Uma Nova Amizade

21 Um Porquinho Malabarista


Notas iniciais
Tem alguém se apaixonando? Parece que sim. Será que é tão simples assim viver sem homens? Parece que não. Uma semideusa perdida e muitas revelações em plena missão de resgate... Peço desculpas pelo atraso, pra variar. Mas pra compensar a demora, aqui está um capitulo que normalmente eu dividiria em 2. Boa leitura *3*

LEO

O plano estava indo bem. Leo acabara de transferir o relatório para o navio, informando Percy e Annabeth sobre a hora da fuga e o que eles deveriam fazer. Bem, Percy precisaria se virar com o navio, mas Leo sabia que ele era capaz de abaixá-lo sem bater na montanha nem nada parecido, não é? Pra um cara que pode controlar o mar, controlar um navio parece ser uma coisa bem simples.

Tá tudo de boa. Leo disse para si mesmo, a fim de espantar esse mau pressentimento que caminhava atrás dele dizendo “tem algo errado”.

Agora a função de Leo era simples: Espreitar o spa, de olho em cada detalhe e esperar pelos outros. Ele se abaixou atrás de uma rocha próxima ao jardim de flores brilhantes feito por Emily. Agora pôde prestar mais atenção nelas e notou que a flor em destaque entre as outras era da espécie Gerânio. Leo não era especialista em botânica, mas entendia um pouco de mensagem passada pelas flores. Gerânios representam tristeza. Ali, no escuro da noite, o brilho do jardim ficava ainda mais nítido e nostálgico, mas dos Gerânios, Leo observou que escorria algumas gotas de água vindas do centro da flor, como se ela estivesse chorando.

Seria possível as emoções de Emily se manifestarem nas flores? Ou ela mesma desejou que fosse assim? Leo não sabia, mas agora que teve tempo para pensar, ele analisou a situação de como deve ser torturante a vida de Emily. Basicamente uma escrava nessa ilha, ela tinha que fazer tudo o que Circe ordenava. Nesse momento, tudo o que ele queria era poder ajuda-la de alguma maneira. Ocorreu-lhe de repente que talvez ele pudesse...

– Não, Leo Valdez – Ele disse em voz alta e deu tapinha de leve no rosto – Você está pirando de vez. Ninguém concordaria com isso.

– Concordaria com o que?

Leo deu um pulo do chão e segurou a respiração para conter um grito.

– O que?! Você também tem o poder de brotar da terra? – Leo repreendeu Emily pelo susto e ela sorriu.

– Desculpe. Achei que você estaria na espreita, mas pelo visto, nem nesse planeta você está.

– Eu me distraí por apenas um segundo, ok?

– Sei. Mas, não concordariam com o que?

– É, bem... – Leo gaguejou – Hã... Sabe... Com a ideia de eu roubar alguma poção de Circe antes de irmos. Algo como “Fique Bonitão Sem Precisar Nascer de Novo” ou “Corpo Malhado Sem Academia”, ou talvez até “Perfume Pra Atrair Garotas”.

Emily gargalhou.

– Mesmo que isso fosse possível, Circe não tem nenhuma poção assim. Ela odeia homens, lembra?

– É verdade – Leo falou cabisbaixo.

– Mas você não precisa de nada disso. Apenas seja quem você é.

Leo pensou por um instante se ouvira direito. Estava ele tendo alucinações ou ouvindo vozes do além?

– O que disse? – Ele franziu o cenho.

O sorriso de Emily se apagou de seu rosto e ela abaixou a cabeça.

– Desculpe, eu não quis dizer nada com isso.

–Não, não se desculpe. Eu quis dizer que... Eu nunca ouvi essa frase antes.

Mas o rosto de Emily permaneceu baixo.

– O que tem de errado? – Leo perguntou.

Emily soltou um profundo suspiro antes de falar:

– Está tudo errado. Esse aqui não é meu lugar, nunca foi e nunca será. Eu fui condenada a vir pra cá e ficar aqui para o resto da vida. – Ela levou as duas mãos ao rosto e terminou de falar em palavras abafadas.

– Como você veio parar aqui? – Leo se aproximou mais dela.

– Eu não sei. Pelo que Circe me conta ela salvou minha vida. Alguém me largou numa jangada, no meio do mar e eu fui trazida pra cá pelos deuses, é o que ela diz.

– Algum deus em especial?

– Demeter. Minha mãe.

– Mas... O que? – Leo arregalou os olhos, incrédulo.

– Sim. Eu sou uma semideusa.

– Como isso foi acontecer! – Leo levou as mãos à cabeça – Algum sátiro já esteve aqui?

– Se esteve, agora ele é um porquinho-da-índia. Você não entende? Ela não deixa nenhum indivíduo “macho” sair dessa ilha.

– Não está certo, Emily. Você não pode ficar mais aqui, é perigoso para semideuses.

– E o que você quer que eu faça? Me jogue no mar?

– Você tem que ir embora conosco.

Leo queria evitar essa ideia desde quando ela surgiu, antes da aparição repentina de Emily. Mas o fato de ela ser semideusa muda tudo. Ela tinha que ir para o acampamento com eles, independente da situação.

Uma esperança brilhou nos olhos de Emily por um instante, mas logo se apagou e ela respondeu:

– Eu não posso. Sou a única chance de vocês fugirem daqui.

– Você não precisa se sacrificar, Emily. Daremos um jeito. Eu prometo.

Leo quis ficar de boca calada e não ter dito essas duas ultimas palavras. Da ultima vez que o fizera, já não tinha mais certeza se conseguiria cumprir.

Antes de terminar o pensamento, Leo foi surpreendido por Emily. Quando percebeu, seu rosto estava muito próximo do dela. Então ela o beijou.

Foi uma sensação doce e macia. A boca de Emily tinha gosto de cereja. Será que todos os filhos de Demeter tem gosto de fruta na boca?

Mas subitamente Emily se afastou. Colocou os cabelos para trás das orelhas e depois de um momento falou:

– Me desculpe. Eu tenho que ir, vocês dependem de mim para fugirem.

Ela levantou-se.

– Espera! Emily – Leo segurou o braço dela, mas Emily limitou-se a dizer:

– Desculpe, Leo. Não quero ser um fardo. Obrigada pela intenção.

Leo ficou paralisado por alguns minutos depois que Emily correu para o spa. O que foi aquilo? Ela o beijou, sem mais nem menos? Leo estava confuso e agora era difícil para ele se concentrar na missão, mas agora, isso era tudo o que ele podia fazer.

...

Emily caminhou a passos largos para o spa. O vento soprava forte vindo com um cheiro salgado do mar, fazendo seus cabelos balançarem e levantando a areia da praia a seu redor.

Sou uma idiota. Por que fiz isso? Emily pensava frustrada com si mesma.

A missão começaria agora e ela não fazia ideia se teria outra chance de conversar com Leo. Queria ter dito que aceitava ir embora dali, aceitava ficar com ele. Ficar com ele? Que ideia é essa, Emily? Você ao menos sabe se ele tem namorada.

A essa altura Emily já havia caminhado até a faixada do prédio e subia as escadas até a varanda. Adentrou o hall vazio, ajeitou a saia e abriu a grande porta de madeira que dava no spa em movimento. A todo canto havia pessoas e animais andando livremente pelo pátio e Emily conseguiu avistar Piper e Hazel ao longe, sendo tratadas por algumas funcionarias de Circe. Pareciam tão felizes quanto ela era vivendo naquela ilha.

Emily caminhou o mais discretamente possível em direção à escada que levava até o ateliê de Circe, onde ela também guardava algumas poções prontas. Esse plano só havia uma simples falha que Emily não havia pensado antes. Subindo as escadas ela lembrou-se que essa sala ficava ao lado do quarto da feiticeira.

Tudo bem, Emily. Vai ser simples e rápido... Ela respirou fundo e continuou caminhando no escuro, escutando seus passos ecoarem pelas paredes. Quanto mais perto ela chegava ao fim daquele corredor interminável, o nervosismo fazia seu coração bater cada vez mais rápido. O destino daqueles semideuses que ela acabara de conhecer estava em suas mãos agora. Tudo o que ela tinha que fazer era roubar uma simples poção reversiva para trazer Jason de volta. Então eles partiriam e ela ficaria sozinha outra vez.

Os pensamentos de Emily foram interrompidos quando ela ouviu uma conversação vinda mais a frente e um pequeno feixe de uma luz pálida amarelada escapando por baixo de uma das portas. Mais precisamente, a porta do quarto de Circe.

O que ela estava fazendo acordada? E com quem estava conversando? A curiosidade fez Emily se distrair do verdadeiro objetivo pelo qual ela estava se arriscando tanto estando ali a essa hora da noite. Então ela aproximou o rosto da porta para escutar a conversa em sussurros.

–... Por incrível que pareça a sua namoradinha não esteve aqui essa semana – Circe contou e Emily notou o tom sarcástico em sua voz.

Uma gargalhada se fez ouvir. Não a de Circe e sim uma masculina.

– Com certeza o maridinho dela a proibiu. Deve estar tramando alguma engenhoca pra nos flagrar juntos, já que é só isso que ele sabe fazer.

– Ela ficaria muito furiosa se te visse aqui comigo, não é?

– Claro que não. Afrodite sabe muito bem que não sou homem que se deve deixar esperando.

– Mas eu te deixei esperando por muito tempo, queridinho. Ou já se esqueceu de como você implorava para me ter?

Outra gargalhada.

– Acha mesmo que foi por você? Eu posso ter quem eu quiser, Circe. Você foi um desafio. Eu tinha certeza que era mentira o fato de você odiar homens.

– O que eu digo é verdade. Não suporto conviver com essa espécie inferior e não sou obrigada a isso. Mas toda mulher merece se divertir, não é mesmo, Ares querido?

Ares? Emily assustou-se ao ouvir o nome e tapou a boca com as mãos. Afastou-se da porta lentamente, até a parede oposta e entrou na sala que devia ter entrado antes de ouvir a conversa alheia. Fechou a porta atrás de si e soltou o ar.

Emily nunca havia estado nessa sala antes. Circe passava aqui a maior parte do tempo livre tecendo ou formulando novas poções e pensando em animais interessantes e fofinhos para transformar todo e qualquer homem que se atreva a colocar os pés nessa ilha, esse tipo de coisa. A primeira coisa que chamou a atenção dela foi a quantidade incontável de livros e poções nas diversas prateleiras distribuídas pela sala. Uma mesa de escritório feita de mogno fazia conjunto com uma poltrona giratória confortável de assento vermelho estofado. No chão um tapete persa azul concluía a perfeita decoração do lugar, tornando-o aconchegante e casual.

Emily olhou ao redor, sem saber por onde começar a procurar pela poção, quando notou um notebook dourado em cima da mesa.

– Nunca vou conhecer alguém que goste mais de dourado – Emily revirou os olhos e sentou-se na poltrona confortável para examinar o aparelho.

Por incrível que pareça, Circe é tão segura de si que ao menos se deu o trabalho de colocar uma senha no computador pessoal. Emily podia ter feito um estrago e tanto se quisesse, mas seu único objetivo ali era ajudar os amigos e nada mais. Depois de procurar por alguma coisa útil, a garota encontrou um catalogo completo de todas as poções e sua localização nas estantes.

– Obrigada pela ajudinha, Circe – Emily sorriu.

Ela levantou-se e seguiu as instruções do programa. A poção que ela procurava ficava na ultima prateleira, muito alto para alcançar e que estava protegida por uma vitrine de vidro trancada. Isso seria mais difícil do que ela imaginou.

Emily arrastou a escada embutida, com todo cuidado para não emitir ruídos e subiu até o ultimo degrau. Avaliou a tranca e, por sorte, era bem simples, nada de senhas ou feitiços. Só precisava da chave, mas Emily não tinha tempo de procura-la e mesmo se tivesse, era certo que Circe não a deixaria ali naquela sala. Ela pensou por um instante e decidiu usar seus talentos para resolver o problema. Esticou a palma da mão direita para cima, em direção a uma janela próxima entreaberta, movimentando os dedos com delicadeza, até que uma raiz tão fina quanto um palito de dentes rastejou-se da janela para o chão do cômodo, passando pelo tapete persa e chegando até a mão de Emily. A raiz oscilava graciosamente entre seus dedos e com um comando do dedo indicador, esticou-se até a fechadura e adentrou a cavidade da chave. Emily se concentrou ao máximo, apagando todos os sons a seu redor. Sentia o mecanismo da fechadura através da raiz, tentando encontrar a trava correta que abria a tranca.

Click.

Ela ouviu em meio ao silêncio e sorriu, satisfeita. A pequena raiz deslizou novamente pela sua mão e retornou arrastando-se, como uma cobra se locomovendo com lentidão.

Com a poção em mãos, um pequeno frasco redondo com um liquido azul neon, Emily estava pronta para descer a escada e do mesmo modo silencioso que entrou naquele escritório ela saiu dele. No corredor ecoava grunhidos vindos do quarto de Circe. Ela e Ares não estavam mais conversando e sim transando. Emily ainda demoraria pra se acostumar com a ideia de que Circe mantinha relações sexuais escondidas, apesar de seu ódio mortal por homens. Vai entender. Não seria muito mais simples comprar um daqueles vibradores? Aguentar a presença de um homem, para Circe era inconcebível. Talvez estivesse mesmo necessitada para tal.

Emily tentaria não pensar mais nisso depois dessa missão. Agora ela queria aproveitar essa aventura, já que nada de emocionante acontece naquela ilha com muita frequência. A ultima já fazia muitos anos, quando um garoto chamado Percy Jackson, filho de Poseidon, explodiu a ilha e fugiu. Ele foi o primeiro a conseguir fugir daquele lugar e Emily pensava que ele seria o ultimo, até conhecer esses semideuses dispostos a arriscar tudo pelos amigos. Eram tão corajosos quanto Percy, e ela desejou que eles se encontrassem algum dia. Talvez até pudessem ser amigos.

Era em tudo isso que ela pensava descendo aquelas escadas no fundo do corredor até o porão onde ficam os porquinhos-da-índia condenados por toda a vida. Exceto um deles, que estava prestes a se salvar esta noite.

...

FRANK

Esses bichos fedem. Era só isso que Frank pensava quando entrava naquele porão imundo com centenas de porquinhos-da-índia. Jason precisaria ficar de molho quando eles voltassem para o navio.

Frank ficou algum momento na janela observando o quão selvagem aqueles roedores agiam, e pensar que um dia eles foram humanos. Talvez eles nem lembrem mais disso, de tanto tempo que estavam presos ali. Será que Jason ainda tinha consciência de quem ele era? Frank esperava que sim.

Ele voltou á sua forma humana e se colocou de frente á grande gaiola. Precisava de algo para identificar qual deles era Jason.

– Jason? – Ele começou – Ei cara, sou eu, o Frank. Lembra de mim?

Ele esperou. Nenhuma resposta. Alguns porquinhos olhavam para ele, farejando com o pequeno focinho.

– Tudo bem. Eu preciso que você me ajude, Jason.

Nenhum porquinho se manifestou.

– Eu não faço a mínima ideia de qual desses seja você – Frank levou as mãos à cabeça, começando a perder a paciência.

– Tá bom, cara. Olhe, não temos muito tempo. Faça alguma coisa que nenhum outro porquinho-da-índia faria. Qualquer coisa, Jason. Eu sei que está me ouvindo.

Frank abaixou-se e observou atentamente a reação dos porquinhos, mas nenhum deles parecia muito diferente do normal. Alguns se coçavam, outros se lambiam, uns estavam até dormindo. Foi aí que Frank notou um movimento diferente no fundo da gaiola. Abaixou a cabeça para enxergar melhor e viu uma das coisas mais esquisitas possíveis. Havia um porquinho, de pelagem dourada, fazendo o que parecia malabarismo de porquinho com pedaços de fezes. As mãozinhas desajeitadas e pequeninas demais deixavam cair as bolinhas improvisadas, mas então o porquinho se abaixava e pegava outras.

– É. Acho que nenhum outro porquinho-da-índia faria malabarismo com cocô por diversão.

Aquele porquinho deu um salto ao perceber que Frank olhava para ele e correu para a grade da gaiola, atropelando os outros porquinhos que resmungavam com o tal porquinho mal educado.

– E aí cara? – Frank se alegrou ao ver o amigo – Temos que tirar você daí e rápido.

O que Frank podia usar agora para abrir a gaiola? Consigo ele tinha 1- arco e flecha 2- o poder da família Zhang e 3- a vantagem de ser filho de Ares. O arco e flecha não serviriam pra nada. Seu poder de transformação possibilitaria a Frank entrar na gaiola, mas ainda assim não tinha como abri-la por dentro. Restou a ferramenta que Frank menos gostava de usar: a força. Simplesmente não combina com ele, afinal, o tempo todo no acampamento Júpiter, Frank achou que era filho de Apolo, não de Ares. Mas agora era o momento de usar aquilo que herdou de seu pai.

– Já sei o que fazer Jason. Não se mova.

Frank respirou fundo e estralou os dedos, meio nervoso e com medo de não ter tanta força quanto os outros filhos de Marte. Na parte de cima da grade, onde os porquinhos não alcançavam, Frank segurou firme em duas das grossas barras de ferro e puxou-as com o máximo de força possível, até suas bochechas ficarem vermelhas. Mas a barra só se moveu alguns centímetros. Já era algum progresso. Ele se concentrou ainda mais e continuou afastando as barras com as mãos. As pálpebras apertadas, a boca contraída e o máximo de força possível ele investia na grade, como se liberasse toda sua raiva nelas. Até que sentiu suas mãos muito quentes e latejantes e abriu os olhos, ficando alguns segundos paralisado ao ver o estrago que tinha feito nas barras. Estavam um pouco derretidas e retorcidas, uma para cada lado do grande buraco formado entre elas.

–Consegui? – Frank olha para as próprias mãos, perplexo – Consegui!

O mais difícil Frank já havia feito: encontrar Jason entre centenas de porquinhos e abrir a jaula. Agora Frank só tinha que entrar lá para resgatar o amigo. Pra isso ele se transformou num corvo, o único pássaro que conseguiu lembrar e que teria o tamanho certo para entrar pelo buraco e levantar um porquinho-da-índia gordo e desajeitado. Mas Frank acabou por descobrir um fato da pior maneira possível: porquinhos-da-índia tem pavor de corvos que brotam voando dentro de suas gaiolas tranquilas. Frank causou um caos tremendo dentro da jaula. Os porquinhos começaram a grunhir todos de uma vez e correram para longe da ave, atropelando e pisoteando seus colegas porquinhos. Apenas um deles permaneceu imóvel e com as patinhas dianteiras levantadas para cima, como um bebe pedindo o colo da mãe. Se Frank não soubesse que aquele era Jason, certamente ele gostaria de acariciar a barriga daquele porquinho, de tão meigo ele parecia. Frank o agarrou com o maior cuidado possível, preocupado em machucar o animalzinho com as garras de ave. Levantou Jason com muita facilidade e o tirou da jaula ao mesmo tempo em que uma porta se abria no fundo do porão. Caso fosse Circe, Frank não pensaria duas vezes e sairia voando pela janela com Jason pendurado entre as garras. Mas por sorte era Emily. E ela não estava feliz.

– Você é louco?! – Ela gritou rouca e fechou a porta atrás de si – Dá pra ouvir esse barulho todo do pé da escada. O que você fez?

Frank voltava á sua forma humana, com o Jason-porquinho no colo, enquanto Emily pegava em um armário velho e jogava o que parecia ração dentro da gaiola para os roedores desesperados, os quais se acalmaram na mesma hora.

– Esses sim são comprados por comida – Frank comentou e não percebeu que acariciava o bichinho em suas mãos, até levar uma mordida – Ai! Desculpe cara.

– Vamos logo com isso – Emily bateu as mãos, limpando o restante de ração que ficara nelas – Tem certeza que esse é o certo?

– Tenho sim. Ou esse é um porquinho muito inteligente.

– Temos só uma única chance. Se esse animal beber a poção e se transformar em um pirata bêbado, você vai leva-lo mesmo assim, entendeu?

– Sim senhora – Frank engoliu em seco.

Emily apanhou o vidrinho de dentro do bolso, destampou e disse:

– Se não quer que Jason se transforme no seu colo, melhor coloca-lo no chão.

Frank obedeceu e Emily estendeu o frasco para Jason, que bebericou o liquido azul sujando os bigodes com ele. Aos poucos, o que era um pequenino roedor foi se transformando em um grande Jason.

– Bota grande nisso... – Emily deixou escapar num suspiro.

– Como? – Frank indagou.

– N-nada – Ela gaguejou – Pensei alto demais.

Jason estava sentado no chão, totalmente nu e confuso. A posição que estava fazia as dobras do abdômen ficarem ainda mais marcadas e seu corpo estava suado. Demorou um pouco pra ele reagir e perceber Frank e Emily ao seu lado.

– O que houve? – Ele esfregou a cabeça.

– É normal o efeito colateral da poção. Ele vai ficar bom logo.

– Assim espero.

Frank aguardou o amigo retomar os sentidos, arranjou um saco de pano para ele cobrir a nudez e eles se prepararam para a fuga.

– Já sabe o que fazer né? – Emily dirigiu-se a Frank, porque Jason mantinha uma aparência de confusão mental.

– Tirar Jason daqui, encontrar Leo e as meninas e fugir – Frank balançava a cabeça a cada etapa do plano que dizia como se contasse para garantir que tinha falado de todas elas.

– Isso mesmo. Tenha cuidado e boa sorte – Ela sorriu.

– Pra você também. E obrigado.

– Não há de que.

Emily respondeu e saiu pela mesma porta no fundo do porão.

Notas finais
e então queridos leitores?? o que acharam disso?? Será que Leo vai conseguir manter a promessa? Será que Circe vai estar "ocupada" demais que nem vai notar a fuga dos prisioneiros? Fica a duvida... Vou tentar mandar o proximo capitulo logo, ok? Bem, se gostaram ou não, comentem. Quero saber o que vcs estão achando, isso é importante pra mim. Se gostou muito favorite e se gostou muito muito recomende. Alguns leitores estão sentindo falta das pepecagens HUEHUEHUEHUE Mas sinto dizer que vai demorar um pouquinho mais ainda. Mas se tudo der certo, vai ter muita putaria ainda ;) Obrigada por ler e Beijinhos *3* Continue acompanhando ;)