Uma Nova Amizade
19 Piper Desperta
Notas iniciais
PIPER
Piper despertou num quarto claro e arejado. Grandes olhos castanhos claros a fitavam até que ela despertou por completo.
– Piper! – Hazel não esperou nem ela espreguiçar-se e puxou-a para um abraço apertado.
– Oi, Hazel... – Ela deu um sorriso e a abraçou de volta, um pouco confusa – Onde estamos?
– No spa de Circe. Longa historia.
Então Hazel explicou tudo o que havia acontecido desde o ataque inesperado da criatura de agua, coisa que Piper não se lembrava mais. Alguns detalhes aleatórios ela conseguiu recordar, como uma explosão, muito sangue e Cold Play. Por alguma razão, essa ultima lembrança a deixou triste e feliz ao mesmo tempo, mas Hazel não sabia do que Piper estava falando e não pôde ajuda-la.
– Pode ter sido algum sonho – Hazel opinou.
– É, pode ser.
Piper aceitou toda a história tranquilamente, até mesmo a parte de Jason ser transformado em porquinho-da-índia, mas ao se dar conta de que tudo isso ocorreu pela perda do bebê, ficou extremamente abalada. No meio do relato de Hazel, ela fechou os olhos e levou as mãos ao rosto.
–... Daí Circe fez uns trecos doidos com as mãos e... – Hazel notou que Piper chorava – Hã, Piper?
Recebeu um soluço como resposta.
– Ah Piper, é por causa do bebê?
Piper assentiu e jogou-se no colo de Hazel. Esta se assustou com o gesto, já que não estava acostumada a consolar pessoas. Pela lógica, filhos de Hades são as ultimas pessoas a quem recorrer quando se precisa de consolo, mas por tudo o que estava acontecendo agora na vida dos semideuses, essa teoria estava se tornando duvidosa. Por isso, Hazel resolveu esquecer o fato de que seu pai era um opressor e agiu por si própria e de acordo com a sua personalidade. Foda-se os deuses, pensou, e abraçou a Piper chorosa em seu colo.
– Eu sinto muito, Piper.
Quando Piper não tinha mais lagrimas para dar e a coxa de Hazel estava ensopada, resolveu levantar-se e tomar um banho. Sentia-se muito melhor agora, embora ainda um pouco tonta. Colocou os pés no chão e sentiu o quarto girar a seu redor. Usou a cabeceira da cama como apoio até tudo ficar estável.
– Consegue tomar banho sozinha? – Hazel perguntou.
– Sim, não se preocupe – Ela respondeu e deu alguns passos em direção ao banheiro, lentamente, com medo de cair.
– Certo. Eu ficarei aqui esperando pelos garotos.
– Garotos? Sabe onde eles estão? – Piper virou-se.
– Claro. Eu cerquei o prédio com Névoa, para que Circe não os sinta se aproximando daqui. Pode ser que isso cause dificuldade a eles para nos encontrar, mas são espertos. Estão muito perto.
– Uau. – Piper levantou as sobrancelhas – Ótimo trabalho.
– Obrigada – Hazel sorriu, deixando mais marcadas as olheiras que se formavam abaixo dos olhos devido ao esforço que estava fazendo por manter a Névoa.
...
A tarde já havia caído e o céu estava púrpuro. Piper ainda estava no banho quando Leo entrou pela janela com seus recursos peculiares. Logo depois, a garota recepcionista entrou subitamente e Piper a atacou.
Depois que foram todos embora e o novo plano já estava combinado, Hazel perguntou a Piper, antes de elas descerem para o spa:
–Acha mesmo que podemos confiar na garota?
–Ela é nossa única esperança de fugirmos e salvarmos Jason, Hazel. Temos que confiar – Foi sua resposta antes das duas descerem as escadas em silêncio a caminho do spa.
...
LEO
A noite estava quieta. Leo aguçou os ouvidos a fim de identificar algo fora do normal, mas os únicos sons da floresta eram dos grilos e as folhas das árvores se chocando contra a leve brisa fresca da noite. O orvalho já começava a formar-se no chão, deixando-o mais húmido que o normal. Leo não conseguia enxergar nada além de 2 metros de distancia, nem mesmo sabia a arvore que deixara Frank. Então assoviou levemente para chama-lo e escutou de imediato as folhas da arvore mais próxima se chacoalhando, um bater de assas, e Frank já estava parado ao seu lado.
Leo explicou a ele o plano e o que ele devia fazer. Frank entendeu e levantou voo em direção ao local onde estava a gaiola com centenas de porquinhos-da-índia presos. Encontrar Jason seria a parte mais complicada de todo o resgate, mas estavam todos confiando em Frank e ele não falharia.
Leo estava sozinho novamente, dessa vez no escuro. Não podia nem se quer pensar em acender uma chama ou ligar a lanterna, isso certamente alarmaria os habitantes do prédio, então ele confiou apenas em seus instintos e foi andando pela trilha memorizada na mente, sempre alerta para algum barulho diferente. Em alguns pontos, aparecia um ou outro felino selvagem o rodeando, mas bastava Leo acender uma chama rápida na palma da mão que o animal se afastava. Assim ele foi progredindo até chegar ao limite da floresta, no mesmo lugar que antes entrara nela. Agora só restava a Leo mandar o relatório resumido para o navio, da forma mais discreta possível, pois alguém mais poderia vê-lo da ilha. Torceu para que Hazel estivesse concentrando o máximo de Nevoa possível sobre ele agora e ligou a lanterna. Mas acima de tudo, torceu para que Percy e Annabeth visualizassem o recado, pelo contrário o segundo plano falharia como o primeiro.
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