Uma Nova Dimensão

15 Novidades Macabras


Notas iniciais
e mais outro ... ahah

Tinha, obviamente recusado que Ian me ajudasse em Línguas, e Kae já sabia que o ia fazer. Eu e Ian não nos entendíamos, e ponto no assunto.

**

Eram 2h da manhã, e tínhamos sido acordados de urgência e levados para o auditório. Ninguém sabia o que se passava, o que estava a acontecer de tão grave ou urgente que precisasse de ser feito a esta hora. Aliás, algo tão macabro que fizesse soar o alarme de madrugada.

Mary entrou no auditório, e todos fizeram silêncio. Ela subiu ao palco, ainda de pijama como todos nós, e de olhos arregalados e cansados, esclareceu-nos.

– Algo terrível aconteceu, caros alunos. Algo inexplicável para nós, algo que não acontecia já faz alguns anos…- Fez uma pausa e olhou para Elizabeth.- Um dos alunos do 1ºano, Anthony Charlestone foi encontrado morto, já depois da hora do recolher, no meio da floresta.

Os murmúrios começaram. Olhei para Kae de olhos arregalados.

Como?! Eu tinha ouvido bem?!

– Por favor, acalmem-se! Estamos a certificar-nos de que isto não se repete. Resultante deste terrível acontecimento, não haverá aulas, pelo menos nos próximos dois dias. Pedimos a todos, que ordenadamente voltem aos vossos dormitórios. Obrigada.

E dito isto sai do palco, quase a correr. As portas do auditório abrem, e fila a fila vão todos saindo. Assim que nos encontramos todos lá fora, não falamos sobre isto, apenas voltamos aos nossos dormitórios, pois, para além de estarmos a ser vigiados, as paredes têm ouvidos…Estava demasiada gente ali para falarmos do que quer que fosse. Teríamos de aguardar para o dia seguinte.

**

Kae tinha ido tomar o pequeno-almoço mais cedo que eu, ela mal pregara olho a noite todo. Estava assutada, demasiado, mas porque entre nós, era quem mais conhecia o rapaz, o Anthony. Apenas o conhecia de vista, mas aparentemente, Kae conhecia-o melhor que nós, o que a estava a deixar bastante em baixo.

Hoje não havia aulas, por isso vestia-mos roupas do dia-a-dia.

Eleanor:

Quando ia a descer passei pela sala dos professores, onde algo me chamou á atenção, era o professor Aaron e a professora Margaret que se encontravam na sala, e falavam sobre Anthony.

– Não, isso não pode acontecer!- Exclamou Aaron, enervado.

– Sabes tão bem como eu e todos eles que é o melhor a fazer!- Disse Margaret. Eles? Eles quem?

– Não, não é Margaret. A verdade irá ficar somente entre nós.

E antes que fosse descoberta, fugi dali. Entrei no refeitório e olhei logo para Kae e para os outros, mas apenas ela e Kyle perceberam. Fui buscar o comer e sentei-me junto deles. Ninguém se atrevia a falar alto, ou quase a falar, o barulho geral era nulo. Estavam todos muito abalados com a morte de Anthony.

Quando saímos do refeitório fomos ao exterior da escola, onde ninguém nos poderia ouvir.

– Que se passa?- Perguntou Kyle

– Ouvi uma conversa entre o professor Aaron e a professora Margaret. Eles estavam a falar sobre esconder a verdade, sobre a morte do Anthony…

Eles entreolharam-se, de olhos arregalados.

– Bom, se há mais para além do que eles nos querem dizer, a Seita vai querer saber disso.

– Seita? Que Seita?- Perguntei, curiosa.

– Quem manda na Seita é Mia, a namorada do Ian.- Começou Kae.- O Liam faz parte da Seita, podes saber mais com ele.- Assenti.

– Não te preocupes Lela, vamos descobrir o que é.- Disse Kyle abraçando-me. Ele percebeu que acima de tudo, queria saber que verdades escondiam de nós.

Voltamos para a escola, e fui logo falar com Liam.

– Hey, posso falar contigo?- Perguntei.

– Claro, anda!- Disse dando-me a mão e levando-me até ao auditório, vazio.- Que se passa Lela?

– Fala-me sobre a Seita.- Pedi logo. Ele assentiu. Sentámo-nos no palco, á beira.

– É dirigida pela Mia, e é realizada todos os domingos á noite, na cave. Nem a Kae nem a Mary te devem ter levado lá, só é permitido o acesso a quem pertence á Seita.

– Que faze lá?

– Unimo-nos uns aos outros, através do sangue humano.

– Sangue Humano?!- Exclamei, chocada.

– Tem calma, ela pode ser má como as cobras, mas ela não arranja um corpo todos os domingos para dissecarmos!- Disse a rir. Ri com ele.- Todos os domingos, há um copo onde todos damos um golo…Desculpa Lela, mas não posso não posso falar sobre o que se passa lá dentro, o que se passa lá, fica lá.

– Claro, compreendo Liam.- Disse amigavelmente.

Saímos do auditório e fomos ter com os outros á sala de convívio. Nada de mais se passou no resto da manhã, a não os olhares. Quando íamos a passar pelo corredor, Kae, Kyle Liam eu, reparámos na troca de olhares entre Mary e Andrew, mais tarde, junto da receção entre Margaret e Aaron e agora no refeitório, os olhares entre todos eles não passavam despercebidos.

– A verdade vem sempre ao decima.- Sussurrou Kae.

– Que raio será assim tão grave que leve a estes olhares todos, a todos estes segredos?- Perguntei.

– A Seita não sabe de nada, já falei com alguns, próximos da Mia. Temos de ser nós a descobrir.

– Vou tentar saber algo entre os jornalistas da escola, eles costumam saber tudo.

– Eu passo pela biblioteca.- Todos assentimos.

Depois do almoço, Liam voltou a meter-se na Seita, á procura de algo mais. Kae ficou entre os jornalistas e eu fui para a biblioteca. Adorava estar aqui, rodeada de história, até do cheiro eu gostava. Mas não sabia por onde começar. Olhei em volta, a biblioteca era enorme, por isso vi-me perdida para encontrar algo sobre o que precisava.

Onde poderiam estar escondidos os segredos da escola?

– A menina precisa de ajuda?- Perguntou alguém atrás de mim.

– Por acaso, preciso…-Quando me virei era Ian que lá estava.- Ian…-Suspirei.

– Hey, tem calma!- Disse logo.- Precisas de ajuda ou não?

– Sim, preciso, de alguém que perceba disto.

– Eu percebo Eleanor, deixa-me ajudar-te.- Disse pondo a mão no meu ombro.

– Então, sendo assim…-Disse tirando a mão dele do meu ombro. Ele sorriu.- Preciso de um livro sobre o antepassado desta escola, seja o que for com isso.

– Anda.- Disse pedindo-me para segui-lo. Fui atrás dele.

Chegámos a uma secção, ele esticou-se um pouco e tirou um livro que pousou em cima da mesa, voltou lá mais 3 vezes, tirando outros três. Olhei para ele de olhos arregalados, nunca mais ia sair daqui! Ele percebeu o meu estado de pânico e riu.

– Eu ajudo.- Disse sentando-se.

– Obrigada, trato disto sozinha.- Disse atando o cabelo.

– Eleanor, eu posso…

– Ian, já disse que conseguia!- Disse olhando-o nos olhos. Assim que o fiz tive logo um arrepio. Ambos desviamos o olhar. O clima estava demasiado mau para trocas de olhares tão profundas como as nossas. Ele assentiu, acho que desiludido… Olhei para a pilha de livros em cima da mesa, era de mais para mim!

Fechei os olhos com força e fi-lo.

– Ian- disse virando-me para ele.- Talvez possa precisar de ajuda…

Os olhos dele arregalaram-se e olharam para mim, quase a sorrir. Sentámo-nos nas cadeiras e expliquei-lhe do que andava á procura. Começamos a ler a procurar.

– Para que é que precisas disto?- Perguntou sem tirar os olhos do livro.

– Para ajudar... Um amigo.- Bom, Anthony não era bem meu amigo, mas… Tinha de lhe dar uma desculpa qualquer. Era isso ou a verdade, o que seria demasiado arriscado, visto que ele namorava com Mia, que dirigia a Seita, que trocava informações com os professores.

Estivemos 3horas na biblioteca, mas acho que estivemos mais de metade do tempo, entretidos um com o outro do que a procurar o que devíamos. Fiquei a conhecê-lo muito melhor, ele não era o engatatão que eu pensava que era, ou então fazia tudo parte do seu jogo… Não, no fundo não acreditava nisso. Ele era como…Mike. Tinha ar de engatatão, mas no fundo não era nada disso, e quando gostava de alguém, gostava a sério.

Senti um papel a atingir-me a bochecha e ri. Levantei os olhos e quando os nossos olhos se cruzaram todo o meu corpo de arrepiou e deixei de sorrir de tão absurda que estava, presa naqueles olhos que me liam.

Que raio se passava aqui entre nós?!

– Também sentes?- Perguntou a medo. Arregalei os olhos. Ele também sentia!

– Sim.- Disse num sussurro.

– De todas as vezes?- Perguntou mais aliviado.

– Todas, Ian. O que é isto?- Perguntei, num grande suspiro.

– Não sei, mas seja o que for, não quero que pare.- Confessou. Fiquei de olhos arregalados a olhar para ele. O QUÊ ?!

– Deixa fluir então…- Disse levantando-me e pegando nos livros, quando ia a sair, olhei para trás. Pisquei-lhe o olho e com um sorriso, deixei a biblioteca.

Meu Deus!

Porque é que ele não podia ser sempre assim?

Talvez a nossa troca de olhares fosse tão intensa devido ao facto de ele ser parecido com Mike. Talvez eu o visse em Ian, e isso assustava-me. Eu tinha de esquecer, tinha de seguir em frente e deixar o passado para trás, tinha de deixá-lo ir, de tirá-lo de mim.

Os momentos com Ian, bons ou maus, tinham se ser com ele, não com Mike.

Mas continuava sem explicar o facto de ele conseguir fazer o mesmo…Será que ele via alguém em mim … Ou via-me a mim, como algo mais?

Notas finais
j.f.