Notas iniciais
Desculpe passar do Domingo, mas foi dia das mães, então... hehehe Até lá em baixo!

Edmundo gemia ajoelhado com os braços amarrados e esticados acima dele, suas mãos estavam dormentes há muito tempo, mas não conseguiria levantar-se sozinho para aliviar essa dormência, ele tinha impressão que jamais conseguiria manter-se em pé novamente e suas costas ardiam, mas essa não era a pior parte, sentia uma dor penetrando seu corpo como se ainda estivesse recebendo as chibatadas, os músculos de suas pernas e braços queimando pelo esforço de se manter naquela posição, aos pouco começava a suar e, apesar de tremer de frio, sentia que suas entranhas pegando fogo.

Ele observou o chão com lágrimas nos olhos, ele estava sendo torturado e ele nem ao menos se lembrava do que tinha feito para isso acontecer, teria sido algo tão ruim? Ele ficava imaginando os narnianos como monstros, todos ali pareciam repudiá-los profundamente, mas como confiar naqueles que o destruíam daquela maneira? Edmundo estava confuso com tudo o que acontecia, sentia falta de Albert, Leonardo, Tom, Anna e a bonequinha que era Lucia, mas além disso sentia saudades de sombras, pessoas que espreitavam sua memória sem se revelarem.

Então, de repente, ele ouviu um barulho de pano, o pano da barraca, se mexendo, ele se encolheu imaginando uma nova sessão de perguntas, mas não ouviu passos e sim um estranho chiado. Tentou virar a cabeça para descobrir o que estava acontecendo, entretanto, isso fez seu corpo se contrair na dor e um gemido escapar por entre seus lábios. Os invasores devem tê-lo ouvido pois tudo silenciou-se de súbito. Um peso morno e carinhoso se fez sentir em sua perna e quando Edmundo desviou o olhar até ela viu um pequeno roedor que o observava com um dor nos olhos.

–Rei Edmundo? – ele perguntou ansioso.

–Agora me chamam assim – sussurrou o garoto com grande dificuldade.

O rato abriu um sorriso, e fez um sinal chamando os outro que se aproximaram sorrateiramente. Edmundo com um assombro constatou que os roedores faziam uma reverência para si e aquele primeiro rato, que parecia ser o líder, levantou-se primeiro dirigindo a palavra ao rei ferido a sua frente.

–Senhor, sou eu, Ripchip! Fique tranquilo que já vamos tirá-lo daí!

E, como se apenas aguardassem aquelas palavras, os outros ratos subiram pelo pilar e trataram de roer as cordas que o prendiam a ele. Com o trabalho feito seus braços caíram com força provocando uma imensa dor que Edmundo não conseguiu conter e acabou por gemer baixinho, Ripchip olhava-o com uma certa dor no olhar.

–Vamos, devemos ser cautelosos, está muito claro aqui – pegou a camisa de Edmundo jogada no chão – Vista isso, não queremos que chame muita atenção.

–Quem são vocês? – Edmundo perguntou soando um pouco grosso, como ele mesmo constatou segundos depois, mas não podia evitar já que desde que acordara ele sentia como se estivesse sendo jogado de mão em mão em patas¹ e ele sentia um imensa urgência de entender tudo aquilo.

–Não se lembra de nós, seus bravos guerreiros, senhor? – o rato parecia magoado, com o orgulho ferido e Edmundo sentiu a necessidade de consertar isso.

–Não me lembro de nada, nobre guerreiro Ripchip, nem de mim mesmo. Disseram-me várias coisas desde que acordei, já fui soldado, Lucas e agora parece que sou um Rei, rei Edmundo, não? Eu adoraria que me ajudassem a sair daqui, entretanto, tens certeza que sou a pessoa que procuram?

Ripchip olhava para os outros ratos aparentemente surpreso com aquela revelação, curvou-se novamente na presença do garoto e afirmou com toda certeza que seu minúsculo corpo de roedor possuía:

–O senhor é Edmundo, o Justo, Rei de Nárnia e disso eu sei. Estávamos meramente analisando os movimentos dos nossos adversários de fora, ver o quanto estavam se aproximando se nós, mas eu me senti estranhamente compelido a invadir o acampamento e dar uma olhada de perto nessa barraca, embora essas não fossem as minhas ordens... explicitamente – tratou de justificar-se – Agora vejo que só pode ser o destino que nos colocou frente a frente, senhor! Coloque a camisa, venha conosco e vejamos o que podemos fazer com essa sua memória problemática!

Edmundo não conteve o sorriso e mesmo com toda a dor que preenchia seu corpo se obrigou a vestir e sair de lá com seus novos companheiros. Andaram poucos metros para fora da barraca e já se viram obrigados a esconder-se atrás de algumas pilhas de madeira que haviam sobrado da construção da ponte, Miraz passava ali perto com um olhar de fúria.

–Aquele garoto! Não para de fazer joguinhos comigo, deixei bem claro que não estou para brincadeiras e ele simplesmente me olha e balbucia algo como “Eu não sei do que está falando”, detesto admitir uma derrota, preciso que chame Afonso, ele saberá como extrair alguma informação do jovem Príncipe – disse cuspindo as palavras para Roberto que se contentou em apenas inclinar a cabeça e se afastar.

Miraz olhou para a barraca e Edmundo levou apenas um átimo para perceber sua intenção de entrar. Observou ao seus redor e viu a sentinela mal colocada olhando para um lugar muito conveniente para ele e saiu correndo para a mata próxima com os ratos o acompanhando, só parou quando estava longe o suficiente para que os sons do acampamento não fossem mais ouvidos.

Ele tinha certeza que o rei telmarino já havia entrado e descoberto seus desaparecimento, poderiam estar procurando-o nesse exato instante, mas ele não conseguia mais se mover, toda a adrenalina que esteve presente no momento da corrida o impulsionando para frente sem se importar com a dor já havia deixado seu corpo e agora ele sentia se que mexesse um centímetro morreria, se não de exaustão de dor.

Os ratos pararam ao seu lado como que a espera de um comando. O garoto esperou sua respiração normalizar, antes de dizer qualquer coisa, mas os roedores não tinham pressa aparentemente e o esperaram pacientemente.

–Onde é seu acampamento? –disse Edmundo.

–Nossa caverna, quer dizer – sorriu Ripchip.

–Caverna? Vocês estão escondidos numa caverna? – Edmundo só conseguia ver inúmeras desvantagens estratégicas nisso – E se precisarem fugir, por onde sairão, de encontro com o inimigo?

–Meu rei, o senhor já deveria saber que não pretendemos fugir, de forma alguma!

Edmundo levantou as sobrancelhas, é claro, eles desejavam enfrentar o inimigo com glória e honra, mas deveriam ter sempre um plano B, um plano de fuga, caso sua superioridade militar os frustrasse. Não havia vergonha em preservar homens, bem, narnianos no caso, tirando-os de uma batalha que estava fadada ao fracasso.

Edmundo mais uma vez se assustou com seu pensamento militar em ação, definitivamente não havia como negar que já estivera do comando de tropas antes, a palavra Calormânia² cruzou seus pensamentos e antes que ele pudesse perceber seu significado ela já havia desaparecido.

–Levem-me até lá, por favor – disse suspirando Edmundo.

Os ratos se entreolharam por um segundo e Ripchip decidiu, por fim, compartilhar aquilo que angustiava seus corações.

–Senhor, sem um barco há apenas suas maneiras de cruzar o rio e chegar até nossa caverna, a primeira pela ponte construída pelos telmarinos, foi por onde nós viemos, nos esgueiramos discretamente por debaixo dela, e a outra maneira é pelo penhasco. Descendo-o dizem que o rio fica mais estreito de fácil passagem, mas você conseguiria atravessá-lo no estado em que se encontra? Sei que é um homem forte, senhor – tentou corrigir-se – É que suas feridas estão sangrando e parece que você irá desmaiar a qualquer momento.

–Eu sei, nobre guerreiro – Edmundo se deleitava com o aspecto de Ripchip quando o chamava assim – Mas não temos muita escolha quanto a isso, eu tentarei aguentar, só nos guie até o tal penhasco.

–Senhor, foi você e seus irmãos que descobriram a passagem por ele, tenho uma vaga noção do local, mas será o senhor a nos guiar. Eu sei que não se lembra de coisa alguma, mas eu tenho fé o destino não nos uniu apenas para nos deixar ser pegos. Siga-me, senhor, vamos até o penhasco.

Edmundo o seguiu calado, com suas dúvidas sobre sua capacidade de guia-los para si. Andaram penosamente por algum tempo com constantes paradas para que ele conseguisse se recuperar, por fim, chegaram ao penhasco e Ripchip o olhou ansioso.

–Eu não sei se posso fazer isso, Ripchip! – Edmundo olhou ao redor e não tinha a menor ideia de onde poderiam estar – Eu não lembro de ter estado aqui antes!

Ele se aproximou do penhasco e o analisou por uns instantes, detectou uma falha ali perto e ajoelhou-se do lado dela, tinha esperança que desse no caminho certo, mas aparentemente ele estava enganado. Edmundo virou-se para os companheiros.

–Bem, vamos parar aqui e descansar, talvez mais tarde possamos encontrar comida e, quem sabe, a saída daqui.

Ele lançou um último olhar ao penhasco e se afastou indo se deitar na base de uma árvore, os ratos, com exceção do que estava responsável pelo primeiro turno, juntaram-se a ele. Quando apoiou a cabeça Edmundo suspirou, todas as frustações e dores vindo até ele com força total, ele só queria suas memórias de volta e, assim que ele tirou um cochilo, teve seu pedido em parte realizado.

“Edmundo estava agachado atrás de uma pilha de troncos recém cortados ao lado de um garoto, duas meninas e um anão, observavam com um assombro a ponte dos telmarinos ser construída. O garoto virou-se e se afastou do local, sendo seguido pelo anão, as duas meninas e, finalmente, ele mesmo. Andaram em silêncio até o penhasco que o rio Veloz tinha formado pela erosão – o mesmo que Edmundo tentava atravessar, agora com os ratos – A garota mais jovem observava o penhasco melancolicamente até ter sua atenção atraída pela voz do garoto.

–Lu, onde achou ter visto Aslam?

A pele de Edmundo se arrepiou com a menção àquele nome. Os olhos da garota mostraram uma pequena revolta que ficou mais evidente com suas palavras.

–Eu queria que parassem de tentar parecer adultos! Eu não achei que vi o Aslam, eu o vi! – E caminhou na direção de Edmundo se aproximando cada vez mais da borda.

–Eu sou adulto – murmurou o anão. E Edmundo sentiu o canto de sua boca se mover num ligeiro sorriso.

A garota se aproximou cada vez mais da borda.

–Estava bem aqui...

A terra da beira do penhasco cedeu fazendo a garota cair, o coração de Edmundo bateu mais forte de preocupação e o grito da menina ecoou em seus ouvidos.

–Lúcia – gritou a mais velha correndo, junto com os outros em direção a garotinha que aparentemente se chama Lucia.

Edmundo se aproximou e viu que ela não havia caído muito, apenas um pouco mais abaixo do nível em que eles estavam num local que formava um caminho até o rio, que estava estreito o suficiente para permitir a passagem dos garotos.

–Aqui! – disse Lúcia sorrindo com sua conquista”.

Edmundo acordou abruptamente, estava começando a escurecer e ele observou que os ratos já haviam trocado o turno da sentinela sem o avisar, ele se sentou e apenas esse movimento foi o suficiente para lembra-lo da dor e gemeu baixinho. Ripchip o ouviu e andou até ele lhe entregando uma frutinha, para os ratos aquilo até podia ser uma refeição completa, mas para Edmundo não era o suficiente nem para sentir o gosto, todavia ele aceitou com prazer a gentileza do rato.

Encostou na árvore tentando relaxar os músculos rígidos e tentou lembrar-se do seu sonho, sentiu uma dor no peito por saber que aquelas pessoas do sonho deviam ser muito importantes para ele e mesmo assim não conseguia saber quem eram. Pelo menos agora entendia porque se sentira tão curioso quando a bonequinha do desfile dissera seu nome “Lúcia”.

Levantou-se de súbito, querendo encontrar a parte do penhasco que vira no sonho, a parte que tinha a passagem para o outro lado do rio Veloz. Andou alguns metros à frente de onde estavam chamando a atenção de seus companheiros.

–Onde vai, meu rei? – perguntou um dos ratinhos cautelosamente.

–Eu – Edmundo hesitou, não tinha muita certeza se podia confiar no sonho, mas era a única coisa que tinha no momento – Eu tenho a impressão que... que é por aqui, a saída. Eu só gostaria de verificar.

Ripchip andou até o seu lado com os outros ratos atrás de si.

–Nós o acompanharemos, senhor!

O garoto sorriu ao olhá-los, seu coração se aquecendo com aquela lealdade sem fim deles. Eles não precisaram andar muito para que Edmundo achasse o ponto que Lúcia havia caído e quando mostrou o local aos roedores eles ficaram fervorosos e o acompanharam sem hesitar. A decida foi dura, o garoto parava a cada 3 ou 4 passos de dor, com o corpo frio ela era ainda mais evidente, entretanto, a esperança de todos havia sido renovada de tal maneira encontrando aquele caminho que ninguém queria desistir ou deixar para depois.

Atravessar o rio foi um pouco complicado, mesmo estreito e com um caminho de pedras a correnteza era forte e quase os derrubou inúmeras vezes, mas chegaram ao outro lado do rio são e salvos. Eles andaram até uma clareira e ali descansaram por um momento, mas precisavam prosseguir, seria melhor se chegassem ao amanhecer na caverna.

Edmundo começou a sentir-se tonto e embora parecesse que seu corpo estava em chamas estava tremendo de frio, como se todo aquele calor que estava nele estivesse sendo retirado impiedosamente de seu corpo. Ele persistiu, sabia pelas informações de Ripchip que deviam estar perto e, enfim, avistaram a abertura da caverna e o garoto não pode deixar de sorrir. Eles começaram a se aproximar da abertura e Edmundo olhou para cima, para as estrelas que brilhavam belamente no céu. Então uma dessas estrelas se apagou e então a outra, e uma outra e demorou algum tempo para que ele percebesse que não eram as estrelas que estava se apagando, mas ele que perdia a consciência. Ele caiu no chão, quase tudo escuro na sua visão, mas ainda pode ouvir Ripchip, ordenando a um dos ratos que fosse buscar ajuda o mais rápido possível, ouviu um barulho de trote e então nada.

Notas finais
¹ não resisti hehehe de mãos em mãos em patas kkkk Sim, eu tenho um senso de humor meio infantil, admito! ² Calormânia é o nome do país que n"O cavalo e seu menino" teve seus planos de conquistar a Arquelândia e Nárnia (pelo casamento com Susana) frustrados, falando beeeem simplificadamente porque eu li faz uma era e só me lembro superficialmente da história hehehe Mas nela fica claro a mente estrategista que Edmundo desenvolveu nessa sua primeira estadia em Nárnia (para quem não sabe essa história acontece durante o reinado dos nosso lindos!). A parte do sonho entre aspas e em italico foi tirada do filme, eu só coloquei no ponto de vista do Ed heheh Por fim eu já estou na metade do próximo capítulo, então não demorará nem uma semana (espero eu) para que eu possa postá-lo e a melhor notícia de todas eu finalmente aprendi a mexer no "novo" Nyah! quer dizer, eu acho que sei, e agora eu posso ver que um pessoalzinho leu e não disse nada, só deixando no ar heheheh Enfim, espero que tenham gostado!! P.S. Dei uma revisada beem por cima, então desculpe qualquer errinho.