying.

"Meninos, eu acho que sei o que fazer pra provar que foi o Jesse quem mandou aquelas cartas pro Kurt." Ela disse, séria.

"Rach, você não precisa se preocupar com isso... a gente já se convenceu de que você..."

"Eu não acho justo ele ter feito o que ele fez e nada acontecer com ele, Kurt. Não se trata de mim só." A garota afirmou, interrompendo o cunhado. "Sim, ele fez pra me atingir... mas ele atingiu você também... e o que ele fez é homofobia, é algo muito sério."

"E o que você tem em mente, linda?" Perguntou Finn, interessado.

"Eu até vou contar pra vocês, mas a gente vai precisar que uma outra pessoa concorde."

Rachel contou seu plano aos dois ainda no carro e, na hora do almoço, conversou com seu melhor amigo, Sam, de cuja adesão ao plano eles dependiam completamente. Somente alguém que já havia se comportado como um bad boy no passado conseguiria armar a cena que Berry julgava ter o potencial para fazer algum amigo de Jesse abrir o bico, ou até ele mesmo, já que ultimamente também não vinha se comportando de forma muito inteligente.

Sam não teve problema algum em aceitar participar da armadilha. Em primeiro lugar, ele estava com Jesse, Azimio e Karofsky entalados em sua garganta, e qualquer coisa que mostrasse às pessoas quem eles eram e do que eram capazes lhe agradaria. Em segundo lugar, ele ficou indignado ao saber pela amiga do que acontecera com Kurt, e ansiou por ajudar o companheiro de coral como pudesse. Por essa razão, começou uma conversa, de início totalmente aleatória, com Karofsky, Azimio e alguns outros jogadores, no vestiário, depois do treino daquele dia. Jesse tinha ido embora correndo, logo depois do alongamento final, mas algo dizia a Sam que seria até mais fácil arrancar alguma informação dos outros do que do próprio St. James.

"Cara, vocês não sabem da fofoca mais hilária que eu escutei hoje, mais cedo." Sam soltou, depois de terem feito comentários bobos sobre o próprio treino e observações maldosas sobre alguma professora. "Sabe aquele veadinho que entrou pro coral há pouco tempo? O Kurt?" Alguns acenaram positivamente, outros negativamente. "Então... o cara andou recebendo várias cartas aí, esculachando com ele... ameaçando... falando que ele tem que sair do colégio." Continuou, como se estivesse impressionado. "O cara tá se borrando nas calças!" Acrescentou, dando uma gargalhada debochada, pensando em como Rachel teria orgulho dele e que talvez devesse pensar em ser ator. "Cara... quem fez isso mandou muito! Eu queria apertar a mão do moleque que fez isso... melhor, eu queria TER FEITO ISSO. Foi genial!" Riu mais.

"A pessoa escreveu cartas pra ele, é? Moleque burro, porra! Se ele leva pro Figgins, o diretor pode comparar a letra dele com a da galera." Comentou um dos meninos presentes.

"Não! O cara foi fera!" Continuou Sam. "Ele escreveu tudo com recortes de revista. Eu sei porque a Rachel comentou... ela namora o irmão dele e tal. Porra, a Rach é minha amiga... até o Finn é meio meu amigo também, mas... porra, veado dividindo o colégio com a gente é foda! E graças a esse moleque sinistrão pode ser até que baitolinha saia mesmo daqui." Sorriu, como se estivesse feliz com a perspectiva.

"Ae, eu vou contar uma parada pras vocês... mas é só porque vocês são parceiros no crime." Riu, maliciosamente David Karofsky. "Fui eu que mandei as cartas. Eu detesto veado, caralho... e ainda mais desse tipo aí que parece se orgulhar de ser bichona." Falou, fazendo cara de nojo.

"Ah... você tá falando isso só porque eu disse que o cara é gênio, Dave. Você não ia pensar nisso tudo sozinho!" Ele sabia que David podia até ter feito aquilo mesmo, mas que tinha contado com a ajuda de Jesse pelo menos para colocar a culpa em Rachel, uma vez que ele não tinha como ter aberto o armário da menina.

"Fui eu, cara. Pede pra ver as cartas... vê lá se não tá escrito numa delas 'Essa sua cara de porcelana me enoja. Vai pra um lugar que tenha outras bonecas porque aqui não tem' e em outra 'Arruma uma garota se puder, pra ver se ela te torna uma pessoa normal, aberração'." Sorriu, se gabando.

"Cara, genial." Sam voltou a gargalhar, dando corda. "E sem ninguém desconfiar de nada."

"É... o Jesse até achou que podiam desconfiar e me falou pra dar um tempo... aí ele levou as sobras de revista e de envelopes lá de casa, pra se livrar de tudo aquilo pra mim. Mas, se esse veado continuar por aqui, eu começo tudo de novo, cara... eu juro. Eu infernizo a vida dele até ele se mandar!"

Sam apenas riu. Ele já estava vestido, a essa altura, e mais do que satisfeito com tudo que o gravador guardado dentro da mochila dele, que tinha ficado em cima do banco perto deles durante todo o tempo, provavelmente tinha captado muito bem. Juntando a declaração do colega com o material que Rachel ainda mantinha em seu poder, não seria difícil demonstrar ao diretor da escola tudo que Karofsky havia feito a Kurt, bem como a tentativa de Jesse de por a culpa na ex-namorada.

O loirinho entregou a gravação à amiga naquele mesmo dia, e ela levou tudo o que tinha à sala do diretor, no dia seguinte, antes mesmo de seguir para sua primeira aula, pedindo que ele tomasse providências. Diante das evidências, Figgins chamou não somente David e Jesse, como também os pais dos dois, para uma conversa, e os garotos não tiveram como negar o que haviam feito. Foram informados de que o conselho de pais e mestres se reuniria e decidiria o futuro deles, mas que eles deveriam saber, desde já, que corriam o risco de ser convidados a sair do McKinley.

Kurt, no entanto, não queria viver com o peso de saber que duas pessoas teriam problemas para terminar o ensino médio por causa dele, por pior que tivessem agido as duas criaturas em questão. Quando soube da possibilidade de expulsão, foi até o diretor e disse que, como maior vítima dos atos dos dois delinquentes juvenis, preferia que eles fossem apenas obrigados a contar o que tinham feito para todos os alunos da escola e pedir desculpas publicamente a ele e a toda a comunidade gay. Rachel, como vítima da armação de Jesse, também disse achar suficiente um pedido público de desculpas, quando consultada por Figgins.

O diretor levou o caso e o pedido das vítimas ao conselho e ficou estabelecido que os rapazes deveriam fazer um discurso sobre o que tinha acontecido e se dizer arrependidos, pedindo perdão aos prejudicados, no ginásio do colégio, onde seriam reunidos todos os estudantes do ensino médio. Assim foi feito e, além disso, os membros do conselho deixaram bem claro que, se qualquer ofensa ou comentário homofóbico fosse dirigido a Kurt novamente, a expulsão de quem o fizesse seria certa.

Os dois garotos se sentiram humilhados, mas nenhum deles queria correr o risco de sair da escola, e muito menos de encarar novamente os pais, que já lhes tinham dado outros castigos severos, além do que havia sido atribuído pelo conselho acadêmico, como ficar meses sem carro e recebendo mesada suficiente apenas para comer. Se eles fossem expulsos, nem queriam imaginar que tipo de punição iriam sofrer. Desse modo, Kurt estava, finalmente, protegido do preconceito e da vontade de se autoafirmar de Karofsky e St. James.

Os próximos meses seriam de tranquilidade também para Finn e Rachel e eles passariam a ter como preocupação apenas as Seccionais, e só na medida em que fosse chegando o final do mês de novembro.

De resto, o momento era perfeito para apenas estudar, cantar, se divertir com os amigos e, principalmente, para desfrutar muito da companhia tão desejada de um pelo outro.

Notas finais
link da outra fic, pra quem tem preguiça:
http://www.fanfiction.com.br/historia/236487/A_Chave_Para_O_Coracao/ageconsent_ok