Uma Nova Injeção De Adrenalina
27 Capítulo 27
"Realmente, você tem muitas fotos aqui, hum!" Finn comentou, olhando um quadro enorme na parede do quarto de Rachel, repleto de fotografias.
"Essas comigo são a Quinn e a Santie." Comentou, apontando uma das fotos, em que três meninas pequenas apareciam usando uniforme escolar e cabeços presos em trancinhas. "Foi tirada no ano em que a gente se conheceu."
"E nessa aqui... quem são?"
"Ah! Esses são meus avós paternos, mas infelizmente eles já faleceram. O meu avô, logo depois dessa foto... e a vovó, há dois anos atrás."
"Eu sinto muito, Rach." Disse, sem graça por ter perguntado logo sobre aquela foto, entre tantas que havia ali, de Rachel com todas as idades e na companhia de uma porção de pessoas, que deviam ser parentes, colegas de colégio, amigos da família.
"Tudo bem." Ela assegurou. "Eu adorava os dois, mas eles viveram bastante... e isso já é algum consolo, não é?" Sorriu, simpática, o que fez com que ele também a olhasse, com carinho.
"Rach... por que você não me contou sobre o seu pai?" Disse, chateado. "Tudo bem que é uma coisa complicada... que tem gente que tem preconceito... mas meu irmão é homossexual também... você deveria saber que eu não ia julgar."
"Eu sei... eu reconheço que fiz mal, Finn."
"Fez, sim." Ele andou até a cama dela e sentou. "Mas eu também vacilei com você. Eu não deixei nem você falar... fui achando que você tinha ameaçado o Kurt e... terminei com você."
"Acho que estamos empatados, então, Hudson." Ela brincou, sentando ao lado dele.
"Vamos empatar também em desculpar um ao outro, então? O que acha?" Ele perguntou.
"Perfeito... mas só se você me beijar, agora." A morena fez um pouco de manha.
Ele acariciou o rosto dela, devagar, e ela fechou os olhos, curtindo aquele carinho do qual sentira uma saudade imensa, apesar de não ter ficado sem ele assim tanto tempo. Ele se aproximou e encostou sutilmente os lábios nos dela, fechando também os olhos, inalando o perfume que ela exalava e que mexia com os sentidos dele. Ela colocou as mãos no pescoço dele, arranhando-o de leve e causando um arrepio, que percorreu todo o corpo do rapaz, que ainda se espantava com o fato de um toque tão simples da namorada ser capaz de provocar uma reação tão desmedida nele.
O arrepio o incentivou a aprofundar o beijo, tomando o lábio inferior dela entre os lábios dele, puxando-o um pouco e depois invadindo a boca da garota com a língua, à qual ela deu boas vindas, tocando-a com a sua. Ele segurou-a pela nuca, com uma das mãos, e pela cintura, com a outra e, enterrando cada vez mais os dedos nos cabelos dela e apertando mais a cintura, sentia o ritmo de suas línguas ficar cada vez mais rápido, até chegar a um ponto em que não havia fôlego para manter o beijo.
"Você sabia quem era eu o tempo todo, então, né?" Ele perguntou, ainda abraçado nela e colando a testa na dela.
"Não o tempo todo." Ela se separou um pouco, mas apenas para falar olhando-o. "Quando o Sr. Schue disse quem você era, claro que sim... mas antes, não... porque eu nunca quis ver os vídeos do Vocal Adrenaline... ou as fotos." Suspirou. "Eu vivo muito distante do meu pai e do papito. É assim que eu chamo o LeRoy... eu sei que é infantil." Disse essa última parte, revirando os olhos, antes que ele implicasse com ela em razão do apelido. "Os integrantes do coral estão sempre com eles e... isso me deixava enciumada. Eu sei... infantil de novo!"
"Não, Rach. Não é infantil. De fato, todo mundo do coral é muito próximo do LeRoy, e você não pode estar tanto com ele e o Hiram... pelos menos não sem deixar de estar com a sua mãe e o Clay... e eu sei que você também adora os dois."
"A minha mãe é a minha melhor amiga! E o Clay é o meu papis... mas isso não quer dizer que eu não sinta falta do meu pai e do papito."
"Três sogros." Sussurrou Finn, para si mesmo.
"O que?"
"Nada." Ele riu. "Como eu disse, eu entendo os seus ciúmes do pessoal do VA."
"Principalmente de você, Finn. Você é como um filho pro LeRoy... ele te adora! Talvez tenha sido por isso também que eu não tenha contado nada. Não era só contar que meu pai era casado com outro homem... era contar que você conhecia esse homem, que você era como um filho para ele. Eu achei... cedo."
"É... é bem estranho." Ele riu. "O LeRoy é mesmo como o meu segundo pai..."
"Segundo?" Ela o interrompeu. "Pensei que o seu segundo pai fosse o Burt."
"Meu primeiro pai é o Burt, considerando que o Christopher é um zero à esquerda." Disse, mal humorado. "Isso faz do LeRoy o segundo, certo?" Ela concordou. "Ele foi o melhor amigo do mundo, quando o Kurt veio chorando até mim, um dia, achando que o nosso pai estava desconfiado da sexualidade dele... e que ele não iria aceitar." Respirou fundo, lembrando-se daquele período de algumas semanas, que foi o mais difícil da vida dele.
Finn amava muito Burt, mas pensar no pai desprezando o próprio filho por preconceito lhe dera ânsia de vômito. Tendo convivido não somente com LeRoy, mas com outro sem número de pessoas que tinham assumido a sua homossexualidade e que eram pessoas fantásticas, interessantes, bem sucedidas e felizes, ele decidira que lutaria pelo direito do irmão de ser ele mesmo, acima de tudo. Ele brigaria, mesmo que precisasse brigar com o único pai que ele conhecera, com o pai que o criara, com o pai que ele amava.
Ele e, mais tarde, o irmão haviam tido conversas intermináveis com o seu treinador de coral, que os ajudara a pensar no melhor momento e na melhor maneira de introduzir o assunto em casa, e, com isso, a relação entre Finn e o homem mais velho, que já era boa, acabou se fortalecendo enormemente.
Felizmente, Kurt estava errado em temer uma reação negativa de Burt. Quando finalmente Kurt tomou coragem e disse ao pai que não queria mais mentir, porque fazer parte do clube do coral tinha mostrado a ele que ele podia ser o que quisesse e o que ele era, de verdade, era gay, o homem o surpreendeu. Hummel disse que já sabia, desde que o filho tinha três anos, porque o menino sempre queria sapatos de salto de presente de aniversário, e que não ia dizer que adorava a ideia, mas, se era desse modo, ele não tinha nada a fazer e o amava do mesmo jeito.
Os dois haviam se emocionado muito, se abraçado forte e o pai havia, ainda, agradecido ao filho por finalmente lhe contar. Tudo tinha ficado bem na família deles, mas isso nunca mudaria o fato de que LeRoy tinha sido o maior amigo de Finn, naquele momento complicado, e ele jamais esqueceria isso.
"O papito é o máximo!" Rachel decretou.
"E parece que seu papito concordava com você sobre ser cedo pra me contar que a filha dele era minha colega de coral... porque eu estive aqui, pra contar a ele, pessoalmente, sobre a minha entrada no clube, e ele não disse nada."
"Você pergunta isso a ele, no jantar... agora, eu quero mais um beijinho." Pediu, sedutora, já se aproximando dele.
Os dois começaram a se beijar, devagar, mas com ansiedade, desde logo. E os beijos foram ficando cada vez mais famintos e os toques mais intensos. Os dois foram se acomodando um nos braços do outro, até que ele já estava encostado na cabeceira da cama dela, com uma das pernas sobre a cama, e ela deitada em cima dele, com uma perna de cada lado da perna esticada do rapaz. A respiração de ambos começou a ficar ofegante, seus corações disparados e o corpo quente, então, quando ele sentiu uma das mãos da morena acariciar seu abdômen, decidiu que era hora de parar.
"Rach, eu não me sinto legal fazendo isso com você aqui, na casa do Hiram e do LeRoy. Eles são seus pais... e confiam tanto em mim. Eu me sinto meio... traindo a confiança deles." Disse, constrangido.
"Eles tão lá na sala, babe... e eu to com tanta saudade de você." Ela falou, meio frustrada, tentando convencê-lo.
"Eu também to com saudade." Ele ficou pensativo por segundos. "Será que eles se incomodariam, se a gente saísse um pouco, depois do jantar? A gente poderia ir encontrar uns amigos meus... ou sair só nós dois mesmo." Nesse momento, o casal ouviu a voz de Hiram, chamando-os para jantar.
"Já vamos saber." Ela respondeu e os dois voltaram à sala, de mãos dadas, encontrando os dois homens, que tinham preparado filé com fritas, um dos pratos favoritos da garota.
Os quatro jantaram, conversando animadamente sobre diversos assuntos. O preferido, é claro, era música, visto que dois dos presentes eram integrantes e um era treinador de coral estudantil, e o quarto deles era músico. A música não unira somente Rachel e Finn, ela também unira o casal mais velho, que se conhecera quando fora trabalhar junto em na Orquestra Sinfônica de Akron, Hiram como pianista e LeRoy como regente. Os dois ainda faziam parte da orquestra, mas ambos tinham outros trabalhos também, LeRoy na escola, dando aulas de música e cuidando do coral, e Hiram acompanhando artistas em estúdios de gravação, não somente locais mas de outras cidades e estados americanos.
"Como estão as coisas no coral, Rach? Estão sobrevivendo ao Finn?" Finn tinha uma expressão confusa e Rachel segurava o riso. "Eu sei bem quanto o Finn pode ser difícil! No primeiro ano dele no VA, ele ficou indignado e saiu da sala do coral, chutando cadeiras pelo caminho... e ameaçando não voltar nunca mais... só porque eu dei um solo de uma música dos Beatles pro Jordan e não pra ele." Todos riram, menos Finn. "Ele demorou pra entender que nem todos os solos de rock podiam ser dele!"
"Ele não é mais assim, não, papito." Disse, segurando a mão do namorado. "Na verdade, ele tá ajudando muito a gente lá no Novas Direções a melhorar. E ele deixa outras pessoas terem seus solos... contanto que ele tenha o dele também, é claro!" Riu, sendo seguida pelos outros, até pelo próprio Finn.
"Por que, quando eu vim te contar onde eu tava estudando e que eu tinha entrado pro coral de lá, você não me contou que a filha do Hiram fazia parte do clube, LeRoy?"
"Eu ia." Afirmou o treinador. "Até que você me falou que ela estava dificultando a sua vida lá... e ficou uns quinze minutos reclamando dela... e eu percebi que tinha alguma coisa acontecendo entre vocês." Falou o que não tinha comentado nem com o marido. "Além do mais, ela não tinha te contado e... já que vocês iam passar a conviver bastante, achei que essa era uma decisão que cabia a ela... não a mim."
Finn entendeu a observação do amigo, então não argumentou. Comeu mais um colherada da deliciosa sobremesa que os Berry tinham servido.
"Hiram, LeRoy... vocês se importariam se eu levasse a Rachel pra conhecer um lugar, daqui a pouco?" Perguntou, uns minutos depois.
"É claro que não, rapaz." Respondeu Hiram.
"Obrigada, papai." A menina sorriu para o garoto e beijou o rosto do pai.
Logo depois do jantar, cada um pegou suas coisas, que tinham sido resgatadas do carro por Hiram, e seguiram para os quartos em que cada um dormiria, a fim de tomar um banho, trocar de roupa e se preparar para aquela noite.
Rachel não sabia se estava muito ansiosa para conhecer outros pupilos de Leroy, e seus rivais nas competições do coral, mas Finn estava tão animado, que ela não podia deixar de fazer aquilo por ele. De repente, no entanto, ela já não se preocupava tanto com os ciúmes que sentia de seus pais, com os meninos que iria conhecer.
Começava a sentir um certo medo de que os amigos do namorado não gostassem muito dela.
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