Uma Nova Guerra Santa
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O dia amanheceu tranquilo, todos os alunos treinavam com afinco afim de impressionar e de melhorarem, os alunos novos na primeira semana ainda ficam um pouco tímidos, demoram um pouco para se soltarem. E nesse dia, em uma das arenas de luta, que ficava no santuário de Atena, eles observavam lutas entre os alunos do último ano, impressionados, essas lutas tinham duas funções: a primeira era ver como estavam os alunos que iriam participar do torneio, a outra era dar um exemplo aos alunos mais novos para que tivessem uma ideia de como seria uma luta de verdade, os lutadores não estavam usando armaduras, pois elas estavam com Kiki o atual Cavaleio de Ouro de Áries, foi aprendiz de Mu seu antecessor tanto na arte de consertar armaduras quanto como cavaleiro. As armaduras de todos os competidores estavam com ele, pois como fazia muito tempo que não eram usadas, Atena e Kiki acharam melhor verificar se estava tudo certo, e também para que os lutadores não se empolgassem demais e usassem as armaduras a toa.
Fizeram uma parada para o almoço e Tenma era o próximo que iria lutar, estava nervoso, ansioso, sua luta seria com ninguém menos que Baron, era certo que sempre desde que entraram para Palaestra brigavam, mas nunca uma luta séria, e Sasha estaria na arquibancada, não queria decepciona-la, ela o ajudou muito e não iria jogar toda essa ajuda no lixo, iria mostrar que era merecedor da armadura que usava, iria honra-la até o fim.
– Está tudo bem Tenma? — Sasha perguntou.
Eles estavam se dirigindo ao refeitório, e ele estava pensativo e parecia nervoso.
– Um pouco, estou eufórico também, nunca lutei de verdade com Baron — ele respondeu sorrindo de canto.
– Relaxa Tenma, vai sair tudo bem, você vai voar acredite em mim e em si mesmo — ela falou sorrindo calorosa — e por favor não mate o coitado.
– Não se preocupe Sasha — ele riu relaxando — eu posso ter minhas desavenças com ele, mas não odeio, e obrigado de novo.
Agradeceu e em seguida colocou o braço cautelosamente ao redor da cintura dela, aos poucos estava ganhando confiança conforme ela permitia.
Eles ficaram o intervalo inteiro conversando, ela tentava distraí-lo para que não ficasse mais nervoso do que já estava e ao final do almoço, todos se dirigiram para a arena e antes de Tenma entrar para lutar ela o parou.
– Kαλή Tύχη¹ – ela falou, dando uma pulseira de prata cujos desenhos eram de pétalas de gladíolo.
– Obrigado Sasha – agradeceu ainda intrigado com a pulseira – mas o que é essa pulseira?
– Sabia que ia perguntar – comentou – bem os gladíolos, eram flores muito usadas na Grécia e Roma antigas, elas eram dadas aos gladiadores vencedores, é um símbolo de vitória, que é o que desejo a você.
Tenma sorriu agradecido mais uma vez pela preocupação dela e a abraçou forte, e enterrou o rosto no pescoço dela. Todos que estavam perto se assustaram, os comentários voariam depois, que até o Olimpo saberia do ocorrido, até Sasha ficou incrivelmente sem graça com o gesto de afeto dele, mas ao que reparou ele não estava prestando atenção nos olhares de terceiros.
Após solta-lá, Sasha se dirigiu à arquibancada, conseguiu um lugar bom, perto da arena, e Tenma para o seu lugar ao centro, Baron já estava lá, no lado oposto, estava muito puto, tinha visto a aproximação de Tenma para com ela, seu ciúme estava em um nível alto e queria provar pra ela era o melhor.
Ambos se posicionam, seus olhares fixados, e quando foi autorizado o início da luta, ambos partiram pro soco, cada um dava chutes e socos no adversário, colocando tudo o que aprenderam nos últimos sete anos em prática.
A plateia assistia atônita, dentre todas as lutas aquela era com toda certeza a mais aguardada, e não estava decepcionando, ninguém podia falar quem venceria, ambos estavam em pé de igualdade, os espectadores prendiam a respiração a cada golpe acertado.
Num dado momento da luta, Baron acertou um soco em Tenma que ficou um pouco desnorteado, e aproveitou para se afastar um pouco e elevou seu cosmo, iria usar seu golpe secreto, a plateia conseguia sentir o cosmo dele que se elevava mais e mais, então ele se posicionou e gritou:
– Galope do Unicórnio!
E Tenma foi atingido em cheio por uma centena de chutes poderosos e acabou voando pro outro lado da arena, o público enlouqueceu, principalmente os alunos mais novos, o que mais queriam ver eram os golpes regentes das constelações. Sasha estava apreensiva, Tenma levara um golpe poderoso, e estava bastante machucado, mas tinha que ter fé.
Tenma ficou caído, com muita dor, em todo o corpo, tinha que se levantar, pois Sasha tinha lhe dado muitos conselhos, e o animou não podia decepcioná-la, e ele tinha jurado que honraria sua armadura e que protegeria Atena, como poderia proteger a deusa se nem proteger-se ele conseguia, então pensou em tudo o que passou para chegar onde estava, e se lembrou dos motivos pra continuar sendo cavaleiro, o rosto de seu amigo e o de Sasha apareceram em sua cabeça e com toda a força que ainda tinha se levantou, fazendo a plateia segurar a respiração diante do susto, e começou a elevar o cosmo, agora sem mais problemas, o elevou até o máximo que suas forças aguentavam, e as pessoas que assistiam e até mesmo o próprio Baron pensaram terem visto a figura de Pégaso, e Tenma desenhou as linhas de sua constelação e gritou com tudo que tinha:
– Meteoro de Pégaso!
E Baron, nem teve chance de escapar dos socos poderosos de Pégaso, voou longe quando terminou de receber todos e caiu derrotado, sem nenhuma força para se levantar, e a plateia gritou, diante da esplêndida luta de ambos, e enquanto Tenma se curvava agradecendo, pode perceber que Sasha estava sorrindo, e ele dirigiu um sorriso discreto em sua direção, e depois foi dar uma ajuda para levantar Baron, pois este estava muito arrebentado, Tenma e um outro cavaleiro, levaram Baron para a enfermaria, ambos precisavam de curativos e uns dias de descanso, tinha sido a luta mais agressiva, por assim dizer até então.
Todos que estavam na plateia estranharam o gesto de Tenma, pois sabiam das discussões dos dois, os alunos que estavam no mesmo ano que os dois estranharam muito tal gesto, mas puderam constatar que Tenma estava mais “humano” nos últimos dias e tiveram certeza de que Sasha era a razão para isso.
Sasha saiu da arquibancada e foi para a enfermaria, ver como os dois estavam, e ainda estava feliz por Tenma ter ganhado e mais ainda por ele ter usado o cosmo sem problemas.
Quando chegou lá Baron estava deitado em uma cama, e estavam fazendo vários curativos nele, ainda estava desacordado, mas não corria nenhum risco. E Tenma estava sentado em uma maca sem a parte de cima da roupa, para poderem fazer melhor os curativos, estava bem e sorridente, estava satisfeito e orgulhoso do feito e também por deixá-la orgulhosa, agora sim se sentia um cavaleiro de Atena completo.
– Parabéns! – ela o parabenizou – como está?
– Todo esfolado mas vou viver, e obrigado Sasha por tudo, agora sim estou me sentindo um cavaleiro.
– Fico feliz em ouvir isso, — ela sorriu – e fiquei feliz também do seu gesto de ajudar Baron, acredito que não era uma coisa que a plateia e os alunos de sua sala esperavam.
– Certamente que não – ele riu pela observação – mas tenho meditado sobre algumas coisas.
– Que coisas?
– Bem sobre minhas discussões com Baron e sobre o real significado de ser cavaleiro – ele começou, ele parou pela ardência dos curativos, os ferimentos não graves mas incomodavam ainda sim – bem depois de saber sobre a minha história por assim dizer, meditei muito e cheguei a conclusão que não importa a minha rivalidade com Baron, seja ela por qual motivo, nós ainda somos irmãos de guerra, assim como todos os outros cavaleiros, lutamos e protegemos a mesma causa, como você me disse uma vez eu realmente não amo todas as pessoas da face da Terra, porém vale lutar por todas elas, por que todas tem a capacidade de fazer o bem e é por isso que lutamos para que possam escolher que caminho seguir.
Sasha ficou espantada enquanto ouvia o que o rapaz falava, e ficou muitíssima feliz de perceber que Tenma finalmente tinha compreendido o real sentido de ser cavaleiro, e quando ele terminou o relato ela o abraçou com cuidado e o rapaz retribuiu o gesto.
– Fico feliz que finalmente tenha entendido – comentou ainda abraçada.
– Eu ainda não consigo esquecer a morte de meu amigo e do cavaleiro de Ares, e duvido que um dia eu consiga, mas agora depois de refletir muito não penso mais em vingança, e sim em Justiça, meu amigo não ia querer que eu fizesse uma besteira e sei que você também não, então se eu encontrar aquele cavaleiro de novo não vou matá-lo, um chute na bunda dele é muito provável que eu dê, mas acho que a melhor forma de me “vingar” dele por assim dizer é me tornando um cavaleiro melhor – ele falou olhando nos olhos de sua amada.
Sasha ficou admirada em ver o quanto o rapaz tinha amadurecido em pouco tempo, e ficou em ver que pode ajudá-lo. Ficou com ele mais um tempo, até que apareceram alguns cavaleiros e aspirantes para cumprimenta-lo pela luta, e aproveitou para dizer que mais tarde iria vê-lo, pois tinha outros afazeres.
Saiu da enfermaria, e pode ver nos olhares que recebeu e os cochichos, sobre ela e Tenma e as bia que seria o esperado, o rapaz tem feito vários gestos de carinho em público, parecia que ele tinha perdido o medo de demonstrar afeto.
Foi para a sala de Atena, seus pais tinham pedido para que assim que as lutas acabassem, para se dirigir a eles, para dar a opinião sobre como estavam os cavaleiros, quando chegou lá, seus pais e o Mestre Harbinger e Kiki estavam lá conversando sobre o torneio que viria.
– E então filha qual sua opinião sobre os cavaleiros? – perguntou seu pai.
– Bem posso dizer que todos estão bons, alguns ainda precisam melhorar, mas posso dizer que todos tem condições de se tornarem cavaleiros de ouro.
– Isso é muito bom, mas me diga, foi o cosmo de Tenma que senti? – sua mãe quis saber.
– Foi sim, ele estava lutando com Baron de Unicórnio, ele tinha dificuldades em controlar o cosmo e até então não tinha entendido o real significado de ser cavaleiro, mas agora a pouco ele me falou que finalmente entendeu e agora está podendo controlar o cosmo, pode até usar o golpe regente de Pégaso – ela respondeu sorrindo.
– E eu tenho certeza que você o ajudou, não foi filha – Saori falou sorrindo diante da felicidade que emanava de sua filha.
– Bem de certa maneira sim, o ajudei com conselhos, tentando abrir os olhos dele – ela respondeu um pouco corada.
– Fico feliz com isso, daqui eu pude sentir o cosmo dele e não posso negar era o cosmo de Pégaso – Seiya falou sorrindo discretamente – afinal não vou entregar minha única filha para um Pégaso sem asas.
A menina corou com o comentário, mas ficou feliz em ver que seus pais aceitavam seu relacionamento com ele.
– E antes que eu me esqueça – ela começou corada e os quatro se viraram para ela – Tenma me convidou para sair nesse sábado, não é nada demais, só vamos na vila que fica aqui perto, mas eu gostaria de saber se terei alguma coisa importante nesse dia.
Sasha estava muito vermelha, seus pais eram muito protetores, não sabia qual seria a reação deles quando falasse.
– Bem... – começou Saori – não tem nenhuma atividade relevante para você, então pode ir certo Seiya?
– Claro que sim – ele confirmou – mas, quero você aqui antes do sol se por, e se ele se meter a besta com você ele vai sentir os verdadeiros meteoros de Pégaso – terminou sério e com muito ciúmes.
– Ora Seiya não pegue tão pesado com a menina – falou Harbinger rindo do ciúme de seu colega.
– Isso mesmo, ela é jovem e tem que aproveitar quando pode e ela não estará com qualquer um – Kiki falou tentando acalmar os ânimos,
– Tudo bem, já entendi o recado – falou e depois foi em direção da filha colocando as mãos nos braços dela – é só preocupação de pai, que tem uma única filha que esperou muito para tê-la nos braços – finalizou a abraçando e teve o gesto devolvido.
Sasha ficou emocionada, assim como Saori, Kiki e Harbinger sorriram compreensivos, era difícil Seiya ser emotivo, geralmente adotava um ar mais brincalhão e alegre com todos, ele amava demais a filha e todos sabiam disso e sabiam também que para ele, ela seria sua eterna garotinha.
– Não se preocupe Seiya, nossa filha estará em boas mãos e ela sabe se defender – falou Saori se aproximando.
– Eu sei, mas é difícil ver que ela está com tão crescida – ele admitiu.
– É Seiya a partir de agora você tem um genro – falou Harbinger para descontrair o ambiente – e logo, logo terá netinhos correndo por aqui.
Sasha com tal declaração ficou mais vermelha que nunca e com uma gota mental do comentário constrangedor, Seiya e Harbinger começaram a discutir a questão, Saori e Kiki só riram diante da cena, e sua mãe reafirmou que poderia sair, só pediu que tomasse cuidado, e que queria saber tudo do encontro depois, e a menina ainda vermelha assentiu se despediu de seus, do mestre e o cavaleiro, e se dirigiu novamente a Palaestra, ainda tinha algumas coisas a fazer por lá e teria que fazer um relatório detalhado sobre as lutas e ainda teria que passar na enfermaria para ver como estavam Tenma e Baron, e pensou em como as coisas avançaram tão rápido em tão pouco tempo, e foi pensando em como aquela semana seria longa que desceu para a escola.
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