Notas iniciais
Olha eu aqui de novo, gente! Aqui é a Vanessa BR de novo, postando mais um capítulo recheado de ação! Espero que gostem e boa leitura!

– N-Não...! De novo, não...! – a voz fraca de Tabita ainda expressava terror. – Por favor, já chega...!

– Tá com medinho, inútil? Sabe que adoro essa sua expressão de terror?

– Por favor... Não faça mais isso... Eu imploro...! Não vou aguentar...!

– Você tem que aguentar, porque eu ainda não acabei.

Realmente, Servia não havia acabado. Tabita era seu brinquedo favorito, e os gritos dados por ela soavam como música para seus ouvidos. E pra ficar ainda mais divertido, era ainda melhor temperar sua brincadeira de torturar com umas pitadas de tortura psicológica.

Sorriu ante o início de mais uma sessão que se iniciava, para terror de quem via aquele sorriso extremamente sádico.

– Desta vez, vai ser diferente, garotinha mimada...

– Como você fugiu daqui – Mabel disse ao se adentrar no cômodo, junto com Soraya. – Você receberá um “pequeno” castigo.

– E este castigo será dado por nós três! – Soraya finalizou.

O pânico estava estampado na face de Tabita. Já pressentia o pior, mas o único pensamento que lhe ocorria era:

“Tavius... Por favor, me encontre e me ajude...!”



***



“Tavius... Por favor, me encontre e me ajude...!”

Não havia dúvidas. Havia uma forte conexão entre ele e Tabita. E estava em um grau no qual até havia a conexão telepática.

O sol nascia naquele momento. Olhou para trás e não encontrou Valery. Samira estava preparando os cavalos para prosseguir a jornada. Tavius levantou-se de onde estava e foi encontrar Samira.

– Cadê a Valery? – perguntou.

– Ela tá treinando logo ali um pouco de magia, com um livro.

– Com a mão direita daquele jeito?

– Não, ela tá treinando com a esquerda até aprender uma magia de cura.

– Ela não sabe magia de cura?

– Se ela soubesse – Samira disse com expressão cética. – Ela não estaria com aquela mão ferida ainda.

– Ah, verdade, eu me esqueci desse detalhe. – Tavius disse meio sem graça.

Nesse meio-tempo, Valery reapareceu de bom humor, apesar do fracasso da véspera.

– Aprendeu a magia da cura, é? – Tavius perguntou.

– Não. – Valery respondeu. – Mas aprendi a dominar a mão esquerda e uns novos truques. Tenho vontade de usar isso logo contra algum adversário!

– Aprende rápido, hein? – Samira disse.

– Sabe como é, né...? Na hora do aperto a agente aprende logo.

– Me desculpem, mas vamos deixar esse momento pra depois. – Tavius assumiu novamente seu ar sério. – Precisamos seguir nossa jornada e...

– Se a Valery já tiver condições. – Samira o interrompeu.

– Não vamos atrasar mais por minha causa. – a maga disse. – Eu tenho condições de seguir.



***



Servia, Mabel e Soraya apenas contemplavam a expressão de horror de Tabita, que já sentia que o pior estava prestes a lhe ocorrer. As três exibiam o mesmo tipo de sorriso sádico que as caracterizava e que justificavam a fama de cruéis.

– Você ainda acha que aqueles três patetas vão te salvar? – Mabel perguntou. – Eles vão desistir logo de te procurar. Aliás, você não vai ser encontrada.

– Queridinha, o seu irmãozinho ridículo só tá atrás de você pra não ficar com a consciência pesada por causa de uma promessinha ridícula feita ao velho moribundo. – Soraya acrescentou. – Ninguém gosta de você de verdade, estão apenas interessados nas posses do velho.

– Você acha mesmo que a sua amiguinha maga vai continuar atrás de você? A culpa é sua por ela ter perdido pra nós. – Servia prosseguiu. – Se você não fosse tão inútil, ela não teria se dado ao trabalho de fingir que gosta de você. Os fracos não passam de fardos pesados para os fortes, que apenas querem se livrar desse peso para poderem viver direito.

– É mentira... Isso é mentira...! – Tabita protestou aos prantos.

Mabel desferiu uma bofetada na jovem e disse:

– Seu pai, a esta altura, não suporta mais ouvir seus gritos lá no inferno! SEU PAI APENAS FEZ DE VOCÊ UMA GAROTA MIMADA E SEU IRMÃO, NA VERDADE, TEM ASCO DE VOCÊ!

Soraya segurou com força o pescoço de Tabita, de modo que sua respiração estava prejudicada e prosseguiu:

– VOCÊ ACHA QUE SEU IRMÃOZINHO TE AMA? ELE SÓ QUER SE LIVRAR DE UMA PROMESSA! ELE VAI PARAR DE TE PROCURAR E QUER QUE VOCÊ MORRA! ELE QUER SE LIVRAR DE VOCÊ!

Tabita não acreditava em nenhuma palavra do que lhe diziam, sentia e sabia que aquilo tudo não era verdade. Sabia que seu irmão a estimava muito, sabia que havia entre eles um laço forte o suficiente para não ser quebrado. Sabia que Samira e Valery eram suas amigas de verdade e que os três estavam, sim, à procura dela.

– Esqueça, queridinha... – Servia disse, preparando uma esfera negra rodeada de raios elétricos, junto com as duas companheiras. – Mesmo que aqueles três idiotas venham atrás de você, eles não vão aguentar nossas doze bestas.

Após dizer isso, as três lançaram as esferas contra Tabita, que mais uma vez soltou um grito agudo de dor e sentia seu corpo se contorcer involuntariamente. Sentiu mais queimaduras surgirem por seu corpo já bastante debilitado e ferido. Era uma dor atroz, que a fazia sofrer e chorar mais a mais.

Servia, não contente com isso, pegou um chicote e laçou o pescoço da indefesa refém. A cada puxão, a jovem ficava cada vez mais sufocada. E, com mais uma invocação, Soraya fez com que aparecessem imagens de Tavius, Samira e Valery.

– Ora, ora, o que temos...? – Mabel ironizou. – Aqueles idiotas ainda insistem em prosseguir. O que aconteceria se enviássemos doze bestas para destruí-los?

Com palavras ininteligíveis e murmuradas, Mabel fez mais uma invocação e, instantaneamente, as criaturas anteriormente mencionadas apareceram. O trio era visualizado ali, agora cercado.

– Soraya, pode apagar. Servia, já chega de tortura por hoje. Vamos. E você – dirigiu-se a Tabita – Pode desistir. Eles não vão suportar enfrentar as minhas bestas.



***



– Tavius, me lembre de dar uns belos sopapos naquelas bruxas nojentas, ok?

– Pode deixar, Samira. Eu lembrarei. Assim que a gente sair desta grande fria onde nos metemos!

– Eu lembro os dois. – Valery disse. – E quando eu estiver com a mão direita recuperada, vou dar um chute no traseiro delas!

– Ok, gente! Uma dúzia contra três. Temos então quatro cada um. Tavius, Valery, vocês têm certeza de que dão conta?

– Eu acredito que sim. – Tavius disse. – Vamos ao que interessa!

Samira tirou de sua aljava uma flecha de ponta vermelha e colocou em seu arco. Em qual daquelas bestas ela iria acertar primeiro?

Todas eram verdes, de uns dois metros e meio de altura, parecendo ogros. No entanto, eram como animais selvagens, com presas para fora da boca. Eram criaturas fortes e rápidas, que procuravam ir mesmo para cima daqueles que, se cometessem algum deslize, se tornariam suas presas.

A arqueira mirou na cabeça de uma das feras que se aproximava dela rapidamente. Retesou o arco o máximo que pôde, a fim de dar impulso à flecha. Assim que soltou, a flecha fez sua trajetória e acertou não a cabeça, mas o peito da criatura.

E, cinco segundos depois, uma explosão se fez ouvir. A flecha era explosiva e matou na hora a primeira besta. A segunda foi mais difícil, conseguiu atingir o braço esquerdo de Samira com as garras, mas foi apenas de raspão. Apesar do susto, sua pontaria não foi tão comprometida: acertou o olho direito da besta com mais uma flecha explosiva, estourando a cabeça e fazendo o corpo cair pesadamente.

Tavius não queria saber de brincadeira, já partiu para cima das bestas em um único impulso. Atingiu o pé da primeira criatura, que caiu no chão. Com a espada, ele conseguiu se desviar das garras e enterrou sem dó a lâmina no peito daquela besta. A segunda avançou contra ele, mas teve o mesmo fim, pois o espadachim deslizou por baixo e a atingiu nas costas, também cravando a espada e a matando.

Valery, por seu turno, teve alguma dificuldade em usar a mão esquerda, mas usou um novo truque:

– Trancu!*

De sua mão esquerda, saiu uma lufada de vento cortante, ao mesmo tempo em que seus olhos brilharam. O vento cortante simplesmente partiu a primeira besta em duas partes, bem ao meio e na vertical. Mais uma vez, invocou a magia de corte e uma nova lufada de vento cortante atingiu a segunda besta, desta vez separando as pernas do restante do corpo.

Até agora, estavam indo bem, mas haviam vencido apenas a metade daquelas bestas. Em vez das criaturas recuarem, elas cercaram o trio. Do nada, elas se tornaram mais vorazes e agressivas e avançaram para cima de Valery, Samira e Tavius. Eles acabaram atingidos pelas garras velozes das bestas e ficaram completamente encurralados.

Mesmo eliminando metade dos adversários, ainda estavam em desvantagem numérica. Ainda havia meia dúzia de bestas para enfrentar e, neste exato momento, elas os cercavam.



***



Em meio à penumbra do cômodo ao qual estava confinada, Tabita ouviu os risos das suas três sequestradoras. Reconheceu uma das vozes do lado de fora como a de Soraya, que disse:

– Eles não têm chance contra aquelas bestas que você enviou, Mabel. Se já se cansaram na metade da batalha, não vão aguentar chegar ao fim!

Aquela frase deixou Tabita ainda mais angustiada, e lágrimas escaparam de seus olhos, temendo o pior:

– Tavius... Samira... Valery... Por favor, não morram...!

Notas finais
* “Cortar!” Continua...