Uma Nova Amizade

22 Sem Cueca, Sem Resgate


Notas iniciais
Nem vou encher vocês com as minhas desculpas pela demora, então espero que gostem desse capítulo ;/

HAZEL

Impassível. Era essa a expressão de Hazel enquanto controlava a névoa ao redor do prédio e recebia uma massagem nos pés. Vestia um roupão branco felpudo e o óleo corporal fazia sua pele brilhar. Piper, á sua esquerda, era vítima de uma massagem nas panturrilhas, enquanto algumas pedras quentes repousavam ao longo de sua coluna, da nuca ao cóccix. Hazel não pôde deixar de notar sua beleza. A curva lombar perfeita, a pele lisa e macia, os cabelos castanhos jogados ao lado do corpo. Parecia até que ela estava gostando de tanto luxo. Ou era uma incrível atriz, ou estava realmente aproveitando a massagem. Mas Hazel não podia culpa-la, a massagem nos pés não estava nada mal e seria uma boa ideia pedir isso a Frank algumas vezes. O pensamento a fez sorrir, mas logo desapareceu quando a massagista pigarreou. Hazel não tinha reparado nela antes e assustou-se ao olhar em seus olhos, que eram muito grandes e arregalados e o sorriso tão largo quanto o do Gato da Alice.

– Agora, vamos arrumar o seu cabelo?

O que diabos as pessoas têm contra o meu cabelo? Hazel pensou, furiosa, mas apertou os lábios e assentiu, levantando-se da cadeira e seguindo a mulher.

Em algum momento entre a sala de massagem e a de “arrumar o cabelo”, seja lá o que isso significasse, Hazel sentiu-se incrivelmente estranha. Estavam todos numa missão para fugir da ilha e ela tinha que se manter indiferente e agir como uma patricinha mimada no salão de beleza.

A mulher conduziu Hazel até uma cadeira de couro branco, de frente para um grande espelho com acabamentos geométricos em prata.

– Sente-se – ela diz e Hazel obedece, receosa.

A moça começou a tagarelar sobre como Hazel ficaria radiante, enquanto passava os dedos entre os cachos armados do cabelo castanho, mas Hazel não ouvia uma única palavra do que ela dizia. Estava concentrada demais e preocupada demais pra isso. Sentia falta de Frank e queria reencontrá-lo logo. Ela relaxou os ombros e se concentrou na Névoa. Tinha que deixa-la o mais densa possível, quase formando uma completa ilusão para aqueles que viam de fora. Encarou o reflexo das janelas ás suas costas no espelho, esperando ver o efeito da magia que estava liberando silenciosamente. Ignorou o reflexo da mulher falante e o seu próprio, quando viu um vulto passar do lado de fora do vidro. Semicerrou os olhos para enxergar melhor e conseguiu distinguir a imagem de Leo. Ele balançou a cabeça e fez um sinal positivo com o dedão.

Estava na hora da fuga.

...

– Você sabe mesmo para onde estamos indo? – Jason perguntou após alguns minutos de caminhada.

A noite estava morna, mas o vento permanecia gelado. Jason tremia e sua pele estava arrepiada. A mão segurando o pedaço de pano na cintura.

– É claro – Frank respondeu, confiante.

A noite alcançara seu pico de escuridão, já não se via nada além de um metro de distância. A floresta estava silenciosa, fazendo os ruídos de grilos e pássaros parecerem estridentes.

– Falta pouco.

Frank nunca pensou que sentiria pena de Jason, um cara forte, filho de Júpiter, inabalável. Mas vê-lo desse jeito é meio desconcertante: descalço, tremendo, segurando um pano velho envolta do corpo e com um cheiro terrível de roedor.

– Hm, Frank? Você acha que a Piper vai ficar feliz em me ver?

– Como assim, cara? – Frank franziu o cenho ao olhar para ele.

– Quer dizer, a culpa disso tudo é minha, afinal.

– Pode ser. Mas Piper está bem agora. Poderia ter sido muito pior.

– E se nós... Não pudermos ter filhos no futuro? Ela nunca me perdoaria.

Frank parou de andar. Permaneceu imóvel por um momento antes de se virar para Jason. Imaginou-se em seu lugar. Imaginou Frank e Hazel no lugar de Jason e Piper. O que Hazel pensaria caso eles não pudessem ter filhos? Encontrou a resposta e a contou a Jason:

– Entre ter salvado Piper e o bebê, quem você salvaria?

– Piper, é claro.

Frank sorriu, arcando as sobrancelhas e Jason entendeu o significado daquilo e sorriu também.

– Certo.

Nos minutos seguintes, alcançaram a clareira de entrada para a floresta e seguiram para o lugar combinado para encontrar Leo. Este estava observando o spa com um binóculos quando viu Frank e Jason aproximarem-se.

– Até que em fim. Pensei que estivessem perdidos por... – Parou de falar ao ver o estado de Jason e gargalhou – O que houve com as suas roupas, Jason?

– Não importa – ele riu também – vamos embora daqui.

...

PIPER

Percy e Annabeth estavam conversando e rindo no convés do navio, de costas para a ilha. No céu as nuvens formaram a palavra “resgate”, mas eles nem se quer notaram e continuaram conversando de costas. Piper tentou gritar para avisá-los, mas as palavras travaram em sua garganta. Tentou caminhar até eles, mas não tinha corpo pra isso, estava flutuando. Um forte vento bateu e ela foi arrastada para longe, ainda tentando gritar. “Percy! Annabeth! Abaixem o navio, rápido!” Mas as palavras só se faziam ouvir no seu pensamento e ela foi levada pelo vento.

– Não! – Piper despertou com um salto, fazendo as pedras em suas costas caírem no chão.

Ela tentou manter-se acordada o máximo possível, mas a massagem a relaxou tanto e estava tão exausta que não resistiu a um cochilo. Agora Piper estava sentada na cama de massagem, o corpo nu coberto de óleo e ainda sentindo as formas circulares das pedras de terapia ao longo das costas, tentando entender o sonho que acabara de ter.

– Moça, você está bem? – A massagista perguntou encolhida.

– Sim? – Piper respondeu atordoada, olhando em volta á procura de Hazel, mas ela não estava ali – Sim, claro. Estou ótima. Só preciso ir até o corredor beber um pouco d’água, se me permite.

– Não é necessário, senhora. Eu trago em um segundo.

– É completamente necessário – Piper investiu Charme na voz – Com licença, volto em um minuto.

A mulher ficou paralisada enquanto Piper vestia um roupão e saía da sala, mas por algum motivo que ela não entendia, não tentou impedi-la.

Hazel, onde você está?

Piper andou pelo corredor comprido procurando pela amiga, tentando parecer o mais natural possível e sorrindo para todos que passavam por ela. Até que ao longe avistou uma garota de costas, morena de roupão, cabelos castanhos com cachos volumosos caindo sobre o ombro, parada no meio do corredor.

– Hazel!

Piper sussurrou e correu até ela, tocando-lhe o ombro, mas sua mão afundou e o corpo estremeceu ao toque. Aquilo não era Hazel. Era Névoa.

– Piper.

Uma voz sussurrou seu nome e ecoou pelo corredor. Ela olhou em volta, estava vazio e quieto. Apenas a conversação vinda das salas do spa eram audíveis.

– Aqui embaixo.

Piper olhou para o chão e a única coisa que havia nele era um enorme vaso de barro polido e esculpido artesanalmente que aconchegava uma planta de folhas compridas. De alguma maneira, Piper passara por ele e não o tinha notado, mas agora que olhou diretamente para o vaso, viu Hazel agachada atrás dele. Ela olhou para os lados, certificando-se que o corredor estava vazio e fez um sinal para Piper se aproximar. Colocou o dedo indicador nos lábios, fazendo um “shiu” mudo e puxou Piper para uma porta lateral que levava à uma sala oval. As duas estavam no hall de entrada.

– O que foi aquilo?! – Piper perguntou perplexa – Era você. Não, não era você. Como...

Elas ouviram passos no corredor e se abaixaram atrás de um divan do salão.

– Aquilo era uma ilusão para distrair a lunática que queria cortar o meu cabelo. Escute Piper, tudo vai parecer muito real agora. Tome cuidado, se concentre e não saia de perto e mim.

– Hazel, Percy e Annabeth não sabem do plano.

– O que? Como você sabe?

– Simplesmente sei. Eles não viram o sinal do Leo. Estamos sozinhos nessa.

Hazel parou por um segundo. Seu olhar revelou um pouco de medo quando a palavra “sozinhos” ecoou nos seus ouvidos, mas retomou a compostura rapidamente. Quando se é semideus, essa é umas das lições que os professores não ensinam no acampamento, você deve aprender sozinho. Toda situação deve ter um plano B e não se pode confiar em nenhum recurso. Objetos se perdem, pessoas te traem.

– Tudo bem. Vamos, não temos muito tempo.

Emily deixara a porta da frente destrancada para a fuga, bastava abri-la com cuidado e discrição, o que é um pouco difícil para uma porta dupla de madeira de três metros de altura. Piper arrastou a porta com cuidado enquanto Hazel vigiava o salão, quando ouviu uma voz ao longe, provavelmente no corredor das salas do spa. Era a Massagista-Cabelereira-Tagarela-Maníaca.

– Ah, querida, você está aí.

Merda. Hazel pensou, lembrando-se da Hazel de Névoa que deixara no corredor e olhou para Piper:

– Corre.

Piper saiu na frente e Hazel atrás dela, batendo a porta com cuidado. Tinham questão de segundos antes que o spa todo soubesse da fuga das prisioneiras de Circe.

A varanda estava clara com as luminárias de jardim por toda parte. Esconder-se nas sombras não era uma opção. Então elas correram para a praia, em direção ao lugar onde Leo estaria vigiando.

...

FRANK

– Tem certeza que ela viu você? – Frank perguntou à Leo, que observava o spa pelo binóculos.

– Absoluta – ele respondeu – Ela arregalou os olhos, disse alguma coisa pra mulher esquisita e saiu pelo corredor.

– Tem certeza que não viu a Piper? – Jason repetiu a pergunta que havia feito aproximadamente umas vinte vezes nesses vinte minutos de espera.

– Eu posso ser idiota, mas não sou retardado – Leo respondeu impaciente – Eu já disse que não a vi... Espere, versão atualizada: eu vi a Piper e ela está correndo pra cá com a Hazel.

– Onde? – Frank e Jason perguntaram juntos, tentando arrancar os binóculos das mãos de Leo.

– Calma aí pessoal, estou tentando enxergar o que está acontecendo.

Leo aumentou o zoom dos binóculos e viu a cara de espanto das garotas se aproximando.

– É, acho que elas estão com problemas.

– Temos que sair daqui e rápido. – Jason falou. É difícil levar a sério alguém que está pelado, mas Leo esforçou-se para não rir – Frank, pegue as meninas e nos encontre abaixo do navio. Leo, você voa comigo.

– Tá de brincadeira? Você acha mesmo que eu vou voar com o seu colega roçando nas minhas costas?

– Então você pode ir nas minhas costas.

Leo fez uma cara de desgosto.

– Tenho uma ideia melhor – ele respirou fundo e gritou – Cuecão!

Abriu o zíper do cinto de ferramentas e de lá tirou uma cueca de algodão de cor indefinida, algo entre marrom claro e amarelo mostarda e estendeu-a para Jason.

Frank deixou escapar uma risada.

– Não tinha alguma cor pior que essa?

– Você acha que eu tive tempo de pensar na cor? – Leo ajeitou o cinto ao lado do corpo.

Jason vestiu a peça humilhante, soltando o pano velho quase da mesma cor da nova vestimenta.

– Por que você não pensou nisso antes, Leo?

– Na hora do desespero é que a gente tem boas ideias – Leo riu – Podemos ir agora.

Jason levantou voo carregando Leo para cima da floresta enquanto Frank iniciava sua transformação. Sua postura passou para de um quadrúpede, no lugar das mãos e pés formaram-se cascos duros, ao longo de suas costas, uma crina preta e pelos brancos cresceram pelo corpo. Em poucos segundos, um alazão branco galopava pera areia da praia em direção ás semideusas.

Frank passou a trotar quando se aproximou de Hazel e Piper. Ele não pararia, seria arriscado demais, então elas teriam que montar no cavalo em movimento.

Piper e Hazel continuaram correndo quando Frank fez a curva por elas e trotou a seu lado. Hazel tomou impulso, agarrou-se na crina e, com uma incrível facilidade, montou no cavalo. Ainda correndo no chão de areia da praia, Piper estendeu a mão e alcançou a de Hazel, que ajudou a amiga montar atrás dela.

– Podemos ir Frank – Hazel disse para o cavalo, abraçando seu pescoço – O mais rápido possível.

Dito isso, Frank correu em disparada para a floresta, levantando areia por onde seus cascos passavam.

Notas finais
Primeiramente, quero dizer que eu to correndo com a fic o mais rápido que eu posso. O Sangue do Olimpo tá vindo aí e eu PRECISO terminar de escrever logo ou todos vão ficar bugados entre fic/livro. Então, comentem, deixem opiniões, ideias, críticas. Me julguem pela demora... Façam o que quiserem. Favoritem recomendem e eu gosto muito de vocês okay? okay. Vlw. Flw. Beeeijos ;* P.s: O título é um trocadilho. Entenderam? Ein? Ein? Não? Okay. :'( ~le lágrima